O ALTRUÍSMO PODER SER ESPONTÂNEO ?

Todo ser humano tem o potencial para a atitude altruísta. Embora que ainda muitos insistam em afirmar que o ser humano é egoísta por natureza, hoje já sabemos que evolutivamente estamos aprendendo a refinar a nossa capacidade de ser e estar neste mundo. Se não tivesse havido a atitude acolhedora, cuidadosa e, portanto, altruísta, provavelmente nossa espécie teria se extinguido, afinal qualquer animalzinho sabe se defender no mundo natural. Foi a nossa capacidade de organização e proteção de nossas crias, que nos fez chegar até aqui. O processo civilizatório está ainda em andamento e com ele o processo de humanização dos humanos nos seus diferentes grupos culturais. Existem no planeta inúmeras ações que atuam altruisticamente, como exemplo concreto desta nossa característica. São grupos maiores organizados no plano internacional e as pequenas iniciativas em todas as culturas e cantos deste planeta, a nossa pátria comum. O processo evolutivo, biocultural e civilizatório acontecem na dinâmica permanente da vida, onde a capacidade maturacional do sistema nervoso, incluindo cognição, afeto e relação se modificam, evidenciando períodos históricos com maior ou menor agregação, mas o processo é contínuo. Neste sentido, educar para o altruísmo é de fundamental importância na responsabilização e compromisso com a evolução biológica, na direção da humanização do ser humano. A atitude altruísta depende do cultivo de pensamentos e comportamentos que considere o outro e ao mesmo tempo, supere os pensamentos e comportamentos ego-centrados.  Aqui entra a consciência que se faz presente na clareza mental, para acionar dispositivos internos que possam manter o equilíbrio mental, pela prática da atenção focada. Os dispositivos já estão aí, já estão dados, já o temos através do sistema neuro motor, da própria consciência, do corpo vivo. O desafio é QUERER e saber COMO acionar estes dispositivos. Aqui entra a vontade, que tem o poder de mobilizar esta “força” interna da consciência, a atitude vigorosa de se automotivar no cotidiano relacional para gerar esta aspiração. A atitude altruísta pode ser espontânea, basta cultivar. O cultivo do altruísmo não é feito com a lógica da racionalidade, mas, com a atitude interior, permanente, de ser compreensivo, generoso, gentil, amável, amoroso, respeitoso, alegre consigo mesmo, para poder ser com todos os outros incluindo todos os seres vivos.

Abraços    ****

Vivi

O QUE ME TORNA HUMANO ?

O ser humano evoluiu biologicamente, mas, ainda está em processo evolutivo na sua humanização. Quando aparece na cena questões humanizadoras do ser humano, a primeira voz de responsabilidade se dirige à educação, como se ela fosse a única instância responsável pela humanização do humano. Neste sentido não é possível esquecer que Paulo Freire, professor e ativista social brasileiro, conhecido mundialmente por ter se destacado na defesa de uma pedagogia crítica-libertadora, desenvolvida a partir do diálogo e da cultura do educando, com inúmeras obras traduzidas para vários idiomas, foi enfático quando se referiu à educação como um direito do humano, educação como humanização. Ele afirmava que educar é humanizar, levantando a pergunta fundamental: “Quais são os processos que me tornaram humano?” Este questionamento continua atual embora que não esteja na pauta de muitos que atuam na educação em todos os seus níveis, considerando tanto a escola pública como a particular. O que se evidencia em nossa realidade educacional ainda é uma pedagogia propedêutica, que está voltada a preparar para algo, como um passaporte para algum lugar, preparar para o vestibular, para um emprego no mercado de trabalho, para uma profissão. Será verdadeiramente que os nossos educadores fazem a si mesmos a pergunta: o que me torna humano?

Abraços    ****

Vivi

EM QUE SOCIEDADE ESTAMOS ?

