AMOR E PODER

Ao longo da história humana muitos foram os que falaram, cantaram, escreveram, dançaram, pintaram…., a relação da pulsão entre o amor e o poder. Um jogo de sentimentos que à primeira vista parece incompatível, mas que, se olharmos com mais precisão, aparecem na cena da vida em muitos espetáculos do viver humano. Diria Carl Gustav Jung “Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro.”

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Vivi

RADAR INTERNO

Existe um dispositivo cerebral que nos auxilia a guiar nosso caminho pela vida: a autoconsciência. Este verdadeiro radar interno, é a chave para administrarmos o que fazemos e o que não fazemos, ou seja, nossas escolhas e decisões. Um mecanismo que faz toda a diferença, para uma vida bem vivida ou uma vida pautada por indecisões. Localizado em áreas que conectam o cérebro executivo aos centros emocionais, este radar pessoal que faz parte da circuitaria cerebral, nos vincula ao sentido do “eu”, o “este sou eu”, o “como estou me sentindo”, da nossa identidade pessoal. Estar em contato com a autoconsciência, ter a clareza da sua expressão no cotidiano de nossa vida, imprime qualidade e bem estar, sentimento de realização, qualifica a presença em nosso viver. Alimentar a autoconsciência é fruto de uma escolha pessoal, de uma consciência que escolhe ser consciente de suas ações e escolhas na vida. É fruto de um compromisso verdadeiro, de um auto reconhecimento pela compreensão de si mesmo, no caminho do viver.

Abraços   ****

Vivi

ATENTO À RESPIRAÇÃO

Quando ficamos atentos à respiração ou a um dos sentidos, seja o tato, a audição,… o cérebro silencia sua conversa mental, as vozes internas tendem a silenciarem, permitindo a sustentação do foco atencional. Exames realizados durante a prática da plena atenção, revelam que, esta prática acalma os circuitos cerebrais para as conversas mentais. Estas práticas são verdadeiros treinamentos mentais, de regulagem da atitude mental de alimentar as falas e vozes internas. Se não houver um sujeito presente em si mesmo, que se reconheça nesta agitação, onde um pensamento gruda em outro pensamento impedindo o silêncio interior, não há como fazer contato consigo mesmo. Pausar os pensamentos, silenciar a cadeia incessante de pensamentos que querem ser pensados, é um verdadeiro alívio interior. Desativar os circuitos-padrão é abandonar de forma consciente, o estado de dispersão da mente para focar numa atividade. Estar atento à respiração, é uma grande oportunidade para treinar a mente a estar presente em si mesma e no ambiente à sua volta, qualificando o ser e o estar na vida, em qualquer situação, seja nos momentos alegres, nos desafiadores, seja estando só ou em grupo.

Abraços   ****

Vivi

EXIGÊNCIAS DA CONCENTRAÇÃO

 Por experiência, sabemos que as preocupações emocionais tem o maior poder de distração. Reagimos facilmente aos acontecimentos quando o teor emocional nos é significativo. Não são os ruídos à nossa volta, as conversas das pessoas ao nosso lado que distrai a nossa mente, sequestrando a nossa atenção de um determinado foco, mas, são as vozes internas que nos levam para o atoleiro das ruminações mentais. A concentração absoluta exige que essas vozes internas se calem. Encontrar o silêncio interior, talvez seja encontrar a paz interior, seja encontrar a presença de si mesmo, no presente da vida. Enquanto houver ruídos internos, que recorrem a memórias que ligam emoções e disparam respostas somáticas, a concentração fica impossível. A auto governabilidade do fluxo de nossos pensamentos e emoções, é fundamental para manter a concentração da mente quando estamos diante de uma tarefa. Atravessar uma avenida movimentada, dirigir num trânsito intenso, fazer uma escolha decisiva em nossa vida, se regular na alimentação e numa atividade física, fazer uma prova, são todas ações que exigem concentração, sem a qual o resultado ficará comprometido. Portanto, atenção e silêncio são elementos importantíssimos em nossas vidas.

