O QUE NOS OBSCURECE ?

 

A mente em seu estado natural é brilhante, iluminada, bem aventurada. Equivocadamente, muitas pessoas querem buscar a sua iluminação sem saber que este potencial de luminosidade já nos foi dado, já existe em si. A questão é acessá-lo e mantê-lo vívido em nossa consciência, em nossos dias e ao longo de nossa existência. Porém, existem alguns elementos que obscurecem a nossa verdadeira luz. São eles: a ânsia sensual e o desejo desmedido, a má fé nos pensamentos e ações, a negligência e o torpor, a agitação ansiosa e por fim, a dúvida predatória. Os desejos incessantes roubam a nossa bem aventurança e com eles a ansiedade que nada consegue saciar. Aqui os sentidos não encontram saciedade, estão sempre ansiosos querendo mais e mais. A má fé, sempre quer levar vantagem em tudo, nas pequenas coisas, no total desrespeito. São as segundas intenções, que obscurecem a vitalidade e empobrecem a qualidade do nosso ser e estar no mundo. A apatia e com ela a preguiça, rouba a nossa capacidade de generosidade, gentileza, cordialidade, empatia e alegria amorosa. A agitação impede a atenção, gera irritabilidade, pessimismo, intolerância prepotente, impedindo uma visão ampla e contextual. Agitados, perdemos a paciência e  a capacidade de compreensão desaparece, queremos resultados imediatos que atendam exclusivamente os nossos desejos egoístas, nos infantilizamos. A dúvida perversa oblitera a capacidade de aprendizagem, gerando constante insatisfação. Ela desconfia de tudo e de todos, é destrutiva, pois nada é confiável, nada é suficiente ou está bom, quer sempre “levar a melhor”. Estas são atitudes que permeiam a nossa mente, contaminam o nosso meio interno, contaminando os ambientes de nossa convivência, sendo fonte de sofrimento para a pessoa em si e para todos os que estiverem à sua volta. São padrões deletérios de comportamento, que geram miserabilidade.  São todos provenientes da grande miséria humana: a ignorância, que paralisa a percepção e bloqueia a capacidade de querer compreender. Deixar de ser fonte de sofrimento para si mesmo, para as demais pessoas e seres viventes neste universo, talvez seja um dos grandes desafios para o ser humano. Fazer esta mudança interna, sair da ignorância para acessar a luz do discernimento, acredito ser um passo tão grandioso como foi a descoberta do fogo na história da humanidade. Agora será a descoberta do “fogo interno”, da “luz interna”, que ilumina a nossa existência, nossos pensamentos e escolhas, afinal é algo que já está dado, basta apenas querer acessá-lo.

Abraços    ****

Vivi

INTERPRETAR OU REPRESENTAR – ONDE ESTÁ O APRENDIZ ?

Deleuze considera que, “a arte é o destino inconsciente do aprendiz”. Para ele, aprender é experimentar incessantemente, é fugir da representação e o aprendiz é aquele que permanece sempre em processo de aprendizagem. Aprende a pessoa que ao repetir é capaz do maior número de variações. Sujeitar-se à representação é sujeitar-se ao controle, às formas que se cristalizam porque são controladas por uma repetição que exclui a invenção. Interpretar permite variações, inclui a capacidade de modular e portanto, criar, trazer o novo. Neste sentido, aprender é estar atento às variações contínuas ao longo do processo cognitivo, um exercício do pensamento, da reflexão. Considerando que, a cognição comporta o encarnar o conhecimento, o corporificar o conhecimento, aprender é “transpirar”, transpor no gesto. Quando o conhecimento se expressa no somático, a cognição aciona a sua capacidade modulatória de agenciamento do conhecido, do experimentado e vivido, e o transporta nas ações e comportamentos com o meio e no meio ambiente, com toda a sua diversidade, onde se dá a aprendizagem. Aprendiz é aquele que se conecta ao meio, encarnado, vivo e criativo, modificando com o conhecido no devir, e não representando padrões que repetem as formas controladoras e automatizadas, que embotam o aprender, tornando estéreis, a potência do vivo.