Com um pouco de discernimento é possível perceber que estamos inseridos numa sociedade disciplinar e ao mesmo tempo numa sociedade de controle. A primeira tem apontado na direção de um autogoverno, através de práticas disciplinadoras do tempo e do espaço nas instituições sociais. Uma “boa e velha” disciplina dos corpos e dos saberes. Uma disciplina que insiste em se manter na verticalidade, com tempos e espaços bem determinados. A segunda aponta para o uso funcional de dispositivos controladores, num plano mais horizontalizado onde todos controlam todos, onde todos vigiam todos durante todo o tempo e em todos os espaços. Das câmaras de vídeo em locais públicos, em cartazes que sinalizam – “Sorria você está sendo filmado” – como ícones dos novos tempos. Somos todos rastreados, com cadastros comerciais e senhas. Ainda como dizem as previsões, teremos os chips a serem implantados em nossos corpos, para facilitar o rastreamento e tudo em nome do policiamento que promete segurança. Temos sido moldados para aceitar o controle e incorporá-lo como natural. Nossos corpos tem sido moldados por estas sociedades que “usam” o cidadão para atender aos interesses de um neoliberalismo, em nome da modernidade. Tecnologias avançadas surgem velozmente nesta sociedade do espetáculo, estimulando desejos com produtos a serem consumidos, associados à imagem de liberdade. Em que sociedade estamos? Como chegamos neste lugar? Como se autogovernar? Qual tem sido o nosso entendimento de uma vida civilizada?

Abraços    ****

Vivi

CONHECIMENTO ENGAJADO

O ser humano é um ser de conhecimento. As múltiplas experiências do viver propiciam ao humano, ao longo da sua história, o fazer, o conhecer, o criar e recriar. O conhecimento adquirido e produzido vai se constituindo nos campos do saber, contudo só haverá sentido e significação deste saber se for conjugado com a diversidade cultural. Aqui, podem nascer as formas mais híbridas do conhecimento desde que se desvinculem das ideias monolíticas e dos interesses econômicos. O conhecimento engajado, é um conhecimento que se direciona a construção de um mundo melhor, mais equânime, justo, digno do respeito a todos os direitos inclusive aos direitos da natureza da vida. É um conhecimento comprometido com a ampliação das fronteiras do saber. De um saber articulado com a diversidade, com a multiculturalidade, com a capacidade de inclusão dialógica nos diversos campos dos organismos vivos, da biologia ao tecnológico e informacional. Contudo, é um conhecimento que deve estar a serviço do bem comum. É um conhecimento que serve à rede relacional de todos os seres vivos, entendendo aqui a sociedade e suas representatividades como corpos orgânicos vivos, mutantes, que se interdependem e inter-relacionam ao longo do tempo/espaço. O conhecimento engajado é um conhecimento que se produz e é produzido na igualdade de todos e, portanto, na responsabilidade e compromisso de todos e de cada ser humano, em favor de um mundo onde a vida é o bem maior.

