EMPODERAMENTO – CAPACIDADE DE FAZER ACORDOS

O uso da violência em suas diversas formas, como intimidação, retaliação, desqualificação, subjugação, no geral acontece quando a pessoa não disponibiliza de outros caminhos, como o diálogo, a moderação, a autorregulação, autoconfiança. O poder de autoridade, de autoria de si mesmo, advém de uma força interior comprometida com valores, virtude e verdade. É através dela que brota a força da resistência, que escolhe pelo discernimento, o caminho do diálogo entre as partes em conflito. Aqui nasce a restauração que transforma, pela qualidade de ser verdadeiro. Para Hannah Arendt, poder é “a faculdade de alcançar um acordo quanto à ação comum no contexto da comunicação, livre da violência”. Saber fazer acordos, inclui a capacidade de sair do círculo vicioso do ganha-ganha, onde um é o ganhador e o outro é o perdedor. Acordar é acolher ambas as partes, onde todos ganham porque compreendem que todos fazem parte de um todo comum e, portanto, são igualmente responsáveis. Transparência na comunicação, clareza dialógica, boa vontade, compreensão, visão em perspectiva, visão ampliada e contextualizada, consideração para a inclusão, acolhimento, respeito e responsabilidade e, sobretudo, compromisso irrevogável com a verdade, são elementos fundamentais para o estabelecimento de acordos entre partes em conflito. São os ingredientes decisórios para a transformação do conflito em crescimento pessoal, relacional e maturacional, como sujeito e comunidade, onde todos se empoderam.

Abraços    ****

Vivi

CULTURA VERDADE E DIGNIDADE

Só podemos ser verdadeiros com o outro, se formos verdadeiros conosco mesmo. Ser verdadeiro deveria ser a medida de todas as coisas em nossa vida. É através da verdade que poderemos viver a nossa liberdade, pois ela e só ela, nos confere dignidade. Não pode haver liberdade sem dignidade. A verdade nos diz o que fazer e como agir e, portanto, nos torna livres. Estamos num mundo em constante mutação. A modernidade líquida exige novas formas de expressão, exige renovação constante. O novo parece ser sempre o melhor. Esta forma também exige novas expressões da verdade que estão inseridas na cultura, que se torna refém deste novo que não cessa. Porém, destruir a cultura é o mesmo que destruir a verdade. Destruir a cultura é destruir referências, histórias, direções, vínculos. Ficamos desorientados. Ao destruirmos a cultura, destruímos a verdade, a capacidade de sermos verdadeiros. Quando a cultura perde valor e passa a ser destruída, subtraí-se da pessoa humana a sua dignidade.

Abraços    ****

Vivi

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS ….

Santo Agostinho em suas “Profissões de Fé”,fez a proposta de reflexão diária através das perguntas: quem somos, o que sabemos e o que queremos. Ao longo de toda a história humana, a pessoa humana vem fazendo perguntas que nem sempre podem ser respondidas. São as perguntas sobre a existência humana. São perguntas referentes ao significado da existência humana. São perguntas que se eternizam com a história do ser humano, mas, que nem sempre são valorizadas e, portanto, respeitadas. Todas elas dizem respeito ao valor da existência humana,  merecedora de todo respeito. Enquanto não soubermos respeitar os questionamentos que acompanham a existência do ser humano ao longo de uma vida, passando de geração para geração, não conseguiremos ser sensíveis aos valores que ditam a vida humana. São valores e significados sem os quais a dignidade humana não tem como existir. Os valores são eternos. Respeito, humildade, responsabilidade, solidariedade, cooperação, honestidade, cordialidade, gentileza, transparência e lealdade…, são valores que conferem dignidade à pessoa humana. No exercício contínuo da reflexão através das perguntas existências, é que o ser humano oferece a si mesmo a chance de se aproximar do eterno mistério da existência humana. Para as perguntas existenciais, talvez não tenhamos respostas imediatas e precisas porque elas não existem. Existe sim o valor de se questionar, na tentativa de se aproximar de si mesmo e da existência que faz deste humano um ser humano, íntegro e verdadeiro, no respeito à sua própria dignidade.

Abraços    ****

Vivi

NÃO SE NEGUE

Boudelaire já em 1863 observa “A Modernidade é o passageiro, o fugaz, o casual.” Aquilo que é constante desapareceu, toma lugar o culto da mediocridade, onde tudo se liquefaz e se dissolve na liquidez e na pastosidade. Moderno, é estar sempre inovando para ao menos aparentar ser feliz com tudo que é novo e rápido. O prazer vem em primeiro lugar e para isto nega-se o desprazer. Na superficialidade rasa, os prazeres mudam rapidamente para encontrar novos prazeres. Mas será que ser feliz é ter prazer sempre? Será que a vida é só prazer? Talvez aqui a arte tenha muito a nos ensinar. Talvez ela possa ser uma referência de coragem para que a verdade e as virtudes do ser humano tenham espaço de expressão. “Justamente porque a arte não nega o demoníaco, ela conhece a alma humana e proporciona ao homem uma visão de si mesmo, a qual ele não pode obter de nenhuma outra forma.” Esta reflexão do ensaísta e filósofo cultural, Rob Riemen, nos faz lembrar que somos luz e sombra, ao mesmo tempo e que o caminho para a felicidade é o caminho da liberdade e esta está de mãos dadas com a verdade.

