SER AGENTE OU SER TÉCNICO

 Teoria e prática, são dois elementos que acompanham a vida de pessoas em busca de informação mas, também e igualmente,  em busca de aprimoramento no viver relacional. O conhecimento técnico  só faz sentido se estiver alinhado com a ação, afinal é na prática que tudo acontece. Embora que, a humanidade tenha feito grandes conquistas científicas e tecnológicas, ainda somos capturados por condutas causadoras de sofrimentos, que mais nos afastam do que nos aproximam dos nossos iguais. Então o que fazer? Imediatamente a responsabilidade recai sobre a educação e as vozes dizem : as pessoas precisam de educação para aprenderem a conviver.  A palavra educar na sua raiz latina educere, significa “fazer sair”. Se as pessoas não se empenharem em “fazer sair”, deixar aflorar a capacidade compassiva, amorosa e gentil nas suas relações de convivência, cada dia serão fonte de sofrimento no viver junto. Os atributos da amorosidade, inclusive a compaixão já existem no ser humano, apenas é preciso deixar sair, assim como, aprendemos a pensar, pesquisar, com metologia científica, por que não poderemos aprender, educar a nossa mente para “fazer sair, ou deixar sair o ser compassivo existente no ser humano. A técnica, a informação, o conhecimento, são elementos fundamentais neste contexto mas, se não houver uma agente, um ser de ação na prática diária, todo dia e o dia todo, não haverá possibilidade da compaixão aflorar da alma humana. Conhecer, aprender, se informar, é fundamental mas, praticar, viver na ação a experiência da compaixão, da amizade, da alegria empática, da equanimidade, requer atitude, nas pequenas coisas mas, atitude, auto-deliberada.

Abraços  ****

Vivi

 

SEJA UM BOM SER HUMANO

Todas as tradições religiosas se baseiam no princípio da Compaixão, sendo a ética, o elo comum a todas elas. Contudo, ser compassivo requer treino, é um exercício permanente frente aos inúmeros desafios no viver cotidiano, para todo ser humano neste planeta. Uma pessoa que deposite em sua vida, todo o seu empenho para alimentar uma atitude compassiva, com persistência, a compaixão vai naturalmente revelando novas capacidades no coração e na mente desta pessoa. Ela descobre que, quando procura compreender o outro, se colocando no lugar deste outro e possibilitando caminhos que aliviem seu sofrimento, diretamente ou não, a serenidade, a bondade, a criatividade , como um fermento fértil, vai “contagiando” sua vida. É capaz de perceber que, a atitude compassiva para com todos os seres, lhe traz uma nova clareza mental permitindo um existir com mais intensidade. No seu livro, Ética para o Novo Milênio, S.S. o Dalai Lama, faz a seguinte afirmação: ” pouco importa se uma pessoa é religiosa. Muito mais importante é que seja um bom ser humano”. Diante da velocidade, dos estímulos, das incontáveis mudanças e  informações do contemporâneo, as pessoas se perdem porque não conseguem achar direção para suas vidas, se frustram e adoecem. Quem sabe, se pudessem ter como orientação pessoal para seu viver, apenas o régio compromisso de serem “um bom ser humano”, colocando alegria empática e gratidão em todos os momentos de sua existência, direcionando esta alegria a todos os seres, talvez o sofrimento tenha uma chance para minimizar-se e a bondade possa contagiar outros corações e mentes.

Abraços    ****

Vivi

DEPENDÊNCIA E VÍCIO

Sendo biologia e cultura, os seres humanos no viver cotidiano de suas relações tentam encontrar meios para lidar com aspectos paradoxais de si mesmo: altruísmo e egoísmo. Por toda a história evolutiva, nós humanos dependemos do amor mais que qualquer outra espécie viva. Sob o aspecto biológico , nosso cérebro evoluiu a partir do cuidado afetuoso. O amor materno e sua poderosa base hormonal, associou um modo cultural que se organizou pela dedicação e altruísmo, nas preocupações da mãe com o seu filho, como uma necessidade protetiva,  garantindo a sobrevivência do filhote humano. Os neurônios-espelho, situados na região frontal do cérebro, nos induziu à empatia e à capacidade de sentir a dor do outro como se fosse a nossa. Ao mesmo tempo, o “velho cérebro” reptiliano, impulsivo, reativo e ativo na luta individualista pela sobrevivência e prazer individual, tem nos deixado, conjuntamente com a cultura, como que “viciados” em egoísmo. Uma sociedade muito marcada pelo individualismo, isolacionismo, prazer pessoal a qualquer custo, pouco tolerante, por vezes prepotente, tem como resultado uma intensa ativação desta camada cerebral mais primitiva e ancestral, condicionando um modo de ser voltado ao favorecimento egóico e infantilizado. Como seres humanos vivos, dependemos do amor, do afeto, do cuidado do outro mas, ao mesmo tempo ainda nos mostramos viciados em egoísmo. A passagem de uma consciência infantilizada para uma consciência de maturidade relacional, pede urgência de um processo educacional, que alimente nossa capacidade de cooperação, de compreensão, de auto-confiança, alegria, amizade. Pede espaço para que a potência do vivo se manifeste, sem negar nossos medos mas, ao mesmo tempo, sem medo de viver o pleno potencial excitatório, pulsátil, vibrante de todo ser humano vivo e humanizado.

