O OLHAR DA RELIGAÇÃO

O olhar ético, do sujeito ético é um olhar de religação.  Uma pessoa ética reconhece  no seu ato individual, no seu agir , nas escolhas e decisões pessoais a atitude de religar. O sujeito ético, como sujeito de si mesmo, comprometido em ser melhor para depositar o  melhor de sua conduta para o bem comum, tem a consciência plena da sua  interdependência no conviver das relações. Religa-se com o outro, religa-se com a comunidade onde habita,  religa-se com a sociedade e ainda, religa-se com  a espécie humana. Este é o olhar da religação ética. Não pode haver ética sem religação.  A atitude isolada e egoísta, serve aos regramentos da heteronomia, daquilo de vem  fora de si mesmo.  O sujeito  pode  cumprir regras e normas mas, está  distante da atitude  ética. A ética vai além …  “ O sentimento de comunidade é e será a fonte de responsabilidade e de solidariedade, sendo estas, por seu turno, fontes de ética.” Edgar Morin

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Vivi

MODELO FABRIL

O modelo fabril herdado da Era Industrial, privilegiou sobremaneira o pensamento analítico negligenciando a síntese integrada ao pensamento sistêmico e às competências emocionais. Para treinar operários produtivos em massa  visando apenas a produção quantitativa, negou-se completamente as qualidades humanísticas do  ser humano integral e integrado em seu meio. Ocorre que, este foi o modelo implantado nas escolas que permeou e ainda se mantém  na educação até os dias de hoje. Desde a disposição do mobiliário escolar nas salas de aulas “militarescas”, até a construção arquitetônica, as formas relacionais burocratizadas e hierarquizadas das escolas, da creche à universidade, tudo ordenado em fileiras e compartimentos separados. Ao privilegiar o quantitativo negou-se o sistêmico, o cognitivo, o emocional, o relacional, o espiritual e energético. Muito recentemente tem aparecido no cenário pedagógico reflexões que abordam a necessidade de uma transformação pedagógica e cultural em nosso sistema educacional. Cabem algumas perguntas: que ser humano queremos formar? quais os verdadeiros propósitos da educação? que sociedade sonhamos para os filhos dos nossos filhos? em que mundo queremos viver e conviver? até quando vamos continuar privilegiando a técnica em detrimento da humanização do humano? almejamos viver em uma democracia que acolhe os seus cidadãos igualitariamente, ou ainda queremos sustentar sociedades desiguais e injustas com o humano, seus filhos e filhas e com a natureza?

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Vivi

A LIMITAÇÃO DO REDUCIONISMO

O viés reducionista do conhecimento, evidente na cultura ocidental, é portador de um pensar fragmentado, que privilegia a análise que separa as partes do todo, examinando as partes isoladamente. A fragmentação analítica quebra a complexidade em pedaços como partes isoladas e às vezes desconexas. Se tudo no universo é interdependente por natureza, a forma de pensar do reducionismo se torna extremamente limitante quando se fixa nas especificidades e especializações.O especialista da sociedade moderna é alguém que pode saber muito sobre pouca coisa mas, perde os contextos e as interconexões. Sendo a complexidade dinâmica, fixar-se num único ponto limita a percepção empobrecendo o olhar. O sere humano desde os primeiros anos de vida na sua infância, já revela a sua inteligência sistêmica como uma capacidade natural de fazer sínteses integrada à outra dimensão do movimento cognitivo que é a análise. Na escala cognitiva, tanto a síntese como a análise caminham juntas num processo espiralado  de pensar e raciocinar para compreender o mundo vivo na sua dinâmica interdependente e mutável. Sempre que reduzimos o nosso raciocínio limitamos o nosso olhar e com ele a possibilidade de melhor compreender o mundo, o viver e o conviver. Grande parte dos conflitos que surgem nas relações humanas advém de um pensar reducionista que limita a compreensão de si, do outro e do mundo. Lembrando que julgar não é compreender.

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Vivi

ÉTICA E O PONTO CEGO

O ponto cego da ética é a conscientização. Se não houver um sujeito consciente de si, consciente de seu entorno e consciente da sua responsabilidade diante de suas escolhas e decisões, a ação ética ficará comprometida. A consciência de que somos parte de um sistema integrado no viver e conviver humano e das consequências de nossas ações sobre este grande organismo, é o que vai alimentar e permitir nossas escolhas éticas. Portanto, a educação tem uma responsabilidade fundamental na formação do cidadão consciente e responsável. Educar para uma vida ética é educar para valorizar os valores que sustentam a vida e todos os organismos vivos. Se integrados, somos naturalmente afetados por todas as escolhas feitas pelo sujeito-cidadão em todos os âmbitos de atuação do humano, seja na vida pública como na vida privada, na política, na economia, na religião, na administração, na saúde, no urbanismo, em fim, em todos as instâncias vividas pelo ser humano. Só um sujeito consciente de si, do outro e do sistema ao qual está inserido e portanto, dependente deste sistema integrado, poderá assumir o compromisso responsável por suas escolhas e decisões. Ser ético é ser consciente de uma responsabilidade cognitiva, afetiva, emocional e espiritual.

