ENCONTRO EM SI

Será que estamos tão distantes de nós mesmos, que a todo instante fugimos do encontro pessoal pelo “medo” de enfrentarmos a solidão do distanciamento de si? Conectando-se com as redes sociais, contabilizando dígitos de compartilhamentos e “curtições”, exigindo de si mesmo estar em todos os lugares e em todas as rodas, com todas as modas e linguagens, estimulamos mais ainda a distância de si. Para suprimir o vazio da solidão temos que encher: encher de comida, de bebida, drogas,contatos, atividades e sonoridades elevadas,  para obter a sensação de preenchimento ou pertencimento. Quem sabe possa “eu”, ser reconhecido por alguém? Acreditando nas representações de um teatro construído pelo modismo do consumo de massa, nos isolamos do mundo e de nós mesmos. Ter mais e mais, para de alguma forma parecer ser, ou seja, representar num faz de conta insano e sofrido. Sendo o vazio de si um estado  insuportável, busca-se o ter mais para ser mais, entrando num círculo vicioso, patológico e predatório. O humano do contemporâneo tem sofrido com a dor do insolamento. Nada o contenta, porque nada faz sentido. A velocidade agita e tudo passa rapidamente, sem o tempo da reflexão. Só o silêncio permite um pensar reflexivo. Só o silêncio permite o encontro e é, através do silêncio que pode surgir o reconhecimento verdadeiro de si, da voz da alma da consciência.

Abraços    ****

Vivi

EMOÇÕES – FAVORECEM OU PERTURBAM

As emoções se manifestam a cada momento no viver humano. São elas favorecedoras como perturbadoras. As primeiras nos engrandecem e abrem caminhos em nosso viver, estimulam a criatividade, a potência, permitem o contato com o melhor do ser humano. As emoções perturbadoras, revelam a face sombria da existência humana, gerando sofrimentos para quem as sentem e para quem é afetado por elas. Mas, sofrer não é um destino humano. Desde que haja uma consciência presente, atenta e vigilante de si, é possível escolher qual emoção queremos alimentar. Uma consciência que escolhe cultivar emoções que favorecem o bem-estar, ao manter uma atenção vigilante sobre suas atividades mentais, é possível estabelecer um diálogo justo com as emoções e pelo discernimento neutralizar as emoções perturbadoras com o auxílio dos antídotos, da mesma forma como um médico que indica o uso de um medicamento para sanar uma afecção. Os pesquisadores já evidenciaram que dois processos mentais diametralmente opostos não podem ocorrer juntos, simultaneamente. Uma pessoa não pode, a um só tempo amar e odiar, querer o bem e querer o mal de uma outra pessoa, no mesmo instante. O filósofo Alain afirma que ” Um movimento exclui o outro, se você estende amigavelmente a mão ao outro, exclui o soco.” Portanto, sempre possível a transformação. Ninguém é obrigado a conviver nutrindo emoções perturbadoras, sempre será possível a transformação, mas, esta também é uma escolha que depende somente de uma escolha pessoal e de um treinamento adequado, que permita identificar COMO surgem as emoções. Fato é que: somos livres e a liberdade está à disposição de toda pessoa humana consciente de si mesma.

Abraços    ****

Vivi

EDUCAÇÃO EMOCIONAL – UM TREINO IMPORTANTE

Nossas emoções tendem a reagirem de forma impulsiva sempre que uma ameaça venha a nos acometer. Mesmo que seja apenas uma “possível” ameaça, nada concreto, só uma possibilidade, ou seja, um momento em que as memórias entendem que algo poderá acontecer, será suficiente para reagirmos instintivamente, gerando sofrimento a nós e aos outros. Conhecer e reconhecer nossas emoções é fundamental para um viver com mais qualidade, caso contrário, ficamos entregues às respostas reativas e impulsivas de nosso tronco cerebral e do sistema límbico. É o  córtex cerebral que permite avaliar uma situação para responder pelas vias hipotalâmicas, através de uma ação agregadora e não de forma reativa, que na maior parte das vezes, passa a ser uma resposta hostil. Educar as nossas emoções, requer treino como outro qualquer. Não significa inibir ou coibir a vida emocional, mas sim, viver adequadamente as emoções sem gerar sofrimentos causados pelas reações hostis, agressivas, indiferentes ou ressentidas. “Toda tensão emocional que escapa ao nosso controle, afirma Matthieu Ricard, leva a fazer escolhas instintivas, não racionais, que parecem ser a solução ou a escapatória mais fácil a uma situação emocionalmente carregada.” O treino apropriado das emoções, em consonância com o reconhecimento das expressões gestuais do corpo, articulado com o reconhecimento da qualidade dos pensamentos  e ainda, o treino de uma atenção focada, são fundamentais para uma vida mais saudável. É um treinamento permite identificar as emoções e os pensamentos à medida que eles ocorrem, estimulando o desenvolvimento de emoções sadias como a empatia, a generosidade, a compaixão, o amor altruísta, conjuntamente com a boa vontade e a capacidade de compreender a si e ao mundo com amorosidade.