Abraços    ****

Vivi

MÃE SEM PELO

Os mamíferos de sangue quente, ao longo de milênios, aprenderam a construir abrigo para seus filhotes, garantindo a eles o necessário para o crescimento saudável, ou seja, a sobrevivência da prole. No decorrer de milênios, esta estratégia se mostrou eficiente, conduzindo a evolução para sistemas cerebrais mais complexos. As novas aptidões, proporcionaram o crescimento do cérebro e os filhotes tiveram que nascer mais prematuramente, necessitando de cuidados e proteção dos pais e da comunidade. O cérebro do Homo Sapiens cresceu! A mãe do bebê humano não tinha pelos e suas crias não podiam  agarrar-se a ela enquanto buscava alimento, necessitando de cuidados especiais. Era necessário que a mãe humana  segurasse seu filhote durante horas, subordinando sua fome e suas vontades às vontades de sua cria. Uma grande modificação acontece neste processo, que é a passagem do automático para uma relação emocionalmente motivada pela proteção e  afeto. A afetividade vem a ser um elemento fundamental de garantia da sobrevivência da espécie. Ela foi decisiva no processo evolutivo ensinando os filhotes humanos a crescerem,  ao mesmo tempo que ensinava os humanos a formar outras alianças como a amizade, de grande utilidade na sobrevivência da prole e dos agrupamentos. Gradativamente os humanos foram desenvolvendo sua capacidade natural para o altruísmo, uma característica intrínseca da espécie humana. O altruísmo é uma característica  de todos os humanos. O cérebro humano está aparelhado tanto para o altruísmo e a compaixão, como para a cruel luta reptiliana para sobreviver,  instintiva e automaticamente. A corticalidade permite ao humano refletir e escolher onde investir. Quem sabe, a educação nos tempos deste presente, possa favorecer os humanos a investirem na compaixão, no altruísmo, na amorosa capacidade de acolhimento, como os sentimentos fundamentais da evolução biológica e psíquica de todos os seres humanos.

Abraços    ****

Vivi

SENTIDO MAIOR NA VIDA

O Homo Sapiens desde os seus primórdios, concebeu formas de arte e criou sistemas religiosos. As primeiras pinturas rupestres, criadas  há cerca de 30 mil anos por nossos ancestrais paleolíticos, encontradas no sul da França e no norte da Espanha, conforme os pesquisadores, tinham uma função ritual. Os rituais, como as expressões artísticas e religiosas ao longo da história evolutiva do ser humano, tiveram como função transportar o humano para um outro lugar no seu interior, possibilitando serenamente, o seu encontro com o sensível. A força estética da arte, provoca emoções na interioridade humana, que a racionalidade da lógica e da técnica, são incapazes de atingir. Admiração e encantamento, são dimensões da sensibilidade humana, assim como o acesso ao numinoso. Estas experiências  próprias de  ser humano, o conduzem  para um sentido maior em sua vida, sem o qual, diante do drama humano e de sua trágica condição existencial, a consciência tende ao desespero. Descobrir o sentido maior da existência, talvez seja uma tarefa para toda uma vida, mas, impossível de ser negada. Nesta trajetória, o contato com a arte e com a espiritualidade, podem fazer aflorar este sentido maior da vida humana, onde a benevolência encontra o espaço natural para se manifestar livremente , tornando o ser humano um ser mais criativo, flexível e amorosamente mais inteligente.

