RESTAURAR OU RESOLVER

A cultura da superficialidade, do resultado imediato, da fragmentação linear do pensamento, da empobrecida responsabilidade ou “mediocridade” do “faz-de-conta”, quer se convencer que resolver um conflito é apenas reparar “um” ou “o” dano causado por uma ação considerada violenta. Porém, a realidade evidencia que esta forma de abordar o direito violado de uma pessoa, além de não resolver o conflito em questão, ainda é estímulo para a perpetuação de outros conflitos, como consequência. Quando um conflito não é resolvido na sua origem, na sua raiz, na causa primeira que muitas vezes está subjacente, não aparente, o conflito emerge em algum momento e até com mais violência. A questão em pauta é restaurar as relações. Elas é que estão sendo violadas e para isto é preciso ir mais fundo, acolhendo a humanidade de todas as pessoas envolvidas numa situação ou acontecimento que gerou a violência. Aqui a pessoa do facilitador restaurativo é fundamental. Os círculos de Práticas Restaurativas, respaldados pela Justiça Restaurativa reconhecida no Brasil, viabilizam a restauração das relações, do compromisso ético dos cidadãos na dignidade de sua cidadania, com discernimento e responsabilidade. As relações humanas precisam ser preservadas para que o tecido social não se rompa e a convivência no estar-junto, possa ser o verdadeiro e legítimo canal de passagem da vida.

Abraços    ****

Vivi

QUEM É O FACILITADOR RESTAURATIVO ?

É pessoa que tem a competência de possibilitar o diálogo entre pessoas, é capaz de construir um ambiente confiável, sustenta seu eixo somático e seu foco atencional, disponibiliza sua capacidade de ouvir para compreender com amorosa generosidade as pessoas, sem julgamentos ou comparações. O Facilitador Restaurativo completamente comprometido com a ética, respeita o tempo pessoal de cada participante de um círculo de paz, para resolução de um conflito. Sendo um sujeito-ético, tem o olhar em amplitude e portanto, é capaz de ver em perspectiva, seu raciocínio amplo é contextualizado, considera a complexidade.O facilitador restaura as relações e não apenas resolve os processos. Sabe perguntar adequadamente sem constranger ou intimidar. Paciência, prudência e coragem, o fazem um sujeito justo e humano em sua solidariedade orgânica, viva, adaptativa. Sabe esperar sem perder sua atenção,mas é sobretudo humano. Se auto-regula reconhecendo suas emoções. Reconhece suas limitações, é humilde e gentil evitando o sofrimento, afinal dificuldades e desafios fazem parte da condição existencial mas, gerar sofrimentos que estimulam as emoções negativas é ignorância.O Facilitador Restaurativo está comprometido com a vida, com a dignidade humana, com todos os seres humanos sem distinção alguma.Não tem medo de se submeter ao escrutínio. Sabe se encantar e vibrar com a vida, com a capacidade resiliente do pulso vital.

Abraços    ****

Vivi

FACILITAR PARA RESTAURAR

Diante do cenário desolador da violência que estamos vivendo neste contemporâneo, em todos os cantos do mundo, inclusive em solo brasileiro, precisamos encontrar novos caminhos que respondam à esta triste realidade. Fato é que, o modelo social vigente tem se mostrado a cada dia mais ineficaz, esgotou-se completamente. A vida corre risco, a dignidade humana está se degenerando. Embora que novas linguagens e expressões evidenciem a necessidade de transformação, é urgente pensarmos juntos, cidadãos e cidadãs, para questionarmos e encontrarmos possibilidades que regenerem o tecido social agonizante. Um dos caminhos que já tem se mostrado eficiente é a Justiça Restaurativa, com a formação de Facilitadores Restaurativos, através de um processo permanente formativo de capacitação pedagógica, em todos os âmbitos de atuação social e relacional. Facilitar para Restaurar, não é imediatismo, não é superficialidade, não é utopia, não é “balela modernosa”, mas um dispositivo, cuja experiência e conhecimento evidencia sua eficácia. O desafio diante dos Processos Restaurativos, das Práticas Restaurativas de solução pacífica de conflitos é a mudança radical na forma de pensar, um outro paradigma, uma outra abordagem para lidar com conflito e a própria violência. Justiceiros não fazem a justiça, mas roubam a dignidade humana por sua falta total de coragem de enxergar que precisamos mudar, nos educar para entender o que acontece em nossas relações. Sair da zona de conforto da dominação, do levar vantagem, dos privilégios, da exclusão, da intimidação, da truculência, não é tarefa fácil nem instantânea, é algo a ser compreendido, reconhecido, educado, se quisermos juntos, como sociedade mudar o cenário de sofrimento humano diante da violência desmedida. Esta é uma tarefa para todos: institucional e pessoal, pública e privada. Grande parte da violência fica mascarada, submersa, escondida e é ela que nutri a violência explícita nas ruas, nas cidades e em todos os cantos do conviver humano. Educar nossas crianças e jovens é fundamental, lembrando que é possível mudar este cenário, mas precisamos do esforço, da boa vontade de todos, pois para restaurar há que facilitar, ou seja formar o facilitador.