Abraços   ****

Vivi

ATENÇÃO … ESTEJA ATENTO PARA NÃO SE ENGANAR …

Numa sociedade capitalista regida pelos interesses do mercado, o consumir passa a ser um ato valorizado na vida de muitas pessoas. Consome-se tudo e de tudo, desde coisas a ideias, modos de ser, de falar, de pensar, vestir e comer, que no geral são inecessários, mas que de alguma forma, geram um sentimento de pertencimento, com uma falsa satisfação. Neste grande mercado disponível para atender as metas financeiras daqueles que detém o capital, consumir medicamentos também aparece neste cenário da medicalização. O que está faltando? O que está inadequado? Se não soubermos perguntar sobre as reais necessidades, continuaremos consumindo pelo prazer imediatista de consumir desprovido de qualquer real necessidade, gerando ansiedade e frustração, adoecendo a todos, do indivíduo ao coletivo. Há que ter ATENÇÃO, qualidade de presença para se reconhecer sendo capturado por este modo de se manejar na sociedade. Há que saber pensar, refletir, perguntar para se localizar neste território. Aprender a pensar para perguntar: o que está inadequado? Quais são as reais necessidades? Sabemos que a lógica do consumo nos captura, nos enfeitiça, nos fazendo acreditar que consumir traz felicidade. Engano total! Há que estar atento para discernir e este é um ato somático, de presença somática e não um ato lógico, racional. Presença atentiva se faz com o corpo presente na presença de si mesmo, no autorreconhecimento. A qualidade atentiva não se adquiri nos livros de auto-ajuda, nem nas farmácias, mesmo as “naturais”.Qualidade atentiva requer treino de atenção e atenção também se aprende. Esteja atento, não se deixe enganar por ideias falsas e sentimentais, que prometem um paraíso que nunca se alcança. Atenção é corpo, o lugar a onde está a nossa felicidade, a realização do ser humano, o lugar onde a consciência abraça com amor o pulso vital.

Abraços   ****

Vivi

QUEM ACREDITA NA DESIGUALDADE ?

É muito fácil reconhecer aquele que acredita na desigualdade dos seres humanos. Geralmente são aqueles que desacreditam na sua própria potência. São aqueles, e não são poucos, que por covardia e orgulho renunciam a sua potência pelo simples prazer de constatar a impotência do vizinho. Este “luta” com todas as suas “armas” racionalizantes, usando palavras sofisticadas em seus discursos, para fazer com que as pessoas desacreditem do seu potencial e ainda se sintam inferiorizadas diante dos explicadores. São estes os que pertencem ao time dos embrutecidos, maquiados de elegância retórica. As hierarquias intelectuais tem o poder da racionalização das desigualdades. Está sempre tocando a mesma melodia: “dividir para poder imperar”. Portanto, há que ter atenção, há que estar conectado à potência, à capacidade de autorrealização e aprender a ser, um ser humano igual, de igualdade com todos os outros seres humanos, embora estando dentro de uma sociedade onde os explicadores insistem na desigualdade das inteligências.

Abraços   ****

Vivi

A CULINÁRIA DA VIDA

Viver é conviver. Nenhum ser humano sobrevive sozinho, é na relação que a vida acontece. O viver inclui inúmeros processos, ou elementos que necessitam serem dosados, adaptados, para se adequarem às necessidades de cada momento, nos encontros e acontecimentos. Como tudo está integrado na dinâmica permanente do viver, saber as dosagens e as misturas corretas dos ingredientes, é um ato de sabedoria, de habilidade culinária. A seleção dos temperos adequados para cada situação específica depende da temperança, do sentido de moderação do cozinheiro, que equilibra o peso da balança. Há momentos que a vida relacional pede mais firmeza, outros mais flexibilidade, outros mais proximidade, ou mais distanciamento. Há que saber pausar, esperar, pois cada pessoa tem o seu ritmo próprio, o seu tempo formativo, o importante é não desistir e continuar “mexendo”, para não perder o ponto, com muita atenção. Há um ingrediente que não pode faltar: Bom Humor. Este é especial e com ele a Atenção constante. É a atenção na presença que indicará as dosagens adequadas, do sal ou do açúcar, afinal para que as relações se vinculem calidez e amorosidade não podem faltar, pois elas são fundamentais para dar o “ponto certo na hora certa” da confiança. No cozimento das relações, tanto a firmeza quanto a leveza, precisam ser bem dosadas, sem excessos, nem para mais nem para menos. A culinária da vida é uma arte, como todas as artes. Sem arte o conviver nas diferenças pode ficar insuportável. O espírito criativo pode oferecer novas possibilidades de temperos e ingredientes para um cardápio mais elaborado, mais inteligente, mais justo e com mais sabedoria. Há que treinar e praticar. Só ler os livros de auto-ajuda das incontáveis receitas e combinações de cardápios que estão à venda nas livrarias e disponíveis na internet, não é suficiente para se fazer uma refeição “relacional” saudável e nutritiva. Há que ter um bom “orientador” aquele que tem dentro da sua alma, que já incorporou e muscularizou  as receitas  agregadoras que alimentam a vida, sem modismos de dietas que servem ao consumismo irrefletido. Conviver bem se faz convivendo. Só se aprende a fazer fazendo, na experiência viva da dinâmica do viver. Quando a boa vontade, o bom humor, a paciência, o amor e a atenção se encontram, o tempero fica no “ponto certo”.