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Vivi

 

COOPERAR COM COOPERAÇÃO

As atitudes egoístas do ser humano, tem sido atribuídas ao “velho cérebro” que herdamos dos répteis no processo evolutivo, animais que conseguiram sair do lodo primordial, há cerca de 500 milhões de anos atrás. Os répteis,  totalmente voltados para a sua sobrevivência, segundo os neurocientistas, são animais que evidenciaram os quatro impulsos básicos:  comer, lutar,fugir e reproduzir-se. Impulsos que estimularam estes animais a competir por alimentos através de sistemas de ação rápida, frente a qualquer ameaça, dominando território, buscando lugares seguros e perpetuando seus genes.Estas são características que marcaram nossos ancestrais reptilianos  em busca de poder, controle, território, sexo, ganho e sobrevivência individual.. Estes sistemas neurológicos herdados, localizados no hipotálamo,na base do cérebro do Homo Sapiens, são responsáveis pela sobrevivência de nossa espécie. Com o desenvolvimento evolutivo da humanidade ao longo de milhares de anos, um “novo cérebro”, o neocórtex, sede da razão, permitiu ao humano refletir sobre o mundo e sobre si mesmo e ainda ser capaz de resistir aos instintos mais primitivos. Embora que, sejamos dotados da capacidade de reflexão , somos programados para adquirir mais e mais bens, reagir prontamente a qualquer ameaça e lutar pela nossa sobrevivência, ou seja, os quatro impulsos básicos continuam interferindo nas atividades humanas. Ao longo do processo evolutivo, os grupos humanos que aprenderam a cooperar, se organizando em comunidades onde o acolhimento foi uma estratégia protetiva, conseguiram avançar com sucesso na sobrevivência, na proteção de suas crias e descobrindo novas formas de se manejarem no viver. Descobriram que a emoções benevolentes com a estética, poderiam salvaguardar toda a comunidade. Aprenderam que a cooperação altruísta tem a potência da realização. Cooperar faz parte, já é um dispositivo biológico do ser humano, e a capacidade de reflexão permite a este humano, Homo Sapiens, alimentar suas  emoções mais elevadas,  impedindo pela consciência, que os impulsos básico do “velho cérebro” o domine. A capacidade de cooperar, operar junto com todos os demais na comunidade já existe, o que nos falta como humanos é cultivar, nutrir, alimentar a ação, ou seja cooperação altruística, desprovida do egoísmo individualista da economia capitalista.

Abraços    ****

vivi

REGRA DE OURO

O grande sábio chinês Confúcio, que viveu entre os anos 551 – 479 a.C., quando lhe perguntaram qual dos ensinamentos seus discípulos deveriam praticar “diariamente, o dia inteiro”, é bem possível que tenha respondido: “Não esqueça de SHU, consideração, ou seja nunca faça aos outros o que não gostarias que te fizessem.” Confúcio segundo  citação de Karen Armstrong, foi o primeiro que formulou a Regra de Ouro e com ela deixou ensinamentos que ele chamou O Caminho do TAO. O caminho que pontua a capacidade de dar aos outros o melhor de si, consideração, em relação à todas as pessoas, “diariamente, o dia inteiro”. Ensinamentos de um mestre sábio , absolutamente atual em nossos dias. Se cada pessoa pudesse oferecer o seu melhor a todas as pessoas em sua volta, do  contato mais próximo até o mais distante, a cada encontro, todos os dias, conservando em si esta grandiosa capacidade de se dispor no acolhimento ao outro, talvez possamos ter uma sociedade mais harmoniosa, justa e equânime. Isto seria um sonho? uma utopia? Pode até ser… mas fato é que, estes ensinamentos perduram com todo sentido até os nossos dias. Ocorre que, ainda não conseguimos nos livrar do egoísmo prepotente e preguiçoso, que muitas vezes engole nosso discernimento,  revelando a face mais impulsiva e repteliana do humano. A Regra de Ouro é para ser vivida, na prática, todo dia e o dia inteiro.

Abraços   ****

Vivi

UMA FORMA POSITIVA

Um dos aspectos da cultura ocidental, tem sido cunhar a forma negativa de ver a realidade. A lente que uma pessoa usa para olhar o mundo em seu viver relacional, é a expressão de como esta pessoa se maneja no cotidiano de seu viver. Olhar para o mundo de forma positiva,com entusiasmo e encorajamento, é completamente diferente de olhar para este mesmo mundo de forma negativa, pessimista e perdedora. A forma COMO vemos a realidade, faz toda a diferença nas escolhas que fazemos e no modo como nos manejamos em nossos relacionamentos. Uma pessoa imersa num ambiente onde tudo é negritude, terá certamente sérias dificuldades de ver a luminosidade. O ambiente de convivência impregna a percepção. Talvez, uma das dificuldades e resistência para mudanças, adaptações e auto-regulação, seja a forma como uma pessoa lê a realidade, a lente que esta pessoa usa para se manejar no mundo. Todas as possibilidades estão disponíveis, para o bem como para o mal, mas os condicionamentos e automatismos impedem a reflexão e obscurecem a percepção. Considerando, por exemplo, a Regra de Ouro : “Não trate os outros como você não gostaria de ser tratado” – ou, na forma positiva: ” Sempre trate os outros como você gostaria de ser tratado”. A benevolência está disponível a todo ser humano, seja na sua individualidade como no verter para todas as pessoas e seres viventes., inclusive aos inimigos.