Abraços    ****

Vivi

TROCANDO DE PELE

Inegável é o imenso processo de mudança para todas as direções, que vem acontecendo neste contemporâneo. Mudanças que não começaram num passado recente mas que, vem acontecendo grau a grau, tomando corpo e se capilarizando. O romantismo do século XIX, o design nos anos 1950, as emoções coletivas dos anos 1960, são sinais de uma estética relacional que vai abrindo os canais para a passagem de novas linguagens. É uma sociedade que está trocando de pele, construindo um outro tecido social, renovando sua vitalidade, expressa na vontade de viver. O que está em pauta é uma vontade de estar-junto, com dignidade. Sobreviver apenas não basta, é preciso a sustentação confiável de valores que viabilizem o conviver, o estar-junto, o fazer-junto. A rede quer se fortalecer pela interação das novas linguagens. A pele do isolamento adoeceu, envelheceu e portanto, a necessidade de re-novar fica a cada dia mais evidente nas incontáveis vozes sociais. Embora que, ainda com aparente falta de clareza e de direcionamento mas, com vitalidade para a mudança, uma pele nova começa a nascer. Vozes que já entenderam que o modelo vigente não tem mais conectividade, não funciona, não agrega, não consegue mais dialogar. Perceber e reconhecer as tantas expressões desta mutação social, talvez seja o desafio contemporâneo para poder encontrar caminhos viáveis para dignificar a vida e as relações, em todas as suas expressões. Seria a ética da estética um possível canal agregador, das tantas vozes que clamam para se harmonizarem na dinâmica da vida?

Abraços   ****

Vivi

O VALOR DA PAZ

“A paz é um valor positivo que exige empenho pessoal e coletivo”. Sem determinação não poderá haver paz. Ela é fruto de uma escolha de quem se nega se conectar com tudo que possa violar a vida, mesmo e até em pensamento.

Abraços ****

Vivi

O MISTÉRIO

Albert Einstein, o pai da Teoria da Relatividade, tinha um sentido acurado do mistério: “A experiência mais bela que podemos ter, é a do mistério. Trata-se de um sentimento fundamental que é, digamos, o berço da arte e da verdadeira ciência. Quem não o conhece e já não pode maravilhar-se e admirar-se de nada está morto, poderíamos dizer, e seu olho está debilitado. Foi, a experiência do que é plenamente misterioso, embora misturado com o medo, que fez nascer a religião. Porém, saber que existe algo impenetrável, algo que se manifesta na razão mais profunda e na beleza mais resplandecente até um extremo tal que nossa razão apenas pode minimamente aceder, este saber e este sentimento constituem a verdadeira religiosidade. Nesse sentido, e em nenhum outro, sou um homem profundamente religioso”.

Abraços    ****

Vivi

O BELO

Viver o Belo, ter a experiência do Belo, da Completude, é se colocar em sintonia humilde com existência. Deixando os desejos, se libertando das apetências utilitárias, de uma vida dispersa e indo na direção unificada da contemplação concentrada, desinteressada, onde o amor, simplesmente o amor e a felicidade genuína, possam aflorar, é uma decisão e um compromisso pessoal. É um valor de vida. Se, “o artista é o sacerdote da beleza, esta deve ser buscada segundo o mencionado princípio de seu valor interior. A beleza somente pode ser medida pelo critério da grandeza e da necessidade interior, que tão bons serviços nos prestou, até aqui. É belo o que brota da necessidade anímica interior. Belo será aquilo que seja interiormente belo” Kandinski.

