GESTOS DE AMIZADE

Uma amizade sincera é alimento para o corpo e para a alma, de toda pessoa humana. Quando nos colocamos à disposição de sermos uma força do bem, no cotidiano de nosso viver, o cérebro responde imediatamente pela ativação de áreas que estimulam neurotransmissores, que produzem sensações de bem estar e auto confiança, em nós, no outro e na relação. Aqui nasce e se fortalecem os vínculos afetivos. Gestos de amizade, tornam o viver cotidiano mais leve e mais saudável. O ser humano não está condenado ao egoísmo. Todos nós humanos, temos a capacidade através da boa vontade, disciplina e constância, edificar novos hábitos de pensamento geradores de sentimentos que estimulam condutas mais agregadoras e vinculares. Atitudes altruístas engrandecem nossas vidas e nossas relações. Praticar gestos de verdadeira amizade, pode nos transformar em pessoas mais potentes, mais ricas de plenitude. Evitar que os pensamentos negativos tomem conta de nosso ser interior é um exercício, para todos os dias e o dia inteiro. Praticar gestos sinceros de verdadeira amizade, nos permite conectar com um nível mais profundo e mais pleno de nós mesmos, com a verdadeira essência de nossa humanidade. Contudo, é uma atitude que pode ser cultivada, assim como cultivamos uma flor no jardim de nossa existência. Como tudo que fazemos na vida, ou não fazemos, é uma decisão, uma escolha pessoal. Não importa  tanto como os outros agem em relação a mim, importante é como Eu ajo em relação aos outros, aqui é o espaço de minha responsabilidade e da minha liberdade.

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Vivi

Breves Espaços de Tempo

O Poeta William Wordsworth (1770-1850) escreveu sobre momentos icônicos como esse, que podem no confortar ao longo dos anos:

Há em nossa existência breves espaços de tempo que, com clara preeminência, preservam uma virtude renovadora e com os quais, afligida por opiniões errôneas e pensamentos controversos ou por qualquer coisa de maior peso ou mais fatal, em ocupações triviais e no curso de conversas corriqueiras, nossa mente se nutre e invisivelmente se refaz.

Abraços ***

Vivi

O DENTRO E O FORA

Um dos grandes desafios do ser humano tem sido equilibrar matéria e espírito, o mensurável e o imensurável, o externo e o interno. As tradições religiosas em toda a história humana, se referiram a estas polaridades propondo caminhos para uma harmonia. O pensamento racional, linear, de exclusão tendeu à separação, fragmentando as partes, que de alguma forma criou antagonismos que mais desequilibram do que harmonizam. Então, o que tem mais valor, as coisas da matéria ou as coisas do espírito? Contudo, será que o ser humano não possui a qualidade de equilibrar as duas faces desta unidade? Como separar algo que não se separa no vivo? Corpo e alma, formam a unidade humana. É possível encontrar no conhecimento várias denominações, mas, a realidade é que todo ser humano vivo na sua existência possui uma dimensão de concretude como igualmente, uma dimensão de sensibilidade, inseparáveis. A tarefa humana é encontrar o equilíbrio entre elas, sem valorizar uma em detrimento de outra. Todos os humanos vivos, são dotados de uma interioridade e uma exterioridade, do mais sensível ao mais concreto. A questão é o valor que temos dado às estas partes que são inseparáveis. Se a balança pender mais para um lado do que para o outro, desequilibramos. É a maturidade, a clareza mental, o discernimento, que vai permitir sustentar com harmonia as duas faces humanas, que se completam entre si, como uma dança. Esta é a dança da sabedoria. “Jamais poderíamos usar o lado dentro de uma xícara sem o lado de fora. O interior e o exterior são um só”. Taoísmo.

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Vivi

PESSOAS E PESSOAS

“Há pessoas que falam e nem a escutamos; há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossa vida e nos marcam para sempre. –  Cecilia Meireles”  Quem são estas pessoas ? Quem seriam estas pessoas que cruzam a nossa vida e nem sempre as percebemos, não conseguimos notar as marcas por elas deixadas, em nossos corpos e em nossa alma. No distanciamento da pessoa que somos, não reconhecemos as marcas desfavoráveis, como também, aquelas pessoas que marcam de uma tal forma, que passam a ser a referência de nossa vida. Para ampliar a nossa percepção do que acontece, precisamos estar atentos, qualificar a nossa presença em cada instante de nosso viver. Estar presente na vida, é uma atitude que podemos acessar quando a vontade nos oferece um motivo que nos faça mais humanos em nossa dignidade. Afinal, sempre teremos pessoas no mundo externo como também, “pessoas” de nós mesmos em nossa interioridade.Então, que pessoa sou EU? Quem de mim está aqui e agora nesta existência de minha vida?

