AUTÊNTICO CIMENTO

Estando num planeta com 7 bilhões de habitantes, viver junto, conviver , deixou de ser uma escolha opcional mas, uma realidade,  impossível de ser ignorada.  O habitante da cidade urbana sente no seu corpo esta realidade. Se viver junto é a nossa realidade, como qualificar este viver? Como conviver preservando o mútuo respeito, a inclusão, a diversidade das diferentes vozes, culturas e modos de ser? Muito além de um conformismo, precisamos ter a ousadia de recriar a vida social. Talvez um dos caminhos, dentre tantos, possa ser compreender qual é o imaginário deste humano da multidão. Quem sabe seja possível criarmos juntos ideias que não sejam apenas focadas na economia, no lucro a qualquer custo ou numa dimensão de política de conveniência para uma mínima minoria, mas penetrarmos na rede submersa de toda a vida social, que é o nosso imaginário. Um imaginário alimentado e consolidado por um autêntico cimento que vincule afetivamente o estar junto, uma verdadeira audácia para aqueles cuja coragem o faz assumir responsabilidades no agir em sociedade.

Abraços    ****

Vivi

UMA ÚNICA IDEIA ÚNICA

“Nada é mais fatal do que as ideias únicas, mesmo as nobres,aquelas em que se acredita fanaticamente”. Com esta afirmação Isaiah Berlin, aponta com grande sabedoria, o perigo de nos deixar ser aprisionados pelos discursos das respostas prontas. A existência humana é um perpétuo devir. Estamos em constantes mudanças, somando experiências e com elas novas descobertas, que produzem novos conhecimentos diretamente vinculados aos encontros, aos acontecimentos à vida que vai se fazendo a cada dia da existência. A cultura livresca que serve aqueles que dominam e controlam a todo custo a criatividade humana, dentro de um escopo de discurso único com respostas prontas para tudo e para todos em qualquer situação, gera falsidade, contamina as relações com frustrações que miserabilizam o pessoa humana levando-a a desacreditar de si, do outro, da espécie, da vida e do potencial vivo do qual somos todos portadores. Estar atentos aos discursos de uma cultura que sustenta arbitrariamente o saber e o poder para manter o controle, tem sido uma exigência quase vital para a sobrevivência do ser humano. Idéias únicas, linguagem única, lugar único é típico de quem domina e explora. Cuidado para não andar com o “rebanho”, mediocremente sem saber de onde vir nem para onde ir. Sendo a existência um eterno devir , renovar, transformar, construir e desconstruir, reviravoltar, sempre estará no processo do existir. Quando se tem uma única e exclusiva verdade não estaremos no caminho da “verdade”, afinal a verdade se constrói no processo de ser verdadeiro a cada momento da existência no existir. Atenção!!!

Abraços    ****

Vivi

CIVILIZAÇÃO E EMANCIPAÇÃO

O processo civilizatório está diretamente vinculado ao processo emancipatório dos cidadãos, habitantes deste mundo comum. Sem emancipação do ser humano, do cidadão, do sujeito de direitos, o embrutecimento continuará permeando todas as instâncias deste ser humano. É pela emancipação das pessoas que o avanço civilizatório poderá acontecer, senão tenderemos ao retrocesso que nos embrutece e traz mediocridade. O reconhecimento dos direitos e a busca pela igualdade exige um trabalho árduo de todos os cidadãos, de todos os povos e governos. Um trabalho que inclua a superação de paixões e ódios, que abra os portais do diálogo, onde todos os humanos e suas expressões culturais sejam contempladas e a preservação da vida seja nosso valor maior. A preservação, proteção e respeito pela vida em todas as suas manifestações, deve ser um valor do qual não podemos abdicar, onde nenhum governo, governante, líder possa descartar. Emancipar as pessoas é preservar a vida seguindo na direção de uma civilização com dignidade, cooperação e respeito mútuo no conviver em  nossa casa comum, na alegria de viver-junto, do estar-junto. Emancipar é muscularizar a potência da vida, de forma consciente, em cada presente de nossa consciência, nos pensamentos, palavras e ações, onde as narrativas possam ser a verdadeira expressão da dignidade humana. Aqui todos nós somos absolutamente responsáveis, aqui não limites territoriais, há apenas e simplesmente a dignidade humana.

Abraços    ****

Vivi

PALAVRA TEM IMPORTÂNCIA?