Abraços ****

Vivi

CELEBRAR UMA SOLIDARIEDADE

O encontro com a vida se faz na celebração vivificada da vida, quando há uma recusa à solidão gregária. Ir junto, estar junto, conviver com as múltiplas diferenças que nos une como espécie viva, transcendente imanente no contingente da vida. É nas relações que integram o secreto e o discreto da vida, que podemos nos fazer como seres humanos. É o outro e somente através dele que podemos nos fazer, criar, recriar como seres humanos existenciais, na contínua ontogênese. A vida é um devir permanente, em constante transformação, no jogo interativo de pulsões, de atrações e repulsões, onde nos fazemos e nos vivificamos. Corpos, formas, afetos, uma infinita diversidade que se multiplica e se cria constantemente, na ordem e na mudança do vivido. Celebrar a solidariedade, é viver a plenitude interativa e integral da vida em cada presente. Celebrar a solidariedade da vida é viver a alegria de ser filho e irmão desta terra viva, na irmandade fraterna da beleza cada dia.

Abraços    ****

Vivi

DECODIFICAR A VOZ INTERIOR

Quando conseguimos uma pequena pausa em nossas tarefas, podemos perceber que a nossa mente produz incessantes pensamentos. São pensamentos  que vão se ligando um ao outro, numa enxurrada quase que sem fim. Na pausa, é possível perceber esta intensa rede de associações mentais, de pensamentos e emoções, que geram mais pensamentos e mais emoções. Com uma pequenina distância interna deste cenário de jogo de palavras, é possível reconhecer que são vozes internas, que falam sem parar. A autoconsciência pode decodificar com precisão, a voz interior e os murmúrios do corpo. Ela permite reconhecer as respostas fisiológicas mais sutis, que refletem a soma das nossas experiências, especialmente quando estamos num momento de tomada de decisões em nossa vida.. A capacidade decisória derivada de nossas experiências vividas, residem nas redes neurais subcorticais que reúnem, armazenam e se organizam, em formas determinadas para cada acontecimento de nossa vida criando direções internas. É o cérebro que armazena nosso mais profundo senso de propósitos e sentido em nossa vida, exatamente nas regiões subcorticais que por sua vez, são mais conectadas às nossas intuições. Conhecemos os valores, aquilo que tem valor para nós, através das sensações, no mais íntimo de nosso ser. Decodificar a voz interior, é fruto da autoconsciência, da capacidade de se perceber percebendo.

Abraços   ****

Vivi

SOBRECARGA MENTAL

Da mesma maneira que o nosso corpo reclama quando se excede em atividade física, a nossa mente quando intensamente exigida, também demonstra sinais de cansaço por excesso de esforço. Então o que fazer? Quando estamos cansados fisicamente a recomendação é descansar. Igualmente, quando temos dificuldade de apreender conhecimento, de memorizar algo, sustentar uma atenção focada, o melhor que podemos fazer é descansar. Todo esforço cognitivo para separar o que é irrelevante e sustentar um foco preciso inibindo outros elementos, gera exaustão cognitiva. Assim como fazemos com os músculos, podemos fazer com a nossa mente quando esta revela sinais de fadiga: descansar. Este é o antídoto. Fadiga da atenção e fadiga muscular pedem descanso. Mas como descansar o músculo mental? Lugares calmos, que ofereçam tranquilidade favorecem o descanso mental. Fazer uma pausa mental e física num ambiente relaxante, favorece a saúde física e mental. Os ambientes mais tranquilos estão na natureza. Eles permitem uma verdadeira restauração mental. Há momentos em nossa vida que a nossa atenção também precisa ser restaurada, passando de um estado de atenção esforçada para um estado onde a mente não precisa esforço para controlar as distrações. Locais silenciosos favorecem este processo. Silêncio e natureza, beleza e tranquilidade, favorecem a saúde mental. Uma mente agitada, ansiosa, sem pausa, adoece. Reconhecer quando precisamos acalmar já é um grande passo no processo de autorreconhecimento de si. Oferecer ao corpo e à mente ambientes calmos e silenciosos, onde a beleza da natureza possa inspirar a alma e alimentar o espírito, é fundamental para uma vida de qualidade. Beleza e tranquilidade, silêncio e calidez, nutrem a existência humana.

