AUTORREGULAÇÃO EMOCIONAL

Quando uma criança em torno dos seus três anos de idade, escolhe esperar um pouco mais para ganhar um doce que ela queira muito, ela está demonstrando que está aprendendo a acalmar a sua amígdala cerebral, que muitas vezes se agita. Ela  mostra que está adquirindo as suas habilidades de autorregulação emocional, através da atenção. Sabemos que a atenção regula a emoção. Concentrar-se segundo a própria vontade, deixando as distrações e inibindo os impulsos, é uma capacidade que começa a aparecer a partir do terceiro ano de vida, quando a criança aprende a administrar a rebeldia da amígdala cerebral. Ela então, aprendeu que pode esperar pela sobremesa, sem se agitar ou espernear. A atenção executiva, como afirma Daniel Goleman, “floresce em força de vontade e autodisciplina”, ou seja, em nossa capacidade de administrar nossos sentimentos perturbadores e nossos caprichos pessoais, para sustentar um determinado foco escolhido pela vontade. A autorregulação emocional, é fundamental para garantir uma vida saudável nos relacionamentos interpessoais e intrapessoais. Saber autorregular-se, ter autodisciplina, ter auto governabilidade, saber ter autocontrole, no viver e conviver, evidencia uma capacidade decisiva para o bem-viver-bem, para conviver com a diversidade humana em suas singularidades e pluralidades. Neste sentido, o cultivo da atenção, o treino atencional, pode contribuir para relações humanas mais salutares, equilibradas, onde o bom senso se faça presente no ato de escolher, de lidar com as potencialidades e ainda buscar recursos internos e externos favoráveis ao foco escolhido. A autorregulação emocional, é uma habilidade que todos os seres humanos vivos possuem, mas, precisa ser treinada. Nos dias de hoje parece ser uma habilidade imperativa. Neste contemporâneo as pessoas treinam esportes da moda, danças da moda, usar os equipamentos mais atualizados para se manter nas redes sociais, treinam culinária, maquiagem, e tantos modismos que aparecem e desaparecem na mídia  conforme as conveniências do mercado capitalista, mas, não querem se debruçar para treinar sua autorregulação emocional. Por que será? Tantos desajustes e destemperos relacionais poderiam ser evitados…

Abraços  ****

Vivi

SEGURANÇA E CONFIANÇA

Para estar-com, seja na intimidade do ser pessoal, seja no compartilhar relacional do conviver cotidiano, sentir-se seguro e confiante alicerçam o ser e o estar no viver a vida com ela é. O cérebro humano, equipado para preservar a sobrevivência, se mantém em alerta através do seu sistema nervoso autônomo, preparando-se para lutar ou fugir. Neurotransmissores são rapidamente acionados e toda uma cascata hormonal é desencadeada para manter a vida diante de qualquer ameaça. Contudo, o sistema parassimpático quando lhe é oferecido calma, relaxamento, indicando a inexistência de qualquer situação ameaçadora, seja advinda do meio externo ou do meio interno de nossos pensamentos e sentimentos, envia ao córtex cerebral as informações necessárias para que o estado interno de segurança e confiança se estabeleçam, mantendo todo o organismo em saudável  equilíbrio. Sentimentos de ganância, ódio, ressentimentos, vingança, são as causas do sofrimento que impedem o sentimento de segurança e confiança. Ignorar estes sentimentos que interferem na saúde mental e relacional, passa a ser um impeditivo para as boas relações, para o nosso bem estar bem, pessoal e social. A consciência de que podemos interferir nestas respostas orgânicas, neuronais através do cultivo da plena atenção, é algo libertador para a nossa humanização. Portanto, calma, relaxe, esteja atento aos seus sentimentos, suas emoções e aos seus pensamentos, pois, senti-se seguro e confiante e ainda gerar ambientes confiáveis, é fundamental para a nossa saúde pessoal e social.

