IGUALDADE OU MAIS DESIQUALDADES

Diante dos desafios da intensa violência, geradora de medos,  inseguranças, desconfianças e, portanto, de mais violência, é responsabilidade de todos os cidadãos, sejam eles vinculados publicamente, institucionalmente ou no plano privado, pensar e  repensar a complexidade deste cenário, para encontrar espaços de ação conjunta. Afinal, o que queremos? Investir em mais desigualdades sociais ou investir em ações promotoras de maior justiça social, que atendam as necessidades e os direitos básicos do qual todo ser humano tem direito. Quanto maior for o embrutecimento, maiores serão as desigualdades e, portanto, maior hostilidade. O discurso da violência tem se apresentado em torno de narrativas punitivas e excludentes, como medida única. Esta é a fala daqueles que querem sustentar as desigualdades. O caminho da igualdade de direitos promove a emancipação, atende as necessidades básicas da dignidade humana e traz a responsabilidade, o respeito e a cooperação em ações conjuntas, como fatores primordiais. Este é o discurso pautado pela ética. O discurso das culpabilidades se torna vazio de responsabilidades, afinal nem os que se situam neste plano assumem suas responsabilidades verdadeiras, pois se colocam no plano de um poder de superioridade, de mandos e controles. É o embrutecimento. Estamos como humanidade no exato ponto de bifurcação, afinal a comunidade humana não mais se submete. Saímos do século XVII, estamos na segunda década do século XXI. Precisamos mudar e sair do círculo da impotência para fortalecer o círculo da potência.

Abraços    ****

Vivi

VALORES HABILIDADES E EDUCAÇÃO

Educar em valores ou treinar em habilidades – são caminhos que necessitam de urgência para tomada de decisão. O que pretendemos para nossas crianças, jovens e nossos jovens adultos? Sendo caminhos com objetivos diferenciados e, portanto, com resultados diferenciados também, se os educadores não refletirem sobre o verdadeiro papel da educação, consequências nefastas teremos, ao longo dos próximos muitos anos. Educar ou habilitar? Educar significa preservar as relações a serviço da dignidade humana, no respeito absoluto à vida em todas as suas manifestações. Habilitar, informar, treinar técnicas é se colocar a serviço do mercado capitalista, desejante, que desrespeita a humanidade do ser humano, gerando confrontos competitivos e predatórios, espoliadores, sem nenhum escrúpulo. Treinar técnicas e técnicos que possam servir aos detentores do poder financeiro, com uma única finalidade: trabalhar como mão obra e de preferência barata e de preferência, sem nenhum questionamento. Seria possível dentro deste quadro, ter a ingenuidade de esperar uma sociedade calma e subserviente para toda a eternidade?  Pura falácia! Hostilidade e violência sem fim, será quase o caminho natural. Não precisamos ser videntes para chegar a esta conclusão. Enquanto a sociedade que escolhe educar não se voltar para recuperar os valores humanos, não poderemos nem se quer pensar ou sonhar com relações que não sejam hostis. Dignidade humana se cultiva através da educação em valores. Lembrando que todo ser humano tem o direito ser digno e viver a sua dignidade. Educar, é dignificar e isto não é sonho ou ideal, hoje é necessidade, senão acabaremos todos, inclusive os filhos dos nossos filhos. Dignidade não é moeda de troca é valor a ser preservado sempre, é um valor sagrado.