Abraços    ****

Vivi

COMPREENDENDO SISTEMAS

A história do ser humano,  revela que o mundo natural foi o grande mestre da criatura humana em seu processo evolutivo. Foi com a natureza, com os ciclos das chuvas e ventos, com a configuração do céu, dos  períodos de estiagens, verões e invernos, que o humano aprendeu a compreender os sistemas do mundo vivo. Aprender a caçar significava aprender a reconhecer os sinais da floresta. Aprender a cultivar alimentos significava aprender a manejar o solo e a água de acordo com as estações. Foi  através do  aprendizado dos ciclos da natureza, que o ser humano pode aprender sobre as relações sociais. Aprender a reconhecer  e compreender a dinâmica dos sistemas, suas inter-relações e interconexões , é também aprender  a reconhecer as consequências das escolhas e portanto, assumir uma atitude responsável  sobre as decisões que tomamos ao longo do viver. Contudo, quanto mais nos afastamos da natureza,  mais distantes temos ficado da consciência do respeito e responsabilidade de nossas escolhas.  Somos o que somos porque somos juntos. Não estamos separados. Fazemos parte integrante da complexidade dinâmica dos sistemas vivos, uma responsabilidade  sobre a qual não podemos nos furtar.

Abraços    ****

Vivi

 

AÇÃO E CONSEQUÊNCIA

Para toda ação haverá uma consequência, bem como se há uma causa haverá um efeito, são leis do universo. Leis antigas mas que, nem sempre as pessoas tem incorporado no seu pensar e agir cotidiano. Quando fazemos uma escolha, tomamos uma decisão, nem sempre temos clareza das consequências desta ação. Pode ser uma simples escolha como “repetir o prato” quando estamos fazendo uma refeição, comprar mais uma camiseta ou ainda as decisões que podem definir uma vida, como a escolha de uma profissão ou um casamento. Fato é que, tudo neste universo que tem uma causa, terá inevitavelmente um efeito, porque tudo neste universo está absolutamente interconectado. Estamos imersos numa complexidade dinâmica portanto, é fundamental ter consciência dos impactos que uma determinada escolha terá para a nossa vida pessoal como também para a nossa vida relacional, ambiental. A complexidade dinâmica está em todas as instâncias do viver humano, tanto no mundo material como no mundo espiritual, na física e na metafísica.  Quando compreendemos que estamos imersos em sistemas integrados, podemos compreender a multiplicidade de desafios sociais e ambientais que enfrentamos no viver e no conviver. Compreender sistemas integrados na dinâmica da complexidade, é compreender a nossa responsabilidade em tudo que fazemos ou pensamos, é compreender que sempre haverão consequências  de acordo com as escolhas que fazemos. Se temos consciência desta inter-relação, podemos considerar com mais ponderação  a relação entre causa e efeito. A política, a economia, a religião, são instâncias que precisam se ater ao pensamento sistêmico para considerar as escolhas e portanto, as consequências no micro como no macro. Consequências que muitas vezes podem ser intensamente sofridas e irreparáveis. Tudo está interligado, portanto, somos todos responsáveis e co-responsáveis tanto no plano intrapessoal, como no interpessoal das nossas relações, no micro como no macro do viver humano em todas as suas dimensões.

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Vivi

NÃO HÁ COMO SEPARAR …

A superficialidade de uma certa maneira de pensar tende a separar indivíduo, sociedade e  espécie. Impossível! Não há como separar! As três instâncias formam um tripé: indivíduo-sociedade-espécie. Edgar Morin afirma com toda a sua sabedoria que “… o indivíduo humano, mesmo na sua autonomia, é 100% biológico e 100% cultural. Apresenta-se como um ponto de um holograma que contém o todo (da espécie, da sociedade) mesmo sendo irredutivelmente singular.”  Todo humano carrega consigo uma herança genética e ao mesmo tempo os “imprintings” de uma cultura, com todos os seus regramentos, modos e formas relacionais. Metodologicamente podemos até distinguir as fontes biológicas, individual e social mas, jamais isolá-las. Este olhar faz toda a diferença para um pensar e refletir em profundidade. É um olhar-pensar, que considera o contexto, a integralidade, a interdependência dinâmica entre os sistemas formadores do humano em seu meio ao longo de sua história pessoal, social e biológica. Estas três fontes estão no coração de todo ser humano, na sua subjetividade, na sua qualidade como sujeito de si e sujeito de uma sociedade onde vive e convive. Esta é a clareza que pode discernir para compreender e agir com responsabilidade e respeito, considerando a si, ao outro, os outros e o meio.

