EQUÍVOCOS DO ENTENDIMENTO

Quando nos pautamos por uma visão de mundo fundamentada no maniqueísmo, no reducionismo, nos regramentos que justificam separações e controle negando a realidade da factualidade, corremos o risco de confundir altruísmo com assistencialismo. A realidade do viver é um constante fluxo, dinâmico e mutável. Não há como separar as coisas nem como entende-las sob uma ótica estática e isolacionista. A complexidade porta a diversidade, a mutação, a transformação, a interdependência e a impermanência. A vida é processo, é fluxo, é trânsito, portanto, está em constante transformação e inter-conexão. Quando julgamos e separamos distorcemos a realidade e a interpretamos de acordo com as nossas construções mentais, não como a realidade se apresenta. Então, a cegueira das toxinas mentais, geradas pelos padrões interpretativos que falseiam a realidade, são causadoras de sofrimento, criando as condições que acabam gerando mais sofrimento a todos os seres. O altruísmo, na sua face cognitiva, permite compreender as causas e condições que geram a infelicidade e portanto, permite agir para impedir que as causas geradoras do sofrimento, possam ser desfeitas, o que é completamente diferente de uma visão simplista do assistencialismo. Uma mente pautada por visões de mundo que distorcem a realidade, é causadora de infelicidades. Querendo a liberdade, somos aprisionados por padrões mentais que cegam o viver humano e impedem que a vida se realize em toda a sua potencialidade, onde o amor compassivo possa se manifestar plenamente. Eu não posso ser feliz e plenamente realizado, se o outro e os outros são infelizes, porque a minha felicidade, depende da felicidade do outro e dos outros, e todos querem ser felizes e realizados.

Abraços   ****

Vivi

SUSTENTAR RESPOSTAS INOVADORAS

O contemporâneo tem nos apresentado alguns desafios frente aos quais não podemos mais negligenciar. Um deles tem sido: como sustentar respostas inovadoras às raízes da violência. Diante da violência, impossível é ter uma única resposta. A violência se apresenta através de inúmeras faces, das mais visíveis às mais imperceptíveis, nem por isto, deixar de ser violência, causando extremo sofrimento para todos. As vozes clamam por paz, mas, como encontrar esta paz? Não pode haver paz para uns em detrimento de outros. A paz é para todos, ou não é para ninguém. Precisamos reconhecer a nossa vulnerabilidade diante da construção da  comunidade humana, repleta de diversidades. Precisamos acionar toda a nossa capacidade criativa e com sabedoria e clareza de propósito, ter afinada a nossa escuta ativa, o silêncio que transforma, e construir narrativas mais abrangentes e reais, que contemplem a realidade como ela é, e não como gostaríamos que fosse, em nossas idealizações. Precisamos saber alimentar formas sadias de questionamentos, que interaja construtivamente com a complexidade das relações e realidades. Ainda, precisamos compreender que somos uma rede de relações e interdependências, que inclui a todos, amigos e opositores. A paz é um processo, uma construção conjunta, de maturidade e consciência ampliada, que exige respostas inovadoras e transformadoras, adaptativas,  flexíveis e criadoras, na mobilidade do tempo e do espaço, com toda a capacidade amorosa que a vida, e vida da consciência humana possui.

Abraços    ****

Vivi

SIMPATIA

É inegável o valor da simpatia em nossas relações interpessoais. Pessoas simpáticas aproximam e pessoas anti-páticas, tendem ao afastamento. Darwin afirmava que, “a simpatia, embora adquirida como instinto, se fortalece tanto pela prática como pelo hábito.” A disposição biológica, herdada da evolução para a solidariedade, como o amor parental, evidenciado especialmente pelo afeto e cuidado das mães para com seus filhos, é um aspecto natural do ser humano. Contudo, há uma outra face da solidariedade, do ser simpático à outra pessoa humana que precisa ser cultivada ao longo de uma vida. Se a simpatia for uma valor importante em nossas relações, porque entendemos a sua importância através da experiência no viver-junto, ela pode ser cultiva e expandida pelo treinamento, ou seja, na medida em que nos atentamos para ela. Em cada encontro, em todos os ambientes, sempre teremos uma boa oportunidade para treinarmos e expandirmos nossa capacidade de ser afetuoso com o outro e com todos os outros. De alguma forma, já entendemos que ninguém quer o sofrimento. Entendemos que todos os humanos buscam a felicidade, buscam espaços relacionais de contentamento e reconhecimento de si, mas, muitos de nós sofrem pelas aflições mentais causadas pela ignorância. Ser simpático entre os nossos iguais, entre os nossos amigos, entre aqueles cuja afinidade e identidade é maior, de certa forma não temos muita dificuldade, inclusive é prazeroso. O desafio começa quando nos dirigimos aqueles cujo distanciamento, por inúmeros motivos, é maior,sobretudo diante de nossos inimigos. Expandir a nossa capacidade de ser simpático, requer determinação e treinamento, é algo que precisamos cultivar em nossa vida. Se compreendermos que todos os humanos querem ser felizes e querem, igualmente se livrarem das causas do sofrimento, podemos compreender que todas as pessoas  são dignas do nosso respeito e portanto, do nosso olhar simpático e amoroso.