Abraços    ****

Vivi

EMPATIA E ALTRUÍSMO

Nossos instintos mais primitivos de  sobrevivência e com ele o egoísmo, tem dificultado a nossa capacidade empática e altruística. Biologicamente todo ser humano tende a colaborar, compartilhar, proteger suas crias para a manutenção da própria espécie, mas ainda se faz necessário que estas atitudes se evidenciem no conviver, nas relações do nosso cotidiano. As condições de sobrevivência em muitas regiões do planeta já estão garantidas de forma geral mas, ainda não sabemos conviver com a diversidade, com o diferente, não sabemos perdoar. Embora que, já tenhamos conquistados grandes avanços evolutivos, como o nosso cérebro e nossa consciência, ainda não sabemos COMO lidar com nossas emoções mais primitivas, com nossa impulsividade. Precisamos conclamar todos os nossos esforços para que “a empatia e o altruísmo sejam colocados no centro de nossa vida pública e privada”. Esta reflexão oferecida por Karen Armstrong, tem sido um apelo urgente que ela tem feito  rumo à nossa humanização. A neurociência tem afirmado que a capacidade altruística faz parte do cérebro humano, o que precisamos é vivê-la, colocar em prática esta qualidade fundamental, até mesmo para garantir e preservar o futuro dos filhos de nossos filhos neste Planeta. Uma simples observação nos permite perceber que, não nos conhecemos bem. Se uma pessoa não se conhece, não se  reconhece na sua humanidade, certamente não será capaz de reconhecer a humanidade do outro, a humanidade das outras pessoas. Ser empático e altruísta, hoje não é mais uma questão idealística ou sonhadora, mas uma questão de sobrevivência. Embora que, todas as religiões tenham conclamado estas qualidades intrínsecas de todo ser humano ao longo da história civilizacional, e com elas a Regra de Ouro  – ” Não trate os outros como você não gostaria de ser tratado” –  ainda não somos verdadeiramente capazes, de sermos empáticos e altruístas  no viver cotidiano. Qualquer obstáculo, qualquer possível ameaça, é suficiente para que as nossas emoções mais primitivas se manifestem. Portanto, precisamos nos educar, educando corpo e mente. A boa notícia da neurociência é que, podemos nos auto-educar, se quisermos.

Abraços    ****

Vivi

FUNDAMENTAL É O QUE NOS UNE

Todos os seres vivos neste planeta Terra, são habitantes desta casa comum. A vida  é o nosso elo. Respiramos o mesmo ar, pisamos o mesmo solo que nutri a todos, dependemos das mesmas águas e ventos, do mesmo sol e da mesma lua. O conhecimento é fruto e patrimônio da humanidade. Nos encantamos com o mesmo céu, na magnitude desta galáxia,  nos aquecendo com a luz e o calor deste mesmo sol. Dos micro organismos até os seres humanos, com este cérebro capaz de circular informações em milhões de sinapses, estamos todos sob a égide do mistério da vida. Todos os seres humanos, na sua eretibilidade, aprendem a lidar com a força da gravidade. Na diversidade de suas linguagens e expressões culturais, a curiosidade alavanca o humano para descobrir, perguntar, criar espaços e ao mesmo tempo sobreviver neste “planetinha ” imerso na imensidão cósmica. Estamos todos de passagem na jornada da vida. Aqui nascemos, crescemos, criamos nossos filhos e certamente iremos deixar este solo no momento da transcendência. Diante da inteligência e do mistério da vida que nos encanta e nos apavora, nos sentimos frágeis, talvez porque ainda não tenhamos conseguido compreender encarnadamente, que estamos todos unidos pelas dádivas da vida. Nossa mente fracionada pela agitação ansiosa e infantilizada, nos impede de ver e viver o elo vivo da vida. “A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos que apenas conseguem identificar o que os SEPARA e não o que os UNE” Milton Santos. Quem sabe possamos permitir que nossa consciência e nossa capacidade reflexiva, compreenda e incorpore o que nos une e não o que nos separa afinal, estamos todos unidos pelo grande elo da vida e a Terra é nossa Pátria comum, lembrando Edgar Morin.

Abraços    ****

Vivi