LIBERDADE OU MEDO – COMO EDUCAR?

A cada dia fica mais evidente o fundamental e quase decisivo, papel da Educação para a formação do cidadão, a formação do sujeito de direitos, a formação da pessoa humana, a formação do ser humano integral e integrado na sociedade e na vida comunitária. Se tantas são as atribuições da Educação, como educar? Educar para quê ou para quem? A vida se faz junto, aprendemos juntos, crescemos juntos, criamos juntos. Somos todos dependentes e independentes ao mesmo tempo e portanto, responsáveis e co-responsáveis no viver em comunidade. Somos a comunidade e a comunidade somos nós, pessoas humanas que nascemos e crescemos, transformamos e transcendemos o viver, sempre e absolutamente, inseridos na comunidade social a qual fazemos parte e somos parte integrada e integrante. Educar é trazer à consciência de cada pessoa humana a sua  responsabilidade   dentro deste contexto vivo, que se forma e se transforma a cada momento através das culturas, dos modos de ser e existir. A liberdade humana se faz na co-dependência, que confere a co-responsabilidade pela reciprocidade e autenticidade. O medo reprime e oprime, a liberdade responsável liberta e transforma. O equilíbrio advindo do bom senso, do discernimento, daquilo que é verdadeiro, abre os caminhos de uma educação para uma liberdade responsável. Contudo, este é um espaço, uma camada da consciência humana ainda em formação, pois ainda estamos aprendendo a  nos educar para a liberdade sem promover o medo. A liberdade respeita, coopera, integra, o medo subjuga, separa e exclui. Educar é ter a coragem de ser verdadeiramente uma pessoa humana, ser um cidadão humano livre e portanto, responsável de si para com o outro e todos os outros seres vivos livres.

Abraços   ****

Vivi

RAZÃO SENSÍVEL COM ALEGRIA EMPÁTICA

Longe de ser uma fórmula mágica, a razão sensível é um farol que ilumina a reflexão. Uma razão que inclui o sensível, o imponderável, o novo, o criativo, o ousado, é uma razão que se entrega para abarcar as outras faces da existência humana. Uma razão que não se atém apenas à linearidade de um absolutismo lógico, mas, que se abre para um pensar sensível, não condenatório. Um pensar encorajador do risco que alimenta a brotação do novo, daquilo que existe em potência e apenas espera a oportunidade para ser revelado no vigor da intensidade do imprevisível. Um imprevisível que é capaz de ver e religar, para fazer emergir o que não foi previsto, mas, que estava em latência a espera de ser revelado. Um pensar sensível reconhece a empatia, que é capaz de “sentir o que o outro sente”, permitindo escolhas que adotem as vias mutuamente aceitáveis e benéficas nas relações de convivência humana. A capacidade de entrar em ressonância afetiva com os sentimentos do outro, de forma consciente de si e dos acontecimentos, permite o contato com uma qualidade de encantamento interno, a alegria empática. Quando a razão sensível abraça a alegria empática, o senso moral, a ética, o senso de uma justiça pacificadora, se ampliam através da percepção de nossa humanidade comum.

Abraços    ****

Vivi

AGIR NAS CAUSAS EVITAR CONSEQUÊNCIAS

Pensar o mundo, pensar os acontecimentos, pensar em tudo que vive, requer um pensar sistêmico, que considere a dinâmica das mudanças, as inter relações, as reciprocidades e interdependências entre todos os fenômenos. Nada está isolado neste universo. Fazemos parte de uma imensa rede interconectiva em permanente processo de construção e transformação. Não há como pensar o ser humano e a natureza desconectados da dinâmica orgânica viva do existir do vivo, que contem e está contido no grande organismo da vida. O raciocínio linearizado não consegue abarcar a totalidade do processo evolutivo do vivo. Somente um pensar abrangente que comporte o pulso mutacional da consciência individual e coletiva, poderá compreender que toda ação possui causas, que trazem consequências na dinâmica do vivo. Portanto, somente um pensar complexo e abrangente, poderá compreender as causas da violência e dos comportamentos hostis do ser humano, para encontrar os meios favoráveis que irão permitir o declínio da violência no mundo, nas relações humanas, inclusive as institucionais e ainda, em todas as instâncias relacionais do humano neste contemporâneo. Não há uma receita ou uma fórmula mágica, mas sim, um sujeito que se disponibilize a  pensar, a raciocinar considerando que, tudo está interconectado no pulso vivo da vida. Reconhecer que a inteligência humana possui todos os dispositivos para pensar através de uma razão sensível, incluindo os conhecimentos e as experiências conquistadas ao longo da história humana, para uma verdadeira tomada de consciência da necessidade imperativa de viver em paz. A paz verdadeira, só poderá ser alcançada se cada cidadão assumir a sua responsabilidade pelas suas escolhas, considerando em cada ato, em cada atitude a relação direta entre causas e consequências. Se plantarmos paz e entendimento mútuo, colheremos relações pacíficas e salutares, sendo o contrário verdadeiro também. A lógica parece simplista, o desafio é pensar, sentir e agir na dinâmica da co-responsabilidade.

