QUEM TE GOVERNA ?

Quem te governa, sua consciência ética comprometida com uma lei interna de conduta moral e solidária ou uma consciência que se recusa à compreensão da realidade e dos fatos da existência, se tornando confusa e pautada por condutas egocêntricas voltadas às conveniências e privilégios pessoais, que desconsidera o outro e o meio à sua volta? Quem te governa, sua clareza ética norteada pelas leis internas ou sua confusão mental entregue às leis externas das vantagens egocêntricas? Muitos pensadores entenderam que uma mente neurótica é aquela que alimenta desejos egoístas, rejeitando reconhecer a vida tal como ela é, na tentativa de obter mais prazer e mais felicidade, escapando da dor a qualquer custo.Quando negamos a realidade nos tornamos cegos, desajeitados, desequilibrados e frustrados pela vida. Uma mente neurótica projeta suas esperanças e seus temores no mundo e egocentricamente, exige que a existência seja cooperativa com seus desejos egoístas.É uma mente que se recusa a assumir responsabilidade por si e pelos outros, pela incapacidade de compreensão. É uma mente ignorante, que se deixa levar pelas águas turvas e turbulentas da ignorância, sendo fonte permanente de sofrimento para si e para todos os demais. Quem te governa, seu discernimento e bom senso ou sua ignorância irresponsável e desonesta?

Abraços    ****

Vivi

 

A DOR E A ALEGRIA

Coexistir com a dor e com a alegria tem sido a via para a re-significação de experiências traumáticas para muitas pessoas diante de situações limite. De alguma forma, os estados dolorosos alternados com estados em que a alegria encontre espaços para se manifestar, tem sido quase uma rotina nos dias atuais. Estabelecer um ritmo de escuta atenta, para interromper os automatismos defensivos e desesperançosos, colocando afetuosidade e apoio regenerativo em nossas relações e em nosso pensar e sentir pessoal, também tem sido uma tarefa necessária para sustentarmos um viver mais salutar. Estamos todos, humanos, vivendo tempos de exigência pessoal e social para mantermos nossa lucidez e nosso discernimento, sem perder nossa alegria e esperança, apesar das dores desafiantes do “parto” de um tempo que ainda não se configurou. Estamos diante de tempos desafiadores, que exigem mudanças de posições subjetivas mais potentes e criativas no viver e conviver, no sentido de reinventar uma história e um destino para o humano e tudo que vive neste planeta. Tem sido esta uma tarefa permanente, que conclama o bom senso de todos e de cada um, em todos os espaços conviviais, mesmo porque a vida é uma conquista permanente, jamais fixada em seu começo e seu fim.

Abraços    ****

Vivi

A ÉTICA A FELICIDADE E O PRESENTE

A Ética, diferente da moral, corresponde a uma lei interna, pessoal, que norteia um sujeito em suas escolhas e decisões no viver dos acontecimentos  no seu presente. A Felicidade embora que, muitas pessoas sonhem em conquistá-la num futuro, ou justifiquem suas infelicidades pelos acontecimentos passados,  ela acontece no presente do viver. A capacidade de estar presente de forma plena em cada momento do viver, é uma atitude mental, fruto de um cultivo pessoal, de um sujeito que se reconhece na sua emocionalidade e é portanto, capaz de sustentar uma presença qualificada pela capacidade de se auto regular. Tanto o estado de estar feliz e realizado, como a preservação de um estado decisório que considera a si, ao outro, os outros e os ambientes, demandam a sustentação de uma atenção plena, ou seja, saber se auto manejar numa presença que é alimentada por um eixo interno, cujos valores oferecem sentido para o viver, sempre norteados na direção do bem comum. A Ética  e a Felicidade são posturas somáticas e psíquicas, que emanam de estados mentais que se alimentam de uma conduta interna e ainda, do reconhecimento das emoções e dos gatilhos emocionais que acontecem no presente de cada momento existencial. Valores, atenção, qualidade perceptiva, clareza mental e emocional, consciência das respostas dos cinco sentidos, são elementos fundamentais para um viver ético e feliz. É no presente do viver cotidiano da vida humana em suas relações consigo, com o outro e com o mundo, que podemos ser éticos e felizes.

