O VIVO COMO AGENTE PARTICIPATIVO

 

Entender a cognição como ação é considerar igualmente o conhecimento como ação efetiva, onde o ser vivo age no processo cognitivo e no ambiente. Dito de outra forma, o SER e o FAZER constituem uma unidade autopoiética e portanto, são inseparáveis e nesta relação acontece o CONHECER. Então, é possível considerar a fórmula – SER = FAZER = CONHECER. É no exercício prático da cognição, onde se evidencia a participação do vivo como um agente que está imerso nas situações. O processo cognitivo acontece dentro das interações, nos acoplamentos  do organismo. O pesquisador Francisco Varela concluiu que “o domínio de interações de um sistema autopoiético é seu domínio cognitivo”. Não há separação entre o ser vivo e suas relações com o meio, existe sim  interações. Quando o ser experimenta, encarna, processa, age, ele aprende, porque inter-age. O ambiente o afeta e ele afeta o ambiente na ação. Aqui emerge o conhecimento criativo pela permeabilidade informacional e pela imprevisibilidade que acontece no fazer. Aprender está na relação processual  entre ser, fazer e conhecer, que são inseparáveis.   Sem participação não há criação e o conhecimento fica estéril.

Abraços    ****

Vivi

DESCOBERTA DO SER QUE SOU …

 

A procura de quem sou e a descoberta do meu ser faz parte da longa trajetória do autorreconhecimento. Aproximar-se de si mesmo, da intimidade pessoal, é algo que não tem sido oportunizado pela cultura ao longo dos tempos. Algumas tradições espirituais tangenciam por estas dimensões do humano, porém, com insipientes dispositivos “metodológicos”, com linguagens às vezes um pouco estranhas sobretudo para nós ocidentais e contemporâneos. Fato é que, não temos aprendido a percorrer os espaços da nossa verdadeira natureza, o nosso íntimo ainda nos causa estranhamento. Como humanidade, temos tido experiências de representação, mas, quase nada de aproximação encarnada de quem realmente “EU SOU”. A inteligência, o domínio cognitivo, permite ao ser humano fazer escolhas em liberdade. Poder escolher ser real consigo mesmo ou irreal, representar para si e para o mundo algo distante da verdadeira natureza da pessoa humana que sou. A instância da liberdade oferece ao humano a opção de ser verdadeiro ou falso consigo e com o mundo. Um olhar mais abrangente permite ver que toda causa tem seus efeitos, toda escolha gera consequências. Se mentimos para nós mesmos, para os outros e para o mundo, não podemos esperar encontrar a verdade e a realidade que desejamos. Ação e reação caminham juntas.  “Se escolhemos o caminho da falsidade, não nos surpreendamos se a verdade nos escapa quando, finalmente, dela precisamos!”. Este é um precioso ensinamento de Thomas Merton, afinal colhemos apenas aquilo que plantamos.

Abraços   ****

Vivi

ONDE ESTÁ A SEPARAÇÃO?

A separação, ou seja, a forma de pensar e agir como se tudo estivesse separado de tudo está única e exclusivamente em nossa cabeça, nos padrões mentais que alimentamos. Os padrões mentais são formas somáticas e de pensamento, selecionadas ao longo de nossa vida, em função das nossas histórias e dos ambientes onde nascemos e crescemos, que evidenciam recorrentemente, um certo jeito de proceder na vida. Conduzir a vida pessoal tendo como marca a prepotência, com atitudes mentais arrogantes e convenientes, que atendem apenas aos interesses pessoais de acordo com os favoritismos momentâneos, desconsiderando o outro e o meio, além de gerar insatisfação permanente, a sensação que advém é de total separação ou fragmentação. São ilusões e fantasias causadoras de sofrimento, que alimentam o círculo da violência. Pura ignorância! Afinal o VIVO é VIVO porque é interdependente, multidimensional e prossegue no seu viver porque existe na rede organizacional autopoiética, uma rede em constante processamento, entrelaçada e conectiva. Seja no nível celular, molecular, metacelular, dos tecidos, órgãos e organismo, seja no nível social, cada indivíduo é capaz de afetar e ser afetado por qualquer ponto da rede da qual faz parte e é parte integrante. Exatamente por não estarmos separados de nada mas, dependentes e interdependentes de tudo quanto existe, é que somos responsáveis na rede do vivo. São sistemas dentro de sistemas que coexistem, se integram e se articulam permanentemente. Portanto, nada é separado, é o olhar medíocre e infantilizado que insiste em não assumir compromisso e responsabilidade nesta rede interconectiva viva do vivo.

