OBSOLÊNCIA PROGRAMADA

No imperativo do prazer do “novo” capitalismo, orientado para o consumo imediato de bens, a obsolência é programada e já vem embutida no ato da compra. O uso do cartão de crédito favorece a satisfação imediata dos desejos e o capitalismo “parasitário”, como afirma Zygmunt Bauman, se encarrega de manter o consumo em ritmo veloz, onde tudo se liquefaz. Desatentos e desprovidos de reflexão, somos capturados por este modelo moderno de controle, que molda nossos corpos e nossa subjetividade para manter aprisionado o consumidor, na condição desejosa para mais consumo. Descarta-se, pois já na compra o produto se torna inadequado e o processo continua. Com uma face irreconhecível de flexibilidade, volatilidade, velocidade e adequação, para uma contínua “reengenharia”, o sujeito é capturado por um modelo de controle, o capitalismo cínico. Nosso maior cinismo é saber, mas fingir não saber de que sintoma estamos padecendo.
Abraços ****
Vivi

NÃO-VIOLÊNCIA

Em sânscrito a palavra que designa não-violência é ahimsa. Em nossa língua não existe uma palavra proativa para não violência. Aliás, na história humana, não há uma palavra referente ao tema não violência. Ficamos na negação da violência. Se ahimsa significa não causar dano, então o que fazer? Gandhi sabiamente afirmou que “A não violência é um estágio perfeito. É uma meta para a qual toda a humanidade se move naturalmente, embora inconscientemente.” Para Gandhi a violência sempre foi um traço de retrocesso, um traço de barbárie, mas que ainda não havia sido descartado pelo ser humano. Gandhi acreditava que, a pessoa que alcançasse a não violência seria um verdadeiro ser humano. Gandhi afirmava que a não violência nunca viria da fraqueza, mas, da força interna e que somente as pessoas mais fortes e mais disciplinadas poderiam alcança-la. Para o escritor Mark Kurlansky,”aqueles que são incapazes de se defender sem violência, os que carecem da força espiritual para se contrapor à brutalidade física de seu adversário, por causa ou de sua própria fraqueza ou brutalidade decidida do inimigo, são obrigados a usar a violência física como defesa”.
Abraços ****
Vivi

MINHA GAVETA, MINHA MENTE

Vivemos em um mundo onde são inúmeras as correlações: sete dias da semana, sete cores do arco íris, sete notas musicais. Neste raciocínio, poderíamos seguir fazendo ligações desprovidas de explicações lógicas. Com um pouco de observação, é possível perceber a existência de ligações entre o que acontece em nossos pensamentos, na forma como encadeamos nossa atitude mental, com a forma como nos manejamos na vida cotidiana. Pode observar: uma pessoa confusa em suas relações, em geral também se mostra confusa na ocupação dos seus espaços. Aquele que é desorganizado na sua vida relacional, muitas vezes tende a ser desorganizado com suas coisas e objetos pessoais. Então, uma “gaveta” que sempre está bagunçada em geral, evidencia uma pessoa que é “bagunçada” em sua agenda e em seus relacionamentos. Fato é que, cognição, emoção e forma, são elementos que compõe um todo humano, portanto não se separam. Se uma pessoa não consegue se organizar na ocupação de seus espaços, seja no seu quarto, no seu carro, na sua casa, no seu escritório, no seu prato de comida, não tem como se organizar na sua vida pessoal, profissional, afetiva, intelectiva, relacional. Quando um jovem começa a se organizar em seu espaço e em seu tempo, começa igualmente se organizar em seus pensamentos e atitude mental. Quem vem primeiro, ovo ou galinha? Não sabemos, mas um tem haver com o outro, não estão separados. O modo de ser é um só, procure observar mais atentamente. Arrume a sua “gaveta” para arrumar também sua “mente”.
Abraços ****
Vivi

CONFLITO – PODE SER UM CAMINHO PARA A PAZ?

 

Se entendermos conflito como oportunidade para aprender e transformar e entendermos paz como um processo dinâmico, participativo, ativo e constante, será possível pensar nesta relação: conflito como um caminho de oportunidade para a paz e a justiça. John Paul Lederach, escritor atuando no campo da transformação de conflitos mundiais e construção da paz, afirma que: ”em vez de ver a paz como uma ‘condição final’ estática, a transformação de conflitos a considera uma qualidade relacional em contínua evolução e desenvolvimento. Transformação de conflitos é visualizar e reagir às enchentes e vazantes do conflito social como oportunidades vivificantes de criar processos de mudança construtivos, que reduzam a violência e aumentam a justiça nas interações diretas e nas estruturas sociais, e que respondam aos problemas da vida real dos relacionamentos humanos.” Para tanto é necessário uma mudança no olhar, na forma como os conflitos são entendidos, bem como a compreensão do significado de paz e justiça. Há que ampliar a visão da natureza real da diversidade. Considerando que compreensão se faz pela via cognitiva, intelectiva e igualmente pela emocionalidade e pela via muscular. Se os conceitos não forem incorporados no pensar, sentir, agir e gestuar, a resposta continuará sendo de forma da lógica linear e excludente.

