A VIDA É CAPAZ DE CRIAR RECRIAR

A vida sempre olha para frente. Ela sempre é capaz de criar e recriar, apesar de todos os obstáculos e impedimentos, a sua força segue adiante. Nas palavras da escritora Paula Sibilia, “A vida opõe resistência aos dispositivos desvitalizantes, ela é sempre capaz de criar novas forças.” Desconstruindo para construir, a vida prossegue construindo novas linguagens, novos saberes, novas configurações de corpos e subjetividades. Na sua força vocacional biopolítica, ela possui resistentes dispositivos para seguir adiante. Nesta complexa sociedade contemporânea novos arranjos se constituem, em novas modalidades valorativas, persistindo na direção primeira e última: a vida quer viver. Apesar das espécies que se encontram em extinção, outros arranjos se constituem abrindo espaços na direção do viver. Uma consciência aberta às possibilidades vivas do vivo, terá chances de conectividade para criar e se recriar, momento a momento, na circularidade do vivo. A boa notícia: a vida abre espaços de possibilidades sempre, pois tudo que é vivo se modifica, do micro ao macro, dos organismos biológicos vivos aos organismos relacionais coletivos vivos incluindo os organismos ambientais naturais vivos. Todos se compõe e se integram, mutuamente.

Abraços    ****

Vivi

RIDICULARIZAR PARA CAMUFLAR

Uma das manifestações do que hoje é atribuído ao bullying, é a ridicularização do outro, de preferência diante de uma “platéia”, ou seja, na frente de outras pessoas. Este comportamento carregado de violência, aparece com frequência nos programas de televisão e nas relações de convivência, que no mais das vezes, ocorre em reuniões familiares ou entre “amigos”. Ridicularizar, desqualificar, intimidar, são comportamentos que fomentam a violência nas relações, causando danos físicos e psicológicos. É uma forma de abuso moral. As crianças no geral são as grandes vítimas, mas ocorre entre adolescentes, jovens e adultos. Ridicularizar o modo de viver do outro, é um comportamento que tem na sua raiz, uma forma de atenuar o medo que a pessoa que ridiculariza tem do outro. Uma pessoa insegura, tende a encobrir a sua insegurança através de uma atitude violenta, pois em nossa sociedade não há espaço para medos, fracassos, incompetências e fragilidades. A insegurança pessoal é fruto do medo, medo de si mesma, uma incapacidade de lidar com os seus medos internos. O medo é um sentimento existente em todos os seres humanos, é biológico, um dispositivo da natureza para preservar a sobrevivência. Quando o medo se torna exacerbado ou não consciente, ele tende a ser expresso pela via da violência. Ele se camufla nas atitudes violentas. Lembrando que toda violência é uma expressão de sofrimento. Uma pessoa que não consegue lidar com os seus medos pessoais, no geral vai apresentar dificuldades nas relações, pois tendo medo de si mesma, terá medo do outro, dos outros e das circunstâncias. Compreender este comportamento é fundamental, mas ao mesmo tempo refletir sobre os medos pessoais também se mostra uma via regeneradora. Ao mesmo tempo, rejeitar toda a expressão de violência, é uma necessidade ética, senão estaremos perpetuando pela omissão, as manifestações de violência que desagregam nossas relações e o tecido social.

Abraços   ****

Vivi

NOSSO CÉREBRO É MUTÁVEL

O vivo está em permanente mudança. O cérebro humano vivo se modifica. A sequência de base do DNA pode ser modificada por modificações químicas nas histonas e na sequência de base, podendo estas modificações, serem transmitidas geneticamente. Estas são informações advindas da epigenética. Neuroplasticidade e neuroepigenética, são conceitos novos que a neurociência tem apresentado à comunidade científica, de acordo com as pesquisa mais recentes. Tendo como referencial estes conceitos, entendemos que podemos nos autoeducar, educar as nossas respostas ao mundo, apesar dos acontecimentos e das histórias pessoais. Neste sentido, a Meditação na Plena Atenção, tem sido uma ferramenta que muito tem contribuído com o processo de resiliência do cérebro humano. As consequências do estresse crônico, gerando um estado de pró-inflamação, teria na prática meditativa um caminho de retorno à homeostase. Felizmente, hoje já existem grandes centros científicos pesquisando os efeitos benéficos destas práticas na saúde integral da pessoa humana, atuando no sistema nervoso autônomo, simpático e parassimpático, no sistema límbico, no sistema imune. O importante é considerar que o cérebro humano é mutável, então é possível mudar, basta querer mudar.