Abraços   ****

Vivi

NUTRIENTE DA CONVIVÊNCIA

O que nutre o conviver?  O impulso da sobrevivência é a base de sustentação da vida e nós humanos vivemos e convivemos, afinal somos dependentes uns dos outros. Nossas relações se estabelecem por trocas permanentes e foi esta forma no viver humano que nos possibilitou chegar até aqui. Trocamos competências, modos de ser e estar, trocamos conhecimentos, experiências e informações permanentemente. Os nossos corpos no conviver constroem cultura através das trocas, somos organismos vivos em constante troca com todos os outros organismos vivos, em processamento e complexidade. Contudo, no conviver e relacionar-se, nós humanos só podemos sustentar estes processos de construção da nossa humanidade através de valores que possam garantir nossa capacidade de adaptação sem perder a relação. A matriz valorativa de todo o conviver nas relações, incluindo as diversidades e as singularidades, só podem ser garantidas se houver confiança, fidelidade, honestidade entre nós no viver-junto. Quando a confiança perece em nossos relacionamentos a convivência se esgota, o medo ocupa os espaços físicos e psíquicos e a vida fenece. Para garantirmos nossas relações de trocas que constituem o viver o humano e a vida humana neste planeta “azul”, precisamos juntar todos os nossos esforços e nos despir de nossas intolerâncias e resistências ignorantes, para restabelecermos juntos, relações saudáveis pautadas no grande valor da vida: CONFIANÇA.

Abraços ****

Vivi

CONFIANÇA COMEÇA COM AUTO CONFIANÇA

Se é que estamos vivendo uma crise, ela tem um nome: Confiança. Estamos empobrecidos de espaços confiáveis. As relações tendem a se desertificarem por ausência de confiança. Pendemos então para o medo e com ele, os contratos de uma burocracia desprovida de qualquer garantia. Sem confiança temos medo, de tudo e de todos. Neste cenário há quem se aproveite para elevar seus lucros, gerando mais medo para obter controle por dependência. Desestabilização! Então, é possível reverter este quadro desolador?  Primeiro passo de uma “receita” , afinal quem não gosta de uma receita de prazer sem esforço de preferência, mas, esta “receita” é diferente. O primeiro passo para se restabelecer a confiança é, a auto confiança. Se a pessoa não confia nem em si mesmo como poderá confiar na outra pessoa? Auto confiança, significa investimento em clareza de percepção, de pensamento, significa coragem para ver a realidade tal como ela é, para poder encontrar as soluções adequadas. Auto confiança, significa atenção, uma pessoa que quer se educar para estar presente em si mesma, desprovida dos subterfúgios das representações, do “faz de conta”. Auto confiança, significa ser verdadeiro, significa querer ver para compreender e então mudar, transformar-se nas pequenas atitudes, no simples pensar, para começar a fazer escolhas pautadas na ética. Ser ético é ser cordial consigo mesmo, no empenho pessoal para agir com discernimento, com transparência. É reconhecer emoções que geram pensamentos e fazem escolhas. Ser auto confiante, é abdicar de um prazer pessoal para priorizar o bem estar do outro, afinal nos construímos juntos e portanto, somos co-dependentes.Ser auto confiante, é ter a capacidade de se colocar no lugar do outro, considera-lo. Esta é uma “receita” que admite desafios, mas, não admite negligência, fingimentos, mentiras, “ajeitações” . Para sairmos desta “crise” terrivelmente violenta,  teremos que querer. Teremos que querer investir numa ampla mudança pessoal, escolher sair do faz-de-conta, para viver a verdade com  honesta amorosidade. Para confiar no outro, confiar nos ambientes, gerando ambientes confiáveis, o primeiro passo é ter auto confiança, é ser auto confiante, com humildade sem miserabilidade, com dignidade e sem arrogância, com determinação e coragem, com a capacidade de disponibilizar potência sem nenhuma prepotência, mas, com toda competência. É ser amoroso consigo para ser amoroso e cordial com o outro e todos os outros, momento a momento, dia-a-dia.