Abraços    ****

Vivi

A DESCOBERTA DA FELICIDADE

Toda pessoa humana quer ser feliz e todos buscam a felicidade, mas, o que é ser feliz? Como é sentir o sentimento da felicidade. É um sentimento passageiro ou pode ter durabilidade no tempo? Ser feliz depende de causas e condições internas ou apenas externas? O conhecimento de si promove a abertura para a capacidade de auto regulação. Saber se auto manejar, tendo o reconhecimento da qualidade de seus pensamentos, de suas sensações e de suas emoções, é fundamental para o conhecimento de si. Só posso ser feliz se me começo e me reconheço na minha verdadeira natureza, que é a plenitude do ser. Ao nascermos, todo o potencial da vida nos é dado. Nascemos com toda a plenitude da vida, mas, ao longo do existir esquecemos  de nossa plenitude e passamos uma vida querendo ser pleno, realizado e feliz. Ocorre que buscamos fora, buscamos nas coisas externas, e nos frustramos porque estamos no caminho errado. A realização do ser pleno, está em nosso “coração” e  na clareza de nossa mente. Quando nos aproximamos das qualidades da nossa mente, em cada presente de nosso viver, a realização floresce e o estado de felicidade genuína penetra em todo o nosso ser. A verdadeira felicidade sempre está porque sempre esteve, mas, precisamos acessá-la através do cultivo de um estado de plenitude e contentamento, um estado de conhecimento de si.

Abraços    ****

Vivi

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

Algo ou alguma coisa só é um valor para uma pessoa, se para ela este valor for valioso segundo os seus critérios de avaliação, que atribuem importância a este algo.Quando se trata de valores, fica evidente que a responsabilidade é absolutamente pessoal, pois é a pessoa que irá determinar os seus critérios valorativos, os critérios referenciais que atribuirão compromisso ou não para algo. É a pessoa que irá examinar ganhos e perdas, examinar as consequências do praticar um determinado valor em sua vida e isto requer um entendimento mais refinado do propósito da vida e do viver. Sob uma determinada ótica, nem sempre o que é considerado um ganho é realmente um ganho. Em determinadas situações, fazer concessões deixa de ser favorável e passa a ser completamente inadequado. Sabemos perfeitamente que interesses até podem ser negociados , mas, as necessidades básicas do ser humano e da vida humana, são inegociáveis. Dignidade e respeito não podem ser negligenciadas, portanto, é um valor onde não cabe negociações. Quando não temos clareza mental, o conflito se instala em nossa mente. Os valores universais existem para serem vividos na prática diária , quer estejamos com outras pessoas, em grupo ou nos momentos de isolamento, em nosso silêncio interior. Abrir mão destes valores pela negação da compreensão real, pode custar a nossa felicidade. Para obtermos a paz interior e a felicidade genuína, precisamos querer realizar o encontro pessoal para resolver os conflitos em nossa mente, reconhecendo o verdadeiro propósito de nossa existência.

Abraços    ****

Vivi

COMPORTAMENTOS PRÓ-SOCIAIS

Em qualquer aprendizado, afirma o pesquisador Matthieu Ricard, “as mudanças no nível do cérebro e do temperamento são mais fortes quando se pratica uma atividade de modo contínuo e regular”. O cérebro precisa da repetição para aprender. Quando uma pessoa se expõe a contínuas cenas de violência, ela aprende que a natureza humana é violenta e passa a adquirir comportamentos hostis em sua vida. Por outro lado, uma pessoa cujo ambiente relacional é mais harmonioso ela naturalmente se relaciona com o mundo de forma mais empática, alimentando em si mesma, atitudes altruísticas. Neste sentido,a televisão, os filmes, os videogames, com cenas de violência, guerras, estupros, destruição, favorecem o desenvolvimento de pensamentos e comportamentos agressivos, reduzindo os comportamentos pró-sociais. Contudo, os conteúdos que são expostos na televisão, nos videogames e filmes, não condizem com a verdadeira natureza humana nem com a realidade social. Seguindo esta reflexão, será fundamental que a sociedade humana e as pessoas em particular, reflitam sobre o que está sendo apresentado ao cérebro humano que afasta o ser humano dos comportamentos pró-sociais. Este tem sido um desafio para toda a sociedade, sobretudo para educadores, pais, famílias, para a justiça, a saúde e a saúde pública. Onde está você nesta reflexão? Você seleciona os seus momentos de lazer, seja na televisão, nos filmes e nas redes sociais? Que qualidade de alimento você oferece a seu cérebro? O que você quer cultivar em si mesmo e em seus relacionamentos?

