TEMPOS DE ANGÚSTIA

Quando não se sabe o que de fato acontece, quando o mundo se mostra indefinido e desprovido de referenciais, quando as relações perdem os elos de confiabilidade, quando se perdem as orientações  a serem seguidas, quando não há um farol que sinalize se quer uma direção, a angústia se estabelece e com ela as incertezas. Angústia, incerteza, ansiedade, medo, são sentimentos que provocam impotência e ao mesmo tempo, hostilidade em reações onde a tolerância e paciência desaparecem. Não há  mais polidez. Neste  cenário, busca-se uma  “salvação”  ou um  “salvador” .  Se não há um culpado  explícito, a  “salvação”  é buscar os velhos padrões e as velhas narrativas para esconder a insegurança da  “alma”  e do corpo. Aqui a ilusão aparece. Algo que justifique o que não é possível justificar, pois até a justiça se esconde nas brumas da opacidade, para não se comprometer com as injustiças de um mundo cujos valores foram denegridos pelo egoísmo da materialidade.  Então, restam as velhas narrativas dos padrões de condutas que  “apelam” para o  nome do Amor, da Fé e até de Deus. Quando o Amor é falado e repetido insistentemente, quando a Fé é exigida para justificar o que não é possível justificar, quando até o nome de “Deus”  é  “usado” como disfarce numa máscara de poder inescrupuloso, o que resta ao humano é uma secreta angústia, um tempo de verdadeira angústia.

Abraços    ****

Vivi

MAIOR HOSTILIDADE MENOR PERCEPÇÃO

Gerar hostilidades, fomentar o ódio e a discórdia, criar confrontos e polarizações de enfrentamento como estratégia de sustentação do poder pela dominação, é impedir qualquer possibilidade de percepção da pessoa humana, ou seja, é desumanizar o humano. Estratégias sutis de poder, que submetem os sujeitos pela sedução, convencendo-os de que este é o caminho mais adequado, tem sido as vias impessoais e manipuladoras que mascaram e invadem o humano obstruindo a sua percepção. Uma vez incorporado, ou seja, tornado corpo os dispositivos da discórdia, as pessoas já não refletem mais. Já estão convencidas, já se assujeitaram à força do poder disciplinar e do “autocontrole”. Aqui não há mais percepção, não há mais espaço para refletir, pensar, discernir. O sujeito se desterritorializa. Ele está pronto para ser utilitário ao mercado e ao Estado, por uma “cidadania” que pressupõe um comportamento disciplinar adequado ao mundo capitalista. Ele está pronto para “qualquer função produtiva no mercado”(Jessé Souza). Enquanto as pessoas se hostilizam nas relações de convivência e se ocupam das discórdias, elas se  esquecem do “valor dos valores” e os valores se tornam opacos, perdem sentido e significado. Quanto maior for a hostilidade, menor será a capacidade de percepção e portanto, menor será a liberdade.

Abraços   ****

Vivi

REALIZAR COSTURAS

 Na ordem do dia, algumas palavras compõe algumas narrativas em diversas vozes, tais como: (des)territorialização, (des)democratização. Ao mesmo tempo faltam palavras para nomear os acontecimentos. Faltam narrativas que possam de alguma forma falar de sentimentos onde a dignidade, conhecida como um valor nobre e valorável por todos, começa a perder seu sentido, passando a ser entendida como um “conteúdo” material a ser explorado de modo sutil e quase imperceptível para uma massa de assujeitados. Diante de cenários onde a hostilidade permeia e contagia a todos, sob um “pano de fundo” mortalista, recompor territórios já é um grande desafio. Realizar costuras para construir, ou re-construir, um sentimento edificante de mudanças em prol de territórios confiáveis e verdadeiramente dignos, onde cada cidadão seja respeitado na sua humanidade, onde todos tenham a chance de serem verdadeiramente humanos e o sol possa brilhar igualmente para todos e todas e não apenas para alguns poucos privilegiados, talvez seja esta a “ordem do dia”. Resistir à cristalização dos territórios de assujeitamento, tem sido o desafio daqueles que verdadeiramente , honestamente e dignamente vivem, encarnam, transpiram, o Amor ao Próximo como a Ti Mesmo, na igualdade plena de direitos.

Abraços   ****

Vivi

ONDE ESTÁ A PAZ ?

