ATENÇÃO NA MENTE

Mestres de tradições espirituais, do oriente e do ocidente, ao longo da história sinalizaram a importância fundamental de se prestar atenção à própria mente. Nesta atualidade, a neurociência com todos os seus avanços tecnológicos, pode afirmar e evidenciar esta importância decisiva para o bom funcionamento das vias neuronais, qualificando um estado de presença. Prestar atenção à própria mente e como ela funciona, permite o reconhecimento do fluxo dos pensamentos, do teor dos pensamentos, dos “rastros” musculares e metabólicos por eles deixado, das lembranças e memórias por eles ativadas e  os sentimentos que se manifestam a partir de um pensar. Prestar atenção à própria mente é um treino, um exercício como outro qualquer, que se aprende com dedicação e disciplina. Prestar atenção à própria mente é cultivar a mente, se reconhecendo neste espaço e tendo a oportunidade de educá-la. Um mente desgovernada, é como um “cavalo bravio”, que sai em disparada pelos pensamentos que se encadeiam, deixados à própria sorte. Tal como um “cavalo desgovernado”, uma mente abandonada nas distrações ansiosas e egoístas, acarreta consequências que podem ser altamente deletérias e prejudiciais à saúde do corpo, das emoções e das relações. O caminho interior da felicidade, indica a necessidade de “domar” a mente com diligência, de forma voluntária, oferecendo mais qualidade ao pensar, ao sentir, ao agir, ao emocionar, ao relacionar consigo mesmo e com o mundo. É o caminho que conduz à maturidade espiritual.

Abraços    ****

Vivi

PARA CONHECER É PRECISO SILENCIAR

Em tempos de consumo quase impulsivo, falar em esvaziar para silenciar e daí poder reconhecer para conhecer, pode parecer algo estranho e porque não, esquisito. Na ansiedade agitada de querer ter tudo, como sendo o único caminho para uma salvação, que também não se sabe ao certo de que, o espaço que sobra para um viver é a desorganização. Uma desordem pelo acúmulo insano de coisas a ideias, de projetos a informações, de pessoas a grupos. Por mais que um ser humano insista em ter e obter, não há como processar tudo que entra na vida de uma criatura, afinal, como tudo que vive tem limites, não há espaço para tudo. A ansiedade que agita, desorganiza e desestabiliza. Querendo sustentação, perde-se a base. O caminho do autoconhecimento e do conhecimento da existência, é um caminho que se faz quando se aprende a o desapegar, ou seja, “largar”, deixar a atitude de acumular. Uma mente em constante agitação, em constante ocupação com seus pensamentos e desejos, não tem espaço disponível para se conhecer. O conhecimento de si só acontece no silêncio interno, quando a mente se disponibiliza a deixar suas fantasias e ilusões para querer se ver, querer se conectar consigo mesma. Há um ditado tibetano que diz: “Quem tem a mente ocupada está destinado a sofrer.” Dito de outra forma, quem está permanentemente cheio de si, não consegue penetrar em si, não chegando em si mesmo, não consegue acessar a liberdade da felicidade.

Abraços    ****

Vivi

ONDE VIVEMOS ?

Vivemos aqui agora neste mundo, com todas as nossas histórias e nossas memórias, nos ambientes, nos acontecimentos e nos encontros. As incontáveis experiências vividas acontecem no corpo e na alma de uma pessoa humana, a cada momento de tempo vivido. Contudo, é no corpo e na mente humana que tudo acontece e se processa. A mente recebe as informações somáticas, e responde no silêncio de si mesma ao mundo, em micro movimentos que se muscularizam, em ondas metabólicas, em sutis pensamentos, em quase imperceptíveis sentimentos. Diria o pensador, escritor e psiquiatra –  “ A mente é a casa onde vivemos.” Ron Leifer. Cuidar do corpo e da mente, é cuidar da casa humana. 

Abraços    ****

Vivi

HABITAR A PAZ

Todos querem ser felizes. Todos almejam florescer nesta existência e sentir-se pleno e realizado. Habitar a Paz é treinar a mente para prestar atenção no presente, apenas no momento presente, pois é no presente que vida acontece. É no presente que tomamos decisões e fazemos escolhas. Quando nos projetamos para um futuro ou nos aprisionamos em memórias do passado, perdemos a oportunidade de viver a Paz.  Estar em Paz, ser a Paz, viver em Paz é estar no presente, é se presenciar, é viver plenamente, integralmente a eternidade do presente. Aqui brota o equilíbrio, o bom senso, o discernimento, a criatividade. Habitar a Paz é estar em Paz, consigo e com o mundo.