Abraços    ****

Vivi

ALONGAR RELAXAR E COORDENAR

O alongamento sem relaxamento pode levar à rigidez. O relaxamento desprovido de presença conduz à lassidão. Relaxar no alongamento, alongar no relaxamento, coordenando pela atenção somática, massas e intermassas, faz toda a diferença na organização de uma corporeidade. Ganhar espaços e recuperar movimentos requer uma presença somática refinada, uma sintonia fina entre corpo, mente, emoções e ambiente. Coordenar tempo, ritmo, pulso com espaços articulares e gestualidade, é o segredo de uma atividade física com qualidade e precisão. Para isto é necessário discernimento, respeito, pausas e, sobretudo, a presença de um ser ético no movimento vivo da vida. Que saiba reconhecer e respeitar seus limites.  Uma atividade física de qualidade precisa considerar um sujeito-organismo vivo, uma anatomia viva, dinâmica, em transformação, permeável, dentro de um ambiente-organismo vivo, que se interconectam e, portanto, de afetam mutuamente. Para coordenar o sistema locomotor com o sistema psíquico, se faz necessário um sujeito que esteja na qualidade de sua presença, onde a consciência incorpore o gesto e o gesto diga de sua consciência. Alongar ou relaxar desprovido de consciência e presença, é caminhar na direção de repetições automáticas que podem levar à rigidez ou à lassidão, portanto atenção aos modismos que falam alto mas não transformam, apenas comercializam.

Abraços    ****

Vivi

O QUE NÃO É BIOTERAPIA …..

Bioterapia não é automatismo, é presença somática. Bioterapia não é só relaxamento. Não é só alongamento. Relaxar e alongar faz parte das sequências de exercícios. O cuidado com a qualidade da presença, durante o alongar e o relaxar é que faz toda a diferença. Bioterapia não é só ritmo e postura, não é só respiração, não é só silêncio e música. Todas estas abordagens fazem parte de uma aula de bioterapia. Com música, com silêncio, com precisão de movimento, com respiração e uma variedade de materiais, tudo compõe o processo de muscularização de uma experiência somática, de um estar presente no corpo. Conhecer e reconhecer a forma no movimento, em cada gesto é também bioterapia. Viver o corpo, habitar-se para transformar, é Bioterapia.

Abraços    ****

Vivi

BIOTERAPIA – O QUE É?

É um novo conceito de atividade física. Uma abordagem integral da pessoa-corpo, que considera a interconexão entre o corpo vivo, sua emocionalidade, seus pensamentos e suas relações funcionais nos ambientes onde vive e convive. Uma linguagem contemporânea para atender as exigências e desafios do contemporâneo. Nas suas práticas corporais, a bioterapia resignifica a yoga indiana e chinesa, associadas ao conhecimento da biomecânica apresentada pelos franceses e americanos,  a neurociência e as novas linhas da psicologia moderna. Entende atividade física conectada à potência do ser humano, inserido no mundo informacional, onde as relações com o tempo, a velocidade e o espaço, tem afetado a configuração dos corpos, sua expressão e subjetividade. Descoisificando a pessoa humana, a Bioterapia constrói ambientes somáticos favoráveis à expressão da vitalidade humana. Não há idade limite, todos podem ser beneficiados, da criança ao jovem, do adulto ao idoso. As novas evidências apresentadas pela neurociência enfatizam a importância de uma ação que visualize a integralidade da pessoa humana viva, sempre em processo de se fazer corpo, mente e emoção. O corpo vivo é considerado em sua dinâmica, que pode ser alterado de acordo com a motivação do sujeito que pratica a bioterapia. Tendo a ética como eixo central na abordagem bioterapêutica, são apresentadas inúmeras possibilidades que vão além do entendimento racionalizante dos conceitos, mas que se pretende muscularizar conectivamente corpo-forma-emoção-pensamento-gesto-postura, sempre na direção de uma vida saudável e feliz. Bioterapia ultrapassa ginásticas e fisioterapias. Bioterapia é uma nova prática corporal, dentro de um novo conceito de atividade física.

Abraços    ****

Vivi

ALGUÉM PARA COMEÇAR

Quando as vozes da violência emergem, a contaminação parece vir com força total, fazendo que muitos acreditem que o único meio para resolvermos nossos conflitos e diferenças, sempre será pela força da “espada”, do medo que subjuga, intimida e desqualifica. Quando a turba clama violentamente por justiça e em nome de uma “justiça” exige a guerra desumanizadora, a voz da não violência parece frágil, desprotegida, ingênua, banal. Mas quando aparece um alguém íntegro, que começa a partir de sua postura coerente e firme, tomar posições em favor da não violência, algo começa mudar no cenário. “Fato é que a não violência é uma tática que requer talvez um tipo de coragem e devoção mais elevado que o exigido em um combate físico comum” – na voz de Alexander McKeown, vice-presidente nacional da Federação de Trabalhadores na Indústria de Meias, proferida em 1937 nos Estados Unidos. Há que acreditar, apostar, resistir e persistir. Não será com uma ação, um discurso, um seminário, que iremos mudar o cenário da violência que rouba a nossa humanidade. Hoje o grande valor é o dinheiro, o lucro. O mercado não pode perder nunca. Onde fica a nossa dignidade? Onde está a ética da vida e das relações? Reconquistar estes espaços é o nosso grande desafio e tudo começa com um alguém, com uma ação, com uma voz que pode convidar, sensibilizar, inspirar outras vozes para que tomem acento neste coro, neste canto que canta a dignidade humana. Mas é preciso coragem e determinação. A atitude não violenta é um processo que pode ser construído na alma, na mente e no coração humano.

