BIFURCAÇÕES

Viver a complexidade é também saber receber o novo, a diversidade que enriquece, receber o que emerge nas conexões dos instantes vividos, receber o inacabado com vistas à continuidade do sistema em constante renovação. Viver a dinâmica da complexidade, é saber suportar a instabilidade das incertezas nas suas imprevisibilidades, e ainda, os determinismos inseridos na liberdade. A dinâmica dos sistemas complexos, comportando as flutuações, os possíveis do viver, apresenta uma outra característica, conforme bem salientou Ilya Prigogine (1990): o complexo produz  bifurcações! Para além do certo ou do errado, a complexidade apresenta em um dado momento da trajetória dos acontecimentos, momentos onde os fenômenos se encontram num ponto de bifurcação. Assim é o viver nas relações e em relações, é o conviver na jornada humana, onde cada sujeito em um dado momento de sua vida se depara com a necessidade de ter que reconhecer que o caminho se bifurcou. Diante da bifurcação surge a necessidade da escolha, que por sua vez implica em considerações, ponderações e ações fundamentadas em valores. Como toda escolha, comporta a responsabilidade de um sujeito ético. Sob uma ótica ampliada, o humano se encontra diante deste momento, no macro coletivo como no micro individual: estamos todos diante de um grande ponto de bifurcação. Para onde vamos? Vamos todos ou só alguns poucos privilegiados? Quais são as probabilidades? Enquanto humanidade, estamos vivendo a necessidade de fazermos escolhas, portanto, precisamos saber com clareza o que realmente queremos neste presente e o que queremos para o futuro das gerações e da vida neste planeta, que é a nossa casa comum. Precisamos da ética, mas, o que significa a ética e o sujeito ético?

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Vivi

NINGUÉM PODE CONHECER POR MIM

Pensar, refletir, conhecer, são processos da cognição que simultaneamente, incluem dependência e autonomia. Necessita-se do contexto, do entorno, através do qual é organizado na experiência vivida por um sujeito. O meio, os ambientes, as circunstâncias, os acontecimentos nos encontros e desencontros, são fontes permanentes de processamento de informações, as quais são adquiridas nas conexões que se estabelecem com o sujeito no processo cognoscente. A cultura porta a propriedade de acumular as informações, que serão transmitidas na vivência pessoal. Contudo, o processamento das informações ocorre na autonomia de um sujeito que produz conhecimento no conhecer e esta é uma ação que “ninguém pode fazer por mim”, é uma ação pessoal, na medida em que as informações chegam na experiência vivida, pelos sentidos, na presença dos presentes vividos, em cada momento do viver. Além disso, incluem os modelos cognitivos, os estilos de pensamentos, os padrões de pensamento e de comportamento, a visão de mundo,que são  absolutamente particulares. Fato é que,”ninguém  pode conhecer por mim, no meu lugar”. Só o sujeito pode conhecer por si mesmo, assim como, pensar e refletir. São ações cognitivas da singularidade de cada um. O conhecimento está disponível para todos, em diversas fontes e nas diversas fases da vida, mas, só o sujeito pode viver o ato de conhecer, reconhecer, pensar e refletir o conhecimento de si e em si mesmo.

Abraços    ****

Vivi

QUEM É ESTE SER QUE É HUMANO?

Pensar o humano é pensar na história humana, em meio à suas tradições e contradições, formações e talvez deformações, construções e desconstruções, linguagens e narrativas. Pensar o humano é também perguntar: de que humano? Não nos faltam filósofos, biólogos, etólogos, da ciência à mística, que em esforço conjunto tem depositado seus conhecimentos e experiências vividas, na tentativa de uma aproximação que conduza a uma compreensão deste ser de consciência que chamamos de SER HUMANO, desta pessoa humana, deste sujeito humano, que habita  espaços e tempos. O grande pensador Edgar Morin contribui afirmando: “o homem é um sapiens-demens, indivíduo parasitado pela sabedoria e pela loucura, simultaneamente físico e metafísico, histórico e trans-histórico, individual e coletivo, singular e genérico; movido por mecanismos bioquímicos e também por sonhos, ilusões, imaginários, por uma psique fabulosa. Ser da palavra e da contemplação, capaz de expressar o ato mais estético e igualmente o ato mais violento e infante.” Este ser que é humano, que vive em relações conectivas, híbridas e sobrevive na dinâmica incessante do viver,  só pode ser compreendido como um ser de complexidade na complexidade da vida. Pensar o humano é pensar a vida, como fluxo, como pulso, como organismo vivo em processo vivo, em múltiplas relações e inter-relações, é pensar na completude e na incompletude, é pensar no mistério.