Abraços    ****

Vivi

UM DISCURSO QUE PRECISA MUDAR

A cultura de dominação tem nos ensinado ao longo dos séculos que retaliar, vingar, excluir, explorar, intimidar, submeter, desqualificar, é o único caminho “corretivo” para aqueles que não se submetem ao seu controle e mando. As consequências deste modo operacional em nossas relações, é mais que evidente: violência gera mais violência. Neste círculo destrutivo estamos nos acabando todos. Então o que fazer? Precisamos com urgência mudar o discurso. Enquanto agirmos na vingança, embora falando de perdão através das religiões, continuaremos a semear mais discórdias e hostilidades. É perceptível nos diversos espaços sociais um enorme conflito de intenções entre a vontade de punir e a vontade de educar. Algumas pessoas já perceberam este paradoxo, mas ainda somos precários em nossos discursos. Nossas falas e narrativas são eloquentes em retaliação e desejo de vingança. Tudo nos encaminha nesta direção. Se não pararmos para enxergar que estamos perpetuando o mal, contaminando nossas relações com o veneno mortal da violência, seremos vivos-mortos. O primeiro passo nesta longa trajetória é a mudança dos discursos internos, de pessoa para pessoa, no interior do nosso ser. Se dentro de nós mesmos nos autoflagelamos, continuaremos alimentando vingança pela punição destruidora, que não empodera nem responsabiliza, apenas vinga. A vingança é alimentada pela raiva e a raiva gera mais vingança, que gera mais raiva. Até quando iremos buscar alimento no veneno que destrói a pessoa que deseja vingança, muito antes daquele que talvez será o vingado. Interessante é que, nos recusamos a entender este círculo vicioso, doentio e perverso, querendo mais veneno. Até quando? Neste sentido parece que somos “imbecis”. Onde está a nossa inteligência, o nosso discernimento, o bom senso, a nossa capacidade de reflexão, como Seres Humanos dotados de raciocínio?

Abraços    ****

Vivi

NATURAL TRIVIAL HABITUAL – É BOM SABER DO QUE SE TRATA

Cuidado com tudo que se parece trivial. Nem sempre o que é trivial é confiável. Não é pelo fato de todos fazerem ou agirem de uma determinada forma, que esta forma pode ser considerada correta e digna de confiança, desconfie. É bom lembrar que alguns hábitos são importantes, como escovar os dentes após as refeições, mas falar em voz alta, em tom elevado e rude, pode ser uma total falta de respeito. Portanto, é bom examinar alguns hábitos, pois nem sempre podem ser adequados em certas situações. Para viver e conviver na comunidade, em condomínios, na cidade, é bom saber que as normas de convivência precisam ser asseguradas, pois infringi-las pode gerar conflitos que acabam em violência. Afirmações como: na minha casa é assim, ou eu sou assim mesmo, ou eu sempre fiz assim; cuidado, atenção, talvez seja interessante reconsiderar. Então, cuidado com o que se parece habitual. Nem sempre o que é habitual é natural. Distinguir hábito de naturalidade, é fundamental para uma convivência saudável. Há pessoas que dizem: isto não tem jeito, não muda nunca porque sempre foi assim. Esta é mais uma armadilha do pensamento linear, que insiste em permanecer na zona de conforto. Tudo que é vivo pode mudar, basta apenas um querer motivado por uma atitude de boa vontade. Lembrando Bertolt Brecht: “Nada deve parecer impossível de mudar”.

Abraços    ****

Vivi

PARA MUDAR A REALIDADE É PRECISO CONHECÊ-LA

Negar-se a conhecer a realidade tal como ela de fato se apresenta, é uma forma de ignorância. É mais uma das “armadilhas da mente” que tenta convencer-nos a manter distância dos acontecimentos, para não ter que assumir qualquer responsabilidade. A realidade, apesar dos desafios e paradoxos inerentes a ela, é uma fonte de aprendizagem. Podemos aprender com ela. Quando conhecemos a realidade, temos a chance de  mudá-la, transformá-la. Se ausentar dos fatos, é uma atitude disfarçada de analfabetismo político, uma ignorância política, onde nasce grande parte da violência. Violamos os direitos humanos, quando nos recusamos a assumir posturas frente ao uso abusivo, por exemplo, da propaganda que se utiliza da imagem inocente de nossas crianças, para vender créditos bancários e carros de luxo, salgadinhos e leite desnatado. É necessário cada vez mais estar presente diante dos acontecimentos, reconhecendo como eles nos afetam, causando modificações em nossos corpos e em nossa mente. Pela via da resistência pacífica, como diria Gandhi, assumir posicionamentos no meio ambiente de nossa convivência, é deixar de ser um analfabeto político. Assumir uma atitude de cidadania responsável, dentro de um processo de democracia participativa é cooperar com a cultura da não violência. Sua Santidade o Dalai Lama afirma que só existem dois dias que não podemos mudar o mundo: ontem e amanhã.