Abraços    ****

Vivi

RE-CONHECER …

Embora que tenhamos uma certa dificuldade em reconhecer nossos segredos e desafios pessoais, são eles uma excelente oportunidade para transformar e mudar hábitos e padrões, geradores de sofrimento para nós e para os outros ao nosso redor. O reconhecimento da impermanência como um fato da dinâmica existencial, pode ser ampliado para o reconhecimento de que até mesmo o ódio, a cobiça, a inveja também são transitórios e portanto, vazios de substancialidade. O primeiro passo no caminho da maturidade de um ser sensível, ou seja, no caminho espiritual, é o reconhecimento do sofrimento. O reconhecimento da fonte geradora daquilo que nos faz sofrer, abre as portas para a transformação. Isto significa que ao reconhecer um sentimento causador de sofrimento, trazendo-o para a consciência, sem deixar que o seu potencial destrutivo aniquile nossas motivações mais edificantes e a nossa própria vida, temos a belíssima oportunidade de transformação. Abrir-se para uma atitude de reconhecimento de si, é estar atento na preservação de uma visão correta da existência, afinal, se tudo é impermanente, as emoções destrutivas também são transitórias e portanto, passíveis de mudança. Aqui começa a liberdade humana, que tem o potencial de nos libertar dos desejos egoístas, para adentrarmos no cultivo de uma mente luminosa, que nutre a clareza e se distancia da ignorância.

Abraços    ****

Vivi

DRAMA DIALÉTICO OU O DRAMA DOS OPOSTOS

A experiência do viver humano, já tem nos mostrado que as polaridades em seus pares de opostos, que se complementam na dinâmica do pulso vital, compõe a trajetória do vivo. Dia/noite, macho/fêmea, alto/baixo, quente/frio, direita/esquerda, acima/abaixo, são polos duais que se apresentam na concretude do viver biológico, na cultura, nas linguagens, nas narrativas, nas emoções e na mente humana. Cada polo deriva e se complementa com seu oposto, em alternâncias funcionais e ainda, em constante mutação, dentro do impermanente existencial. As instâncias antitéticas da mente dualista que abriga o prazer e a dor, a vida e a morte, eu e o outro, passado e futuro, que definem referências da vida biológica, da vida individual, da vida social, da vida moral, da História, são pares dialéticos que se manifestam nas relações com o outro, para de alguma forma, assegurar para si uma vida boa, evitando com todas as forças o mal, a morte e o sofrimento. Quando o humano nega a impermanência, ele cai na armadilha das expectativas ilusórias de uma visão ignorante e iludida do mundo por uma mente que insiste em manter o controle da dinâmica natural, para simplesmente manter o seu prazer e evitar a qualquer custo um possível mal. Talvez fosse cabível a pergunta: seria possível pensar que estamos, enquanto humanidade, num ponto de inflexão para gerar um oposto? Ou ainda, será que não seria importante começarmos todos a refletir que, a felicidade é algo que se vive no presente, nem no passado saudosista nem num futuro ilusório? Será que, se colocarmos um pouco mais de atenção, poderíamos entender que a fonte do sofrimento  está nos desejos egoístas que se escondem atrás da cobiça, do ódio, como fruto da ignorância que teima em justificar suas atrocidades?

Abraços    ****

Vivi

O QUE É MAIS IMPORTANTE ?