Abraços    ****

Vivi

O VIVO NA REDE

Quando o assunto é o ser vivo, evolução na interface com a biologia e suas relações com o meio, não há como negligenciar o referencial de dois biólogos extremamente conceituados, Humberto Matura e Francisco Varela. Através dos conceitos de organização autopoiética, que define todo e qualquer ser vivo sob a forma de uma rede de relações, estes pesquisadores definiram o sistema vivo “por sua organização e, logo, pode-se explica-lo como se explica qualquer organização, quer dizer, em termos de relações e não a partir das propriedades de seus componentes”. Como uma rede e suas relações, a organização possui uma geometria que é variável e ao mesmo tempo flexível, em constante construção de si mesma. É pela conectividade que a rede faz-se e refaz-se,nas conexões que cada “nó” estabelece com o seu vizinho na rede. Todos os nós ou pontos que compõe a rede, formando o seu tecido conectivo, pode funcionar como centros temporários e sujeitos a deslocamentos, ou seja, uma rede não possui um centralizador e sua estrutura é multidimensional. A rede define-se durante o seu funcionamento, configurando posições que não são configuráveis previamente, portanto não é linear. As conexões ao longo do funcionamento da rede se propagam por suas vizinhanças, em diversas direções de maneira às vezes divergente e/ou bifurcante. Toda rede está em constante mudança, é acentrada, suas conexões são irredutíveis a posições prévias e funciona na multidimensionalidade. Portanto, uma rede é diferente de uma estrutura formal, abstrata e separada de um devir. Uma organização autopoiética é uma autoprodução do vivo, que guarda a integridade do sistema vivo, caso contrário não será uma rede conectiva do vivo. Trazendo estas reflexões para as relações de convivência e pensando organização como um sistema vivo, se os protagonistas que compõe uma rede, um grupo, abdicarem dos “componentes orgânicos do vivo”, a rede estará fadada ao fracasso. Será que já sabemos compartilhar poder? Entendemos poder como potência a ser compartilhada entre os iguais? Sabemos dialogar, ouvir, incluir o diferente? Sabemos conviver num processo de hierarquia de realização ao invés de uma hierarquia verticalizante, onde o poder é exercido de cima para baixo? Somos equitativos e equânimes? Conseguimos aceitar e reconhecer as mudanças? Reconhecemos os conflitos como problematizações para soluções? Uma rede organizacional é viva quando funciona como um sistema, cuja base é a processualidade bifurcante  e criadora.

Abraços     ****

Vivi

DA ESCRAVIDÃO PARA A LIBERDADE

“Cada momento e cada acontecimento na vida do homem aqui na terra plantam em sua alma uma semente. Pois, assim como o vento leva milhares de sementes aladas, assim também cada instante traz consigo germes de vitalidade espiritual que vêm pousar imperceptivelmente no espírito e na vontade dos homens. A maior parte dessas inumeráveis sementes perecem e ficam perdidas, porque não estão os homens preparados para recebê-las. Pois sementes como essas não podem germinar a não ser na boa terra da liberdade, da espontaneidade, do amor”.Thomas Merton

Para recebermos as sementes da liberdade é necessário primeiro sair das grades da escravidão dos nossos apegos. As vontades egoístas aprisionam a nossa mente e o nosso coração. Quanto mais apegados à prisão da prepotência menos liberdade interior. Acreditando na ilusão das “verdades” criadas pelos nossos padrões mentais, impossibilitamos a consciência de abrir as portas da liberdade criativa, que ampliam a percepção e nos permite receber o doce  frescor dos novos ares. Deixar a tirania de um ego egoísta é mais que um ato de coragem, é uma atitude de dignidade e humildade. Thomas Merton, escritor e místico, nos deixou um legado precioso em toda a sua obra, ressaltando o caráter sagrado da vida e da existência humana, sendo a consciência desperta a via que nos possibilita fazer contato com o transcendente e infinitamente abundante, que jorra da nossa Fonte Primordial.