Abraços    ****

Vivi

A BOA CONVIVÊNCIA

A comunidade humana ao longo dos últimos 100 anos sobretudo, tem avançado rapidamente em conhecimento e tecnologia, onde toda a ciência tem contribuído, “facilitando” o viver neste planeta. Contudo, apesar de todos os avanços científicos e tecnológicos, ainda estamos engatinhando na capacidade de nos relacionarmos, de conviver com as diferenças e na capacidade de sustentabilidade e preservação da vida em todos os ambientes,sejam eles os ambientes sociais, afetivos, religiosos, políticos, econômicos, judiciários, o ambiente moral e ético, e o ambiente natural, no equilíbrio de nossas espécies, da preservação dos eco sistemas, da água e das fontes hídricas, da preservação do solo e do ar. Ainda não sabemos conviver. O filósofo, pensador e escritor Fernando Savater, nascido no País Basco espanhol, afirma que “A Boa Convivência é feita de intercâmbios: o lubrificante das relações sociais é a capacidade de escutar e ceder. As pessoas que sempre tratam de se impor e nunca cedem, ou vivem sozinhas, ou tem escravos, mas, é impossível que participem da convivência.” Uma convivência saudável requer discernimento, atenção, qualidade de presença em tudo que vamos fazer, no pensar e no agir, no escolher e decidir, onde a responsabilidade é pessoal e com ela as consequências de nossas escolhas. Estar presente e consciente, de forma determinada e com propósitos claros que dignifiquem a vida, o viver e o conviver com tudo que vive, é o caminho a ser trilhado pela humanidade. Lembrando que todas as tradições espirituais salientaram a importância desta consciência plena. A importância de cada ser humano, entrar em “ressonância afetiva com os sentimentos dos outros”, como muito bem afirma o monge francês Matthieu Ricard, é a cada dia mais relevante. Agir pelo amor altruísta e compassivo, é cuidar da convivência intrapessoal e interpessoal.

Abraços   ****

Vivi

A MOTIVAÇÃO QUE COLORE

“Onde está a nossa atenção, aí está a nossa realidade.” Esta afirmação de William James continua viva, quando traz a importância da qualidade da atenção sobre a realidade da existência. O que anima o nosso comportamento? O que oferece vitalidade às coisas que fazemos em nosso viver? O que faz a nossa “alma” brilhar com entusiasmo comprometido quando realizamos algo? Mesmo que este algo exija de nós empenho e dedicação, mas, jamais sacrifício, afinal não se trata de um peso, mas, de um sacro-ofício? É a motivação que alavanca nosso ser para realização de nossa potência. Quando disponibilizamos nosso potencial a serviço do bem-estar do outro e dos outros, com benevolência e bondade, com gentileza e solidadriedade, tudo se “ilumina” em nosso corpo e em nossa “alma”. É a clareza de propósito, de intenção, do valor da solicitude que dá cor à nossa vida. As cores estão ai, à disposição de todas as pessoas. Se desenhamos a nossa vida com o calor do entusiasmo e a vontade altruística de valorizar tudo o que vive, as cores do nosso viver serão mais intensas. Opaco, é o viver desconectado com o outro, aprisionado pelos padrões egoístas e individualistas das conveniências imediatistas. Brilhamos, sempre que cultivamos momento a momento a possibilidade de servir generosamente, com alegria empática a todos os seres vivos. É a qualidade da motivação que intensifica a cor da nossa alma refletida no brilho de nossos olhos e na luz de nossa face.

