NOVOS TEMPOS NOVAS DEMANDAS

Nossas crianças, cada dia mais cedo, tem mais contato com as novas tecnologias. Estímulos de todas as ordens geram uma intensidade maior de exigências, em que a experiência do tempo se diferencia na velocidade, com mais distrações e dificuldade de sustentação de um foco. As novas gerações diante do mundo contemporâneo, pedem mudanças e renovações. Novas habilidades são solicitadas diante das necessidades de um mundo de distrações crescentes e relações interpessoais ameaçadas, onde as ligações entre as pessoas se tornam mais distantes, pouco vinculares, com enorme perda de confiabilidade. Novos tempos exigem o desenvolvimento de novas habilidades diante das novas demandas. O desempenho intelectual, o desenvolvimento pessoal e interpessoal, pedem habilidades diferenciadas para enfrentar os desafios sociais e ecológicos deste contemporâneo. O pensamento sistêmico e organizacional, a aprendizagem social e emocional, são elementos fundamentais a serem desenvolvidos para favorecer o viver nesta atualidade. Saber pensar de forma sistêmica, sob uma ótica que reconhece a inter relação de um organismo dinâmico e em mutação permanente, saber reconhecer e gerenciar as emoções, saber relacionar-se com o mundo, com os objetos do mundo e com as pessoas em suas diversidades e ainda, saber lidar com as distrações e estimulações em grande velocidade, é o desafio que o humano tem diante de si. São novos tempos, que exigem novas habilidades diante das novas demandas.

Abraços    ****

Vivi

VER O MAL FORA DE SI

A miopia de um olhar conveniente e superficial, de alguém que se nega a  ver para compreender, retrata uma certa forma existencial que insiste em sempre ver o mal fora de si. Quando o mal está está fora e portanto, está no outro, este “outro” se torna “o culpado”. Culpabilizar o outro e o mundo pelas mazelas pessoais, é uma forma psíquica infantilizada, desrespeitosa e irresponsável, causadora de muitos sofrimentos para o próprio indivíduo e para o seu entorno. Um modelo sociocultural que subjuga e inferioriza o outro, tornando-o  passível de exploração, é um modelo perverso que tende a perpetuar a violência e a destruição moral. Porém, é um modelo que proclama um  discurso moralista, advindo de uma classe social favorecida por privilégios culturais, que no geral insiste em ver o mal fora de si, transformando o outro sempre  em culpado. O moralismo e o moralista, se recusam a ver nas ações do cotidiano, a condição exploratória  do outro e do mundo, pela usurpação do tempo do outro, da energia do outro e de qualquer possibilidade de redenção futura. O reconhecimento desta forma de agir e de se relacionar e a escolha consciente de transformação e mudança nas atitudes relacionais no conviver, depende de uma consciência que é capaz de se ver para reconhecer que, cada pessoa tem a sua parcela de responsabilidade no cenário social e ainda, ver que todos portam em si o direito legítimo a terem oportunidades de desenvolvimento.  O reconhecimento dos falsos discursos já é em si mesmo, uma possibilidade de ver que uma sociedade e uma comunidade, só pode sustentar a sua condição de salutar se cada sujeito reconhecer o seu papel dentro do seu meio e portanto, a sua responsabilidade participativa nas ações de micro política.

Abraços    ****

Vivi

 

RESTITUIR O SENTIDO

Uma vida sem sentido,é uma vida vazia e adoentada. Restituir o sentido da vida e o comando ou arbítrio sobre sua própria vida, só poderá acontecer junto. No isolamento não há vinculo, não há voz. Quando nós pessoas, pudermos restituir também o sentido e a dignidade da vida daqueles que foram transformados em marionetes, a vida começará a ter sentido e significado. Uma vida incapaz de refletir sobre si mesma é uma vida sem sentido, uma vida de uma pessoa abandonada e portanto, facilmente capturada por qualquer falso discurso que a torne  alienada para continuar sendo objeto de dominação. Somente o resgate da reflexão poderá abrir as portas da percepção. Refletir e pensar sempre para entender e poder compreender, para escolher segundo uma consciência que se presentifica na sua dignidade. Resgatar o sentido da vida, é se sentir digno de ser um ser humano, ser gente, de viver a liberdade da vida.