Abraços   ****

Vivi

CLAREZA DE PROPÓSITOS

Quando há clareza de propósitos em uma tarefa a ser realizada, o processo flui com naturalidade. Um dos obstáculos para a realização de uma tarefa na vida é a obscuridade dos propósitos. Propósitos fundamentados no compromisso ético tendem ao sucesso, se potencializam em si mesmos. Uma mente aprisionada em mecanismos sabotadores, que tendem às segundas intenções, necessita de muito esforço para a realização de ações e ainda, sem garantia de bons resultados. Antes de iniciar uma tarefa, uma tomada de decisão, o primeiro passo é saber quais são os verdadeiros propósitos, de tal forma que haja um  alinhamento, em todas as etapas ao longo da realização, com os propósitos elencados, sustentando o valor ético. Em tempos em que a experiência do tempo é diferenciada, a diversidade é intensa, os caminhos são variados, os estímulos são atraentes, sem clareza interna do que se quer e do que “não” se quer, do que é possível alterar e do que “não” é aceitável alterar porque compromete eticamente o processo, demanda grande determinação e disciplina interna. Sustentar os valores éticos é tarefa para quem tem clareza absoluta dos propósitos que norteiam a sua existência.

Abraços    ****

Vivi

INFLUÊNCIA DAS MULHERES

“Uma série de estudos etnográficos mostra que toda sociedade que trata melhor as mulheres é menos favorável à guerra. No Oriente Médio, em especial, uma pesquisa revelou que as pessoas mais favoráveis à igualdade da condição dos homens e das mulheres eram também mais favoráveis a uma resolução não violenta do conflito árabe-israelense.” Esta é uma citação de Matthieu Ricard, fazendo referência ao papel da mulher em nossa sociedade frente à violência e à forma de resolução de conflitos. A mulher é mais favorável a fazer concessões. Em geral a mulher se disponibiliza mais, para encontrar uma solução aceitável aos diversos protagonistas diante de um conflito entre as partes. Ela é capaz de nutrir ambientes de negociações que favoreçam atitudes de concessões mútuas, oportunizando o consenso. Atitudes de apaziguamento aos ressentimentos sempre são facilitadores de reconciliação. Considerar o tempo necessário para pausar, dialogar, ouvir as partes e ser ouvido, disponibilizando o encontro do bom senso, saindo do lugar de perdedor e ganhador, mas, viabilizar espaços reconciliatórios em que todos cedem para todos ganharem, são estas atitudes fundamentais para a resolução pacífica de conflitos.Seria uma atitude de face feminina?

Abraços    ****

Vivi

RESPEITAR PARA SER LIVRE

Toda forma de imposição é uma forma de violência. Toda forma de pensar unilateral ou reducionista, pode ter como consequência, respostas de hostilidade. Ter visão ampliada e contextualizada do mundo e dos acontecimentos, é fundamental para a compreensão da realidade do viver compartilhado. Uma só visão, uma só face, nega a diversidade. O pensar sistêmico, permite a amplitude que contempla os múltiplos fatores que compõe a dinâmica do todo, que não é a soma das partes. A liberdade pressupõe o respeito à diversidade. O respeito à diversidade de expressão, requer um sujeito que se sustenta na tolerância, que inclui e contextualiza. Liberdade e respeito caminham juntos, lado a lado. Embora que, toda pessoa humana tenha em si mesma a capacidade de tolerar, respeitar e ser livre para fazer suas escolhas, não a isenta de ser responsável pelas consequências de suas escolhas e aqui entra a ação da consciência. Estar consciente de si e do mundo ao redor, considerando a dinâmica da interdependência em permanente processo de construção de si e do mundo, é um dos grandes desafios da educação humana. Uma pessoa é livre quando está aberta a aprender a ser livre e respeitosa, aprendendo a se auto manejar para ser tolerante, cordial, solícita, gentil.  O absoluto respeito pelos outros, é sinal de uma consciência que tem a liberdade como um valor absoluto.

Abraços    ****

Vivi

LIBERDADE PARA SER LIVRE

A verdadeira liberdade só pode existir se for acompanhada de uma motivação altruísta, caso contrário, corre-se o risco de ser confundida com libertinagem. O processo democrático se constrói com responsabilidade, sustentada nos pilares do compromisso com o bem comum, com o bem do outro e de todos os outros, senão a anarquia ocupa os espaços e as relações se perdem por ausência de compromisso, por ausência de parâmetros. Um mundo aberto e livre para renovações na educação, na justiça, na saúde, na tolerância ao direito de não ser maltratado, no direito à paz e ao respeito mútuo, só pode ter sustentabilidade se estiver associado a um sentimento de corresponsabilidade. Toda liberdade pressupõe o respeito e a responsabilidade como valores éticos, que não podem ser negociados.Esta liberdade é aprendida, é construída no processo de maturidade da consciência humana, entre todos os cidadãos, governos, líderes, gestores, dentro do espírito de cooperação e preocupação com o destino do outro.