Há uma declaração da ONU que afirma: “A guerra está na mente dos homens e é na mente dos homens que devemos erigir os baluartes da Paz.” Nelson Mandela, com toda a sua sabedoria afirmava que : “… se  aprendemos a odiar, podemos ser a ensinados a amar.” A Paz, este estado interno de equilíbrio conciliador, conquistado a cada minuto da nossa existência, a partir de um compromisso pessoal, determinado, exige atenção permanente. Um estado de espírito, onde corpo, mente e emoção, se mantém integrados, em consonância atenciosa à palavra proferida, aos pensamentos pensados, à consciência das emoções, aos gestos manifestados, às escolhas e decisões tomadas. Um ser de paz, uma pessoa “pacífica”, é uma pessoa pacificada com o seu ser interior, pacificada com sua história, suas memórias e lembranças, seus amigos e inimigos, pacificada com o mundo. Uma pessoa pacificada age e não reage. Reconhece seus medos e inseguranças, seus limites e limitações, mas, está sempre disposta a aprender a ser um Ser Pleno de Si, autor de sua existência. A Paz tão almejada está na consciência de cada ser humano, num processo permanente de atenção plena, guiada pelo profundo respeito dos valores que edificam a vida no viver de cada instante vivido. Onde está a Paz, senão na consciência de cada ser humano? Não há Paz se não houver Educação para a Paz. Uma educação que ensine nossas crianças a serem verdadeiramente pacificadores da vida no viver. Neste sentido, a responsabilidade está em nossas mãos. A Paz, se a queremos e desejamos, está num compromisso absolutamente pessoal e permanente.

Abraços    ****

Vivi

O OPACO CONFUNDE E ATÉ CEGA

Quando a fumaça é intensa perder-se a qualidade de visão. Tudo escurece e se obscurece, as formas ficam irreconhecíveis, não se distinguem contornos, texturas, cores e os referenciais indicadores de uma direção ficam distorcidos. O mesmo acontece com a neblina, que é  causadora de acidentes pela ausência de nitidez. Uma visão distorcida da realidade, confunde e até causa a cegueira total. Assim também é a dominação na modernidade. Este tipo de poder que confunde as formas e  causa ilusões. Iludidos em promessas impossíveis de serem atingidas, as pessoas se sujeitam aos seus dominadores, sem perceber que estão sendo conduzidas e manipuladas. As estruturas de dominação da modernidade não usam dos modos clássicos de dominação como a servidão, a escravidão, a vassalagem explícita e até normativa. A dominação da modernidade, confunde as formas oferecendo compensações ilusórias de reconhecimento e prestígio social, sempre associadas  a discursos e imagens midiáticas que lhes são úteis porém,  moralista portando um conteúdo de dominação por excelência. O objetivo aqui é manter uma comunicação o mais opaca possível para que os sujeitos percam a sua percepção e continuem sendo úteis servindo ao mercado e ao Estado. O grande desafio do contemporâneo é revelar as formas que causam opacidade, uma tarefa quase hercúlea, pois, exige um verdadeiro despertar do sujeito. Aqui entra o “poder da educação”, o poder de uma percepção que, apesar de todos os obstáculo insiste, persiste e resiste para sair da cegueira mental e poder agir sobre a realidade. Porém, uma realidade que começa com sujeito que se sujeita a si conhecer honestamente, conhecer a sua verdadeira humanidade para reconhecer e respeitar a humanidade do outro e de todos os outros humanos.

Abraços    ****

Vivi

COMPAIXÃO – UMA NECESSIDADE

“Amor e Compaixão são necessidades e não luxos, sem eles a humanidade não pode sobreviver.” S.S. Dalai Lama.  Incorporar, trazer para o corpo vivo, em pensamentos, palavras e ações o espírito compassivo e a atitude altruísta, é algo que  pede  determinação e disciplina amorosa. Uma disciplina que é  fruto de uma escolha interna e absolutamente pessoal, de quem se oferece para ser verdadeiramente um SER HUMANO justo,  com todos os seres humanos, indistintamente. Ser compassivo e amoroso é uma necessidade  humana. Uma necessidade de sobrevivência da humanidade comum, sem a qual  não há como prosseguirmos . Confiar que o melhor que cada um pode fazer é ser, em cada dia de sua existência, em cada minuto de seu viver, um ser compreensivo para poder compreender. Uma pessoa altruísta e compassiva, é aquela que conjuga alegria amorosa com determinação, firmeza com suavidade, presença atentiva com flexibilidade.

Abraços    ****

Vivi

“CORPOS DÓCEIS “

Foucault, o filósofo que refletiu a modernidade em seus jogos de poder e suas  formas de dominação, ressalta a questão do como se criam “corpos dóceis” , que sejam plásticos, flexíveis, remodeláveis para serem “usados”  conforme as exigências e conveniências do mercado e do Estado. Como se constroem corpos para servirem a um sistema de produção. Corpos utilitários, produtivos, fabricados que se submetam a produção e reprodução de fórmulas que servem unicamente aos interesses do mercado. Corpos para produzir e consumir, através de fórmulas opacas que mascaram os verdadeiros interesses. Corpos para serem utilitários. Corpos desprovidos de consciência, automatizados para desejarem na ilusão de um proveito ou possível benefício, mas que, se submetem a uma dominação “sutil”. O cultivo de uma consciência que perceba as manipulações dos jogos de poder, tem sido a cada dia, de alta relevância para a saúde pessoal e social. Cultivar a atenção, dialogar, buscar compreender como uma cultura de dominação mascara, manipula e invade nossos corpos e nossas almas sem que tenhamos clareza. Dialogar, buscar informações confiáveis, se negar a participar da “manada”, do efeito “rebanho” , exige lucidez, exige uma mente aberta à compreensão da realidade, exige sabedoria, pausa e muita reflexão. Exige um coração e uma mente atenta e amorosa.

