IDÉIAS ÚNICAS

O filósofo e político inglês, Isaiah Berlin, nos apresenta com grande clareza a seguinte consideração: “Nada é mais fatal que as idéias únicas, mesmo as nobres, aquelas em que se acredita fanaticamente”.Insistir em sustentar uma ideia única em tempos de grandes mudanças, é lutar contra uma grande correnteza.Estamos em plena mudança sócio-cultural,um período de desconstrução para construção, onde o modelo da sociedade moderna já em entrou em processo de saturação. O moralismo vazio não tem mais sustentação diante de jovens que se tatuam e usam roupas que mais mostram do que ocultam. A tecnociência tem alterado a relação com a velocidade, com o espaço e com o tempo. É preciso reconhecer o novo e pensar de um outro modo, mudando a perspectiva pela qual vemos as coisas, como diria Wittgenstein. Precisamos de uma sintonia mais fina com a sensibilidade dos novos tempos. Os modelos verticalizantes, disciplinares e controladores dos período industrial, perdeu o sentido e não tem mais encaixe neste contemporâneo. Não adianta querer uma ideia única, precisamos pensar com amplitude, em perspectiva, com abrangência, articulando saberes e experiências, reconhecendo a diversidade, sem perder os elos que preservam a vida. Construir um novo modo de estar na cultura, fazendo da existência uma obra de arte.Muito mais que flexibilização, é preciso criar com a arte da sabedoria.

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Vivi

CUIDAR DO CORPO É CUIDAR DA VIDA

“Quando aprendo a cuidar do meu corpo aprendo a cuidar da minha vida”. Esta é uma narrativa que emerge quando uma pessoa se conhece em seu corpo, se habita e se auto-regula no seu viver cotidiano. Uma sensação de completude! Esta experiência de si, é uma experiência somática, integral, onde corpo,emoção e cognição entram em consonância. Fato é que, quanto maior for a distância somática maior será a distância emocional e cognitiva. Uma lógica que se evidencia no viver, porém a grande maioria das pessoas não consegue perceber. Capturadas pelos valores do capitalismo global, onde os corpos e as subjetividades tem se submetidos à logica do mercado, de resultados e eficiências, as pessoas se distanciam de si mesmas e de seu grupo. Distantes, no isolamento, perdem o sentimento de pertença e adoecem. Corpo e alma adoecem e se fragilizam tornando-se uma presa fácil da cultura contemporânea.Não há separação alguma: corpo-alma, corpo-mente-emoção, compõe a pessoa que cada um de nós somos, na espécie que também somos nós. Ao cuidar do corpo, habitá-lo é possível se reconhecer para cuidar da alma.

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Vivi

A NÃO TRANSPARÊNCIA QUE FALSEIA

Ser transparente na vida, em pensamentos, palavras e ações, é fruto de um compromisso pessoal com uma honestidade que brota da união entre coração e mente.Toda pessoa humana possui um senso de justiça, possui bom senso.Todos sabem perfeitamente distinguir o certo do errado, mas nem sempre as pessoas conseguem ter clareza de si nas relações. A clareza de idéias e de propósitos, como a clareza de sentimentos e emoções, é fruto de uma experiência de aprendizado a ser exercitada no cotidiano do viver, um exercício para toda a vida. Não é simples saber com clareza o que se quer e o que não se quer a cada momento,mas é fundamental, pois compromete a convivência gerando conflitos inecessários. São conflitos que geram sofrimento, para si e para os outros.A dissimulação gera falsas interpretações. Quando não há clareza, não há transparência, fica aberto um espaço na relação para falsas interpretações e julgamentos. Muitos conflitos, muitos mal-entendidos poderiam não existir se as pessoas pudessem ser mais transparentes, ou seja, honestas, consigo e com os outros. Afinal, só podemos ser honestos com os outros se formos honestos conosco mesmo. A honestidade parte do interior de cada pessoa e é fruto dos valores pessoais. Toda dissimulação é uma mentira. Mesmo que não haja a intenção de mentir, por si só, já caracteriza uma mentira. A dissimulação faz perder a potência, ela alavanca sempre o nosso pior, portanto, atenção. A não transparência falseia a realidade e compromete as relações. Cuidado! Ser verdadeiro consigo e com o mundo depende de uma disciplina interna, do compromisso pessoal com uma reta conduta.