Abraços    ****

Vivi

SONHAR PARA DESPERTAR

Seria possível estarmos neste planeta sem estar a serviço de consumir e produzir? Embora que tenhamos belíssimas referências que marcaram a história da humanidade, indicando a necessidade de encontrarmos um modelo que nos ofereça sentido e significado para a nossa existência, ainda a grande maioria das pessoas, servem ao modelo consumista e produtor. Modelo este, que serve apenas a um círculo vicioso de automatismos, desprovido de qualquer propósito que beneficie de forma salutar a sociedade humana. A pergunta que emerge é uma só: COMO sair deste vício insaciável de consumir, produzir? O primeiro passo é reconhecer esta relação doentia, que alimenta ilusões através de promessas que não serão cumpridas, gerando frustrações e ressentimentos. Se o vício cria dependência e me faz sofrer, o primeiro que tenho a fazer é reconhecer que estou sofrendo, para depois encontrar as causas deste sofrimento e na sequência os meios para me livrar dele. Um dos caminhos aponta na direção de um querer acessar o que tenho de melhor em mim, gerando o que há de melhor no outro e no meu entorno. Cada geração sonha a próxima e ao sonhar a faz despertar. Alimentar um lugar interno, uma vontade, uma motivação que seja vigorosa e nos fortaleça para sairmos deste círculo que rouba o que temos de melhor: a beleza da vida. Sonhar, almejar um propósito digno para a nossa existência, poderá ser o fertilizante da dignidade para os outros que virão.

Abraços   ****

Vivi

GANDHI E A LEI DO AMOR

Publicado em Young Índia, em 1º de outubro de 1931, Mohandas Gandhi afirma que  –  “ Se a humanidade seguirá conscientemente a lei do amor, não sei. Mas isso não precisa nos perturbar. A lei funcionará, assim como a lei da gravidade funciona quer a aceitemos, quer não. E assim como um cientista produzirá maravilhas a partir de várias aplicações das leis da natureza, da mesma forma um homem que aplique a lei do amor com precisão científica pode produzir maravilhas ainda maiores.” A lei do amor é intrínseca da natureza humana. Somos filhos do cuidado. O ser humano só consegue ultrapassar a infância se houver alguém que o cuide. O nascimento, como o envelhecimento, precisam do acolhimento. As idades intermediárias também, pois é da natureza humana a necessidade de ser acolhido pelo outro humano e se relacionar com ele. A vida não se faz sozinha. No isolamento não há vida, não há brotação. O humano precisa do outro humano. Dependemos do outro, do carinho, do reconhecimento, da confiança do outro para sobreviver. Nesta relação de mútua dependência e entrega, o amor é a “cola”, a “liga”. O amor é a amalgama da relação humana. Quanto mais pudermos viver em pensamento, palavra e ação, como dizia Gandhi, a nossa amorosidade generosa, solidária, cálida, compreensiva, mais salutar será a nossa vida, pois o amor é a lei e é através do amor que a vida pode circular na sua infinita capilaridade. O que nos falta é acreditar e acessar. Sempre que o amor se faz presente, a vida se fertiliza e brota. Como é bom estar ao lado de uma pessoa gentil e amorosa!!!!

Abraços   ****

Vivi

SERÁ QUE AS LEIS PODEM BANIR A VIOLÊNCIA

Seria uma grande ilusão, acreditar que uma crise moral poderia ser resolvida através de mais leis ou mais vigilâncias. Sempre que um acontecimento perverso eclode em nossa sociedade, a primeira fala é a que aponta uma necessidade premente por mais leis, normas e vigilâncias. Porém, a história tem revelado que estes caminhos tem se mostrado ineficazes. Todas as nações são constituídas de legislação e meios que asseguram o cumprimento de suas leis, mas, a realidade tem sido outra. A crise civilizacional que a família humana tem vivido e sofrido nas últimas décadas tem evidenciado que, a violência gerada como resultado desta crise, não será banida com mais leis ou punições mais severas e rigorosas. Não será banida com a construção de presídios dotados de alta tecnologia de controle ou com uma farmacologia que venha dopar as pessoas tidas como doentes da violência. A violência disseminada pela crise econômica, civilizacional, moral e valorativa, só poderá ser reduzida e banida através do desenvolvimento de uma consciência que se permita a olhar, viver e se conectar com uma vida que preserve os valores universais, eternos e espirituais. Há que começar a plantar e cultivar hoje e dar o tempo necessário para o fruto amadurecer no amanhã.

Abraços   ****

Vivi