Abraços    ****

Vivi

AMANSAR O CORAÇÃO

O primeiro passo para a realização pessoal é quando a vontade de ser feliz nasce no coração e na mente. É quando brota a motivação consciente de que alimentar ressentimentos não é o caminho da felicidade. Amansar o coração advém de uma decisão interna de uma consciência que se disponibiliza a nunca mais compartilhar qualquer desejo de vingança, de vaidades, de prepotências. É renúncia a qualquer ato, atitude, gesto ou pensamento que possa ser violento ou expressar uma violência. É um decisivo desapego à hostilidade. É o compromisso com uma jornada espiritual. Um coração manso pode exalar afeto, cordialidade, alegria, encantamento, generosidade. Quanto mais uma consciência se dociliza maior é a sua capacidade de pensar, de criar, de inovar, de integrar mentes e corações. A potência da vida se expande e os horizontes se ampliam. A vida ganha sentido e significado.

Abraços   ****

Vivi

HARMONIA PARA TODOS

As desigualdades socioeconômicas, em grande parte disfuncionais, além de minar o desenvolvimento de um país, promove permanentemente, estados contraditórios que se chocam em confrontos e enfrentamentos. Em disputas competitivas e desleais, diante da extrema violência moral e operacional em todos os âmbitos, os cidadãos lutam por uma sobrevivência, em total desvantagem frente ao mérito social desigual. Diante do acaso do nascimento, afinal ninguém escolhe o lugar nem a condição sociocultural e econômica ao nascer, o que resta é “lutar” pela sobrevivência. O determinismo do nascimento, diante da excessiva desigualdade, acaba por manter uma conspiração que derruba a confiança social nas instituições. Ninguém escolhe o lugar nem a condição de seu nascimento, mas, todos igualmente são portadores do direito à dignidade, do direito à vida, do direito à paz, do direito à respeitabilidade. Uma sociedade que desrespeita seus cidadãos, acaba sendo desrespeitada por eles. Dizia Gandhi com toda a sua sabedoria e profunda experiência: “A verdadeira economia se coloca a favor da justiça social, promove a harmonia de todos.”

Abraços    ****

Vivi

DESAFIOS DA MUDANÇA

A dinâmica permanente do viver é pautada por incontáveis momentos de mudança. Se vida é movimento, as mudanças são inevitáveis. As diversas fases do viver humano, do nascimento à morte, correspondem a períodos de transição como parte dos processos de mutações, incluindo as diversas situações e acontecimentos no viver pessoal e coletivo, inclusive as mudanças culturais. Toda situação de mudança e de transição, de alguma forma, são situações estressantes porém, não necessariamente, traumáticas. São situações que colocam sob pressão as configurações e identidades pessoais na vida psíquica e comportamental do humano, podendo gerar certos desequilíbrios e desorientações. Compreender a natureza destes fenômenos, é fundamental para a saúde psíquica e relacional, para a saúde dos corpos vivos, que são afetados pelo processo intrínseco das mutações biológicas, emocionais e cognitivas, nas relações intrapessoais e interpessoais. O grande desafio que se apresenta diante dos processos de mudança, é cuidar para que não aja um empobrecimento do repertório de potencialidades que todo ser humano é portador, de tal forma que sua potência possa ser expressa ao longo de sua existência. Neste sentido, é necessário considerar que nem sempre adaptar-se aos ambientes e suas demandas significa mudança, sobretudo quando a pessoa se encontra diante de ambientes patológicos e/ou desajustados. Portanto, construir em si mesmo e no entorno pessoal espaços relacionais de mútua ajuda e colaboração, espaços confiáveis e cooperativos, espaços acolhedores e vinculares onde as narrativas possam expressar as histórias de cada um em cada momento, é decisivo para a preservação da saúde do indivíduo e do coletivo. Aqui entra a responsabilidade da Educação e dos Educadores, entendendo que todos  os protagonistas são educadores e portanto, responsáveis pelos processos resilientes, no social e no pessoal.