Abraços    ****

Vivi

BONS ENCONTROS

A vida é como ela é, e acontece nos encontros. Encontros de uma pessoa consigo mesma e encontros entre pessoas, que acontecem na presença do viver. Encontros são espaços relacionais que trazem em si a potência das interações, onde a vida pode ser tocada através dos territórios existenciais. Cuidar da qualidade dos ambientes que favorecem encontros confiáveis e vinculares, também faz parte de um propósito de vida no exercício de uma política existencial. Quando o humano pode habitar espaços relacionais mais sensíveis no cotidiano vivido, a potência da vida é imantada no campo de convívio. Construir novas bases de segurança e confiabilidade, em vínculos afetivos, favorece toda a rede de interações. Considera-se aqui a importância da palavra nas narrativas que se estabelecem nas conexões, a importância da arte que mobiliza o sensível entre as pessoas que se encontram, de tal forma que os automatismos defensivos possam ser resignificados em experiências inovadoras e salutares. Bons encontros alimentam o corpo, a alma, a relação e o entorno. São espaços onde operam mudanças significativas no viver e conviver humano.

Abraços    ****

Vivi

 

DO ADVERSO PARA O POTENTE

Quando uma crise ou uma adversidade se instala no viver humano, o mais comum são as reações de isolamento, ou revolta, ou resignação subserviente, ou vergonha, ou ódio, ou medo. Fato é que, não é simples nem fácil, lidar com os microtraumas do viver. Contudo, são estes momentos obscuros e sombrios, que contém enorme potencial para mudanças significativas na existência. Eles oferecem a oportunidade de alavancamento de novos territórios existenciais, evidenciando que é possível transformar as forças adversas em estados de grande potencialidade e vitalização do viver. Ter clareza de que as adversidades fazem parte da vida, já é passo importante na consciência humana sobretudo se, for acompanhado de um olhar de oportunidade para que o novo se instale, a partir das potencialidades do vivo.Uma situação de crise, pode ser uma grande abertura para uma sensibilidade que estava adormecida, podendo a partir daí, florescer na conquista de uma humano com mais plenitude e sentido em seu viver.

Abraços    ****

Vivi

O TAMANHO DO CAMELO …

Acreditar que a felicidade se alcança pela aquisição e consumo de bens, é mais uma história banal, movida por uma sociedade de mercado, onde o  valor se alicerça no lucro. Depositar uma vida nas mãos de crenças que criam ilusões em promessas fantasiosas, é no mínimo trazer para si mesmo mais problemas, animosidades, invejas e ressentimentos. Quanto maiores são os desejos alimentados por um ego inflado e vaidoso, maiores são os conflitos por ele gerado. Há um ditado tibetano que diz: “Se você tem um camelo, seus problemas são do tamanho de um camelo.” Quanto mais se consome, mais obrigações se recaem sobre o que foi consumido e ainda, o que fazer com o que vai sendo acumulado. Os excessos são prejudiciais para a saúde física,  mental e emocional. Quanto mais se acumula, mais problemas se adquire.

Abraços    ****

Vivi

ORIENTAR A VIDA

Seriam as leis e normas e códigos, suficientes para orientarem a existência humana, rumo à sua realização pessoal e social?  Como e quem poderia oferecer aos cidadãos os caminhos que possam voluntariamente promover a cidadania ética? A humanidade com toda a sua ciência e desenvolvimento tecnológico já tem com clareza que, as  leis e os sistemas legais não conseguem, porque não conseguiram, orientar a vida humana rumo à sua paz. A lei tem um  alcance muito menor que a ética. A paz interior e a felicidade, assim como a ética não se adquire pelo consumo de conhecimento científico nem pelo consumo dos prazeres oferecidos pela tecnologia. Tanto a ciência, como a tecnologia, são insuficientes para orientar a vida humana. O ser humano precisa de orientação na trajetória de sua existência, para a construção de sua maturidade rumo à sua plena realização. Por sua vez, será que a realização humana está apenas em técnicas e consumo de técnicas e conhecimentos? Já sabemos que não. A felicidade humana depende também do equilíbrio das forças antitéticas. A felicidade humana depende do amansamento do “eu”. Saber ouvir a alma humana, é saber buscar as fontes verdadeiras de orientação para a vida. O humano já começou a despertar para compreender que, as “fórmulas matemáticas” não trazem a ética. A auto ética, é fruto da construção de uma consciência que se faz presente, amorosa e solidariamente, em cada presente de seu viver. Aqui está a orientação para a vida.

Abraços    ****

Vivi

O ESTADO OU A CONSCIÊNCIA ?