O que é mais importante, o lucro ou a vida humana? O que é mais importante, a ganância ou a solidadriedade? O que é mais importante, a riqueza material ou a riqueza de caráter? O que é mais importante, o consumo da matéria descartável ou a preservação dos bens da natureza? A marcha civilizatória que nós humanos temos seguido, nos identificando com atitudes belicistas, individualistas, alienadas e predatórias, tem se mostrado a cada dia completamente inadequada. Parece que estamos nos destruindo. Destruindo nossas relações, nossa natureza, nossos valores universais. Desprovidos de qualquer bom senso e movidos pelos automatismos, será que estamos negligenciando e desvalorizando valores, que a consciência humana  levou anos e anos de evolução para serem edificados? Onde queremos chegar com toda esta beligerância nutrida pelo prazer egoísta de saciar interesses e conveniências? Será que ainda não conseguimos sair da disfuncionalidade de um paradigma, que entende a justiça como vingança e se nega a entender a justiça como a   restauração de ressentimentos? Muito mais que refletir sobre os valores e as atitudes que são realmente importantes em nossa vida, precisamos como humanos, impregnar todas as nossas relações, intrapessoais e interpessoais com perguntas e ações que nos façam manter a nossa atenção nos propósitos verdadeiros do que almejamos para o futuro dos netos dos nossos netos. O que é mais importante? O que tem sido mais importante em minha vida hoje?

Abraços    ****

Vivi

FACES DO DESEJO

Quando refletimos sobre o desejo, os desejos e o desejar, é fundamental considerar  algumas  faces bem evidentes do desejo: o desejo biológico, o desejo da vontade altruísta e o desejo egoísta. Sob a ótica biológica, desejamos água quando estamos com sede, comida quando reconhecemos a fome, sono e descanso, são alguns desejos vinculados ao atendimento das necessidades básicas de um organismo vivo, que uma vez atendido, este organismo volta à sua homeostase. Os desejos altruístas vinculados às aspirações éticas movidas pela vontade de um aprimoramento pessoal, relacional, espiritual, fazem parte da face luminosa do desejo de ser feliz com a felicidade de todos os outros seres viventes. O grande obstáculo para o aprimoramento da criatura humana, causador de sofrimento de todas as ordens são os desejos egoístas, da permanente insatisfatoriedade e fonte de sofrimento para si e para todos os outros. As obsessões e os vícios são desejos egoístas do desequilíbrio humano, na busca do prazer a qualquer custo. São os desejos egoístas que assombram o coração humano e que, teimamos em escondê-los da nossa consciência. São eles ambíguos e enganadores, que se apresentam através das máscaras que disfarçam as sabotagens da lógica racional. Querer e poder se aproximar do desejo, para reconhecê-los e de forma honesta poder fazer escolhas, já evidencia um grande avanço de uma consciência que se disponibiliza a percorrer o caminho da verdadeira felicidade. O sofrimento do ser humano está diretamente vinculado ao círculo vicioso dos desejos egoístas e o caminho da realização da verdadeira felicidade, está vinculado a uma atitude comprometida com a responsabilidade de uma consciência que se percebe como integrante e integrada ao processo da “grande consciência”.

Abraços    ****

Vivi

… ATÉ QUANDO …?

Até quando iremos negligenciar os valores éticos e morais sobrepondo o dinheiro como o único e maior valor da “existência humana”, alimentando as guerras, as hostilidades, os ressentimentos, as violências de todas as ordens e de todas as formas? Até quando continuaremos na ilusão de esperar um tal “salvador” que irá nos redimir de todos os desacertos e infelicidades que nós mesmos, pessoas humanas, temos criado para nós e para nossos filhos? Até quando continuaremos alimentando a fantasia de  que alguém irá nos salvar, sendo que a responsabilidade pelas escolhas que fazemos é absolutamente nossa e de cada um de nós, pessoas humanas, uma responsabilidade pessoal? Até quando continuaremos alimentando em nossas mentes e corações mentiras, falácias, desculpas e enganações, porque nos recusamos em ver a realidade dos fatos e da vida? Será que não queremos entender e reconhecer que a violência só traz violência e que a responsabilidade pela paz, é nossa e de cada um de nós? Nós somos os únicos responsáveis pela nossa felicidade e pela nossa infelicidade e ninguém mais. Nós, pessoas, somos os únicos responsáveis pelas escolhas que fazemos e pelas consequências de nossas escolhas, sendo que, o que fazemos hoje terá consequências por toda uma vida e por muitas e muitas gerações. Somos todos interdependentes e estamos em permanente mudança e interconexão e portanto, responsáveis por todos os nossos atos, escolhas e decisões. Até quando continuaremos nos enganando e enganando nossas crianças, apenas pelo prazer egoísta do imediatismo irresponsável?