Abraços    ****

Vivi

 

 

Meditação – O Silêncio Atencioso

A Meditação tem contribuído para a compreensão e transformação da mente humana, redescobrindo o nosso potencial para a generosidade e a natureza da genuína felicidade.

Integrando as tradições do Oriente e do Ocidente, as pesquisas realizadas pela neurociência evidenciam a cada dia a importância da prática meditativa, na sustentação de um foco atencional, como portadora de benefícios para a saúde física, mental, relacional e espiritual.

Contemplativos e pesquisadores, nas últimas décadas, tem se unido num diálogo permanente, enfatizando a importância das práticas meditativas para a vida pessoal e espiritual.

O silêncio atencioso é a disponibilidade de um espaço interior alimentado pelo compromisso ético, através de uma consciência presente em todas as suas escolhas.

A humanidade tem vivido tempos de desafios, mas este é o tempo oportuno para a sua evolução espiritual no cultivo silencioso da sabedoria e do discernimento, como nutrientes da verdadeira natureza humana e a sua relação com o mundo.

MEDITAÇÃO – UMA BÚSSOLA INTERNA

 

Há quem diga que a maior miséria do mundo contemporâneo não está exatamente na falta de alimentos, mas na escassez de discernimento. A nossa grande miséria se encontra na ignorância, na incapacidade de perceber que distorcemos a realidade e nos negamos à compreensão. Sob o efeito do estresse e sem competência para reconhecer os fatores estressores em nossa vida, nos deixamos levar pela ansiedade e frustração  perdendo a liberdade de agir de acordo com nossas verdadeiras aspirações. A meditação na plena atenção pode ser considerada uma bússola interna, uma bússola moral, pois ela tem a qualidade, através da prática disciplinada, de preservar a sensibilidade humana para manter um modo de agir e pensar sustentados pelos princípios éticos universais, no reconhecimento da preciosidade da vida. A prática da atenção focada permite mais discernimento, percebendo quando a mente se distrai e perde a sua vivacidade. Na meditação o praticante aprende a manter a equanimidade mental, cultivando e se familiarizando com as experiências interiores que lhe permitem um melhor ajuste conectivo com as experiências exteriores. A mente pode ser educada e transformada, basta que a pessoa queira ser mais humana e compassiva, mais feliz, alegre e satisfeita em sua vida.

Abraços    ****

Vivi

MEDITAÇÃO – NUTRIENTE POSITIVO

A prática da meditação na plena atenção, é um meio para desenvolver as  qualidades positivas da mente. A verdadeira natureza humana é pacífica, ninguém quer agredir ou ser agredido. A violência como a hostilidade, são expressões de sofrimento do ser humano, quando suas reais necessidades não são atendidas. Toda pessoa quer ser acolhida e reconhecida na sua humanidade, se sentir pertencente à humanidade da qual é parte integrante. O acolhimento é um alimento necessário à vida humana. A natureza do ser humano está voltada para a sua compaixão, afeição e criatividade. Somos seres do cuidado como uma marca biológica. Aprendemos ao nascer que necessitamos do cuidado e reproduzimos esta qualidade na vida adulta. Quando o humano tem a oportunidade de olhar para o seu interior, ele se reconhece como um ser amoroso. Se o olhar estiver permanentemente voltado para o exterior, ele não consegue enxergar as suas verdadeiras qualidades. A prática meditativa é um meio de fazer aflorar as qualidades positivas intrínsecas do humano. Quanto mais o praticante se disponibilizar na disciplina da prática, mais ele estará em contato com a sua verdadeira natureza que é cálida, amorosa, gentil e criativa. S.S. Dalai Lama, prefaciando um dos livros de Laurence Freeman afirma que: “Concentrar-se menos na construção de grandes templos religiosos externamente em favor da construção de templos à bondade dentro de nós mesmos é a verdadeira intenção da prática espiritual, ou seja, ajudar os indivíduos a passarem por transformações interiores. Se meditarmos, a mente indisciplinada e dispersa poderá tornar-se disciplinada, concentrada, madura e esclarecida”. Voltar-se com regularidade e simplicidade para a interioridade pessoal é nutrir o melhor e o maior que existe naturalmente em cada um de nós. Os momentos de pausa silenciosa são verdadeiras preciosidades para quem se ama e quer compartilhar o seu amor generoso com todos os seres à sua volta. Ninguém é feliz sozinho. A felicidade é um estado que é vivido junto. A meditação como prática permanente, possibilita a pessoa se conectar com a sua alegria genuína estendendo-a a todos os seres à sua volta.