Abraços    ****

Vivi

ESCUTAR PARA DIALOGAR

Todo diálogo pressupõe uma escuta. Uma escuta que começa na escuta de uma narrativa interna, numa linguagem que se inicia na intimidade de um  pensar palavras, trazer memórias, reviver experiências de um vivido e de um sonhado a ser revelado. Uma escuta precede um silêncio e uma pausa, não uma imobilização, muito pelo contrário. Ouvir-se e reconhecer-se, para organizar ideias a serem proclamadas na articulação de um diálogo que pode ser de sujeito para sujeito, ou entre sujeitos nos encontros. Saber dialogar é sempre um saber ouvir o dito e o não dito, ouvir o que o espaço dialógico oferece em potência para ser revelado. O não revelado é o que oportuniza o  pensar criativo, trazendo o novo, o possível. O espaço do diálogo é sempre um espaço afetivo e um espaço  de afetação, onde as pessoas se afetam mutuamente pela qualidade da relação que se estabelece. Dialogar é encontrar, nunca jamais, confrontar, onde as ideias podem ser faladas e expressadas, não necessariamente concordadas, pois é justamente aqui o espaço disponível para a potência do novo-criativo emergir. Escutar para dialogar é também, ter a sabedoria do tempo onde a vida se revela em seus mais diferentes matizes, que o encontro silencioso e ativo do dialogar disponibiliza para ser vivido no espaço que se constrói, entre duas ou mais do que duas almas.

Abraços    ****

Vivi

GENTILEZA E COMPAIXÃO TAMBÉM SE APRENDE

Jogar xadrez não é uma atividade apenas para alguns poucos escolhidos, mas, é uma atividade que é possível ser treinada e aprendida, assim como tantas e tantas outras atividades do viver humano. Jogar xadrez, como jogar dominó, jogar bola, patinar, cozinhar, desenhar, são atividades que podem ser aprendidas e treinadas. Operações matemáticas, malabarismos, tocar um instrumento musical, raciocinar, escrever, também se aprende com treinamento disciplinado, com dedicação e esforço pessoal, de acordo com a motivação pessoal. Gentileza e compaixão, são atitudes que também podem  ser aprendidas quando treinadas. O cérebro humano em sua neuroplasticidade, tem todo o potencial para aprender e desenvolver habilidades e atitudes, que viabilizam uma convivência mais harmoniosa, mais saudável, mais digna para um ser humano vivo, em meio à dinâmica de uma humanidade viva. As práticas contemplativas da plena atenção, pela plasticidade cerebral, pode mudar o cérebro em sua estruturalidade e funcionalidade, ganhando mais conexões neurais e maior ativação de áreas cerebrais, que possibilitam comportamentos e atitudes mais gentis, mais solidárias e compassivas. Treinar a mente para aprender a ser mais gentil e mais compassivo, é também uma ação ética, que torna a vida humana neste universo mais viável para todos os seres vivos.

Abraços    ****

Vivi

PODER E POESIA

Quando o dominado incorpora o medo e a humilhação exercida pelo dominador sobre os seus modos de expressão, além de se manter a serviço do opressor, ele se despotencializa, perdendo a sua vitalidade e a sua capacidade criadora de inovar e sonhar. O poder exercido sobre as pessoas através das formas explícitas ou através das micropolíticas de relações desiguais, tolhem as forças inventivas, mantendo os conflitos, de tal forma que os sujeitos estejam a serviço dos interesses econômicos do regime dominante. Uma subjetividade humilhada e enfraquecida, é destituída de sua vitalidade criadora. Quando as forças de um poder desqualifica e intimida o ser, a poesia não encontra espaços férteis para se manifestar. Não há mais sonho. Os ideais passam a ser os ideais do opressor. Esta é a face perversa do poder. Uma face que inibe por completo a capacidade criadora da pessoa humana, em todas as suas expressões. O verdadeiro poder é aquele que não inibe a capacidade de pensar, mas, alimenta a potência do pensar bem, em corpos potentes e vitalizados, inseridos em contextos dinâmicos, integrados, interdependentes, conectivos, no livre trânsito das informações, das experiências, do conhecimento. São ambientes onde fertiliza a criatividade no livre pensar responsável e  cooperativo. O poder jamais poderá extinguir a poesia, pois ao fazê-lo, estará caminhando na direção da extinção da própria vida. A vida é uma dança permanente entre o poder da potência nos corpos, nas mentes e nos corações humanos. O poema é o poder saudável, um poder sem medo. O poema é o poder vitalizado pela potência dos afetos, no livre fluxo das afetividades entre todos os seres, na igualdade plena da vida.

Abraços    ****

Vivi