É POSSÍVEL VER O QUE ESTÁ OCULTO?

O mistério sempre foi fascinante para o ser humano, em todos os tempos da história humana. As Escolas de Mistérios, na Grécia antiga, é um dos exemplos, onde pessoas se reuniam para tentar entender o que a lógica  do pensamento racional, não conseguia explicar. O oculto sempre aguçou a curiosidade humana, numa contínua busca  por explicações. Até os dias de hoje este anseio se faz presente na psique humana. Os mitos, as narrativas, as histórias contadas por todas as culturas e grupos humanos, falam deste oculto que se revela através de símbolos, sinais que a mente humana muitas vezes não consegue acessar. Na ânsia por grandes explicações, o humano não consegue ver o que está oculto sob o manto da simplicidade. Nas coisas mais simples do cotidiano da vida em comunidade, a agitação distraída impede o humano de ver, de enxergar, de ter uma visão ampliada. ” Os aspectos mais importantes para nós são ocultos por causa de sua banalidade e de sua simplicidade” (Wittgenstein). Prestar atenção ao simplesmente humano, ao que pode ser visto no dia-a-dia do estar-junto, nas ruas, nas artes, na arquitetura, nas cores, nas formas, nas linguagens, nas expressões dos relacionamentos, no transitar das pessoas em seus deslocamentos, nas músicas, nos ritmos, na poesia, nos prazeres menores, nos lugares  comuns e nos tempos presentes da vida em comunidade, é fundamental para compreendermos o que está oculto, querendo ser revelado. Há algo em trânsito, pedindo passagem para se manifestar, mas é preciso abrir os olhos, pausar, ampliar a percepção, deixar que a intuição se aproxime da revelação.

Abraços    ****

Vivi

UM BINÔMIO …

A história do pensamento humano traz consigo a questão dos elementos paradoxais, que sob uma ótica estática se opõe e se contradizem, mas um olhar dinâmico pode ver relação e complementariedade. Assim, é o jogo dos opostos: alto/baixo, bem/mal, claro/escuro, macho/fêmea, céu/terra, luz/sombra… Um olhar superficial destes elementos julga, privilegia, unilateraliza, desprezando a sinergia da vida. Pensando em equilíbrio, é possível afirmar que a vida é dinâmica e que ora se apresenta através de uma face, ora de outra. Porém, como tudo que é vivo pulsa na sua própria dinâmica relacional, não haverá jamais só luz ou só a sombra neste universo, pois a vida abriga ambas as faces. Assim também ocorre na relação entre emoção e razão. Sempre que a humanidade deu preferência à ordem razão, do mensurável, do quantificável, perdeu-se a capacidade de valorizar algo fundamental da existência humana: sentimentos e emoções. O ser humano é um ser de razão, mas igualmente e ao mesmo tempo, é um ser de  emoções e sentimentos. Aliás, emoções, sentimentos, razão, cognição e corporeidade, são inseparáveis na dinâmica orgânica, relacional, de todo ser humano vivo neste planeta. Em tempos de contemporaneidade, a razão universal se mostra carente da emoção compartilhada e dos sentimento de pertencimento, para viver a existência  do estar-junto das relações humanas . Afinal, podemos bem lembrar que, “há várias casas na casa do pai!”.