Abraços   ****

Vivi

CORRESPONSABILIDADE

As idéias individualistas, de que estamos separados uns dos outros, do cada um por si, além de entorpecer as relações no viver em comunidade, obscurece nossa visão de integralidade e interdependência e ainda, nos faz acreditar que não precisamos de ninguém, alimentando uma certa prepotência individual e coletiva. Mergulhados neste cenário, não assumimos responsabilidades pessoais e nem sociais, a empatia enfraquece, o espírito  de solidariedade, de cooperação e participação se dissolvem em discursos que justificam ideologias. Todo viver junto, todas as relações gregárias se estabelecem a partir da consciência de um sujeito responsável. O conceito de corresponsabilidade é fundamental para uma sociedade que tenha a justiça e a equidade como valores fundamentais. O processo democrático depende de sujeitos que assumem responsabilidades sociais, se colocando como membro atuante na sociedade a qual pertence e portanto, corresponsável com o todo de forma igualitária. Uma sociedade que caminha na direção da igualdade e da justiça social, depende do sujeito/cidadão que atue de forma responsável nos espaços sociais que ocupa nesta sociedade. A educação para a corresponsabilidade é fundamental para um  “bem viver bem”. Uma comunidade de direitos e deveres se estabelece por relações  pautadas na cooperação e corresponsabilidade, afinal todos igualmente co-existem e portanto, são co-dependentes. Se algo acontece de bom ou de mal à comunidade a qual pertenço, certamente as consequências favoráveis ou desfavoráveis irão me afetar, portanto, sou responsável pelas escolhas que faço. Pensar antes de agir é salutar e necessário para uma vida comunitária.

Abraços    ****

Vivi

 

 

O SIGNIFICADO DAS PALAVRAS

Um conhecimento ao ser transmitido só tem valor se as palavras forem precisas, no seu real significado. Quando as palavras são colocadas em uma narrativa de forma que sugere dubilialidades e até  segundas intenções, a comunicação, não se estabelece nem mesmo o vínculo entre quem transmite e quem recebe. Quando não há veracidade no conhecimento,  o ensinamento não se processa. O verdadeiro mestre é aquele que, por sua maturidade, sua capacidade atencional, sua clareza mental, é capaz de se expressar de forma simples e ao mesmo tempo precisa. Ele tem clareza do conhecimento que transmite, porque já o   processou, vivenciou, metabolizou, sabendo buscar as palavras no seu exato significado, desprezando as palavras que possam conter significados indesejados.  Uma palavra utilizada, seja na sua expressão oral narrada, seja na sua expressão escrita, ou digitalizada, ela deve expressar o seu verdadeiro significado, de tal forma que o conhecimento a ser transmitido seja recebido na sua autenticidade, favorecendo a compreensão e, portanto, faça sentido. Generalizações podem ser carregadas de interpretações subjetivas, que deixam em aberto sentidos variados que mais confundem do que esclarecem. Quando as palavras colocadas estão descontextualizadas, elas favorecem condicionamentos e não ensinamentos, criando mais confusão. Transmitir um ensinamento, depende das palavras utilizadas no seu real significado. Depende do contexto onde são colocadas e ainda, da qualidade do ambiente e da qualidade da mente de quem recebe. O verdadeiro mestre, é aquele que tem a sensibilidade da adequação, do ritmo, do tempo, da qualidade com que escolhe as palavras e os meios para realizar um ensinamento, sendo ele, mestre e conhecimento, realmente significativos e transformativos para quem os recebe.

Abraços    ****

Vivi

TOMAR DISTÂNCIA

Há momentos que tomar distância, pode ser um recurso eficiente para não sermos contaminados pela explosão de violências que tem se manifestado nas relações contemporâneas, alimentadas pelas mídias interesseiras. Tomar distância não significa evitação ou descompromisso, mas, recuar para deixar que a consciência encontre caminhos salutares para lidar com as ondas de hostilidade. Se eu me deixo contaminar, certamente perderei o discernimento e o bom senso, reagindo na impulsividade. Agir pelo caminho da não violência é uma escolha, que demanda determinação, responsabilidade, respeito, coragem e atenção sustentada no presente. Escolher a não violência como um valor para uma vida, é fruto de um pensar reflexivo, de uma pessoa que se reconhece na sua humanidade e portanto, pode reconhecer a humanidade do outro, na sua integralidade e interdependência no mundo que se vive e se compartilha junto. Tomar distância para agir melhor, permite que se estabeleça um diálogo justo, sem espaço para o desejo de vingança ou o ódio que exterminam com a vida, perpetuando a espiral da violência. Coragem, empatia e amor altruísta andam de mãos dadas com uma mente que escolheu estar consciente de sua consciência.

Abraços    ****

Vivi