Abraços    ****

Vivi

AS COISAS MAIS SIMPLES

Por ser tão simples e não simplista, as coisas mais importantes tendem a passarem  desapercebidas. Ainda somos levados a valorizar os heróis e seus atos. Ainda gostamos das cores fortes, com fortes emoções, em alta velocidade, e aquilo que é simples e natural, desvalorizamos e até negligenciamos. É aquela história de um pai que afirma dizendo que ele trabalha tanto para dar tudo para seu filho e esse filho ingrato, sob a perspectiva do pai, se revolta em maus comportamentos. Quem sabe, este pai tenha deixado de dar o mais importante para seu filho: carinho, atenção, amorosidade. Quem sabe, tudo o que um jovem esteja precisando é ser ouvido, ser reconhecido, ser amado. Ser amado e não comprado. Mas, este pai também não sabe o que é amar um filho, talvez porque ele também não tenha recebido, não tenha vivido a experiência afetuosa e amorosa em sua família. Fato é que, as coisas simples são fundamentais em nossa vida, são elas que nos impulsionam para viver a nossa potência, em todas as nossas relações. São os pequenos gestos e atitudes que fazem a diferença. Valores elementares como o diálogo, o respeito mútuo, a cordialidade, a boa educação, são fundamentais para vida humana em relação. Quem sabe se valorizássemos as coisas simples, o natural da vida, pudêssemos ser mais felizes e mais plenamente realizados!

Abraços    ****

Vivi

REFLEXOS DO ALTRUÍSMO INDIVIDUAL

A linguagem considerada “popular”, abriga uma afirmação que diz: “uma andorinha não faz verão”. Com ela passamos a acreditar, de forma pessimista, que diante de grandes desafios do coletivo não há o que fazer, ou seja, uma  só pessoa não tem espaço para agir. Aqui caímos na armadilha mental do pessimismo que de certa forma, justifica nossa preguiça mental e atitudinal. Ocorre que, o viver-junto tem evidenciado que um pequeno grupo de pessoas ou até mesmo uma pessoa,  pode ser um fator alavancador de mudanças em seu meio, com decisivos reflexos no meio maior e como elos, que se expandem, transformar um coletivo. Quanto a isto, temos muitos exemplos que a história nos oferece. Pensar e agir para o bem-estar do outro, dos outros, em consideração com a preservação  de tudo que vive, para garantir um futuro de qualidade para as gerações futuras, é encontrar um ponto onde o altruísmo individual reflita e se estenda para uma nação. As boas ações, os gestos e atitudes generosas e responsáveis de uma pessoa, pode ser um catalizador para mais ações e atitudes benevolentes. Uma só atitude altruísta, pode ser fonte de inspiração para muitas outras pessoas com inúmeros desdobramentos. Quanto mais pessoas entenderem que fazemos parte de uma rede dinâmica e interativa, onde as ações afetam a nossa felicidade, a qualidade de vida e todo o ambiente natural, maior será a expansão e os consequentes reflexos altruístas, para todos os seres viventes. Compreender esta dinâmica, em nossa dinâmica mental e comportamental, é um dos desafios e compromisso em nosso viver neste presente. Uma pequena atitude altruísta de hoje, poderá ser um grande elo transformador para o amanhã.

Abraços   ****

Vivi

CÍRCULOS VIRTUOSOS

No cotidiano de nossas relações, convivemos com todos os seres vivos, com ideias, culturas, modos de ser e estar no mundo, com o meio ambiente e é, neste “caldo” relacional que afetamos e somos afetados constantemente. Ninguém passa por este mundo ileso ou à parte, no isolamento total. Se afetamos e somos afetados, aqui encontramos alguns princípios: reciprocidade, liberdade e responsabilidade. Somos livres para escolher. Vivemos em constante relações de trocas, as vias relacionais são de mão dupla e portanto, interdependentes. Como sujeitos dentro deste cenário, com diversificadas linguagens, somos responsáveis, ou melhor, completamente responsáveis. Conforme nossas escolhas e decisões, interferimos no meio de nossa convivência, entre pessoas, ambientes e acontecimentos. Ter consciência de nossa profunda responsabilidade é a ação pedagógica, e aqui não me refiro apenas à educação formal escolar, mas, ao sujeito ético, que precisamos assumir como sujeito de direitos e deveres no mundo. Quanto mais assumimos nossa responsabilidade altruísta em nosso viver, poderemos construir os verdadeiros círculos virtuosos onde vários fatores se reforçam mutuamente. Construindo ações as mais variadas para trazer à  consciência humana a imperiosa responsabilidade de cada um e de todos neste viver e conviver juntos, afinal somos dependentes e independentes ao mesmo tempo. Acredito que, o viver de forma altruísta poderá ser um caminho onde os círculos virtuosos de sustentabilidade relacional e ambiental, para nós e para as futuras gerações, poderá trazer tempos mais justos, salutares, harmoniosos e felizes para a alma humana e para todas as “almas” do micro ao macro, para a grande “alma” generosa do Planeta e do Universo.