Abraços    ****

Vivi

… UMA QUESTÃO DE PERCEPÇÃO

A forma como vemos o mundo, é reveladora da forma como interpretamos o mundo e do como respondemos e interagimos com ele. Se o nosso olhar pode ver com amplitude, incluindo a dimensão do horizonte e a amplidão de tudo que compõe o mundo no qual vivemos, teremos uma certa forma de nos relacionamos com ele e de absorve o que ele nos oferece. Um olhar estreito, interpretativo de acordo com modelos padronizados tende a excluir por julgamentos, grande parte dos elementos que compõe o conjunto da totalidade. A percepção humana é interpretativa. O olhar, a visão de mundo com a qual  interagimos no viver, é fruto de histórias pessoais e coletivas, de cultura e senso comum, de componentes afetivos, de experiências vividas no cotidiano, nos ambientes relacionais ao longo de uma vida pessoal em consonância com um coletivo. Um mesmo acontecimento pode afetar de forma diferente em diferentes pessoas. Um mesmo acontecimento pode ser visto e interpretado de forma completamente diferente entre pessoas advindas de uma mesma família ou grupo social. Importante também é considerar como a cultura, a ciência social vai lendo a realidade e de alguma forma vai adquirindo forma na identidade de um “eu” pessoal, encarnando, fazendo corpo, conjugado e articulado com um coletivo cultural e social. Mas algo é fundamental: discernimento! Se não percebermos estas varáveis tendemos a ser capturados por automatismos convenientes a um certo modelo referencial, que neste contemporâneo tende a servir exclusivamente ao um mercado capitalista, onde o valor passa a ser o dinheiro e tudo o mais é desprezado, excluído e desclassificado. Tudo é uma questão de percepção e atenção.

Abraços   ****

Vivi

EDUCAR PENSAR EMOCIONAR

Sob um olhar mais superficial, nem sempre é possível reconhecer a relação de profunda interdependência entre a cognição e a emoção, entre a capacidade de pensar, raciocinar e refletir, e a capacidade de reconhecer sensações, sentimentos e emoções. Não há pensamento desvinculado de uma emoção e de um gesto. Por mais imperceptível que pareça, um pensamento articulado a um raciocínio sempre virá conjugado a uma sensação, uma ação somática, muscular e metabólica, como também um sentimento ou emoção. O pensamento articulado a uma reflexão que pode direcionar uma escolha, nunca está desvinculado de uma emoção, subjacente a uma cultura que inclui sentimentos morais e as esferas simbólicas de todo um contexto social que irão influenciar as ações, os julgamentos e os comportamentos. Cabe à educação com todos os processos pedagógicos, considerar a dinâmica desta amplitude interdependente para melhor cumprir sua missão educativa com toda a responsabilidade que lhe cabe dentro da formação moral e cidadã. Contudo, para ensinar a pensar, ensinar a emocionar, é  imperativo que o educador seja capaz de reconhecer a sua responsabilidade no seu pensar, refletir, raciocinar, sua responsabilidade no reconhecimento e gerenciamento de seus sentimentos e emoções, e sua consciência somática como elementos que se articulam para serem referência e guia na formação das gerações. Educar o pensar, o emocionar, o gestuar é assumir um compromisso ético dos mais importantes na sociedade contemporânea.

Abraços    ****

Vivi

UM CORAÇÃO BONDOSO

 Quando expandimos a nossa generosidade e compartilhamos com o outro e todos os outros a nossa alegria, certamente esta atitude  enriquece a nossa alma através do outro. É no compartilhar o que temos de melhor , que a potência da nossa vida se expande, mas, sempre através e com o outro. “Um coração bondoso é uma fonte de júbilo e faz com que tudo ao seu redor se revigore em seus sorrisos.” Washington Irving  –  Quando nos permitimos a sorrir, a nos encantar compartilhando com o mundo este estado de espírito, tudo ao nosso lado se alegra, se expande, ganha vida e pode vibrar conosco.  Cultivar a atitude de ser alegre genuinamente, espontaneamente, alegrando-se  com os pequenos detalhes do viver junto, é se disponibilizar à entrega ao serviço divino. Um simples ato de sorrir, já permite a conexão com o maior e o melhor, uma conexão sagrada com o sagrado da vida. Aqui o instante se eterniza, “contaminando”  amorosamente os encontros, os ambientes e tudo que vive pode florescer mais intensamente. É na simplicidade de sorriso, é na sinceridade de um sorriso que brota espontaneamente de um coração bondoso,  que o sagrado se manifesta. É na coragem de ser feliz apesar de todos os obstáculos, de todos os desafios que a grandiosidade da pessoa humana se humaniza com toda a humanidade que ela traz consigo.

Abraços ****

Vivi