Abraços   ****

Vivi

PROFUNDIDADE NA SUPERFÍCIE

Imersos na rede relacional, onde afetamos e somos afetados pelos acontecimentos, onde decidimos direções a seguir, nos conectamos na diversidade dos ambientes, nem sempre somos conscientes deste trânsito informacional e conectivo. Dispersos neste turbilhão, corremos o risco da automatização. Contudo, é neste imenso conjunto processual que  nos formamos, construindo dentro desta rede orgânica viva de trocas permanentes, nossa história pessoal e coletiva. Um olhar despretensioso percebe apenas o que está em trânsito, atendendo as demandas uma após a outra, no “piloto automático”. Uma lente mais perspicaz, poderá nitidamente ver que “a profundidade se esconde na superfície das coisas”, ver que há muito significado, muito por aprender nestes cenários de diversas linguagens, diversas expressões, diversas maneiras de ser e estar neste mundo. Quanto de sutileza, quanto de sabedoria se esconde num olhar, numa palavra, num gesto, num movimento dentro desta rede relacional, onde fazemos nossas escolhas, convivemos e damos continuidade ao nosso viver. Aqui habita uma pele que preserva um todo orgânico da história humana, habita o mais profundo do ser humano, apesar de toda a superficialidade. Aqui habita uma razão sensível.

Abraços    ****

Vivi

CONFIANÇA CONFIÁVEL CONFIAR

Diante de tantos desajustes sociais deste contemporâneo, dois aspectos tem sido evidentes: confiança e sustentabilidade. Sem confiança não há sustentabilidade, há medo e controle, há desmedida. Algo só pode ser sustentável se as relações que o sustentam sejam confiáveis, para tanto é necessário confiar, ou seja, fiar junto. Estar em comunidade significa partilhar e compartilhar, significa conectar-se incluindo o diferente, incluindo a diversidade. Uniformidades, homogeneidades, são insustentáveis, se esgotam pela ausência de nutrientes, aquilo que nutre, que liga para manter as conexões. A confiança é o nutriente que sustenta a conectividade, mantendo a integridade das qualidades que viabilizam o trânsito nas relações. Ocorre que só poderemos estabelecer relações sustentáveis com o outro, seja este outro um ser humano, ou o meio ambiente, ou a natureza, se soubermos estabelecer relações de confiança em um meio confiável e para tanto, é necessário confiar. Pergunta: você é uma pessoa confiável? Para confiar no outro primeiro é preciso que eu confie em mim mesmo. Confiar é agir com confiança. Autoconfiança é o verdadeiro reconhecimento de seus potenciais, de suas fraquezas e suas conquistas, de suas competências e suas incompetências, é o reconhecimento de um SI próprio, de um Amor de Si, na sua justa medida.

Abraços    ****

Vivi

EXPERIÊNCIA COM QUALIDADE

Agitação, exigências, urgências, demandas em demasia, altura dos volumes sonoros, estímulos de todas as ordens, são todos fatores, cujo excesso são fonte permanente de estresse em nossa vida diária, geradores de ansiedade, frustrações e consequente sofrimento. São causadores da nossa intensa dispersão, comprometendo a qualidade do nosso viver. Experimentamos o mundo, mas, sem qualidade. Muitas vezes não conseguimos perceber o que estamos fazendo,nem o por quê estamos realizando uma determinada tarefa. São eles, as fontes geradoras de automatismos pela repetição impensada. Ansiosos perdemos a qualidade do viver, no viver e adoecemos sem perceber. Realizar nossas tarefas no condicionamento, nos rouba a capacidade de estar presente naquilo que estamos fazendo, nos tornando infelizes sem saber de onde vem esta infelicidade e acabamos por sermos capturados pelas compensações, ou seja, mais excessos  no comer, no comprar, no gastar, no trabalhar, no regrar ou desregrar, no beber, no exercitar…. Viver com qualidade as experiências no cotidiano, momento a momento, estar presente na vida em cada presente do viver, pode nos trazer felicidade, contentamento, gratidão, cordialidade. ” A qualidade de nossa experiência, a cada momento, determinará a qualidade de nossas vidas.” Matthieu Ricard.