Abraços    ****

Vivi

ALÉM DE RESOLVER, QUEM SABE TRANSFORMAR ….

Em meio à diversidade humana, a existência de incompatibilidades é algo natural e de certa forma compreensível. Quanto mais pessoas convivendo juntas, maior é a diversidade de opiniões. Diante da multiplicidade de ideias e pontos de vistas, os conflitos emergem e são mais evidentes. Reconhecer que este processo faz parte do viver em comunidade e do conviver humano, é um aspecto dentro das relações que causa uma certa estranheza para muitas pessoas. John Paul Lederach, escritor e conciliador internacionalmente reconhecido, que atua há mais de 20 anos em uma ampla gama de conflitos, afirma que “o conflito é normal nos relacionamentos humanos e ele é o motor de mudanças.” Se o conflito possui a força que pode alavancar para mudanças radicais e transformadoras na ampliação da consciência humana, ter esta compreensão é fundamental. Muito mais que resolver os conflitos, o nosso olhar poderia estar voltado para a capacidade transformativa das relações humanas. Os conflitos tem o potencial de promover mudanças construtivas e consistentes, que sem eles talvez o humano não tivesse a oportunidade de ampliar sua capacidade perceptiva, na direção do seu processo maturacional. Sob esta ótica, resolver ou apenas gerenciar conflitos, se torna empobrecedor, porque é possível ir além da perspectiva de resolver problemas específicos ou pontuais. É de grande relevância se pautar por construir relacionamentos e comunidades saudáveis, o que exigirá de todos nós uma mudança em nosso modo de pensar. Exigirá aprender e treinar um olhar mais abrangente para os relacionamentos humanos, uma mudança da ótica linear para uma ótica que inclui a diversidade e, portanto, a complexidade humana, um olhar que se articula na compreensão criativa.

Abraços   ****

Vivi

CORPOS ESPREMIDOS

A força da gravidade exerce uma ação sobre os corpos humanos que buscam a postura ereta. Esta é uma “luta” permanente que os seres humanos “enfrentam”, como desafio permanente para se sustentarem em pé e em movimento. O andar, sentar, levantar, carregar um objeto, se deslocar no espaço, são todos movimentos gestuais da natureza humana, dos corpos vivos nos ambientes. Ao mesmo tempo este humano tem por desafio gerenciar-se nas suas emoções e pensamentos, que atuam diretamente no seu sistema músculo-esqueletal, no seu sistema locomotor, no seu sistema neuromotor. Todas estas forças, ou jogos de pressão, em conjunto com o sistema de resposta reflexa, atuante sobre os corpos vivos, faz com que este humano tenha que encontrar caminhos e selecione formas somáticas para sobreviver em seu meio, pois a força da vida é contínua. A vida quer passar. Sendo assim, conforme as histórias pessoais, os ambientes, a cultura, a qualidade dos relacionamentos, cada ser humano vai se construindo e “esculpindo” seu corpo ao longo de uma existência. Algumas pessoas incham, tendem ao adensamento, outras se comprimem e se espremem dentro de seus corpos, comprimindo-se de cima para baixo ou de fora para dentro, ou seja, da camada externa para a camada interna, ou o vice-versa, construindo diferentes formas que interferem diretamente na organização postural, com grandes comprometimentos no funcionamento orgânico e psíquico. Diagnosticar estas diferentes formas é um desafio terapêutico. A boa notícia é que por ser um corpo vivo, dotado de consciência e plasticidade sempre haverá possibilidades de mudanças, desde que a pessoa em questão queira. Mudar é possível sempre, pois o vivo está em constante processo de mudança, fazendo corpo na dinâmica da vida, mas tudo é uma questão de querer e aprender.

Abraços    ****

Vivi

NUNCA DUVIDE ….