Onde encontrar o caminho da felicidade e da realização humana? Quem pode oferecer os direcionamentos e salvaguardar os propósitos da existência? A quem cabe a responsabilidade do bem-estar-bem pessoal e social: ao Estado, à Política ou às Religiões? Apesar de todo o avanço científico e tecnológico, estas perguntas ainda estão por serem respondidas. Durante anos coube às tradições religiosas a preservação de um estado convivencial ordenado e equilibrado, sustentado pelas “leis divinas” que imprimiram uma certa ordenação na conduta humana, no sentido de manter a ordem moral propondo uma distribuição mais igualitária da riqueza. Com o surgimento da ciência que permitiu o desenvolvimento da tecnologia, a realização humana rumo à felicidade e diminuição do sofrimento passou para as mãos do poder político, com o crescimento das indústrias e o avanço do comércio produtivo. Contudo, a distribuição da riqueza acentuou em desigualdades, gerando mais sofrimentos, desigualdades e infelicidades. O poder do Estado, suas leis, normatizações, punições, restrições, coerções, também  não conseguiu promover as condições para que as pessoas pudessem viver em paz. Uma vida feliz se realiza pelo exercício equitativo entre a liberdade e a  ordem, em permanente processo de equilíbrio. Um equilíbrio que não advém de interferências normativas externas mas, algo conquistado por uma consciência atenta, desperta que pode conhecer e conhecer-se. A realização humana não é algo simplista. É fruto de uma construção humana, através do alinhamento vivo de consciências, que se disponibilizam a compreender os fundamentos e os propósitos da existência.

Abraços    ****

Vivi

A AGITAÇÃO IMPEDE O CONHECER E O RECONHECER

Quando a tecnociência desponta no universo das relações e do conhecimento, algumas alterações começam a se evidenciar. A internet vem disponibilizando o conhecimento em diversas fontes, e com ela uma nova experiência somática e psíquica com o tempo e o espaço vem acontecendo entre as relações e o relacionar-se, consigo mesmo e com o outro. Um processo que vai penetrando e permeando as pessoas em todas as suas dimensões. A face luminosa da tecnociência é inegável, contudo, é possível perceber sem muita dificuldade, que a agitação também tem sido uma marca constante no viver e conviver. Parece que tudo se agita, tornando a paciência, a tolerância, algo quase irreconhecível e o imediatismo, como uma exigência quase que natural e necessária. Em meio a tanta agitação, o conhecer ganha superficialidade muito mais por acúmulo de conhecimento do que por reflexão e transformação. O conhecimento passa a se desconectar da realidade e a realidade passa a ser conexões desprovidas de um pensar, esvaziadas da reflexão. A agitação não consegue reconhecer o conhecer e cai no automatismo, que repete e condiciona. Como então, saber de si, como si conhecer e si reconhecer, nas necessidades pessoais de forma real e não automatizada? Quando tudo se agita, não há mais espera, as respostas devem acompanhar a velocidade das máquinas. Como então viver sem se deixar manipular pelo efeito midiático do “rebanho”? Então, o que realmente queremos diante de uma existência tão curta e tão efêmera em nossa passagem nesta vida?

Abraços    ****

Vivi

JUSTIÇA – VINGANÇA OU RESTAURAÇÃO

O que não falta são tratados, teorias, textos e mais textos sobre a justiça, seu significado, suas leis, sua relação com o Estado de Direito, mas, será que o humano compreendeu verdadeiramente o que significa a justiça? Suas representações simbólicas do equilíbrio nos pratos de uma balança, dos olhos vendados, falam de moderação, de bom senso, de equidade, elementos que tentam apresentar a justa medida, que a justiça deveria, por conceito estrutural ser, e se fazer ser. Contudo, não é isto que o senso comum percebe e vivencia  quando se trata de se fazer justo, ou de se fazer justiça. A vingança tem sido apresentada como uma das primeiras invenções humanas, no sentido de devolver ao adversário a violência que ele nos prodigalizou. Será que o humano entende justiça como vingança ou como restauração de ressentimentos? Justiça é sinônimo de vingar desentendimentos e discordâncias ou é, por princípio, a restauração e pacificação das divergências? Qual é o verdadeiro sentido e significado da JUSTÇA?  Se entendermos justiça como vingança de ressentimentos, nunca haverá fim para a violência humana e nunca a humanidade irá encontrar o equilíbrio dos opostos que compõe a natureza humana. Se entendermos a justiça como a oportunidade de restaurar, transformar, aprender, criar oportunidades, transcender ressentimentos para construir algo novo em nossas relações, certamente haverá esperança para a vida continuar na sua magnitude, caso contrário, estaremos todos aprisionados pela força das vaidades de um ego infantilizado e egoísta. Justiça como restauração, é a chance da transformação de um conflito em encontro, a transformação ou transmutação daquilo que poderia despotencializar em força renovadora e criativa, de encorajamento e vitalidade. Os que vingam, negam a potência da sua própria vida roubando a potência da vida de todos e da natureza. São os fracos de espírito, são os fracos de cognição, fracos de um pensar “justamente” bem.

Abraços    ****

Vivi