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Vivi

CONTROLE OU IDENTIDADE – ONDE ESTAMOS?

Onde estamos em nosso viver, no controle da vida e do mundo ao nosso redor, ou na busca de identificação com o nosso maior e o nosso melhor? O egoísmo leva ao controle, é uma atitude que insiste na imposição de certos modos de viver. A precariedade interior do egoísta o leva a acreditar que apenas as suas referências são corretas e portanto, ele tende ao controle, tende a uma atitude controladora em seu viver.  A riqueza interior é alimentada por uma atitude que busca identidade em referências criativas, renovando a si mesmo e compartilhando com o mundo o seu melhor. Seria possível nutrir uma qualidade perceptiva que possa reconhecer onde estamos na vida?  Reconhecer os padrões mentais que se repetem nos condicionamentos? Seria possível se perguntar o que realmente é um pensamento? De onde vem os nossos pensamentos e para onde eles vão? Para encontrar respostas ou, nos aproximarmos de algumas respostas, mesmo que sejam provisórias, precisamos de paciência e perseverança, precisamos de pausa e silêncio interior, precisamos de um compromisso ético e da coragem de querer se ver e se reconhecer para trazer de si o mais grandioso e sagrado do humano: a essência humana.

Abraços    ****

Vivi

SEQUESTRO EMOCIONAL

Quando perdemos a atenção perdemos o contato com a realidade. As distrações, a agitação, a ansiedade, o torpor, a sonolência, a preguiça, são fatores que roubam a capacidade de estarmos presentes na presença do instante vivido. Autocontrole, autoconsciência, requer uma atenção voltada para o momento presente. A desatenção impede o reconhecimento dos pensamentos e das emoções no viver cotidiano. As distrações sequestram a nossa capacidade de reconhecimentos do fluxo dos pensamentos, das emoções e das respostas neuromotoras e passamos a agir segundo as formas dos automatismos e dos condicionamentos. Então, reagimos e não agimos diante dos acontecimentos nos encontros do vivido. O treino atencional permite a auto governabilidade, a capacidade de adequação e autorregulação. Quando as emoções saem do nosso controle, ficamos à mercê dos padrões mentais e dos padrões de comportamento que são  automatizados. São as respostas condicionadas adquiridas, que muitas vezes causam dor e sofrimento em nossas relações pessoais e interpessoais. No condicionamento perdemos a criatividade, perdemos a alegria. O caminho para reverter este quadro sofrido e por vezes hostil, é a pausa. Ao pausar temos a possibilidade de reconhecer para transformar. Lembrando que, pausar também se aprende.

Abraços    ****

Vivi

A COMPLEXIDADE DA ÉTICA

Falar em ética, pensar e refletir sobre a ética é falar e pensar sobre a complexidade. A complexidade da ética,  inclui a ética da complexidade. Embora que, a moral com suas leis, normas e regramentos explícitos e implícitos para a conduta humana e suas relações  apresente as balizas do viver e conviver, é a ética que irá direcionar o comportamento interpessoal e intrapessoal em todos os âmbitos da vida humana. Os regramentos morais não conseguem garantir relações  honestas e salutares  pois,  ainda estão na ordem dos ordenamentos e como tal, se colocam “fora” do sujeito. São ordenações a serem cumpridas no dever de serem  respeitadas em grande parte,  sob a vigência do medo.  A ética pelo contrário, parte do ser interior, nasce na consciência do sujeito consciente de si.  A ética está na construção da subjetividade humana, daí a sua complexidade.  A ética está na dimensão de um compromisso pessoal, de uma vontade lúcida de querer compreender para agir com dignidade no respeito pessoal a si e ao outro. Sendo a ética inclusiva, ela reconhece e compreende a diversidade, a pluralidade, ela contempla o contexto, a razão e a emoção, o sensível e o afetuoso. A ética não comporta o reducionismo que tende à homogeneidade.  A ética vai além e muito além das regras do externo, ela está na instância da liberdade  humana.

Abraços   ****

Vivi