Abraços    ****

Vivi

DA RAIZ PARA A COPA

O imediatismo rompe com a natureza, quando almeja chegar a um sucesso sem passar pelas etapas que podem levar às conquistas. Uma árvore encorpada e frondosa na sua copa, em seus galhos e folhas, geradora de frutos, precisa receber alimento de sua raiz. Assim também ocorre em nossa vida pessoal, se não alimentarmos as vias que conduzem a nossa realização, nunca alcançaremos os frutos e com eles as sementes das futuras criações. Não é possível negar a existência de uma trajetória, não podemos perder o fio da história do nosso crescimento em direção à nossa maturidade. Manter o fio civilizatório, é fundamental para a humanidade poder se reconhecer inserida dentro da história da vida e ser corresponsável no processo evolutivo. Posturas imediatistas, superficiais, egoístas, afastam-nos da cadeia evolutiva e produtiva, na qual todos nós fazemos parte e somos codependentes, porque coexistimos. A vida se faz junto. Negar a nossa história é querer chegar à copa sem passar pela raiz, impossível. Do nascimento à morte, somos uma história, fazemos parte de um processo maior e anterior a nós. A história pessoal está em permanente coevolução com a história da vida. A consciência humana evolui junto com a evolução da história humana, e com a história da vida do vivo. Negar as nossas raízes, é negar a nossa própria vida.

Abraços   ****

Vivi

SERÁ MESMO QUE MUDOU?

A sociedade mudou radicalmente. Desde os hábitos alimentares, ao ritmo dos deslocamentos que nos impõe aceleração até no andar, a forma como lidamos com o tempo, as expressões da linguagem, o descartável até das nossas roupas e relações, tudo evidencia mudanças. Fato é que estamos na geração da velocidade, da tela-plana e do iPhone, onde a tecnologia nos oferece novidades a cada dia , disponíveis para consumo imediato. Apesar de todas estas mudanças, ainda nos comportamos e queremos os mesmos modelos controladores e coercitivos dos séculos passados. Ainda nos manejamos numa “cultura persecutória e punitiva, que tende a promover experiências negativas relacionadas à confrontação, perseguição, exclusão, hostilidade, rivalidade, ressentimento e mentira. Emoções perturbadoras, causadoras de mais sofrimento. Típicos traços de uma cultura de guerra.”  Estas são as palavras do juiz de Direito, Leoberto Brancher, quando propõe reflexões referentes às mudanças sociais, na direção de encontrarmos novos caminhos para o nosso manejo social, frente aos inúmeros desafios apresentados pela violência em todas as suas manifestações. Rever esta forma apresentada pela cultura de dominação e controle para sustentar investimentos numa cultura de parceria e inclusão, onde cada cidadão e toda a comunidade é corresponsável no processo social para reverter este quadro, talvez seja nossa tarefa mais urgente. Sabemos que podemos mudar, sabemos que esta mudança é possível, sabemos que temos conhecimento, tecnologia e os meios necessários para fazê-lo, mas precisamos fazer. Estamos na hora da ação, afinal somos todos seres humanos, sábios, amorosos e potentes. Basta querer!

Abraços   ****

Vivi

DISPOSIÇÃO PARA O NOVO

 

“Esteja aberto para todas as coisas. Nunca limite a sua mente porque você não sabe de onde virá a próxima ideia.” Esta era uma recomendação de Edward Gorey, ilustrador e escritor norte-americano (1925-2000). A disposição para receber o novo, não é uma atitude nem simplista nem tão fácil como pode parecer, pois é algo que envolve algumas posturas pessoais. Fechar-se nas muralhas da conveniência, sustentando os mesmos discursos e as mesmas posturas ideológicas, apesar das incontáveis transformações e mudanças vindas por todos os lados neste contemporâneo, pode ser uma atitude medrosa ou preguiçosa, de quem prefere se acomodar para não refletir. Lamentavelmente, o sujeito que se encastela perde grandes oportunidades em sua vida, limitando-se diante dos acontecimentos e do próprio viver. A rigidez gera sofrimento para o rígido e para os que estiverem ao seu lado. Ela não conecta. Estar aberto ao novo, é sinal de maturidade e autoconfiança. Seríamos ingênuos em considerar que tudo que é novo é bom.  Mas abrir o olhar, fazer contato, refletir, considerar, discernir, são elementos fundamentais para conectarmos com a nossa potencialidade, descobrindo talentos e habilidades que muitas vezes nem imaginávamos que pudéssemos ter. Quantas pessoas se descobrem em determinado período da sua vida, fazendo coisas, produzindo arte ou conhecimento, que estavam adormecidos, apenas esperando uma oportunidade para se manifestarem. Quantos de nós desconsidera a sua intuição, por preconceitos ou rigidez ignorante, perdendo excelentes oportunidades na vida. A mente humana é uma das maiores riquezas da evolução. As ideias brotam como a água na terra, naturalmente, mas é preciso estar aberto e atento para que todo este potencial possa se expressar com liberdade. Quanto mais livres e autoconfiantes formos, mais criativos seremos. Acredite!!!