Abraços   ****

Vivi

ENGAJAR E PRESERVAR

Se já sabemos que os recursos do nosso Planeta Terra são limitados, como equacionar desenvolvimento quantitativo com desenvolvimento durável? Este é um dos desafios que toda a comunidade mundial tem diante si, seja no âmbito da política, da economia, da ética. Acreditamos que na medida em que mais pessoas se engajarem em programas sociais de preservação das espécies, da água, do solo, do ar, da humanidade da pessoa humana, cultivando em suas comunidades valores benevolentes, generosos, solidários, aprendendo a não buscar excessos através dos desperdícios do luxo ou criando necessidades inecessárias, teremos uma grande chance de refazer o meio natural e relacional. A ideia de Simplicidade Voluntária, proposta enfaticamente por Gandhi, pode ser um caminho para a felicidade e consequente saúde e paz no Planeta. Ao deixar de acumular os supérfluos e tudo que é inecessário, poderemos ser mais felizes, na vida interior e na vida exterior, nos relacionamentos e na convivência com tudo que vive. Engajar-se nesta proposta, para preservar os recursos naturais e a vida em todas as suas manifestações, é garantir a vida, a alegria, o bem-estar das futuras gerações. Engajar para preservar e restaurar, é uma atitude, um compromisso, uma motivação, que  começa no pessoal, na intimidade silenciosa da pessoa humana, para se estender para todos os seres viventes. A chave é o cultivo de uma consciência bondosa momento a momento.

Abraços   ****

Vivi

BONDADE ORIGINAL

Embora que ainda possamos abrigar pensamentos que tendem a nos convencer de que o Ser Humano é originariamente maldoso, a vida em sociedade, em grupos os mais diversificados e as pesquisas realizadas por inúmeros cientistas, tem evidenciado que todo Ser Humano já nasce portador de uma Bondade Original. Toda pessoa humana traz em si mesma a potência para florescer, para se realizar na vida em conjunto com outras pessoas. A tal felicidade que tantas pessoas almejam e buscam, não está disponível nos supermercados, mas, no coração e na mente de todos nós, basta acessar, ou melhor, querer acessar. Quanto mais pudermos colaborar, cooperar, compartilhar nosso conhecimento, nossos talentos, nosso tempo, nossa energia, nossa alegria benevolente, mais estaremos acessando a qualidade natural e original de todo ser humano vivo e também dos animais, de ser Originalmente Bondoso. Esta capacidade de Ser Bondoso que alimenta a capacidade de Sermos Altruístas, é que nos conduzirá para um mundo melhor, mais justo, mais harmonioso, mais respeitoso, mais cordial e amigável. A Bondade Original, a capacidade de Ser Feliz e Realizado, já está presente biologicamente em todas as pessoas e em todas as fases da vida humana, do nascer ao  morrer. Esta é boa notícia que os pesquisadores tem nos apresentado e nos permite acreditar que, podemos ser melhores do que já somos. Portanto, é também nossa responsabilidade dar oportunidade, abrir espaços para que toda a potência da vida se manifeste, mas, é a atenção, a motivação e a experiência do compartilhar em ações, pensamentos, palavras, gestos, que irá ativar e promover a Bondade Original. Assim como uma planta, se não regarmos, todos os dias, ela irá fenecer, assim também é a benevolência, a bondade original, se deixarmos de alimentar ela ficará submersa em nossa mente, quase que impedida de se manifestar. Se queremos ser verdadeiramente a mudança que queremos ver no mundo, como diria genialmente Gandhi, precisamos nos empenhar para regar e cuidar da plantinha da felicidade que já existe em nossa alma, corpo e mente, para que ela se expanda e possa alimentar, inspirar outros corações e mentes a florescerem e serem seres plenamente bondosos.

Abraços    ****

Vivi