Abraços    ****

Vivi

ENCAIXE NÃO É FORÇA

Quando se fala em atividade física, academias de treinamento muscular, no geral as pessoas pensam que, para alongar, treinar, fortalecer um corpo é necessário força. “Se não suar não funciona”, é uma frase que se repete com certa constância. Como estamos numa cultura dos excessos, entendemos que trabalho corporal só tem “resultado”, se imprimirmos força e velocidade no treino, a ponto de ultrapassar os limites somáticos e psíquicos. Se existe algum critério para uma atividade física o primeiro, o primordial é aprender a respeitar os limites de um corpo, os limites naturais do praticante, em qualquer modalidade. Se a pessoa não souber reconhecer seus limites, jamais será capaz de se respeitar e portanto, respeitar ao outro. Toda a biomecânica de um corpo humano vivo está pautada nos encaixes. Sempre que se coloca força excessiva perdemos a possibilidade de reconhecer, aprender, treinar, educar nossos sistema locomotor, nosso sistema neuromotor. Respeitar limites não é preguiça, não é indisciplina, não é falta de encorajamento e determinação na prática corporal, mas, sim respeito. A educação somática só pode acontecer se houver reconhecimento das possibilidades e variações, mudanças naturais e permanentes das respostas somáticas frente aos estímulos. Isto não significa que teremos uma baixa capacidade respiratória ou baixo fortalecimento muscular. Ao contrário, saber encaixar, posturar, equilibrar, organizar um corpo vivo, demanda profunda presença somática e sustentação de uma estabilidade atencional. Saber reconhecer padrões somáticos e psíquicos que pelo condicionamento, impedem a amplitude das fibras musculares, da capacidade respiratória, dos encaixes perfeitos, é construir  um gesto harmonioso e potente. Corpo não é força mas, encaixe. A força bloqueia a potência, reprime o fluxo energético, distrai e excita, lesiona fibras, impede a consciência somática, não transforma. Ser um corpo equilibrado e harmonioso é estar presente no abraço entre corpo, emoção, cognição e alma.

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Vivi

RESPIRAÇÃO – UMA CHAVE PRECIOSA

O vivo respira, troca, conecta com o meio externo. A respiração é, para o ser humano vivo, um espaço de auto regulação . Respirar pode ser um ato mecânico mas,  é a consciência da respiração que viabiliza o processo regulatório no viver cotidiano. Flexibilidade, porosidade, permeabilidade, ritmo, são características fundamentais deste fluxo permanente do vivo. Respirar é  um ato de uma fisiologia somática e emocional. A respiração é fisiologia e emocionalidade, é comportamento, é mente, corpo e espírito. A respiração pode causar ansiedade, excitação, relaxamento, alegria, tristeza, medo, pânico, coragem … em fim uma variedade de experiências que uma consciência presente, no ato respiratório, tem a possibilidade de perceber e regular. Tradições espirituais já sabiam há mais de mil anos, que poderiam regular um estado interior através da respiração. Já é sabido que nada relaxa mais que uma respiração prolongada, que nada excita mais que a falta de ar e nada concentra mais que a pausa respiratória. A respiração é uma chave preciosa para uma consciência que segue na direção de um sentido na vida, uma vida orientada para ser livre no amor e no bem comum. Amar é respirar com respeito e responsabilidade o ar fresco da gratidão pela vida .

Abraços    ****

Vivi

UMA FORÇA DO BEM

Quem quer ser uma força do bem neste mundo? Sabemos perfeitamente que nossas escolhas, nossas palavras e ações tem consequências. A impulsividade impensada que muitas vezes se manifesta no cotidiano, provoca consequências irreparáveis, portanto, pausar e repensar sempre será adequado. O bom senso ainda prevalece na vida. Ser uma força do bem tem sido algo que muitas pessoas buscam, que todas as tradições religiosas exaltaram, mas em tempos onde o dinheiro tem estado no centro do sistema econômico e cultural, os espaços tem sido reduzidos. Este modelo social tem se mostrado insustentável. Vivemos tempos em que não mais tem sido o ser humano e a vida o centro referencial, mas o valor econômico, o dinheiro.Estamos na idolatria do dinheiro, na cultura do descarte. Descartamos nossas crianças, nossos velhos e nossos jovens, não há sustentação. Conclamar todos os nossos esforços para sermos uma força do bem neste mundo, é ter a consciência de que é possível a mudança mas, que esta transformação depende absolutamente do poder decisório de cada pessoa humana em seu viver. A responsabilidade é pessoal. A partir de cada um poderemos chegar no maior, não temos outra saída!