Abraços    ****

Vivi

SERÁ QUE FALTAM POR QUÊS ?

Há uma velha metáfora que diz assim: colocaram algumas pessoas cegas diante de um elefante vivo e pediram que elas tocassem aquele objeto e tentassem identificar do que se tratava. Então um tocava a pata, outro o rabo, outro a barriga, inviabilizando no toque das partes isoladas, que cada um tocava em separado, que pudessem identificar o que era. Será que esta historinha revela algo para nós? O que ela quer nos dizer? Olhar o mundo a partir de partes isoladas não nos permite compreender o mundo. Se continuarmos a ver os acontecimentos separados de seus contextos, jamais seremos capazes de compreende-los e é exatamente isto que temos feito. É isto que temos feito em muitas de nossas escolas: analisar em separado e ainda, julgar a partir desta empobrecida e falsa referência. Só poderemos compreender a realidade se formos capazes de ampliar o nosso olhar, fazendo perguntas, problematizando, contextualizando, sem jamais julgar. Julgar algo fracionado e descontextualizado, além de ser de uma ignorância infantilizada e até maldosa, é ainda e pior, um ato de controlador, uma forma velada de manter o controle da situação. Perguntar, questionar é de fundamental importância para entendermos o que acontece, entendermos o que está ocultado e não revelado. O olhar que pergunta, que insiste em compreender as verdadeiras raízes da violência geradora de desconfianças, que afasta os vínculos, é o olhar da maturidade, algo que somente uma educação de qualidade será capaz de oferecer. Não há como seguir na tarefa de construção de uma democracia, sem querer saber os por quês dos acontecimentos, seja na vida relacional, social, profissional, afetiva, espiritual. Pergunte sempre! Queira saber o que anda por traz, o que está por ser revelado, onde estão as verdadeiras causas dos conflitos que impedem a nossa felicidade verdadeira na comunidade fraterna, na comunidade de irmãos que somos todos nós, filhos de mesma mãe TERRA !

Abraços    ****

Vivi

CONFLITO E PAZ

Só poderemos encontrar a paz verdadeira, quando aprendermos a lidar com os conflitos. Compreender que todo conflito é portador de sua solução. O conflito traz uma força que pode alavancar possibilidades inovadoras entre as partes e no meio onde acontece, basta apenas saber lidar com ele. O estado de paz; a paz justa, aquela que equilibra e inclui o diferente, compreende que o conflito faz parte do viver na diversidade e na maturidade relacional. Dom Laurence Freeman afirma que ” a Paz não se opõe ao conflito, mas, lida bem com ele, o inclui. Esta é uma boa definição para o silêncio : Quando duas pessoas escutam uma a outra, em atenção mútua e completa. Essa atenção é o silêncio, que também é amor.”

Abraços   ****

Vivi

EXISTIR NA EXISTÊ4NCIA

Jean Baudrillard reservou para a sua epígrafe algo para ser refletido: “a existência é a menor das coisas.”  Diante da grandiosidade da vida, o existir nesta imensidão já é por si só grandioso. Existir com consciência, na consciência cósmica da vida, ou seja, estar presente plenamente no viver, momento a momento, passa a ser algo magnífico. Ter esta consciência, é estar em contato com o “magestoso”, com o inexplicável, onde a palavra não consegue abarcar, lugar do plenamente grandioso, possível de ser vivido e experimentado, mas, impossível de ser explicado pela racionalidade.Existir consciente na existência, é ser pleno no presente, onde passado e futuro se encontram no instante do presente. A vida não se reduz a coisas descartáveis, ela é a plenitude de organismos vivos, integrados, conectados, em sua plenitude. A vida, como diria Maffezoli ” não se reduz ao factual de uma existência individual, mas, integra-se num conjunto mais vasto, onde a virtualidade de todos, presentes e passados, é a aposta do futuro.” Viver consciente e dignamente, é existir na existência.

Abraços   ****

Vivi