Abraços    ****

Vivi

GUARDADO EM NOSSO CORAÇÃO …

Ao longo de nossa vida muitos são os acontecimentos, atravessamentos e experiências vividas. Algumas mais marcantes outras mais fugazes, mas todas são experiências. Nossa memória possui dispositivos para registrar os fatos. Adquirimos conhecimentos e estamos sempre aprendendo. Algumas situações são mais significativas e fazem mais sentido. São os momentos que relacionamos com outras vivências, registrados pelo nosso corpo e pelo nosso cérebro. Mas, como seria possível lembrar, de tudo o que nos acontece, de tudo o que aprendemos? Nosso cérebro sabe filtrar. Algumas coisas ficam marcadas e bem marcadas em nossa memória, outras, porém, o nosso cérebro sabe esquecer. Ele sabe esquecer de dados e fatos que não serão importantes. O que então não esquecemos jamais? Tudo aquilo que está guardado em nosso coração, nunca irá se perder. Os encontros amorosos, cálidos, gentis, generosos, são experiências vividas em nosso coração que jamais será subtraído de nossa memória. A experiência amorosa possui tamanha força em nossa alma que perdura por toda a nossa vida. Viver amorosamente talvez seja uma forma gentil e carinhosa de lidarmos com o nosso corpo, nosso cérebro e com a nossa alma, com a pessoa humana que somos.

Abraços    ****

Vivi

Capacidade de Atenção

“A mídia eletrônica instantânea, os fragmentos sonoros da televisão, o afastamento da leitura, são alguns dos fatores contemporâneos que estão criando pessoas demasiadamente “conectadas” e agitadas, com limitada capacidade de ATENÇÃO. Este é um novo tipo de problema ambiental que tem influenciado na capacidade cognitiva das pessoas com grandes consequências nos relacionamentos e convivência social.”

É preciso exercitar…

” Já em 1962, o filósofo suíço Jean Jacques Rousseou (1712-1778), em seu livro Emile, ou Sobre a Educação, ele propôs que somos afetados por nossa experiência e que precisamos “exercitar” nossos sentidos e capacidades mentais como exercitamos nossos músculos. Ele criticou a visão mecanicista de sua época, argumentando que a natureza era viva, tinha uma história e mudava com o tempo. Ele sustentava que muitos aspectos da natureza humana não eram fixos mas mutáveis como uma característica da espécie humana.

Dizia ele:” Para entender um homem, veja o homem, e para entender os homens, veja os animais”

Conectar Díspares

“O psiquiatra e psicanalista Norman Doidge afirma que o nosso ” Sistema Nervoso é uma mídia interna, transmitindo mensagens de uma área do corpo a outra, e evoluiu para fazer, por organismos multifacetados como o nosso, o que a mídia eletrônica faz pela humanidade – conectar partes díspares.”

McLuhan expressou essa extensão eletrônica do sistema nervoso de forma cômica: “Agora o homem está começando a usar o cérebro por fora do crânio e os nervos por fora da pele.” Hoje a tecnologia liga lugares distantes instantaneamente num grande “abraço global” dentro da “aldeia global”. Sendo o nosso sistema nervoso plástico é possível que ele se integre a um sistema nervoso eletrônico.”

O MEIO É A MENSAGEM

“O CANADENSE MARSHALL MCLUHAN, FUNDOU OS ESTUDOS SOBRE A MÍDIA NOS ANOS 1950 E PREVIU A INTERNET VINTE ANOS ANTES DE SER INVENTADA. FOI O PRIMEIRO A INTUIR QUE A MÍDIA MUDA O NOSSO CÉREBRO INDEPENDENTE DO CONTEÚDO AFIRMANDO QUE “O MEIO É A MENSAGEM”. ELE AFIRMAVA QUE CADA MEIO REORGANIZA NOSSA MENTE E NOSSO CÉREBRO DE MANEIRA ÚNICA E QUE AS CONSEQUÊNCIAS DESSAS REORGANIZAÇÕES SÃO MUITO MAIS SIGNIFICATIVAS DO QUE OS EFEITOS DO CONTEÚDO OU DA “MENSAGEM”.”