RECONQUISTAR A CORAGEM

Será que nesta passagem evidente da modernidade para a pós-modernidade, poderá emergir no imaginário coletivo, a reconquista da coragem? Será que a pós-modernidade transformará as energias geradoras de medos e ódios, para ajustamentos que reivindiquem o “amor mundi” autêntico, para nutrir a brotação da coragem do estar-junto? São tempos decisivos. Há que abrir os olhos para enxergar que o modelo progressista que desconsidera as tradições culturais, os mitos, as celebrações, a experiência vivificante do estar-junto, se esgotou e novas ondas de uma sustentabilidade inclusiva estão emergindo de forma contundente. As “forças alavancadoras” de Pascal a Nietzsche, de Euclides e Newton e de tantos outros e outras,  revelam a coragem de pessoas visionárias que abriram caminhos para toda a humanidade. Apostar no potencial da existência humana,considerando a experiência concreta dos corpos vivos que se revelam nas vozes sociais através de um presente vivido em comum, na poética da interdependência, que liga e religa a vida, talvez seja mais que um desafio pessoal mas uma emergência do viver junto.

Abraços    ****

Vivi

NARRATIVA ORGÂNICA

“Vamos chacoalhar o chão onde sonham os que estão adormecidos” – Shakespeare. Acordar para o real, ver o que acontece no cotidiano do viver das pessoas que não suportam mais discursos puramente “intelectoalóides”, de uma “ignorância documentada”, talvez seja mais que uma necessidade deste presente contemporâneo, mas uma exigência de um pensamento crítico. Não há mais lugar para erudições baratas, enquanto a realidade das massas humanas em todos os cantos do planeta, se dirige pelos caminhos  da sua dignidade, uma necessidade orgânica de acesso às expressões de tudo que se diz contemporâneo. Discursos estéreis estão na esteira do insuportável. Há que acordar do sonho eterno e começarmos, juntos, uma fala honesta a partir do vivido, do experimentado, daquilo que diz de um organismo vivo, pulsante, de instintos, paixões e consciência. Dar sentido ao vivido, ligando-se novamente ao que todos nós humanos vivos, fazemos parte, no estar-juntos, talvez seja nossa maior tarefa para este novo tempo contemporâneo, “pós-moderno”. Sonhar com a esperança de que podemos juntos, religarmos um conhecimento vivo, visceral, orgânico, através das nossas trocas capilares e arteriais de nossas circulações, requer abrir nossos olhos sinceros e livres para a realidade do viver societal, sem o qual não haverá sobrevida. Acordar para a vida e fazer dela nosso bem maior, é ter a coragem de Ser Vivo e Potente na Infinita Rede da Vida.

Abraços    ****

Vivi

HUMANISMO POR INTEIRO

Humanidades, humanismo, direitos humanos, são palavras-conceitos vinculadas ao humano, este ser pessoal e coletivo, biológico e cultural, que constrói  a sua existência ao longo da história. A história deste Ser Humano neste planeta, nos cosmo, dentro de um processo evolutivo bio-social. Cabe a pergunta: o que vem a ser este humanismo que tem suscitado tantas inquietações e “lutas”, sejam armadas ou não, numa necessidade quase de sobrevivência pela conquista de direitos que dignifiquem este que se diz Ser Humano, em todos os continentes, culturas, tempos e lugares? Embora que muitos discursos desfilem pelas passarelas acadêmicas, políticas e midiáticas das redes informacionais,ainda estamos muito distantes de um lugar onde o humano possa ser e viver a sua potencialidade. Onde o humano possa Ser respeitado e dignificado por inteiro, na inteireza de sua vitalidade, independente de gênero, raça, lugar de nascimento e status. Embora que modernidade tenha apresentado suas propostas humanistas, não conseguiu fugir dos modelos performáticos convenientes, do que deveria ser o Ser Humano. Modelos que estiveram na direção das perfeições, desconsiderando a possibilidade de aceitação das imperfeições, apresentando formas pretensiosas e arrogantes que acabaram por se tornarem excludentes. O Humanismo por Inteiro admite processos, abre as portas para uma diversidade inclusiva, que vai além do indivíduo, e portanto assegura uma “coesão societal”, lembrando o sociólogo Michel Maffesoli, um humanismo muito mais profundo, que pode amar o que é mais vivo.

Abraços    ****

Vivi

INTER-AGIR – ONDE ESTÁ A EDUCAÇÃO?

Informar ou educar? Onde está a liberdade? Repetir ou criar? Perguntas a serem feitas quando a educação é pauta principal. O contemporâneo apresenta configurações, cujos modelos da modernidade se tornaram inadequados aos desafios apresentados no cotidiano do viver. No âmbito educacional, ao falar sobre escola, um grande desafio se evidencia: o que vem a ser hoje uma boa aula? Que professor pode ser reconhecido como aquele que cuja aula atrai os presentes? Não faço referência a aulas performáticas, cuja intenção é apenas e tão somente a “espetacularização” do conhecimento. Não me refiro a uma “aula-circo”, divertida. A informação hoje está disponível através dos mais diversos meios, portanto, uma boa aula não poder ser mera repetição mecânica de conceitos e teorias, mas um processo interativo, entre todos os presentes, todos os protagonistas do conhecimento em permanente construção. Uma boa aula constrói um ambiente de verdadeira interação entre pessoas e conhecimento, entre experiências e conceitos, entre humanos vitalizados, motivados, na busca de “motivos” que sustentem a liberdade de pensamento na criação livre, conectiva, de  possibilidades que se interagem no viver, no “nascer com”, ou seja no conhecer. Uma boa aula sustenta pessoas, mestres, atores,que inter-agem no livre espírito de inspirar e ser inspirado, provocando perspectivas ainda não consideradas. Se o propósito é educação, reconhecendo-a como uma via de liberdade, ensinar e aprender vai muito além de métodos e tecnologias, mas se ancora no profundo respeito pelas relações humanas humanizadas e humanizadoras.