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Vivi

Abraços

AS FACES DA DÚVIDA

Os antigos chineses já apontaram a necessidade do equilíbrio entre as polaridades: o yin e o yang. O Universo nos apresenta o luminoso e o sombrio, que Jung tanto enfatizou na psicologia comportamental, a sombra da persona. A dúvida como outros tantos aspectos do ser humano não foge à regra, ela também se mostra nas suas duas faces. A dúvida luminosa e a dúvida perversa. Quando a dúvida vem acompanhada da curiosidade, com boa vontade e boa fé, é sempre edificante. Querer saber para aprender sem julgar. Aprender para ampliar a percepção, contextualizar, querer ver em profundidade. A curiosidade luminosa é sempre reveladora, para o bem ou até mesmo para o mal, mas sempre será uma oportunidade de aprendizado e crescimento. O lado perverso da dúvida é o que julga aleatoriamente, é o julgar por julgar dentro dos “achismos”, mas que, no mais das vezes acarreta perdas, retira potência, desencoraja e contaminada maleficamente ambientes e pessoas. São os falsos julgamentos. Estar atento para não cair nesta cilada revela maturidade. A maturidade sabe esperar para ver claramente, sem julgar ou comparar. A vida é uma aprendizagem contínua. Se estivermos abertos para aprender, teremos a chance de maturar, caso contrário, seremos capturados por padrões mentais que levam à cegueira mental e desembocam na prisão da falsidade.

Abraços    ****

Vivi

LIBERDADE PARA FLORESCER

Toda semente precisa de um terreno fértil para germinar. Luz, água, nutrientes, são elementos fundamentais para o seu crescimento. Ninguém cresce sozinho, precisamos de espaço, ambiente e nutriente.  Uma grande árvore gera sementes. As sementes que caem logo abaixo de sua copa recebem pouca luminosidade e não conseguem a força necessária para ir em direção ao sol. Porém, as sementes que conseguem ir em direção à luz do sol, possuem uma chance muito maior de vingar. Sob a copa de um alguém controlador, somos impedidos de crescer e o florescimento se empobrece ou nem acontece. Somente os espaços de liberdade nos permite o contato com a potência que trazemos em nossos corpos vivos, que permite o crescimento e o florescimento de uma grande árvore. Pergunta: onde você tem estado com a tua “semente”, embaixo de um controlador ou na coragem para viver a sua liberdade e potencialidade?

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Vivi

IMPERMANÊNCIA : SABER E VIVER

Tanto algumas tradições orientais, como a própria biologia ou as ciências naturais, se referem à qualidade da mudança, ou seja, da impermanência. Nada que vive é fixo. O vivo pulsa, se movimenta e se modifica, a cada instante. A impermanência é uma lei natural. O único elemento que insiste na fixidez, é a mente humana, treinada ao longo da história humana, para o controle disciplinar, exigindo que as coisas sejam de acordo com o que foi previsto. Tudo muito bem calculado e para sempre. Porém, gostemos ou não, no Universo em movimento tudo está em constante mudança, do macro ao micro. Nada é linear. Há tempos mais brandos e tempos mais agitados, mas nada que vive está parado. Tudo isto, de alguma forma, já sabemos. Aprendemos esta lição com as tradições e com a ciência, mas vivê-las no cotidiano é o desafio. Saber sobre a impermanência é uma coisa, viver a impermanência é algo muitíssimo diferente, pois exige atenção, paciência, determinação, empenho, talento, disciplina, foco. São qualidades fundamentais, que podemos aprender no fazer-vivendo os ciclos da vida. Sem mudança não há espaço para crescimento. A maturidade da pessoa humana se faz, ao longo de um processo vivo no viver. É na experiência do viver a impermanência que se aprende que, as mudanças são naturais e contemplam a vida. Cultivar este estado interno e externo, para saber lidar com a transitoriedade da vida é um aprendizado e uma arte. Uma arte que vale a pena ser vivida.

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Vivi

COM A MUDANÇA TAMBÉM SE APRENDE …

Toda mudança gera uma certa instabilidade. É o reconhecimento do novo. Manejar-se em novos territórios, requer energia para o aprendizado de novas possibilidades na articulação dos diferentes dispositivos em diferentes configurações. Ao mesmo tempo, é fazer conexões com ambientes que solicitam conhecimento a ser “linkado”, na teia da complexidade sistêmica. Mas tudo é experiência a ser incorporada, corpada, para se formar em novas camadas cognitivas. Fato é que, “não se faz omelete sem quebrar os ovos”. Para que haja a mudança, é necessário desfazer camadas para outras se constituírem, se resignificarem, na direção da maturidade. O conflito é o motor.  Ele alavanca os processos de mudança que nos tira da zona de conforto, para seguirmos em direção à maturidade, ao crescimento pessoal, que só é adquirido se vivido. Mudança é corpo vivo. Mudança é aprendizagem. A coragem fortalece e a sabedoria ilumina. Lembrando Gandhi: com amor e verdade sempre. Se houver reto pensamento e compaixão, a mudança engrandece a todos os envolvidos, “contaminando” com a sua força e gerando potência de vida. Aqui, os espaços se abrem e as oportunidades brotam através do rico fermento da criatividade, que todas as pessoas possuem. Aprender com as mudanças, é também fazer contato com o medo e ao mesmo tempo com a vitalidade que encoraja e encanta.