Abraços    ****

Vivi

A VIDA É O QUE ACONTECE …

A rotina do cotidiano automatizado de todos os dias, tem sido tão massacrante que, não conseguimos perceber que estamos sendo triturados e engolidos, pela maquinaria exigente do capitalismo. Consumidos pela sociedade do consumo, onde a competição predatória e a corrida de velocidade ditam as regras do jogo, não há tempo para sentir que a vida acontece e passa. Estamos sendo colocados numa forma e passamos a agir sempre igual. Formatados e burocratizados, nem lembramos que somos capazes de refletir, de criar e de ser livre. Paradoxalmente, o discurso do mercado de produção nos seduz prometendo felicidade e liberdade. Contudo, uma tal felicidade e liberdade que nunca chegam. Em tempos onde o trabalho exigente do sistema nos acompanha até a velhice, ser livre e feliz tem sido uma promessa que nunca se cumpre. Então, o que chega é a frustração. Se pudéssemos nos dar pequenos momentos de pausa para reconhecer que estamos sendo colocados em formas, todas iguais para melhor caber na máquina do sistema, seríamos capazes de encontrar vias alternativas. Afinal, a vida acontece, apesar deste modelo. É ela que acontece. Ter a coragem de se deslocar, recuar para dar uma certa distância desta maquinaria, simplesmente para ver o que está acontecendo, já seria um passo enorme na direção da liberdade e da felicidade, que certamente todos nós almejamos. Desacelerar, lembrar que muitas vezes menos é mais, talvez seja uma via mais salutar,digna e respeitosa para nós e para nossos filhos. Pense nisto: viver ou sobreviver!

Abraços   ****

Vivi

FONTES DO MAL

 

Se existem o mal e a maldade, onde está sua raiz? Qual é a origem do mal? Será que, se soubermos onde se origina o mal, teríamos a possibilidade de elimina-lo, uma vez que o mal vem causando tanto sofrimento ao longo da história humana? Friedrich Nietzsche, filósofo que viveu entre 1844 e 1900, afirmou que as verdadeiras fontes do que temos chamado “mal”, estão no ressentimento e no medo. O ressentido é aquele que lembra constantemente de uma violência vivida. Ele se conduz na vida sentindo novamente uma experiência que o fez sofrer. Ressentir é o sentir novamente. Mas, o ressentido vive lembrando novamente apenas para dar razão a um sentimento de vingança alojado em sua imaginação. O ressentido não consegue encontrar caminhos que venham a transformar a realidade vivida. Ele se mantém lembrando para vingar, para retaliar. Junto a este sentimento aparece o medo, que de alguma forma também é criado no imaginário do sujeito, pela incapacidade de reparação à experiência vivida. O mal para ser dissolvido, precisa da compreensão destes dois sentimentos que se retroalimentam: o ressentimento e o medo. Não será pela via da moralização que faremos a transformação deste ácido que corrói e corrompe a nossa alma, a nossa psique, o nosso corpo e gera mais sofrimento. Discursos morais não nos faltam como humanidade. O que nos falta é a coragem de decidir escolher não mais alimentar o desejo de vingança e o medo, criados pelos nossos pensamentos perversos, que não condizem com a realidade das situações vividas. Enquanto não abandonarmos do nosso ser os medos do fracasso, os medos imaginados e com eles o “prazer” patológico e enlouquecido de reviver lembranças para gerar vinganças, não conseguiremos como seres humanos compreender o mal e suas fontes, e aí sim poder iniciar o caminho da PAZ. O caminho da pacificação, é aquele que tem início na alma e no discernimento, daquele que escolhe lembrar e se conectar ao que há de melhor e maior no ser humano.

Abraços    ****

Vivi