Abraços    ****

Vivi

O ESPERTO E O TOLO

Numa sociedade completamente pautada por uma ideologia capitalista dos lucros espúrios, onde o “Estado é demonizado e o mercado é virtuoso”, lembrando as reflexões brilhantes do sociólogo Jessé Souza, não sobra espaço para se pensar em confiabilidade. Uma ideologia capitalista sustentada  no mais puro interesse do lucro a qualquer custo, que fabrica falsidades permanentes para manter os privilégios das “classes endinheiradas” que monopolizam as forças a seu favor, inclusive se utilizando de discursos “virtuosos” da sobriedade, acaba disseminando pelos ares a noção do esperto e sua “esperteza”. Ocorre que, dentro uma lógica muito simples, se existem espertos é por que existem os tolos. Então, quem são os tolos? Quando a capacidade intelectiva de um povo é sequestrada, paira nos ares a ideia de que ninguém pensa. Dois fatores emanam: primeiro é a imperativa necessidade de uma ação que estimule o pensar, o refletir para discernir e compreender o que realmente acontece. Segundo, com a entrada no cenário social da tecnologia onde as informações são veiculadas rapidamente, não há mais como uma classe de poucos privilegiados ocultarem seus favoritismos sustentados por uma moralidade que insiste em convencer os “desclassificados”, os “trabalhadores”, assalariados, de um “não merecimento”. Se há um esperto há um tolo. Ocorre que, “poucos” espertos se infligem sobre muitos considerados tolos. Então, quem é quem neste cenário? Um sujeito capturado pelo medo não consegue perceber que está sendo feito de tolo.

Abraços    ****

Vivi

 

HORIZONTE DE PENSAMENTO E AÇÃO

Um olhar ampliado, em perspectiva, amplia os horizontes do pensamento e das possibilidades de ação e auto manejamento de si. Visionário é aquele que prospecta, que nutri sonhos com a coragem de ver além de seu tempo, em geral são aqueles que constroem as pontes para o futuro, fazendo conexões, religando pontos que o míope não consegue enxergar. Uma ação sempre é precedida de um pensamento e portanto, de uma forma somática. O humano pensa e age com corpo, com músculos, motivado pelas emoções e memórias vividas. Um corpo flexível colabora com pensamentos que conduzem a ações criativas. O rigidificado, em geral, encontra em si as barreiras da mudança, obstáculos que a percepção não nem consegue captar pela desconexão consigo e com o mundo. Habitar um corpo é saber de si, é apropriar-se da potência de si, da vida que oferece  ao humano a possibilidade de ver com nitidez a radiância e a amplitude do horizonte, em pensamentos e ações renovadoras. Renovar-se , transformar-se, recriar-se, ampliar o espectro da visão e conectar-se com o que está por vir, apenas esperando ser acionado, é criar o Homem Novo. Acionar a coragem para abandonar os velhos padrões esgotados e corroídos pelo tempo, é estar presente e vivo na vida que nos é dada. É viver a alegria de Ser de Si, a alegria do AUTO.

Abraços    ****

Vivi

SEM REFLEXÃO HÁ CEGUEIRA

A capacidade de pensar, refletir, contextualizar, fazer “links” com o conhecido, de aprender com a vida e o vivido, é sem dúvida uma dádiva divina. A reflexão retira o humano da cegueira, da miopia que o sentencia à mesquinhez, a uma vida apequenada em todas as suas dimensões. Quando esta capacidade é roubada do humano, ele não consegue reconhecer as ideologias que colonizam a sua subjetividade, manipulam seus sentimentos e anseios e poder desmascara-las. Desprovidas do exercício da reflexão, a pessoa é incapaz de compreender suas próprias angústias e medos e portanto, não consegue dar voz aos seus sofrimentos, às suas humilhações diárias numa sociedade injusta e exploradora, ela se vê incapaz de falar sobre as dores da indignidade. Refletir também se aprende, na escola, na família, nos grupos sociais. Talvez o grande propósito da educação será ensinar, estimular, inspirar, instrumentalizar desde a primeira infância nossas crianças e jovens a pensar e refletir, reconhecer sentimentos e pensamentos, saber de Si. Quem não reflete, quem não alimenta em si o anseio de conhecer o conhecimento, de buscar informações em diversas fontes para poder encontrar seus próprios direcionamentos, se torna cego para o vivido e portanto, facilmente colonizado, aprisionado pelas injustiças sociais deliberadamente camufladas pelos discursos vazios e manipulativos. A reflexão abre os horizontes do pensamento, alarga a percepção de si e do mundo permitindo agir com a dignidade que é mais que um direito do humano e da vida humana.

Abraços    ****

Vivi

UMA HISTÓRIA – UMA SINGULAR AVENTURA

Cada pessoa humana é portadora de uma história que é absolutamente única e singular. Cada biografia de cada indivíduo, é um conjunto indissociável único e irrepetível de fatores genéticos, neurofisiológicos, biológicos, psíquicos, relacionais, socioculturais em constante interação. No conviver, o humano interage suas experiências, transfere informações,  se formando e se transformando, fazendo corpo, muscularizando tecidos e camadas de si. É no  Estar-Com, que este humano aprende, constrói vínculos, se afeta e afeta o mundo na sua particularidade, dentro da aventura do viver e conviver com o inesperado e o imprevisível. O saber de si só acontece quando há um espaço para o saber do outro, onde cada ser na sua singularidade se completa no viver e conviver. Neste espaço, onde a singularidade “dança” com a pluralidade, nasce o criativo. Fertilizar os territórios relacionais, é reconhecer a particularidade das histórias que se interagem, somando, construindo, desconstruindo e reconstruindo novas histórias na aventura do vivo.