Abraços    ****

Vivi

APRENDER A CORPORIFICAR

O sistema cognitivo do ser humano vivo, que se relaciona consigo e com o seu meio, está permanentemente imerso em uma rede neuronal e social, recebendo e processando milhões de informações a partir do funcionamento cerebral. Cérebro, mente, corpo e consciência, atuam integradamente no organismo humano, sempre na relação com o seu meio ambiente, juntamente com as particulares histórias e experiências, que cada pessoa traz consigo e responde ao mundo na sua individualidade. O ser humano vivo está em constante movimento, conectando-se, adaptando-se e agenciando-se conforme as solicitações do meio externo e do meio interno. Necessidades, sentimentos, emoções, motivações, são fatores que impulsionam a pessoa à ação. Neste contexto, aprender é coordenar mente e corpo, onde o organismo entra em sintonia com o meio, é encarnar, corporificar o vivido que se inscreve cognitivamente no corpo, no sistema sensório motor. Aprender é encarnar o conhecimento. Não há separação. Somos um todo integrado e quando podemos transcrever a experiência cognitiva, muscularizando-a, a aprendizagem se processa, sempre no seu devir,onde aquele que aprende se coloca em permanente relação, ou seja reinventando-se. Corporificar a aprendizagem é trazer a consciência, onde a atenção se qualifica numa  presença que participa, age, cria e se reinventa.

Abraços    ****

Vivi

POSSUIR UMA REGRA …

Saber das regras que normatizam as relações, das mais diversas ordens, não tem se mostrado garantia de uma boa conduta. Regras e leis reguladoras de condutas é que não faltam no cardápio relacional. Como filhos da justiça e de heróis, da Grécia ao Direito Romano, as pessoas conhecem as regras, a questão é garantir a respeitabilidade delas para garantir bons relacionamentos. A experiência do conviver evidencia no cotidiano que ainda falta muito, ou seja, que as leis ainda não garantem a preservação das boas condutas. Virgínia Kastrup doutora em psicologia, pesquisadora da cognição e da subjetividade, afirma que “… possuir uma regra não é o mesmo que saber aplicá-la a uma situação”. Toda pessoa humana possui um senso de justiça. Todos nós humanos sabemos quando cometemos um deslize ou infringimos uma regra, mas assim mesmo continuamos a persistir no erro. Então, COMO mudar este padrão de conduta? Este talvez seja um dos grandes desafios da educação contemporânea. Toda aprendizagem requer compatibilidade, coerência, entre o sujeito e o meio em que ele está inserido. Não há separação entre o meio e o organismo. Eles se acoplam na rede neural, no dentro, e na rede social, no fora, onde dentro e fora interagem, estão interconectados por reciprocidade e em contínua mudança estrutural. Regras de conduta, nós humanos já possuímos, o que nos falta é sua aplicabilidade de forma espontânea, por livre escolha pessoal.

Abraços    ****

Vivi

SENSO DE COMUNIDADE

 