“Nunca duvide de que um pequeno grupo de cidadãos conscientes e engajados consiga mudar o mundo. Na verdade, essa é a única via que conseguiu produzir mudanças até agora.” Margaret Mead. Esta afirmação traz uma verdade que se mantém em nossos presentes. O que faz a diferença, é uma pessoa comprometida, um grupo comprometido. O que é capaz de mudar e transformar pessoas, ambientes, meios e paradigmas, é a força unida e engajada de poucos. Uma força exercida com determinação de propósitos, é capaz de conquistas que a lógica é incapaz de alcançar. Este é poder da autoridade humana, da expressão da potência viva do ser humano vivo, que a direciona em favor do bem comum, da manutenção e preservação da vida. Nunca duvide. Embora que a mídia tente nos convencer do contrário, esta é uma realidade. O que muda é a força interna determinada, que toda pessoa humana viva possui e que está à sua disposição, basta apenas querer acessá-la. Duvidar de si mesmo é o pior lugar. Duvidar da potência humana é pior ainda. Portanto, cuidado com os pessimistas, eles dentro da sua preguiça sempre querem receber e reclamar, mas, não se disponibilizar. A força humana é maior, pois ela é vitalizada pela força da vida. Seja otimista!

Abraços   ****

Vivi

 

A FORÇA DA GRAVIDADE – DESAFIO HUMANO

Seguindo o processo evolutivo, quando o ser humano conquista a sua eretibilidade e com ela sua cognição, na dinâmica entre corticalidade, subcorticalidade e tronco cerebral, lidar com a ação exercida sobre sua corporeidade pela força gravitacional, é um grande desafio da natureza humana. Manter-se em pé no bom uso funcional do sistema músculo-esqueletal, já é um desafio permanente para os corpos humanos. Mas neste conjunto, outras “forças” também são altamente desafiantes para o humano. Ele tem que lidar ainda com a sua capacidade pensante, de raciocínio em consonância com a sua emocionalidade e suas memórias ancestrais reptelianas. Como se isto não bastasse, há o meio, os ambientes e os acontecimentos que exercem pressões permanentes sobre os corpos e a psique humana. Mas, há outro elemento desafiante: o coletivo. São todas “forças” e jogos de pressão, com os quais o ser humano tem que manejar e aprender a se articular, para manter da melhor forma possível, sua saúde integral. Diante desta complexidade dos corpos vivos, há que fazer escolhas somáticas. O humano, para se manter funcional selecionará formas, que poderão se tornar padrões de gesto e padrões mentais, para poder se manter vivo e conectivo. Mas aqui aparece outro elemento, que é o excessivo. Então, como se manejar no excessivo? A vida quer viver, ela passa pelos corpos, que estão em permanente formatividade. Os corpos vivos se fazem. Estamos fazendo corpo momento a momento. Se há inteligência, se há consciência, como se manejar nesta complexidade? A força gravitacional é muito maior que a pessoa humana. O coletivo é também uma realidade orgânica viva intensa e atuante nos corpos vivos.  Se não houver uma consciência que faça a mediação destas forças, para encontrar caminhos funcionais e selecionar formas agregadoras, as patologias ganham este jogo. As patologias físicas, psíquicas e relacionais, são disfuncionalidades que impedem a conquista do ser humano pleno de si mesmo, autor de sua existência. São desafios existências, de grande intensidade no processo formativo dos corpos humanos vivos, na construção de uma identidade pessoal, única e múltipla, no micro como no macro, que se relaciona consigo mesmo e com todos os outros corpos, mentes, ambientes, espaços e tempos.

Abraços   ****

Vivi

 

PODER OU RELIGIÃO

Voltando na história, surge uma pergunta: teria sido mesmo objetivo das Cruzadas Cristãs expandir o Cristianismo, ou seja, religião cristã, ou seria manter o poder sobre outros povos? Como entender pregar a paz executando a guerra? Existe guerra pacífica ou é apenas um jogo de “belas” palavras, para justificar guerras sanguinárias para manter o poder inescrupulosamente? Fato é que a história evidencia que poder e religião não se separam. Em nome das religiões muitas guerras são travadas para manter o poder que subjuga, controla, desumaniza em favor de alguns poucos e a história se repete e vem se repetindo. Até quando? Até quando, nós humanos seremos levados por este jogo absurdamente bestial para manter o poder de poucos sobre muitos. Quando nos convenceremos que a grande luta a ser travada é com a nossa força interna, com a nossa atenção, nossa capacidade de percepção para enxergar os jogos desumanizantes de dezumanizadores da brutalidade do poder moral? Presença com atenção e preservação da verdade sempre, talvez seja um alimento que ainda não conseguimos acessar.

Abraços    ****

Vivi