Abraços    ****

Vivi

TAREFAS EVOLUTIVAS

Do ponto de vista biológico,o cérebro humano é sem dúvida fruto de todo um processo evolutivo e com ele, uma consciência que surge quando ” a mente encontra o self”, segundo o pesquisador Antonio Damásio. A capacidade do ser humano raciocinar, sentir emoções,distinguir o eu do outro, mapear o contexto interno e externo, advém desta conquista evolutiva.O cérebro humano evoluiu nas tarefas de sentir, decidir e mover-se. Estar consciente destes processos neurais que se entrelaçam nas várias áreas cerebrais, faz parte da consciência humana.Contudo, como a mente humana se distrai com facilidade,nem sempre consegue se perceber sentindo, como se reconhecendo nas emoções,comprometendo sua capacidade decisória e ainda distraída, encontra desculpas no seu imaginário para ser sedentária. Embora que, biologicamente,o cérebro “queira” gerir a vida e mantê-la viva, nem sempre a atenção da pessoa humana está onde deveria estar: em SI mesma, no seu corpo, reconhecendo suas informações.  Estar atento aos padrões mentais, que constroem inúmeras justificativas para manter a pessoa em zonas de conforto,talvez seja mais que uma necessidade educativa mas, uma emergência evolutiva. As tarefas evolutivas do cérebro, como sentir, decidir e mover-se, poderiam ser estimuladas se houvesse uma pessoa presente no seu organismo vivo e na sua presença viva, dentro do seu existir.

Abraços   ****

Vivi

CONSTRUIR DENTRO PARA VER E COMPREENDER

“Segui o rastro das origens. Então, me tornei estranho a todas as venerações. Tudo ficou estranho à minha volta… Mas isso, no fundo de mim,que pode reverenciar, surgiu em segredo. Então, começou a crescer a árvore à sombra da qual me sento, a árvore do futuro” Nietzsche.  Reverenciar- talvez seja ainda preciso aprender a cultivar este sentimento e com ele a gratidão, o encantamento pela vida. Retornar à misteriosa e intensa sincronicidade do vivo entre as suas  origens, a sua essência no existir e o crescer e maturar, que se constrói a cada momento do viver, se houver boa vontade e presença. É o estado de bem- aventurança, como sentimento primordial do ser humano, quando ele se coloca em sintonia com a sua alma e a “alma” do Universo. Agora, sim é possível reconhecer no mais íntimo de si, o florescer da árvore da existência. Sem um dentro, não haverá olhos para enxergar a plenitude da vida como ela é: simplesmente Bela.

Abraços    ****

Vivi

PARTICIPAR DA DINÂMICA

Há alguns pensadores que afirmam que, uma das angústias das pessoas neste contemporâneo onde as mudanças se evidenciam intensamente, é o sentimento escondido de uma saudade “onipresente”. Saudade de tempos em que se podia acreditar que realmente haveria um paraíso futuro a espera de todos. Uma interpretação de um mundo, cuja glória só viria de muito longe, após muito trabalho. Representado por uma ideologia produtiva, cuja compensação, até para tentar reparar “pecados” que já vieram na matriz humana, tem dificultado a percepção de um vitalismo que se manifesta de diversas maneiras no cotidiano das relações sociais contemporâneas. Uma vitalidade que busca com todas as suas forças, maneiras de se estar-junto nesta sociedade, dentro das comunidades, nas diversas linguagens. Participar desta dinâmica, é poder reconhecer a vitalidade dos movimentos sociais que falam de um vitalismo, mas que para alguns, tem sido quase impossível admitir e reconhecer. Estamos vivendo uma mudança de consciência através de um espírito livre que se permite criar, inovar, arriscar, apostar e fazer da vida uma grandiosa obra de arte.Participar deste dinamismo e apreciar a socialidade que se manifesta por uma solidariedade orgânica, é compreender uma qualidade ética: a ética da estética. A arte viva nos corpos vivos, de espírito livre, buscando formas mais dignas de estar junto compartilhando sonhos, talentos, sensibilidades, paixões, encantos, linguagens…

Abraços   ****

Vivi