LEIS IMUTÁVEIS DO VIVER

A vida se constitui de leis. Mas não estou me referindo aqui aos códigos que regem as legislações mundiais, nem aos códigos tácitos de grupos e relações. Nem tão pouco às leis da física e da orgânica. Me refiro sim, à leis existenciais que só a maturidade do viver nos permite compreender e talvez incorporar. A lei da causa e do efeito. Toda causa gera um efeito, que tem consequências que causam efeitos, é a lei da causalidade. A lei da reciprocidade, afinal nenhuma relação se faz isolada, não há relação de mão única. A lei da interdependência evidencia que não há existência isolada de outra existência, somos dependentes e independentes ao mesmo tempo. O existir depende de outro existir, eles se inter-relacionam. Há uma outra lei, é ela a impermanência. Nada no universo vivo da vida é fixo, não temos controle sobre esta dinâmica. Tudo se modifica, por causalidades talvez mais evidentes, ou por acasos coincidentes. Fato é que, a lei da impermanência está na vida e para reconhecê-la, aceitá-la e compreendê-la, há que estar na disposição da vontade sábia e ao mesmo tempo atento a esta percepção tão refinada do viver. Respeitar estas leis, educar-se para estar alinhado aos  ensinamentos que elas nos oferecem e se manejar com elas, vem a ser um profundo ato de discernimento, maturidade e inteligência. O respeito permanente a estas leis, pode diminuir ou até evitar inúmeros sofrimentos no viver existencial. Aqui se aloja a felicidade genuína.

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Vivi

O VALOR DA ATENÇÃO

Atenção hoje é uma palavra que está na ordem do dia.  Atenção e seus transtornos nunca estiveram em tanta evidência, sobretudo quando o tema é medicalização. Distraiu, tem remédio. Divagou, tem remédio. Agitou tem remédio. Este tem sido, um certo modo de gerar mais distração, que encobre o verdadeiro sentido da ATENÇÃO. A atenção está diretamente relacionada com a qualidade da presença nos acontecimentos, na forma como vivemos as múltiplas experiências da nossa existencialidade. Atenção e presença, compõem os dois braços de uma só pinça. Uma pinça que se movimenta no cognitivo e no somático continuamente, como um ato de inteligência e de corporeidade.  É a consciência e a sabedoria do manejo destes elementos, que nos permite fazer escolhas e tomar decisões. Embora que o sentido da atenção esteja disponível a todos os seres humanos vivos, ela necessita de aprendizagem e cultivo, pois a sua fugacidade nos conduz à distração. Ser atento é um valor que não tem preço, mas, tem o custo do esforço da dedicação autodeliberativa, pois requer aprendizagem continuada. Como uma habilidade, a atenção pode ser treinada e uma vez consciente e muscularizada, é de um valor incomensurável, pois, é ela o elemento que tem o “poder” de evitar sofrimentos inecessários em nossa vida. Atenção também se pratica no exercício diário do viver, nos encontros e nos acontecimentos. Quando a medicalização reduz a atenção a transtornos apenas, negando seu potencial educativo, formativo e transformativo, um sujeito com um pouco de perspicácia, poderá perceber que esta é uma conduta que está a serviço de um capitalismo predatório.

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Vivi

DISPONIBILIDADE POTENTE

A experiência humana inclui a dimensão reflexiva e espontânea da pessoa humana, que se faz presente na sua existência como um ser humano vivo, na sua mente viva. Todo ser vivo traz em si a potência da vida. Uma  potência que contem a disponibilidade para a realização plena da vida, um legado evolutivo. O ser humano vivo traz esta assinatura, onde o potencial está plenamente disponível, bastando apenas querer acessá-lo, um ato de vontade inteligente. A consciência humana, que perpassa pelo sensível e pelo cognitivo, tem a chave deste “portal”. O sujeito consciente de si, que se apropria de si, pela coragem de ser um ser humano pleno e realizado, acessa esta potência que lhe é disponível e que o faz pleno de si. O potencial da vida está já está, basta querer acessa-lo. Se já somos, então por que tanta resistência em se conectar? Quando a Luz é intensa, ela pode cegar o olhar. Olhar para ser e ver em plenitude, requer clareza de intenção, requer força interna determinada e comprometida com o ser verdadeiro, em palavras, atos e pensamentos. Talvez aqui esteja um obstáculo, que cause a cegueira em tantas pessoas que se recusam a viver a sua própria potência. Para ser livre há que ser verdadeiro consigo mesmo, para poder ser verdadeiro para com todos os iguais a si mesmo. Ser verdadeiro é se reconhecer forte e frágil, conquistador e perdedor, ganhador e fracassado, livre e dependente, mas, nunca desigual, nunca inferior ou superior, nunca desprovido de dignidade. Ser verdadeiro consigo mesmo e com o mundo, é estar em contato com o estado de disponibilidade do potencial que emancipa e realiza a vida.