Abraços    ****

Vivi

 

QUE VALOR TEM O VALOR ?

Qual o valor dos valores em nosso viver? Nossas vidas são norteadas pelos valores que cultivamos em nosso viver. Talvez até não tenhamos consciência destes valores, mas, são eles que direcionam nosso viver cotidiano. Nossas relações, nossas escolhas, nossos pensamentos e atitudes, estão permeados pelos valores que cultivamos. Então, o que tem valor? Só o que tem valor pode ser valorizado. O que é desprezado no viver, certamente é porque não tem valor, não tem significado. Se temos clareza ou não, nossa vida se pauta por valores. Quais são os valores que temos escolhido para conduzir nossa vida? Escolhemos os valores que atendem a um consumismo materialista e superficial ou os valores que valorizam e preservam a vida e a vida de  todos os seres vivos?  Escolhemos os valores que respeitam a vida de tudo que vive,  inclusive a vida  humana, a vida de nossas crianças? O valor dos valores se incide exatamente na referência, no sentido, no significado que é dado ao viver no conviver humano, frente às escolhas que direcionam o cotidiano de nossas vidas em tudo que fazemos e pensamos. São os valores que dão a direção. Na vida somos pautados por valores. Quando escolhemos o que vamos comer ou beber, quando falamos ou gesticulamos, quando escolhemos nossas leituras e o que fazer em nossas horas de lazer, quando escolhemos os grupos com quem nos relacionamos, quando estamos a sós, são os valores que se fazem presente. Estar consciente dos nossos valores, é fundamental para quem escolhe viver uma vida com uma presença qualificada, para quem escolhe não ser automatizado ou mecanizado repetindo “fórmulas” das modas e modismos, para quem escolhe ser livre e ter arbítrio em sua própria vida, para quem escolhe ser o que se é, para quem escolhe ser verdadeiramente um ser humano íntegro na sua humanidade, com toda dignidade diante da vida em seu viver.

Abraços    ****

Vivi

MANIFESTAR BENEVOLÊNCIA

Quando somos capazes de manifestar em nosso viver cotidiano atitudes benevolentes a onde estivermos e com quem estivermos, sempre seremos capazes de  promover o renascimento do amor altruísta.  Assim como diante de planta murcha que é regada com água, a benevolência tem a capacidade de resgatar todo o potencial vitalizador da pessoa humana, apesar das condições que uma pessoa possa se encontrar. O amor tem uma força incomensurável em nossas relações, assim como a sua ausência pode ser extremamente trágica em nosso viver e conviver. Manifestar benevolência faz bem para quem manifesta e para quem recebe. Acredite!

Abraços    ****

Vivi

ANIMOSIDADE

Sua Santidade Dalai Lama se refere aos efeitos nefastos da animosidade nesta descrição: “Ao ceder à animosidade, nem sempre fazemos mal ao outro, mas, com certeza prejudicamos a nós mesmos. Perdemos a paz interior, já não fazemos nada corretamente, digerimos mal, não conseguimos dormir, afugentamos aqueles que vêm nos ver, dirigimos olhares furiosos aqueles que tem a audácia de estar em nosso caminho. Tornamos impossível a vida daqueles que convivem conosco e até distanciamos nossos melhores amigos. E, como aqueles que se compadecem conosco estão em número cada vez menor, ficamos cada vez mais sós. … Enquanto abrigarmos dentro de nós este inimigo interior que é a ira ou o ódio, de nada adiantará destruir hoje nossos inimigos externos, amanhã surgirão outros.”

Abraços    ****

Vivi

AGRESSIVIDADE SE INIBE ?

Psicólogos e neurocientistas em diversos trabalhos de pesquisa, concluíram que a empatia pode inibir a agressividade. Durante os processos de pesquisas, ao substituir-se a ira pelo sentimento de empatia e pelo amor altruísta, regiões do cérebro ligadas à agressividade podem ser inibidas. Esta foi a conclusão que o pesquisador Harmon-Jones e sua equipe puderam evidenciar. Inegável portanto,  é a capacidade empática “como um componente vital de nossa humanidade”, na afirmação de Matthieu Ricard. É a empatia que nos permite vincular aos outros e ainda, encontrar o nosso equilíbrio emocional. O cultivo do amor altruísta, oferece ao ser humano a capacidade de encontrar um sentido à sua existência.

Abraços   ****

Vivi