Abraços    ****

Vivi

EVACUAR AS DIFERENÇAS …

A atitude infantil de repetir palavras, em sua maioria, vazias de sentido, acreditando que resolvemos os nossos problemas, revela o medo que muitas pessoas tem de ver a dinâmica da realidade viva, da vida em sociedade, na diversidade de todas as suas expressões. Um medo que se expressa na tendência de ver “bárbaros” para todos os lados, onde tudo é maldade. É o medo indolente da acomodação, frente às mudanças sociais. O medo daqueles que se recusam ver as novas formas de estar de junto das “tribos pós-modernas”. Homogeneizar os modos e os jeitos de ser, é uma forma de reduzir tudo a uma só unidade. Se a vida é marcada por suas diferenças, se a cultura se faz na multiculturalidade, insistir em reduzir tudo que existe a uma forma única, se revela mais que uma atitude infantilizada, mas uma atitude altamente dominadora e controladora de elites que insistem em evacuar as diferenças, para maquinizar a natureza viva das relações. O sensacionalismo da imprensa de modo geral, faz disto uma “mina de ouro”, alimentando discursos vazios de sentido, mas repletos de maldades e falsidades. Entender que somos diversos, múltiplos, criativos e portanto, que a heterogeneidade é nossa origem comum, é estar vivo, em sinergia com a dinâmica do viver em comunidade. Aqui está o mistério da vida, o que está oculto e ao mesmo tempo presente, como sempre esteve, em todos os tempos da história humana e em todas as civilizações, o sentimento de pertencimento na vida em comunidade.

Abraços    ****

Vivi

Olhar para trás

A lógica do mercado progressista é sempre olhar para frente, mirando a lucratividade, através de um consumo que promete a felicidade pelo prazer imediato. Uma lógica que se mostra insustentável e predatória. Olhar para frente, é fundamental na caminhada humana. Ter orientação, visualizar novas possibilidades, ser criativo, renova e dinamiza, mas, fechar-se para o passado é negar-se à reflexão, à ponderação. A questão é o equilíbrio e para tal é preciso alimentar um olhar em perspectiva, amplo, contextualizado. Lembrando uma sabedoria popular, ‘é preciso olhar muito para trás para ver muito à frente’. O sociólogo, Michel Maffesoli, afirma que, “observar a germinação permite compreender sua floração”. A sociedade moderna está diante de uma questão primordial que é lidar com este mundo que se apresenta, que se presentifica, com todas as suas diversidades e não um outro mundo, por vir. Qual é o pensamento que pode revelar o que está aí? Onde estão os códigos que servem de base a esta vida social que está aí? O que está oculto e se gestando nesta passagem da modernidade para a pós- modernidade? Toda a atenção é pouca em tempos de mudança, ou resignificação, ou re-novação.

Abraços  ****

Vivi

PALAVRAS QUE CONFUNDEM

Embora que a verborragia esteja às soltas por aí, ela pode trazer muitos aborrecimentos. Palavras confusas, confundem as relações e as coisas. Muitas são as pessoas que falam por falar, falam sem pensar. Estas no geral causam sofrimento por onde andam e os estragos são muitos e até mesmo irreparáveis. Há também os que dizem: não era isto que eu queria dizer ou não foi a minha intenção… Sabe-se que a flecha lançada, a oportunidade perdida e a palavra falada, não voltam mais. Uma vez dita, a palavra não retorna, tudo se contamina. Falar na hora certa, no momento adequado, de forma adequada, na entonação adequada, é  fruto de atenção. Saber usar a palavra correta, a mais adequada para cada momento ou situação é fundamental para a preservação das relações, sejam elas afetivas,profissionais, familiares…. Uma palavra inadequada, gera enorme confusão em nossos sentimentos. Encontrar as palavras mais precisas requer a capacidade de pausar, refletir, atencionar, requer compromisso ético. Palavras falsas corrompem as relações, contaminam os ambientes.Encontrar as palavras que assegurem a base do nosso “estar-junto” é cada dia mais necessário. Portanto, toda atenção, todo cuidado é pouco. O compromisso pessoal consigo, com o outro e com ambiente relacional é um compromisso ético.

Abraços    ****

Vivi

O QUE SEI E O QUE NÃO SEI

Nem sempre somos capazes de identificar o que realmente queremos em nossas vidas, porém se somos capazes de pelo menos identificar o que não queremos, já é uma parte do caminho. O poeta português dizia: Não sei por onde vou, mas sei que não vou por aí”.  Muitas vezes não sabemos realmente o queremos e por onde ir, isto é normal na existência humana. Então, refletindo mais atentamente, poderemos ao menos identificar o que não queremos para nossas vidas. Aqui uma parte da caminhada já está se fazendo.