Abraços    ****

Vivi

 

NOVAS SOCIABILIDADES

Pensar ainda é uma grande aventura e para lidar com a violência nas suas diversas manifestações, sobretudo a violência estrutural, há que encontrar espaços para novas possibilidades, há que pensar com a verdade dos fatos. As formas embrutecidas do capitalismo controlador e consumista, que aborta a dignidade humana, fomentando a violência social e intelectual, contribui de forma vergonhosa para aumentar as injustiças sociais. O modelo de progresso e desenvolvimento adotado pelos países desenvolvidos, que sustentam a hegemonia social, intensificam as distâncias culturais gerando mais violência. Onde as necessidades básicas do ser humano não são atendidas de forma declarada, sem o menor respeito e compromisso com a humanidade de cada pessoa humana, a violência passa a ser o único canal que este humano tem para sua expressão. Quanto maior é o desrespeito da violência estrutural e institucional, mais intensa tem sido as manifestações de violência. Estamos todos, cidadãos deste mundo comum, no lugar da insustentabilidade, onde uma minoria dirigente controla uma maioria dirigida. Estamos no limite do esgotamento. Mais do que nunca precisamos abrir os espaços para ressaltar as novas sociabilidades, resignificando os conceitos de paz, dignidade e convivência. Neste sentido, a responsabilidade está nas mãos de cada cidadão, onde cada um tem mais que o dever, mas, o direito de agir para neutralizar os efeitos nocivos e destruidores da violência, alimentada por uma minoria que não tem nenhum interesse que este cenário se modifique. Há que ter criatividade e muita coragem para pensar e agir. Nunca o diálogo foi tão necessário. Nunca o pensamento Gandhiano foi tão real: Amor e Verdade sempre.
Abraços ****
Vivi

 

OUVIR E SER OUVIDO

Quando a pergunta é feita: o que significa para você respeito e ser respeitado? Qual é o sentido disto? Muitas são as pessoas que dizem: eu me sinto respeitado quando sou ouvido. Ser ouvido é fundamental para todos os seres humanos. Ser ouvido evidencia um lugar de pertencimento, de reconhecimento de humanidade. Ocorre que, todos gostam de serem ouvidos nas suas inquietações, angústias, dúvidas, necessidades e sentimentos, mas, nem todas as pessoas sabem ouvir. Para saber ouvir o outro é preciso primeiro saber se ouvir, saber se reconhecer como humano, na incompletude natural do humano, nas suas limitações e nas suas facilitações. Ser reconhecido na sua humanidade dá à pessoa humana um lugar digno de pertencimento neste mundo comum, que é ao mesmo tempo de todos e de cada um. Pluralidade e individualidade só podem acontecer na igualdade comum, da existência comum. Saber ouvir para também poder ser ouvido, é um exercício como outro qualquer. Embora que todo ser humano vivo traga consigo a capacidade auditiva, nem todos são capazes de ouvir o outro, pois saber ouvir é saber respeitar, é saber se respeitar. Quando somos ouvidos sinceramente, o sentido de humanidade preenche a relação e os corpos, de quem fala e de quem ouve, é a evidência da reciprocidade. O exercício do ouvir é permanente, pois como toda habilidade há que treinar para polir a paciência, a compreensão amorosa, a generosidade atenta, a compaixão e a ética. O respeito também pode ser exercitado, basta a boa vontade de querer respeitar para ser respeitado.

Abraços    ****

Vivi