Enquanto vivíamos na tribo, em pequenos agrupamentos, ou como caçadores e coletores, o senso de comunidade era marcado tão fortemente, que entendia-se a comunidade como uma extensão do próprio corpo.  Com a hipertrofia demográfica e a expansão das cidades- estado, o sentido de pertencimento a um grupo foi perdendo a sua força, até chegarmos ao êxodo rural e a formação das grandes cidades, desembocando na globalização. Apesar das facilitações científicas, comunicacionais e tecnológicas da globalização, o isolamento foi  permeando o mundo psíquico do indivíduo, que passa a não se sentir mais pertencente à comunidade onde habita. Ele perde o sentido de cidadania. A falta do sentido comunitário traz o afastamento, a reclusão em pequenos grupos familiares. Na medida em que a instituição família também vai perdendo força, pois mudam as linguagens e configurações, o senso de pertencimento comunitário se dissolve e com ele as relações conectivas geradoras de responsabilidade, respeito, parceria, compromisso e cooperação. Estes valores fundamentais para a sustentabilidade social, caem na vala do desencanto, gerando frustrações e  isolamento ainda maiores. Neste cenário emerge o “cada um por si mesmo” e as pessoas desorientadas, confusas, inseguras sentem-se vulneráveis à procura de vínculos e referência. Este caldo favorece a nutrição dos fundamentalismos, do capitalismos de mercado, das ideologias do controle, da competição predatória, egoísmos, todos travestidos em roupagens as mais variadas e por fim proliferando as mais diversas expressões da violência. Resgatar o senso de comunidade, talvez seja hoje mais que um dever mas, uma necessidade básica. È necessário portanto, resgatar o senso de pertencimento e com ele valores que sejam verdadeiros nutrientes de sustentabilidade de uma rede de convivência, onde o respeito mútuo, a co-responsabilidade, a cooperação, a inclusão, possam operar na restauração e reconciliação da humanidade comum, de cada pessoa humana, com desdobramentos favoráveis à sustentação e preservação da vida. Depositar todos os nossos esforços para construir um sentido de comunidade em todos os espaços sociais, seja na educação, na saúde, na justiça, no meio ambiente, na segurança, nos meios de comunicação, nas redes sociais, nos diversos âmbitos da expressão e do convívio humano, acredito ser um dos grandes desafios para esta geração e para as próximas.

Abraços    ****

Vivi

CONFIANÇA E SENSO DE COMUNIDADE

Alguns pesquisadores afirmam que, o amadurecimento da civilização planetária segue por etapas de desenvolvimento ao longo da história. O processo de aquisição da capacidade de consciência auto-referencial, implica na passagem pelas vias da reconciliação, que venha consolidar a confiança e o senso de comunidade humana, necessários para a criação de um futuro de desenvolvimento que seja mutuamente referendado. A maturidade da civilização planetária para seguir na direção da auto-reflexão e auto-organização, requer a edificação de espaços culturais integrados e geradores de confiança mútua, com um sentido comunitário, que permeie as escolhas que cada pessoa e comunidade humana façam ao longo da trajetória evolutiva. Embora que o universo não forneça um “manual de instruções”, o tecido formado pela rede conectiva viva, traz em si os dispositivos evolucionários, onde cada etapa evolutiva tem o potencial de alavancar a próxima. A questão hoje, deste humano que sabe que sabe, permanece no âmbito das escolhas feitas e das escolhas que fará ao longo de sua história. Portanto, caímos mais uma vez na responsabilização em todos os seus sentidos e direções.

Abraços    ****

Vivi

SEMINÁRIO

ATENÇÃO e CONCENTRAÇÃO NAS PRÁTICAS MEDITATIVAS
MÓDULO I

22 e 23 março
Inscrições: (18) 3622-7053

Atenção e concentração são faculdades que quando treinadas se fortalecem e expandem, qualificando nosso modo de ser e estar no mundo, favorecendo um estado qualificado de presença.

A meditação é o fruto da atenção e da concentração, da capacidade de manter um foco. É um instrumento que viabiliza a plena realização do potencial humano.

A prática meditativa atenua as emoções destrutivas, intensifica as emoções saudáveis, educando a mente para aprender a lidar com o estresse, sendo fonte restauradora do equilíbrio psico-fisiológico.

Praticada com regularidade, a meditação permite um viver com mais dignidade, oferecendo meios competentes para atuar no cotidiano.

Neste seminário teórico-vivencial, serão abordadas técnicas das tradições Yoga, Vedanta Advaita, Budista Mahayana e Cristã. Cada uma a seu modo aponta em direção à experiência do Sagrado, que não é patrimônio de nenhuma religião embora transite por todas.

