OCULTAÇÕES

Michel Maffesoli, sociólogo e professor da Université de Paris-Descartes – Sorbonne, em seu livro A República dos Bons Sentimentos, discute os mecanismos de controle espiritual e intelectual com o apoio dos poderes políticos que  …”sabem muito bem que é quando se ganham os espíritos que se garante a dominação.” Estar atento para reconhecer as diversas formas através das quais a violência simbólica atua pelo descompromisso com a verdade, com a dor e com o sofrimento que marca populações do mundo inteiro, inclusive nós brasileiros, não tem sido uma tarefa fácil, sobretudo em tempos nebulosos. A violência simbólica é aquela que insiste em ocultar sistematicamente os conflitos sociais de uma sociedade desigual e injusta, através de interpretações que legitimam uma ideologia mesquinha sob a “aparência de crítica social”, muito bem apresentada pelo professor e diretor do IPEA, Jessé Souza. Tanto o Mercado como o Estado, se articulam para ocultar desigualdades e injustiças sociais sofridas por sociedades de todo o planeta, inclusive a nossa sociedade brasileira. Talvez o nosso dever ético seja, estar atento às interpretações. Estar atentos à esta violência simbólica que domina os espíritos, seduz os corações e os egos, confunde o pensamento, manipula e se traveste em maquiagens através dos discursos, reportagens, narrativas produzidas pelas grandes mídias, para continuar dominando os espíritos e manter a dominação. Alinhar-se com a verdade é ter a coragem de ver, reconhecer e lidar com o que é real, despindo-se de favoritismos, privilégios, intolerâncias, vaidades e tantas outras formas que confundem a mente humana ocultando realidade do que é. Contudo, para reconhecer os ocultamentos perversos do coletivo, o primeiro e decisivo passo, é ter a coragem de reconhecer as perversidades dos ocultamentos em si próprio.

Abraços    ****

Vivi

CONFLITO COMO ALAVANCA

Ao contrário do que possa parecer, um conflito é sempre uma grande oportunidade para alavancar possibilidades renovadoras e renovadoras. Suportar o não saber e acolher as incertezas em meio ao movimento e às dinâmicas da impermanência próprias do viver,  é também uma capacidade a ser desenvolvida por uma disposição interna. Ser capaz de reconhecer que nem tudo pode ser abarcado pela razão e imediatismos, que nem tudo tem uma pronta e simples explicação que ofereça uma “receita” de solução rápida. O conflito é natural e próprio da vida. A questão que se coloca é, como resolver os conflitos. Durante séculos o humano aprendeu a resolver seus conflitos, suas divergências, através das leis de dominação, advindas de um dominador que determinava, muitas vezes sem nenhum senso de lógica, mas pela imposição uma conduta fechada a qualquer negociação. Este modelo se esgotou, se  mostrou e se mostra indesejável e inadequado, pois além de desagregar, hostiliza e violenta a vida. Resolver os conflitos pela via da violência é pura destruição de todas as partes envolvidas, seja do opressor como do oprimido, seja do dominador como do dominado, do ofensor como da vítima. Saber enfrentar um conflito é dar chance às oportunidades, é dar chance às possibilidades de criação de um novo que está por vir, pedindo passagem na consciência humana. Enfrentar um conflito requer saber pausar para refletir, pausar para ter atenção e sair da dispersão das divagações, é saber dialogar consigo e com o outro, é saber ouvir a si e ao outro, sem julgar, sem procrastinar, mas, com uma clareza de propósitos que preserve a vida e a dignidade humana acima de tudo. Resolver um conflito demanda o reconhecimento de que nunca haverá um ganhador e um perdedor, mas e sempre, um lugar onde todos são ganhadores da potência criativa da vida, sempre à disposição de uma consciência que se quer consciente no alinhamento com o amor e com a verdade.

Abraços    ****

Vivi

DO COLETIVO AO INDIVÍDUO

Inegável é a influência do coletivo nos indivíduos. “… perceber como a dinâmica coletiva influi no comportamento individual.”  Esta é uma afirmação do escritor e professor titular de Ciência Política da UFF e presidente do IPEA, Jessé Souza em sua última publicação, quando ele perpassa pelos escritores e referenciais do pensamento brasileiro como Gilberto Freyre, Buarque de Holanda, Raymundo Faoro, Roberto DaMatta e outros nomes que cunharam o pensamento ocidental. O coletivo, os modos de pensar, as normas, as esferas de ação social, os espaços públicos, as narrativas… são as diversas formas expressas no coletivo que causam influência nas escolhas e valores do indivíduo, da pessoa humana em sociedade, no conviver com os espaços geográficos e morais, nos deslocamentos e apropriação de si e do mundo a seu redor. Ter a consciência de toda esta dinâmica e como ela é determinante em nossa forma de ser e estar no mundo, é de fundamental importância para que tenhamos escolhas e ações mais agregadoras no presente deste contemporâneo. A consciência da ação coletiva em nossos corpos, em nossas relações, nas formas como ocupamos nossos espaços físicos e psíquicos e ainda, no como habitamos o mundo e nos apropriamos do conhecimento, da informações, das experiências vividas, nunca foi tão importante como neste momento histórico da vida humana neste planeta Terra.