Abraços    ****

Vivi

DO INDIVIDUALISMO PARA O ALTRUÍSMO

Nosso momento contemporâneo tem nos remetido à passagem de uma forma de ser individualista para um altruísmo onde o entre-ser se faz presente em diversas expressões. Esta passagem de um individualismo epistemológico da modernidade advindo de uma cultura semítica, para um altruísmo empático que considera e inclui o outro e todos os outros, traz consigo a necessidade de uma maturidade para a responsabilidade. O império de uma razão, da lógica salvacionista de controle, colocou o indivíduo no plano central almejando um futuro distante de si e portanto, desconectado com a realidade e desprovido de um compromisso no viver cotidiano, um modelo adotado pela modernidade. O contemporâneo ou a pós modernidade para alguns pensadores, se descortina com a necessidade de um viver-junto, de um conviver, de um entre-ser, de um estar-junto nas “tribos urbanas”, onde a atitude altruísta de inclusão de todos, da diversidade, do colocar-se no lugar do outro para incluí-lo no grupo, toma corpo nas ruas, nas modas, nas músicas, nas falas, no comer junto,nas artes, na ocupação dos espaços públicos do habitar humano. Aqui os corpos tem presença, existem e são legitimados. Aqui é o presente, o cotidiano do dia-a-dia e portanto, a responsabilidade é de todos, porque somos todos. Do individualismo para um altruísmo no viver cotidiano, tem sido um processo que se evidencia nas incontáveis expressões sociais onde a razão sensível abre espaço para uma ética da estética. Como toda passagem, o tempo é processo, é escolha. Fato é que, o modelo individualista da lógica racional começa a perder força para abrir espaços para tempos onde a compaixão pode se manifestar no presente sensível de cada dia.

Abraços   ****

vivi

HOJE É O DIA …

Quando pensamos em mudanças não é incomum pensarmos em mudanças advindas do mundo externo, ou seja, é o mundo que tem que mudar eu não, são os outros que precisam mudar eu não. Em geral, são muitas as pessoas que ainda apresentam este enfoque: corruptos são os outros, preconceituosos são os outros, violentos são os outros, indiferentes são os outros e vai por ai… Contudo, com um pouco de boa vontade e observação, podemos facilmente perceber que toda mudança deve partir do pessoal, do interior pessoal e não do exterior. Para mudar o mundo, tenho eu que me modificar. Somente quando há um reconhecimento pessoal das condutas, dos posicionamentos, das atitudes pessoais de forma verdadeira e honesta é que a mudança tem inicio. Toda mudança começa dentro. Dentro do coração e da mente de uma pessoa. Se eu quero, se eu almejo uma mudança no mundo e nos outros, tudo deve começar comigo e começar HOJE, aqui e agora. No momento em que decido ser necessário uma mudança, ela deve começar já, agora, hoje, neste exato momento. No momento em que a percepção é despertada a mudança começa,portanto, hoje é o dia… agora é o dia da mudança. Exemplo: se entendo que a gratidão deve existir no mundo, começo agora a ser grato comigo e com todos e tudo a minha volta, hoje, no bom dia sorridente e amigável que eu darei para a primeira pessoa e para todas as pessoas que estiverem ao meu lado ao longo de um dia, deste dia e de todos os dias. Gratidão se faz com pessoas que são gratas, consigo mesmas e com os outros. Você já agradeceu o seu dia hoje?

Abraços   ****

Vivi

SEMPRE QUE PERCEBER….

Quando meditamos há uma instrução, básica, simples e fundamental: “Sempre que perceber a sua mente divagando, traga-a de volta para o seu ponto focal.” A maior dificuldade é PERCEBER. Quando nossa mente divaga, perdendo o seu ponto focal, na maior parte das vezes não conseguimos perceber que estamos divagando em pensamentos que trazem memórias e com elas sentimentos e emoções. Sustentar um foco atencional, é treino. Diante dos inúmeros estímulos externos e internos, que nos distraem quando realizamos uma tarefa ao longo do dia, perceber que nos distraímos, já é um grande avanço. “Quando nossa mente vagueia, quase nunca percebemos o instante em que ela se lança para outra órbita.” Esta afirmação do escritor e psicólogo Daniel Goleman, é de grande importância uma vez que há uma cooperação entre o circuito divagador e o que faz o controle cognitvo em nosso cérebro. Perceber que a nossa mente divaga já provoca uma mudança na atividade cerebral, é a metaconciência que quanto maior, mais enfraquece as divagações. A prática meditativa da plena atenção, é uma ação que permite treinar a mente para perceber quando perdemos o foco atencional a que estamos nos propondo e retornar, sem constrangimentos, ao foco. Sendo a neuroplasticidade um dispositivo do cérebro humano, o treinamento mental pode favorecer a autoeducação e a capacidade de se perceber percebendo na realização uma tarefa, seja numa sala de aula, numa bolsa de valores, dirigindo, atravessando uma avenida,ou seja, estar presente na vida com qualidade, sem desperdiçar energia.

Abraços   ****

Vivi