Abraços   ****

Vivi

TEMPO DE COMUNIDADE

A grande crise atual sinaliza um retorno à ideia de comunidade. O isolamento provocado pelas promessas de progresso da tecnologia tem se mostrado inviável e insustentável. O mercado capitalista que inclui alguns poucos privilegiados e exclui uma massa humana, tem evidenciado que a violência chegou aos limites da sua insustentabilidade. Estamos, portanto, em plena mudança. Talvez, o retorno à comunidade faça florescer manifestações altruístas e modos mais alternativos para associações e um comércio mais equitativo. Para a realidade dos fatos atuais, é imperativo que comunidade humana encontre novas maneiras de expressar a generosidade e a solidariedade, como formas mais salutares para se estar juntos. Com as ideias desenvolvimentistas e progressistas, ganhamos muito em quantidade, mas, perdemos a qualidade.Lembrando o sociólogo Michel Maffesoli, estamos diante do “homem sem qualidade”,onde o heroísmo do progresso perdeu o sentido e não podemos mais ocultar as suas desastrosas consequências.Talvez, estejamos vivendo uma passagem paradigmática, onde o estar junto, ganhar todos juntos, com equidade dentro da comunidade, onde o individuo se articula participativamente com um coletivo que se faz junto, consciente e inconscientemente seja a esperança de renovação. Afinal, esperança também faz parte de uma comunidade presente.

Abraços    ****

Vivi

UMA “ GANÂNCIA INFECCIOSA”

O prêmio Nobel de Economia de 2013, Robert Schiller, nos apresenta  a desigualdade crescente nos tempos contemporâneos, uma desigualdade social que evidencia seu crescimento galopante. As pessoas ou grupos detentores de riqueza tem se tornado mais ricos e a grande massa considerada empobrecida tem se tornado mais pobre, com menos recursos, com menos dignidade. Um paradoxo fica evidente, pois estamos em tempos onde já é possível recursos para alimentar a todos, levar água encanada, saneamento público, para todo mundo e para o mundo todo. Então, porque tanta desigualdade. O que Schiller apresenta, é uma tendência à “ganância infecciosa”, que tem infectado os mais endinheirados, os que tomam as decisões do mercado a partir dos jogos especulativos, uma doença que gera e fomenta a desigualdade, a partir da pura “banalidade do mal”, parafraseando a teórica e política alemã Hannah Arendt, em “As Origens do Totalitarismo”. Schiller é enfático quando afirma que “as pessoas precisam reconhecer que o país pertence ao povo e não a uma minoria”. Nossos representantes políticos estão servindo a quem os elegeu ou aos grupos financeiros que tomam decisões para manter os seus privilégios? O jogo do poder ganancioso gera prazer a uma minoria absoluta e intenso sofrimento a uma maioria absoluta. Aonde chegamos como humanidade? Onde fica a democracia? O que é justiça social? O que é ser um político? Fica evidente que ainda estamos engatinhando no processo civilizatório. Não conseguimos ainda nos desfazer das culturas de dominação, para nos consolidar em uma cultura de humanização. Ainda estamos descartando pessoas e vidas. Será que um dia teremos chances de um pouco mais de igualdade e dignidade? Qual será o caminho para enfrentar dilemas como estes? Se não “investirmos” na humanidade do humano, continuaremos sendo capturados e iludidos, acreditando que um objeto tecnológico, com alguns enlatados instantâneos e uma falsa sensação de confiança nos levará ao desejado sucesso como receita de felicidade. Se não alterarmos esta visão de mundo oferecendo aos cidadãos oportunidade para reflexão e reconhecimento de si, de seus corpos e subjetividades, continuaremos sendo direcionados para um analfabetismo funcional. Lemos mas não interpretamos. Lemos mas não sabemos o significado do que lemos. Compramos sem saber das reais necessidades e assim permanecemos naquele lugar raso do “homem endividado”, como dizia Deleuze.

Abraços    ****

Vivi

PARA PENSAR…

” Nenhuma dignidade é possível sem a pureza mental. A pureza da vida interior é necessária para criar a dignidade.

O ser humano deve sentir que todo universo é um templo e que a imagem de Deus está presente em todas as partes: todos os rostos do mundo são os rostos de Deus, todas as mãos e os pés são as mãos e os pés de Deus, e que todo trabalho que nós fazemos é adoração.

Assim, qual a diferença entre a vida de um santo e a de uma pessoa comum? Somente uma: a pessoa santa constantemente lembra que suas mãos em realidade não são suas, são simplesmente instrumentos de Deus, são as mãos de Deus. Quando temos essa consciência, nossas ações na realidade se transformam na história interminável da divindade; mas assim que esquecemos esta verdade começamos a escrever a história da animalidade.”

 SWAMI TILAK