Abraços   ****

Vivi

… RECRIANDO A VIDA …

A saúde é um processo contínuo de recriação. Recriar a vida momento a momento, talvez seja a missão de uma consciência humana. Depositar todos os esforços para viabilizar o pulso vital, para liberar e nutrir o fluir da vida. O coletivo e o subjetivo não estão separados mas, integrados e a subjetividade humana é permeada pelas formas coletivas que migram pelas formas somáticas. O colonialismo capitalista colonizou o planeta, a subjetividade e os corpos. Em tempos sombrios, turbulentos, instáveis, defender a vitalidade é recriar a vida. Viabilizar espaços por onde a vida possa fluir e pulsar para se recriar a cada momento, talvez seja neste contemporâneo a missão e o desafio da pessoa humana em suas redes de conversação e diálogo. O humano é um ser de palavra. Vivemos e convivemos nas narrativas, nas palavras que colam no imaginário criando formas e modos de se fazer e de ser, um ser humano. Quando uma consciência coopera e colabora para o fluir da vida, se presentificando em cada presente do seu viver com o firme e nobre propósito de liberar  os canais da vida, é a vida que se recria fazendo tecido e corpos mais salutares e mais potentes. As formas ignorantes obstruem o fluir da vida.  As formas existenciais que buscam a sabedoria, que buscam os dispositivos da auto compreensão, no exercício permanente de agenciamento de SI, do conhecer e do Si conhecer, podem viver e ser a ética que alimenta a ética vital.

Abraços   ****

Vivi

UM CORPO VAZIO DE SI

Desabitar-se de si mesmo, é também esvaziar-se de si. Corpos vazios de si, são corpos cujos camadas somáticas comprimem de tal forma os tecidos que o pulso perde potência e se desvitaliza. São corpo cujas formas não conseguem sustentar escolhas e decisões. São formas que se infantilizam na despotência de si mesmo. Vida é potência, é pulso, é movimento em ação, que agrega, que cria espaços de germinação. Sentimentos de desamparo podem criar corpos largados de si mesmo, onde o sujeito não consegue ter uma ação sobre si mesmo. Em tempos nebulosos, repletos de incertezas, os corpos desabitados de si, sofrem intensamente a ação das forças do coletivo desagregando-se ainda mais, infantilizando-se nas compressões das fibras musculares evidenciadas nos gestos, nas palavras esvaziadas de significado que se reproduzem nos automatismos. Corpos vazios de si, são corpos desconectados com um “quem de si”. Escolhas e decisões no viver são elaboradas nas formas somáticas. Fazer e pensar se complementam na consciência das formas. Um corpo abandonado, é também uma consciência que sofre no seu abandono. Sofre no limite da vulnerabilidade da absorção das patologias sociais, das formas doentias de um coletivo com fortes tendências à psicopatia.

Abraços    ****

Vivi

ESTÍMULO AFETIVO

O humano vivo imita. Somos imitativos e aprendemos imitando. Aprendemos repetindo, “corpando”, fazendo corpo com outros corpos vivos, imitando, repetindo, reproduzindo gestos, formas, linguagens, palavras, jeitos de ser e estar na dinâmica mutacional do mundo. Nos tornamos seres humanos imitando a quem amamos. Tendemos a imitar as pessoas que são referência para nós, sobretudo as pessoas em quem acreditamos, confiamos e consideramos afetivamente. São os  exemplos que tendemos a seguir. Pais afetivos, são pais que naturalmente estimulam seus filhos pelo exemplo de valorização e dedicação nos estudos, pelo exemplo de percepção da vida para uma formação contínua visando um futuro mais promissor para uma criança e um jovem em crescimento. Aqui começa a construção do capital cultural, fundamental na formação de uma pessoa humana, de um sujeito, de um cidadão, de uma subjetividade. Ser estimulado afetivamente, já é em si mesmo, um grande legado que uma pessoa pode receber para a formação ética em sua vida. Somos todos dependentes do afeto do outro, sobretudo daqueles que amamos e respeitamos. São eles que podem neutralizar o medo da exclusão e abrir os espaços para que toda a potência da vida possa fluir e pulsar livremente, no corpos, na subjetividade, na mente e na alma da pessoa humana

.Abraços    ****

Vivi