Vivi Tuppy – Psicopedagoga, Bioterapeuta, Professora de Ética e Práticas Meditativas com formação pela Associação Palas Athena/SP, coordena grupos de meditantes; Gestora dos Programas Educadores da Paz e Gestores da Paz junto à Diretoria Estadual de Ensino de Araçatuba/SP, atuando com as Práticas Atencionais do Centramento e Coordenadora do Comitê da Alta Noroeste Paulista para a Cultura de Paz em Araçatuba/SP.

DIAS: 22 e 23 março 2013

LOCAL: Rua Graça Aranha – 1177

Araçatuba/SP

Inscrições: (18) 3622-7053

[email protected]

Na sexta-feira o Seminário acontece das 19h às 22h.

No sábado das 9h às 17h30′ (com intervalo para o almoço).

O investimento é de R$ 290,00 (pode ser dividido em 3x no cheque).

Como as vagas são limitadas, peço a gentileza de reservar a vaga.

APENAS EXISTIR NÃO BASTA

Garantir a sobrevivência da nossa espécie já tem sido um grande passo evolutivo. Além de sobreviver é preciso preservar e garantir uma estabilidade duradoura, prosseguindo no processo da evolução em direção à consciência da consciência. Lembrando Simone de Beauvoir “A vida consiste ao mesmo tempo em perpetuar-se e em ultrapassar-se; se não fizer nada além de se manter, viver nada mais será que não morrer.” O ser humano considerado com HOMO SAPIENS SAPIENS, é tido como duplamente sábio ou duplamente conhecedor, afinal é um ser que sabe que sabe. Portanto, nossa consciência e potencial reflexivo, nos permitem olhar para trás e refletir sobre si mesmo. É a reflexão que pode ampliar o olhar do ser humano para além da sua sobrevivência, refinando sua capacidade para viver junto, com todas as outras espécies na biosfera. Porém, este humano que sabe que sabe, ainda não conquistou dispositivos que o façam conviver para co-evoluir. Conviver é mais que viver ou sobreviver, é adaptar-se, gerenciar-se, é encarnar-se cognitivamente, por ações conscientes que possam emergir de dentro para fora no meio ambiente. A capacidade reflexiva e inventiva do humano, está diretamente relacionada à sua capacidade de acoplamento com o meio interno somático e o meio externo dos ambientes onde vive e convive É no acoplamento entre as redes neurais,  redes sociais e ambientais, o campo vivo onde vive e convive todos os humanos que que  o humano pode saber-se, ou saber que saber.

Abraços   ****

Vivi

PEQUENAS COISAS – GRANDES DIFERENÇAS

Existe uma falsa impressão quando se diz que as grandes obras são as que fazem ou farão as grandes mudanças. Se acreditarmos nesta afirmação, teremos motivo suficiente para justificar a preguiça, o apoltronamento, o comodismo, a irresponsabilidade, o suposto conforto da zona de conforto, onde muitas pessoas se colocam simplesmente para não se assumirem na vida. A negligência de si acarreta a negligência do mundo. São faces de uma mesma moeda. Enquanto acreditarmos que as mudanças acontecerão de cima para baixo numa relação hierárquica e controladora, estaremos cada vez mais afastados das possibilidades de transformação de um mundo insustentável para um mundo sustentável, ecologicamente, psíquica e relacionalmente. São e serão as pequenas coisas que muitas pessoas fazem, é que fazem e farão a diferença. Ao nutrir uma ecologia pessoal estaremos alimentando e consolidando uma ecologia social, é do indivíduo para o coletivo, num processo sincronizado de retroalimentação. Portanto, fica a sugestão: comece a onde você está; use o que você tem, o seu melhor e faça o que você pode fazer, dentro do seu possível. Aí está o segredo que faz toda a diferença.

Abraços    ****

Vivi