Abraços    ****

Vivi

DA CABEÇA AO CORAÇÃO

Há um ditado proferido por um índio americano: ” A estrada mais longa que você percorrerá é a jornada sagrada de sua cabeça ao seu coração.” A história é movimento, ela está em permanente construção. A consciência humana se constrói e se amplia na capacidade humana de entender e se relacionar com o mundo, habitando e estando no mundo, com todos os seres vivos. A história humana se edifica na dinâmica da história da consciência humana, no conviver com os diferentes e com as diferenças, nos territórios culturais por onde o humano se apresenta. Um processo permanente de uma consciência que transita entre a sua capacidade de pensar e sentir, compreender e se emocionar. Quando a emoção perde o discernimento, cai na bestialidade e uma  razão sem coração, desprovida de sentimentos, se torna cruel e destrói a vida. Pensar com um coração, e sentir com discernimento, é saber dançar na longa estrada que trafega entre o coração e a mente, entre o pensar e o emocionar, entre a cabeça e o coração e do coração para a cabeça. Uma caminho que se faz na reciprocidade, de um ir e um vir, alimentado pela clareza de propósitos, de uma consciência que se edifica junto com a comunidade de consciências.

Abraços   ****

Vivi

A PAZ VEM DO CORAÇÃO

O estado interior de plenitude, de felicidade genuína, de contentamento, de paz, advém de um coração amoroso. A verdadeira fonte do espírito conciliador, do espírito de pacificação, advém de uma mente que se compromete em ser um “ser pacífico”, em ser um “ser”, que deposita todo o seu esforço pessoal em cultivar sempre o melhor em si mesmo, acolhendo sentimentos amáveis, cordiais e gentis.  A verdadeira paz nasce de um coração amoroso, que é nutrido por uma mente amorosa. Corpo e mente, cognição e emoção, consciência e espírito, são dimensões do ser humano que não se encontram separadas, mas, se fazem juntas na totalidade dinâmica do ser humano. Cultivar momento a momento um estado interno de pacificação consigo mesmo é o que vai poder conduzir a verdadeira paz mundial. Uma paz que nasce de um reflexão interna, de uma pessoa que decide se compreender para compreender o mundo, de uma consciência que se reconhece como um ser de consciência e portanto, responsável pela totalidade integrada de todos os humanos e de tudo que vive e convive neste planeta. Ilusão é acreditar que estamos separados. Somos uma totalidade viva na vida do cosmos. Quando uma consciência se embrutece ela embrutece todas as demais consciências. Cultivar um estado interior de paz é ter a coragem de enfrentar em si mesmo, enfrentar os desafios pessoais e através deles, poder jorrar a verdadeira luz que traz a compreensão, a luz da lucidez amorosa. É fazer jorrar a luz do discernimento que se compreende e portanto, pode compreender a outrem. A paz nasce de um coração amoroso e de uma mente que se ilumina através da compreensão amorosa. Esta é a maior força de um ser humano.

Abraços    ****

Vivi

SOMOS INTERPRETATIVOS

Nós humanos interpretamos os fatos e os acontecimentos do viver, de acordo com a nossa visão de mundo, de acordo com a visão de mundo incorporamos ao longo de nossa história pessoal e relacional. Como toda interpretação, ela se alicerça na maneira como lemos o mundo, que advém das culturas passadas nas tradições religiosas e na modernidade, daquilo que a ciência nos oferece. Portanto, intelectuais, cientistas, especialistas, ao lerem o mundo com base em suas pesquisas legitimadas pela academia, acabam por direcionar a forma como o cidadão interpreta a realidade. Nas salas aulas, nas discussões parlamentares, nas conversas de botequim, nas reportagens da imprensa, nas mídias sociais, nas interlocuções entre as pessoas, fica bem evidente as bases sobre as quais as pessoas interpretam a realidade. Ter clareza das lentes sob as quais estamos acostumados a ver o mundo, é fundamental para distinguir o que é o real do que é a interpretação, que por sua vez, está sedimentada na forma como os intelectuais cientistas apresentam. Neste sentido, refletir, pensar e pensar bem, pensar com clareza e amplitude de percepção, discernimento e ética, é fundamental para não cair nas armadilhas dos “falsos conhecimentos e informações”, que apenas servem para manipular as pessoas, conforme interesses e conveniências de grupos detentores do poder de dominação. De acordo como lemos a realidade, é que  faremos as nossas escolhas na vida e com elas, teremos as consequências para o nosso viver pessoal e social.