Abraços   ****

Vivi

ALFABETIZAÇÕES …

Alfabetizar é mais que uma necessidade, é urgência! Contudo, os educadores, profissionais da educação, sabem o que isto significa? Pais, gestores, representantes da sociedade, sabem o que significa ser alfabetizado? Seria a alfabetização apenas a competência para decodificar sinais e símbolos que representados na escrita, constituem um texto que expressa um significado e é portador de uma mensagem? Alfabetizar é apenas o domínio de um código e a capacidade de decodificá-lo, reproduzindo o sentido do que foi decodificado numa representação através da palavra lida, narrada e escrita? Mas, qual é o sentido disto, decodificar no automatizado e transmitir informações mecanicamente ou interpretar, contextualizar, elaborar, incorporar, interagir com o texto, fazer links, processar reflexões? Como se dá a interpretação? O interpretar um texto é apenas um processo racional ou há também processos emocionais, gestuais, culturais que envolvem uma visão de mundo, ambientes, afetações, presença? O processo interpretativo envolve valores, ética, conhecimento ampliado da realidade ou é simplesmente decifrar códigos? A realidade evidencia que muitas são as alfabetizações e que todas elas são absolutamente interdependentes, em permanente processo de transformação interagindo nas relações intrapessoais e interpessoais. Ler a realidade, interpretar a realidade dos fatos da existência humana, do viver e conviver da criatura humana, requer uma urgência na compreensão do significado, do sentido e dos propósitos da alfabetização e a sua fundamental importância neste contemporâneo, senão correremos todos o risco de cairmos no  desfiladeiro da ignorância, como o maior mal deste mundo. Se não soubermos ler e interpretar a realidade dos fatos que estão ocorrendo na realidade humana, com total honestidade para ver o real e buscarmos honestamente os caminhos para salvar a vida neste planeta, a miséria da ignorância que se nega a ver pelo apego ao auto convencimento, irá gerar mais e mais sofrimentos e destruição em massa. Precisamos entender que muitas são as alfabetizações: emocional, corporal, ética, valorativa, espiritual, relacional, ecológica …

Abraços    ****

Vivi

DE ONDE VEM A FELICIDADE ?

Por incrível que pareça, ainda encontramos muitas pessoas que acreditam que a felicidade está no mundo material do consumo permanente de coisas, de idéias, de modas e modismos, ou seja, está na face externa do mundo. Ocorre que, a verdadeira felicidade nem está do lado de fora do nosso ser interior, nem está determinada ou garantida pelas leis advindas do sistema de legislação. Não são nem serão as leis institucionalizadas  que determinarão e darão garantia à minha felicidade. Não será excluindo o outro, ou excluindo aqueles que não fazem parte do meu modo de pensar e agir, que não condizem com o meu “modelo de felicidade”, que eu serei feliz. Acreditar que é o outro que me impede de ser feliz, evidencia um modo superficial, imediatista e reducionista de pensar, apegado a um modelo mental que alimenta apenas o sofrimento, para mim e para quem está em minha volta. Esta é uma visão egoísta que inflige sofrimento, fonte permanente de agressões, violências, destruições e da própria guerra. Cria-se um inimigo que não existe na factualidade, mas, que o egoísta alimenta como um “bode expiatório”. A verdadeira felicidade está no coração, na alma de todo ser humano, ela está dentro. A felicidade é a conquista de si, que só se obtém quando abrimos mão dos nossos apegos e desejos, dos nossos medos e ressentimentos. Esta felicidade genuína exige o praticar da atenção que alimenta motivações sem projeções, que alimenta uma disciplina ética do cuidado permanente em compreender que no universo tudo está relacionado com tudo, que dependemos uns dos outros, que tudo está em constante mudança e que cada um de nós é responsável por suas escolhas e portanto, tudo e todos precisam e merecem o nosso respeito e compreensão. A felicidade está no presente de cada presente de uma consciência que tem a coragem de não se esconder de si mesma.

Abraços    ****

Vivi