Abraços    ****

Vivi

SENTIR OU SABER ….

O saber, o conhecer, o reconhecer, o conceituar, são aspectos da capacidade intelectiva do ser humano, que muito tem contribuído para os avanços do conhecimento. Contudo, o humano possui outras qualidades fundamentais que o fazem humano, como a sua capacidade de sentir e expressar a sua sensibilidade diante da sua própria vida. Aqui se encontra um aspecto fundamental do humano: a sua espiritualidade, a sua capacidade de olhar para dentro do seu interior e se reconhecer na sua humanidade conectada e co-existente com toda a humanidade. Trazendo como referência o escritor Leonardo Boff, “a espiritualidade é aquela dimensão humana que responde pelas grandes e derradeiras questões que sempre acompanham nossas indagações: De onde viemos? Para onde vamos? Qual o sentido do universo? O que podemos esperar para além desta vida”. Estas são indagações que só estando presente em si mesmo, perpassando pelas diversas fases e etapas do viver pessoal, que o humano vai encontrando na sua busca interna, absolutamente individual, mas, ao mesmo tempo inserido nas contingências do mundo, as respostas que podem ir sendo processadas ao longo das experiências vividas. Além do saber está o sentir, a capacidade de autorreconhecimento em si mesmo e no mundo. A capacidade de se encantar e não conseguir nomear, se espantar e não conseguir fugir do seu espanto, a capacidade de se ver diante dos mistérios e ser incapaz de narra-los, mas nem por isso incapaz de viver, experimentar, sentir. São as experiências reveladoras da “alma” humana.

Abraços    ****

Vivi

EDUCAÇÃO HUMANIZANTE

 

Parece mais um paradoxo, pois não consigo entender a educação desvinculada da humanização. Educar implica humanizar. Dito de outra forma, a educação deveria ser a expressão da humanidade do humano, em todos os níveis, seja ela formal ou informal. A Educação Humanizante, tem aparecido como uma necessidade social frente à desumanização do ser humano, que tem gerado como resposta a violência. Onde tudo é lucro, é resultado imediato, onde as nossas escolas mais se parecem com galpões de depósito de pessoas, com salas de aula numerosas, sem espaços livres para a circulação de pessoas e de ideias, onde os programas são formatados de fora para dentro, onde todos são cobrados e medidos por resultados numéricos, algo parece estar sem encaixe! Se a educação tem transformado pessoas em objetos, exigindo respostas contabilizadas numericamente e o controle é absoluto, as respostas só podem ser desumanizantes, desagregadoras e hostis. Reverter este cenário, talvez seja mais que necessário, seja urgente. Ocorre que, não é possível gerar mudanças no instantâneo, embora que até o desejássemos. Então, para se oferecer uma educação humanizante e humanizadora, será preciso primeiro formar gestores humanizados. Aqui, o tempo é crucial. Durante os últimos 50 anos a tendência metodológica foi colocar o cognitivo acima do temporal, desconsiderando o fator tempo e a inventividade, as estruturas acima da potencialidade. Construir processos pedagógicos  humanizadores , gerar ambientes horizontalizantes, confiáveis e inclusivos, para restaurar a humanidade da educação e na educação, é mais que um desafio, é questão de honra. Honrar a criança, o  adolescente, o jovem, na sua plena humanidade, é honrar e hospedar com gentileza a vida.

Abraços    ****

Vivi