Abraços   ****

Vivi

O BEM PENSAR BEM

Acreditar que, para questões complexas existe uma única solução, revela uma pensamento infantilizado e extremamente simplista. Sair desta armadilha do pensamento, trazida pela cultura ao longo de nossa história não é tarefa fácil. Temos informações que acreditamos serem confiáveis, temos conhecimentos que acreditamos serem verdadeiros e eternos, mas, nos falta a sabedoria para refletir sobre a veracidade do que recebemos, sobre a rede complexa do viver, sobre as relações que envolvem a  verdade e a vida comunitária, sobre a dignidade da diversidade … em fim, reconhecer os elementos fundamentais para compreender o mundo, compreender o humano, a vida e as relações da vida em todas as suas expressões no mundo vivo. Um mundo dinâmico onde a impermanência é uma realidade e os afetos, são os elos de união. O bem pensar, é decisivo para um pensar bem. Pensar bem, inclui um pensar com disposição para o bem, para a capacidade de pensar com gentileza, com cordialidade e sobretudo com discernimento. Um pensar bem, reconhece o bem da pausa, o bem da contextualização, o bem da capacidade de considerar a dimensão cultural, histórica, territorial que nos afeta e tem nos afetado ao longo do nosso viver humano em busca da nossa humanidade. O bem pensar bem, é revelador de uma atitude onde a sabedoria do discernimento e do bom senso, estão comprometidos com a ética do pensar, do sentir e do agir, em palavra, pensamento e ação.

Abraços  ****

Vivi

COMPREENSÃO PARA CONCILIAÇÃO

Uma voz conciliatória pede uma disposição para compreender com amorosidade. Querer compreender algo apenas pela lógica linear e  maniqueísta da razão, impede a possibilidade de se encontrar outros caminhos, mais agregadores e conciliatórios. Nem sempre se torna claro para um observador desapercebido, os ressentimentos que estão  embutidos e portanto, não evidentes, quando os conflitos emanam. Ressentimentos no geral ficam escondidos em linguagens, símbolos e formas, que um olhar superficial não consegue perceber para   compreender. Daí a necessidade de uma consciência que se disponibilize a compreender com amorosidade, ou seja, com inclusão e não com separação, exclusão ou confronto. A história humana já revelou aos seres humanos, que todo confronto que gera enfrentamento desemboca na falência da vida, cegando perspectivas, cegando o criativo, o novo, aquilo que está por vir, pedindo passagem. É a capacidade de querer ver uma situação conflitiva com um olhar amoroso, que vai permitir a conciliação das partes. A questão não é ganhar ou perder, afinal, quando há um ganhador haverá sempre um perdedor. A questão é incluir a vida, reconhecendo a diversidade, reconciliando os ressentimentos, para encontrar juntos, outras possibilidades, onde cada uma das partes se disponibiliza ao consenso. Cultivar no corpo, na mente, na alma esta qualidade e atitude de compreensão amorosa, respeitando e incluindo a todos, é a força da coragem de quem oferta a sua dignidade para conciliar, para unir, para dignificar a vida no universo vivo, onde todos nós, os presentes, os antepassados e aqueles que virão, serão considerados e legitimados.

Abraços    ****

Vivi

PENSAR É BOM

” Pertenço talvez antes ao número dos que, tomados de um problema,vão dando os resultados de seu confronto com ele. Assim me não terá cabido o inventário de um mundo descoberto, mas o roteiro de um mundo a descobrir ; não o relato do que se encontrou , mas o da viagem para se encontrar. Mas justamente o próprio de uma viagem é a mudança de horizonte na constância  do caminho. Assim um horizonte se esquece num horizonte que se levanta.”  Vergílio Ferreira

Abraços ****

Vivi

 

O BOM ENCONTRO

 A vida se processa e acontece através dos encontros, nestes espaços de afetação , onde afetamos e somos afetados pelo mundo. Os bons encontros são aqueles onde não há confusão de sentimentos, não há julgamentos. Os bons encontros são aqueles onde a compressão se presentifica, é uma dança que flui naturalmente, conciliando o espírito da lucidez amorosa com a potência da vida. São espaços de revelação, onde o novo e o inesperado podem se manifestar.

Abraços ****

Vivi