Abraços    ****

Vivi

A POSTURA DO GUERREIRO

O “guerreiro” é um personagem que aparece nas histórias gregas, chinesas, japonesas… O herói persiste, resiste aos desafios, sem jamais deixar de cumprir seu dever e missão. O guerreiro-herói se apresenta nos corpos contemporâneos, advindo de um histórico cultural porém, desconectado com os princípios éticos que norteiam este “personagem”. A postura do guerreiro, traz consigo uma disciplina comprometida com a verdade e com a justiça. Age com plena atenção, que muitas vezes se revela na não-ação. Um verdadeiro guerreiro, age no silêncio de sua presença. Sua postura psíquica e somática é revelada pela qualidade de suas palavras, o tom de sua voz, a expressão de seus gestos, na sutileza de sua presença em cada presente. Não se acovarda, nem se faz prepotente. O guerreiro sabe que atenção e ética são inseparáveis e por isso cultiva o bem, a benevolência, a generosidade, a cordialidade, a gentileza. Sua maior “luta”, é a luta interior de ser  verdadeiramente um ser humano e não representar-se nas máscaras do teatro cultural. Sabe ele que não precisa de favoritismo para ser reconhecido, pois ele se conhece e se reconhece como humano, através da sua humildade diante da grandeza da vida. Ele nunca se afasta do “divino” e portanto, pode reconhecer a divindade em tudo que faz, que pensa, que age.

Abraços    ****

Vivi

UMA ESTRADA E DOIS CAMINHOS

Agir ou reagir, são atitudes  que diferenciam o manejamento das pessoas em sua existência. São dois caminhos na mesma estrada da vida. Dependendo do olhar , ou do ângulo de visão, há diferenças entre os caminhos. Silêncio criativo ou agitação ansiosa, são determinantes de uma forma de ser estar neste mundo, onde o movimento pendular se manifesta. Quando não reconhecemos a pendulação perdemos a orientação, então, reagimos a invés de agir. Capturados pela intensidade de informações e estímulos, pelos modismos, pelos padrões mentais, pelas representações, entramos na cegueira existencial, um estado de vertigem e confundimos a realidade, sendo incapazes de discernir o real do imaginário. Aqui, real e virtual se confundem e as projeções da imaginação falseiam a realidade. Sabedoria ou ignorância, para onde ir? O sábio, na sua humildade quer ver e aprender. O ignorante arrogante, está convencido de que já sabe e portanto, se nega a ver, ouvir e aprender. A sabedoria do sábio o faz agir, ele tem o silêncio criativo que lhe permiti agir com precisão, ao contrário, o ignorante, aquele que não sabe e também não quer saber, apenas reage na vida sem nenhum discernimento. Ele fica dando voltas dentro do seu labirinto interior e cada vez mais desorientado. Uma estrada e dois caminhos, evidentes para aqueles que buscam a verdade, que não se revela para aqueles que estão dormindo e não querem enxergar a luz. Há pessoas que só reagem na vida, pois, no aprisionamento das ilusões, não percebem que estão presas no labirinto dos padrões mentais e culturais. Como sair deste labirinto? A saída do labirinto requer atenção, pausa, presença e sabedoria. Pausar e ouvir, são algumas das estratégias da lentidão.

Abraços    ****

Vivi

O SABOR DO SIMPLES

Diante de tantos estímulos e necessidades criadas por exigência capitalista, as pessoas, para sanar suas dores internas, acreditam que a salvação está no complicado e rebuscado. Parece que quanto mais difícil, mais misterioso, mais amargo for o remédio, maior será o seu potencial de cura.No âmbito da atividade física, há um pensamento muito recorrente: se não suar, se não doer, o exercício não funciona, não faz efeito. Parece que existe uma onda sacrificial e com isto perdemos a simplicidade da vida, perdemos o sabor das coisas mais simples do viver humano. O que nos faz melhor, um ato de loucura ou um ato de bondade? Quando ansiosos, somos vulneráveis a acreditar que só os grandes feitos podem trazer benefícios. Esquecemos que um simples olhar, uma simples palavra, um simples gesto num encontro verdadeiro, pode ser muito mais curativo, que um dispendioso programa que promete um “nirvana”, um céu, cheio de recompensas.  Quando estamos no presente pleno do nosso viver cotidiano, estamos conectados com o nosso melhor e maior.Quando tememos o que pode acontecer amanhã ou queremos voltar atrás no tempo  passado, perdemos a oportunidade de conexão com a simplicidade do presente. Aprender a saborear os prazeres simples do viver cotidiano – um pôr de sol, uma maçã, uma piada, um sorriso de criança, um ipê florido, um céu azul – pode alimentar um estado interior de mais completude e alegria genuína. Cultivar uma atitude de saborear o simples da nossa existência, traduzida em ações e encontros em nosso  viver, tem o poder, a potência, de vitalizar o nosso existir em cada presente de nossa vida; simples assim!

Abraços    ****

Vivi