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Vivi

RESTAURAR VIDAS E PESSOAS – DESAFIO E COMPROMISSO

Algumas perguntas são constantes diante das expressões de violência na vida social: Da onde vem tanta maldade? É possível mudar este quadro onde a hostilidade parece crescer em desmedida? Pessoas mudam comportamento? A violência é um problema do estado ou o cidadão também é responsável? Há cura para o sofrimento humano? Não faltam perguntas, como não falta indignação e o desafio é evidente, para todos nós, cidadãos deste planeta Terra neste momento social. Mais uma vez, a Neurociência pode nos ajudar, lembrando que o cérebro é plástico e portanto, pode mudar, quando mudamos a qualidade dos ambientes. Os comportamentos e atitudes podem mudar, como podem mudar a qualidade dos ambientes e a forma como lidamos com os acontecimentos. Novamente desembocamos na educação. No âmbito social o desafio e o compromisso é de todos, cidadãos e estado. Precisamos agir juntos, no menor, nas pequenas interferências pessoais como nas agendas de política pública. Acredito que, é preciso articular esta relação, do público com o privado, mas, a grande dificuldade é ultrapassar a crença que obstaculiza a mudança, pois temos entendido que para mudar comportamento precisamos de endurecimento, da força que brutaliza e a neurociência já afirma que o cérebro reage à raiva e à hostilidade, impedindo a mudança.  Para mudar comportamento precisamos mudar crenças. Acreditar na vontade Inteligente da emancipação, da igualdade de que todos os seres vivos são capazes de aprender, desaprender e reaprender. Sair do círculo da vingança da desigualdade e agir na igualdade do respeito que inclui o respeito e a inteligência criativa que sabe encontrar caminhos viáveis e mais agregadores. Aqui nasce a restauração de vidas e pessoas, mas há que mudar as lentes e estar atento aos discursos enganadores que servem à desigualdade que separa e exclui, para manter o controle de poucos sobre muitos.

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Vivi

COESÃO – COERÇÃO – RELAÇÃO

Relacionar-se consigo próprio muitas vezes já não é tão fácil quanto parece, pois há momentos em que as dúvidas e os desencantos querem assumir o papel principal em nossas vidas. Relacionar-se com o outro e com todos os outros, tem se tornado ainda mais desafiante. Os humores mudam, os ambientes se modificam, os acontecimentos não cessam e os estímulos são incontáveis, e tudo com intensa velocidade. Como se manter coeso e coerente em meio a este turbilhão? Sem atenção e sem compromisso efetivo com o “ser respeitoso”, a resposta primeira é a coerção, que reprime, exclui e isola. Na coerção há não espaço para a relação e o diálogo fenece. Estar atento para as respostas desagregadoras do repteliano cerebral, mais impulsivo, pois é desprovido da reflexão e do bom senso, tem sido fundamental para garantir a qualidade das nossas relações e relacionamentos. Presença com qualidade é um ato anatômico, que se faz por aprendizagem. Sustentar coerência para a coesão parece simples, mas, no viver relacional necessita de compromisso e boa vontade.

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Vivi

UMA AVENTURA COMUM

Quando o humano se reconhece como humano e vive a experiência somática, muscularizada da sua humanidade, então ele tem a condição de reconhecer a humanidade de todos os outros humanos. Esta é a nossa condição humana, que vivemos nesta aventura comum, habitando a mesma casa, com todas as histórias e participando, sem escolha, da aventura evolutiva da vida, que segue independente da nossa vontade. Vivos, somos e estamos na evolução da vida que prossegue. Todo este entrelaçamento de elos forma a tessitura da rede viva das relações. Cada ser humano na sua singularidade é livre em si mesmo, mas quando todos juntos na sua particularidade se expressam, surgem as diversidades e como todos somos livres, é necessário que a consciência possa garantir a convivência. Ser livre nesta rede significa cuidar, conciliar liberdade com diversidade para sustentar o bom funcionamento da rede. Aqui começa o aprendizado deste humano na sua evolução, bio, psíquica, emocional para o relacional. Garantir a saúde dos relacionamentos no conviver, dentro da dinâmica da vida, depende da consciência, da inteligência e vontade. Este, está sendo o nosso passo evolutivo. Um desafio biológico, somático, cognitivo e espiritual, no mais refinado do refinado, na grande aventura pulsante da vida.