Abraços    ****

Vivi

DIALOGAR OU IMPOR

Embora que a fala, a narrativa, a interlocução, sejam dispositivos fundamentais na comunicação humana, nos momentos de desafio em nossas relações, o que os líderes e governantes ainda fazem uso, é a força bruta. Ainda não sabemos fazer bom uso do instrumento natural e biológico da espécie humana: conversar, dialogar.  Diante de qualquer discordância, de qualquer possibilidade de ameaça aos modelos culturais estabelecidos, o poder exerce sua força coibindo o ser humano, sua potência vital, na tentativa de adestrá-lo para impedir que os sentimentos de injustiça, ingratidão e indignação, possam se manifestar. Não sabemos dialogar, sabemos impor, controlar, castrar, excluir, espoliar. Até quando? Dialogar, compartilhar, incluir, respeitar, legitimar, dividir, cooperar, compartilhar, são ações que ainda precisam ser exercitadas em nossa sociedade e nas relações de convivência. Sair da verticalidade para a horizontalidade, é  uma tarefa a ser realizada na contemporaneidade.

Abraços    ****

Vivi

DISTANCIAMENTO CRÍTICO

O contemporâneo nos fez mergulhar em uma sociedade, como um verdadeiro “mar” de hiperestimulação auditiva e visual, informativa e imagética, onde o tempo perde o seu tempo pelo imediatismo na velocidade do instantâneo. Se não houver o cultivo de um distanciamento crítico, para reflexão e vigilância, nossa existência tende ao naufrágio. Uma tarefa que revela-se difícil, porém, necessária. Uma pessoa desprovida de uma vida interior de sensibilidade, facilmente será capturada pelos “cantos destas sereias”. Como Ulisses, talvez tenhamos que nos “amarrar” em nossos mastros, permitindo no isolamento do silêncio, uma distância pedagógica e nutridora que preserve a nossa autonomia existencial.

Abraços    ****

Vivi

INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL

“O cultivo da inteligência espiritual traz consigo um compromisso para com a comunidade. Existe um equilíbrio muito difícil de alcançar entre a paz interior, alcançada apenas pela sabedoria e as paixões que só podem nos levar pelo caminho da injustiça, do sofrimento e da miséria. Trabalhar a inteligência espiritual torna possível a paz interior, indispensável se pretendemos pacificar o mundo.” Com esta reflexão, Francesc Torralba , aponta a nossa responsabilidade para um empenho pessoal e coletivo, no sentido de entendermos que a paz não é o oposto da guerra, mas um valor essencial a ser preservado por todos e cada um, em todas as instâncias e dimensões da vida societal, pública ou privada. Para tanto, é necessário esforço conjunto, autodeliberado, na práxis permanente para a edificação e consolidação de uma ordem que nasce na consciência do existir.

Abraços    ****

Vivi

O que nos falta?

O conhecimento, como um dos grandes patrimônios da humanidade, hoje está disponível ao acesso de todos. Se o conhecimento já se faz presente, o que nos falta como humanos diante de tanta desumanidade? Frente à violência que impõe sofrimento à sociedade humana é urgente pensarmos em COMO transformar o conhecimento conquistado e produzido pelo esforço humano, ao longo de sua história de curiosidade e pesquisas, em atitude. A passagem do saber para a práxis do cotidiano das relações, tem passado pelas forças de poder, onde as barreiras do controle ainda subjugam, impedem a reflexão, encobrindo o potencial humano através do medo, da desconfiança geradora de inseguranças.Inseguro, o humano responde com violência, pois lhe é acionado o seu pior: o sentimento de raiva, retaliação, desencanto da sua própria vida. O que nos falta é atitude, acreditar que somos potentes, repletos de vitalidade, de amorosidade e são estes sentimentos que nos fortalecem. Reconhecer os jogos entre o saber e o poder, talvez seja uma das grandes tarefas do processo educacional da mente humana, uma consciência em evolução, mas que requer educação. Atitude positiva e treinamento mental, deveriam andar de mãos juntas pelo caminho da felicidade genuína, onde a busca pelo saber possa se dedicar mais em conhecer o bem do que investir  nos males da existência.

Abraços    ****

Vivi