Sim. Saber nomear é fundamental para uma comunicação clara e transparente. Construir narrativas que expressem claramente o sentido e o significado do que se pretende comunicar é fundamental para garantir bons relacionamentos e sustentar a convivência, o estar-junto. É a palavra bem colocada, bem pronunciada,que tem o potencial e a responsabilidade de estabelecer os canais por onde a solidariedade, o respeito, a civilidade podem acontecer, seja no discurso público como nas narrativas pessoais. São as palavras bem pronunciadas que favorecerão os discursos criativos, inovadores e transformadores de uma sociedade, ao invés de repetitivos, tendenciosos, convenientes, com aparência generosa mas, altamente ideológicos e dogmáticos. As aparências enganam e os discursos onde a palavra é mal colocada, os sentidos são desvirtuados se tornando estéreis mas, repleto de segundas intenções. São as falas que causam sofrimento, frustrações. São as palavras vazias e maldosas. Nietzsche afirmava: ” originais foram aqueles que deram nome às coisas”. Saber nomear, saber dar o nome verdadeiro à verdade é mais que uma arte, é um compromisso ético.

Abraços    ****

Vivi

QUALQUER COISA …

Em meio à crise econômica e societal deste presente, a mediocridade tem se generalizado junto com uma midiacracia. Superficialidade tem sido o tônus operacional que contamina nossas relações. Tendo a materialidade, o consumo consumista e a coisificação como consequência irredutível, junto ao descartável, tudo vai se tornando raso, então “qualquer coisa serve”. No faz-de-conta, das pequenas e grandes mentiras da hipocrisia, no “usa e joga fora”, as relações se contaminam e o “qualquer coisa serve” vai ganhando “corpo” e não se consegue distinguir o valor das coisas e do viver. Portanto, atenção, cuidado!!! Lembrando Marcel Proust : ” de tanto mentir aos outros e também a nós mesmos, deixamos de perceber que mentimos”. Cuidado com “o qualquer coisa serve”, cuidado com a superficialidade, pois a mediocridade penetra no viver, e se torna fonte permanente de conflitos que geram violência. Tudo é tão “sutil” e leviano que não percebemos o adoecimento e a gravidade patológica de nossas relações pessoais, grupais e sociais. A violência se esconde em formas simplistas mas contagiosas. Cuidado, toda atenção é pouca! Qualquer coisa não serve. Ética e estética caminham juntas para um bom estar-juntos.

Abraços    ****

Vivi

CANAIS DE APRENDIZAGEM

Se houver atenção e presença, será possível reconhecer os inúmeros canais que oportunizam aprendizagem em nosso viver.Um dos obstáculos é a distração. Ela desfoca, desvirtua a realidade, gera agitação impedindo a percepção dos acontecimentos. Mas, são eles, os encontros e desencontros, que abrem as janelas de oportunidade que ampliam a percepção. Muitos são os canais de aprendizagem. Um deles é o diálogo como um trabalho compartilhado, uma potente via de compreensão da realidade, dos fatos, dos acontecimentos que nos permite aprender e maturar. Quando estamos abertos e disponíveis para ver outras faces de uma realidade, podemos enxergar e compreender identidades e poderes, criatividade e potências que alavancam renovação e transformação. As mudanças ocorrem no micro e no macro, em processos interdependentes, nas trocas relacionais. Dialogar é uma arte, assim como a capacidade de ouvir para compreender. O diálogo pode ser intrapessoal, momentos pessoais de reflexão, como grupal e intergrupal. Todos são momentos preciosos de oportunidades para ativarmos os canais de aprendizagem. São experiências que podem ser incorporadas pela vivência, através de uma prática transformativa.

Abraços    ****

Vivi

AS MÃOS DA HONESTIDADE

Em tempos de desconfianças, falar em honestidade até pode parecer algo bizarro, de outro mundo. Mas, é neste mundo e deste mundo que estamos falando, um mundo onde as histórias conduziram para modos de ser, em que alguns valores tendem a mostrar outras faces. Ocorre que, sem princípios, propósitos e valores que sustem e preservem nossos relacionamentos não há como viver, nem sobreviver. O valor honestidade é fundamental para salvaguardar a dinâmica de nossos relacionamentos, o meio onde a vida se faz. A honestidade não existe sozinha, é na relação pessoal e interpessoal que ela encontra espaço para se constituir. “A honestidade vem de mãos dadas com a segurança e a confiança”, afirma o escritor e conciliador internacional, John Paul Lederach. As relações seguras e confiáveis implicam naturalmente em honestidade.Implicam um fazer ético. Ser honesto, é preservar ambientes seguros e confiáveis, onde os relacionamentos podem existir, seja no âmbito pessoal, grupal, intergrupal e social.  O sujeito ético, o sujeito que escolheu livremente a honestidade como um valor do qual não pode abdicar, se faz no abraço fraterno e cordial na direção da preservação das relações, dos modos de ser e agir confiáveis. Neste processo construtivo, ele fomenta condutas onde é referência para todos em sua volta. Ser honesto é ter a coragem de ser confiável.

Abraços    ****

Vivi