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Vivi

“A CORRENTE DA FELICIDADE “

Com este título a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, publica na Folha Equilíbrio ( 21/Maio/2013),  um artigo esclarecedor referente aos efeitos positivos da Prática da Meditação. Apresenta um estudo que mede o efeito dos sentimentos positivos gerados pela prática e os efeitos benéficos nas emoções, nas conexões sociais e na boa saúde. Felizmente hoje, já é possível encontrar inúmeras Universidades nacionais e estrangeiras, que fomentam pesquisas para verificar os efeitos na fisiologia humana, no comportamento e relações sociais, da prática regular da Meditação. É de conhecimento de muitos pesquisadores, biólogos, psicólogos e neurocientistas, dos efeitos benéficos na vida do praticante de Meditação. Neste sentido, a ciência começa a validar a Prática Meditativa, bem conduzida, tanto nos espaços institucionais de saúde pública, como na cidade de São Paulo que já tem implantada em alguns programas de saúde pública, como nos espaços educacionais e prisionais. Em Araçatuba, a rede estadual de ensino oferece a Meditação como uma prática atencional, nas escolas com resultados excelentes, tanto pedagógicos como comportamentais e relacionais, considerando alunos, professores e equipe técnica. Acontece também nas unidades da Fundação Casa de Araçatuba, favorecendo a recuperação, restauração e permanência dos internos na unidade. São todas evidências que sinalizam a importância de um olhar inclusivo, para uma prática milenar. A alta tecnologia favorece a pesquisa científica que verifica, com todo rigor protocolar da ciência, a necessidade de considerar a Meditação, na sua prática regular e conduzida com os devidos cuidados, seriedade e respeito, como uma ferramenta que pode colaborar de forma positiva com a saúde física, emocional, relacional e social. Trazer mais qualidade e bem-estar-bem para o indivíduo e o coletivo, pode ser uma ação de política pública exequível e disponível. A pergunta é: quem não quer ser feliz?

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Vivi

O OLHAR TAMBÉM SE ENGANA

Diante dos desafios do viver em comunidade, a tendência é voltar aos fundamentos e agir de acordo com o aprendido. Porém, nem sempre os modelos culturais sedimentados se adéquam aos cenários do momento atual, daquele acontecimento. A atitude “faraônica” do acreditar que, para agir é necessário um feito grandioso, muitas vezes se revela como um grande equívoco. A simplicidade pode mobilizar mudanças relevantes em diversas situações, possibilitando transformações marcantes. Pequenas coisas que muitas pessoas fazem podem fazer uma grande diferença. Então, sempre é bom lembrar da “receitinha básica”: comece a onde está, use o que você tem e faça o que você pode fazer. O olhar também se engana, o simples, o pequeno às vezes é a pitada de fermento que faz a total e completa diferença. Portanto, quando os discursos internos que mais são desculpas para a não responsabilização surgirem à mente, CUIDADO, pois o engano que ilude pode estar rondando.

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Vivi

 

FAZER – UMA VIRTUDE DA INTELIGÊNCIA

A vontade do ser humano emerge da sua inteligência, da sua capacidade de pensar. O fazer é fruto de um saber. Quando a pessoa é capaz de falar e de se narrar ela faz, ela se comunica tal qual um artesão, que aprende uma habilidade repetindo-a no fazer. O exercício da palavra também é um fazer para aprender. A vontade de querer dizer do seu saber, da sua experiência viva, da sua arte, advém do ser pensante, uma virtude da inteligência. Um dizer que emancipa. Quando a pessoa diz “eu sou”, “eu também sou”, significa que ela fala de seu íntimo, fala a partir dos seus sentimentos pela vontade de se comunicar como humano, na palavra articulada. O ato do sujeito se fazer no comunicar, é um ato de emancipação. O olhar que é capaz de ver a palavra narrada como algo que se materializa na ação de um fazer, que expressa sentimentos e inteligência, é um olhar que poetiza, que fala ao poetizar ou poetiza ao falar. São as aventuras de um corpo vivo e humano, que se tornam histórias de aventuras do espírito humano.

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Vivi

CORPOS VIVOS NO VIVO

O humano vivo é um corpo-pessoa  que se faz continuamente no organismo vivo da biosfera. Nossos corpos ao se fazerem, fazendo tecidos, muscularizando-se, co-corpando com outros corpos, afeta e é afetado pelos ambientes, pela cultura, pelas ideias, pelos ritmos, pelas forças de poder, se transformando e se formando em camadas simultaneamente. Nossos corpos vivos, não são a somatória de peças isoladas, que se ligam como uma engrenagem mecânica e automatizada. Embora que, este jeito de entender os corpos ainda esteja muito presente em diversas terapias e abordagens. Nossos corpos se constituem em camadas, dentro das ecologias e na continuidade evolutiva da vida. Estão em processo, no processo do vivo. A boa notícia é que, a cognição é um dispositivo evolutivo que nos permite pela vontade consciente, atuar na forma como os nossos corpos respondem aos acontecimentos, construindo respostas somáticas mais agregadoras e, portanto, mais saudáveis. A questão é, primeiro se dispor a entender que não somos máquinas e ao mesmo tempo querer viver no pulso formativo e transformativo da vida, em consonância com os outros organismos vivos dentro da grande teia da vida. Então, é possível ser feliz, mas, há que acreditar na potência da vida e ter a coragem de viver a sua potência viva e plena, que a vida lhe oferece. A dádiva está dada!

Abraços    ****

Vivi