Abraços    ****

Vivi

MESMO ASSIM

AS PESSOAS SÃO IRRACIONAIS , ILÓGICAS E EGOCÊNTRICA. PERDOE-AS MESMO ASSIM.

SE VOCÊ É GENTIL, AS PESSOAS PODEM ACUSÁ-LOS DE TER OUTROS MOTIVOS. SEJA GENTIL MESMO ASSIM.

SE VOCÊ É HONESTO, AS PESSOAS PODEM ENGANÁ-LO. SEJA HONESTO MESMO ASSIM.

O BEM QUE VOCÊ FAZ HOJE, POSE SER ESQUECIDO AMANHÃ. FAÇA O BEM MESMO ASSIM.

DÊ AO MUNDO O QUE VOCÊ TEM DE MELHOR, E PODE SER QUE NUNCA SEJA O SUFICIENTE. DÊ O SEU MELHOR MESMO ASSIM.

POIS, VEJA BEM, NO FIM, FICA TUDO ENTRE VOCÊ E O CRIADOR. DE QUALQUER MANEIRA, NUNCA FOI ENTRE VOCÊ E OS OUTROS.

                                                                               ALCE NEGRO

                                                                               MADRE TERESA

                                                                    NO CORAÇÃO DA ESPERANÇA

 

 

FELICIDADE

SE A FELICIDADE E O EQUILÍBRIO EMOCIONAL SÃO HABILIDADES, NÃO PODEMOS SUBESTIMAR O PODER DA TRANSFORMAÇÃO DA MENTE E PRECISAMOS DAR A DEVIDA IMPORTÂNCIA AOS MÉTODOS QUE DE VERDADE PERMITEM QUE NOS TORNEMOS SERES HUMANOS MELHORES.

                                                                            MATTHIEU RICARD

ECONOMIA DE SALVAÇÃO

A modernidade vem cunhada com, uma certa forma de lidar com a economia: a economia de salvação. Um pensamento  que traz a arquitetura cristã através do conceito de uma vida no “além”. A economia da salvação se baseia no desejo de uma vida melhor no além. Ao negar a physis, a natureza,  este pensamente coloca que o importante está além da vida física, além do sensível e dos prazeres mundanos. O contemporâneo se desalinha com estas proposições, através de um olhar voltado para o presente, para os corpos, para uma estética do que é e não do que deveria ser. Neste sentido evidencia-se a responsabilidade de cada um e de todos por suas escolhas e as consequências destas escolhas. Sair de um salvadorismo para uma responsabilização da pessoa humana em todas as suas dimensões. Estamos diante, portanto, de uma crise de valores e de percepção.

Abraços    ****

Vivi

 

“PENSAMENTO FAST FOOD”

Rápido, instantâneo, descartável, características do “pensamento fast food”. Análise superficial, descomprometida, ausente de qualquer responsabilidade, que desconsidera as consequências do pensar, do narrar e do agir. Daí a necessidade de desenvolvermos polêmicas, encontros que façam as pessoas acordarem do sono eterno. Um sono que muitas vezes se esconde em sonhos ou pesadelos por não saberem como lidar com o insuportável delinquente de uma sociedade esquizoide, partida, fracionada, coisificada. No “faast food” fica difícil pensar. É necessário abrir os horizontes para enxergar além, inspirar uma certa audácia de pensamentos de alto voo e sairmos dos discursos batidos, do peso intelectual de castas que se recusam a ampliar a percepção e compreender que os refrões dos velhos discursos moralistas não tem mais encaixe no contemporâneo.

Abraços    ****

Vivi

COMUNICAR OU DAR SENTIDO

Pensando bem, comunicar como transmitir informação, não se compromete em dar sentido às palavras ou à narrativa. O transmitir informação apenas repete os termos, inconscientemente esperado pelas pessoas, que de alguma forma possam reconfortar as “certezas”, dentro de um espaço pragmático de tudo facilitar. A comunicação que se ocupa em estimular o ser humano procura dar sentido e significado ao que é comunicado. É uma comunicação que se compromete em provocar e promover o autoquestionamento, inspirando o bem pensar, o participar de questionamentos autênticos, com expressões cuja relevância toca o coração da pessoa humana. Palavras vazias desumanizam, portanto, cuidado com as repetições estéreis.

Abraços    ****

Vivi

RESPONSABILIDADE NO VIVER OU SÓ VIVER

Há pessoas que simplesmente vivem. Presas aos discursos vazios e estéreis das conveniências de políticos, intelectuais e jornalistas (não todos), que servem à mediocridade e interesses desumanizantes, estas pessoas vivem desprovidas de percepção e reflexão e são facilmente capturadas a um conformismo que as levam a simplesmente viver. Mas, felizmente existem os corajosos, os comprometidos, aqueles que querem enxergar, os ousados e destemidos, pois assumem responsabilidades no agir dentro da vida social, focando uma sociedade mais justa e dignificante para todos e todas, igualmente, sem descriminação. São estes os que optaram por não se deixarem enganar, por discursos medíocres que embaçam a reflexão, que turvam as relações, na tentativa de manter o controle e os privilégios. Falar em responsabilidade é uma coisa, ser verdadeiramente responsável, é outra coisa.

Abraços    ****

Vivi