ROTA PARA A LIBERDADE

A busca pelas experiências prazerosas, que trazem felicidade e o distanciamento de tudo que conduz ao sofrimento e à infelicidade, é quase uma trajetória natural da pessoa humana. Contudo, não é incomum encontrarmos pessoas queixosas, tristes e sofridas. O discernimento nos permite claramente entender que, o sofrimento humano possui três causas bem evidentes: doenças, calamidades naturais ou guerras. O tal sofrimento mencionado por tantas pessoas, se olharmos com mais clareza, assim como a própria alegria, não possui uma causa específica, são apenas sentimentos que dependem dos nossos pensamentos e do estado mental que certos pensamentos geram. Alegrias como tristezas não existem por si mesmas, apenas em relação ao modo, ao COMO as encaramos. Quando nos identificamos com o sofrimento como sendo MEU, ele é experimentado como tal. A existência do sofrimento depende do rótulo, da designação que o sujeito constrói para si mesmo e projeta sobre a experiência vivida. Compreender que, é a partir dos pensamentos, identificações, rotulações, que a pessoa cria as situações como sendo sofridas, e passa a experimentar sentimentos e emoções referente ao sofrimento. Deixar de ser vítima dos sentimentos e emoções criados pela inconstância dos pensamentos de uma mente que não se percebe como fluxo e adotar novas atitudes, nova postura interior geradora de bom-senso, talvez seja, um caminho para a liberdade. Porém, depende absolutamente de uma decisão pessoal, de uma pessoa determinada a investir na sua libertação.  A neurociência vem comprovando com sucesso a existência da “rota para a liberdade” através das práticas atencionais de  treinamento mental.

Abraços    ****

Vivi

SEMINÁRIO

ATENÇÃO e CONCENTRAÇÃO NAS PRÁTICAS MEDITATIVAS

MÓDULO I

22 e 23 março 2013
Inscrições: (18) 3622-7053

Atenção e concentração são faculdades que quando treinadas se fortalecem e expandem, qualificando nosso modo de ser e estar no mundo, favorecendo um estado qualificado de presença.

 A meditação é o fruto da atenção e da concentração, da capacidade de manter um foco. É um instrumento que viabiliza a plena realização do potencial humano.

 A prática meditativa atenua as emoções destrutivas, intensifica as emoções saudáveis, educando a mente para aprender a lidar com o estresse, sendo fonte restauradora do equilíbrio psico-fisiológico.

 Praticada com regularidade, a meditação permite um viver com mais dignidade, oferecendo meios competentes para atuar no cotidiano.

 Neste seminário teórico-vivencial, serão abordadas técnicas das tradições Yoga, Vedanta Advaita, Budista Mahayana e Cristã. Cada uma a seu modo aponta em direção à experiência do Sagrado, que não é patrimônio de nenhuma religião embora transite por todas.

Vivi Tuppy – Psicopedagoga, Bioterapeuta, Professora de Ética e Práticas Meditativas com formação pela Associação Palas Athena/SP, coordena grupos de meditantes; Gestora dos Programas Educadores da Paz e Gestores da Paz junto à Diretoria Estadual de Ensino de Araçatuba/SP, atuando com as Práticas Atencionais do Centramento e Coordenadora do Comitê da Alta Noroeste Paulista para a Cultura de Paz em Araçatuba/SP.

DIAS: 22 e 23 março 2013

LOCAL: Rua Graça Aranha – 1177

Araçatuba/SP

Inscrições: (18) 3622-7053 

 [email protected]

“ O INFERNO É O OUTRO ”

A frase cunhada pelo escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre,“O inferno é o outro”, parece ainda presente nas pessoas que afirmam que a culpa pelos desconfortos e misérias morais está sempre no outro. Quando a realidade de si fica eclipsada, a tendência é se omitir de qualquer responsabilidade transferindo ao mundo e ao outro, de preferência, a culpabilidade de todas as hostilidades do viver. Se cada cidadão assumisse o compromisso e a responsabilidade por suas ações, decisões e escolhas no cotidiano, na vida afetiva, familiar, profissional, comunitária, relacional, ambiental, espiritual, talvez fosse possível pensar numa civilização sem o mal-estar, e aí sim, teríamos o melhor dos mundos. Exercer um olhar que possa ver e enxergar a si mesmo, com uma escuta ativa, diante do mundo a sua volta, é fruto de uma postura interna que se compromete a ser mais compassivo, responsável, alegre, solidário, gentil, consigo e com todos os outros, no reconhecimento corajoso de ser parte integrada de um todo maior.

Abraços   ****

Vivi

A NATUREZA DA MENTE

No mundo contemporâneo o “conhecimento como capital” tem sido explorado nas mídias, nas corporações, universidades, instituições as mais diversas. Sendo o humano  um ser inteligente e portanto, de inteligência, tem aprendido a usar sua racionalidade explicativa, lógica e dedutiva para acumular  informações, que nem sempre se traduzem de forma salutar em sua existência. Contudo, o que vem a ser a inteligência humana? Estaria ela associada à mente? E a consciência, onde fica?  A Biologia, a Psicologia, a Neurociência, a Filosofia, a Metafísica, as Tradições Religiosas, ao longo da história vem apresentando explicações para esta qualidade que nos diferencia de outras espécies vivas. Cérebro, consciência, mente,  são aspectos do ser humano que os pesquisadores tem se empenhado para conhecer o funcionamento e suas possibilidades, mas ainda há muito por avançar. Afinal, o que é a natureza desta mente pensante? William James defendia a psicologia como uma ciência natural e propôs a introspecção como um meio para investigar a mente, sua natureza e funcionalidade. James entendia a introspecção como a observação direta dos fenômenos mentais e aqui os pesquisadores da atualidade, se deparam com um grande desafio: como observar diretamente a natureza da mente humana. Quem sabe, na medida em que a neurociência se abre para conhecer o mundo da mente e da consciência nos seres humanos e no curso da evolução, metodologias possam surgir advindas das Práticas Meditativas da Plena Atenção, que algumas tradições possuem larga experiência, que merecem ser conhecidas e investigadas.

Abraços    ****

Vivi

SENTIDO DE COMUNIDADE

 

A Biologia como a Neurociência, evidenciam em suas pesquisas, que a vida só pode existir pelas relações. O vivo faz parte da grande teia de relações. Não existe vida sem relações. Não há vida no isolamento. Embora que estas evidências sejam comprovadas, ainda existimos na ruptura.

As mídias televisivas ou das redes tecnológicas insistem nos mecanismos de  ruptura geradores de medo, ressentimentos, raiva, retaliação, em busca constante de uma competição predatória de forma escrupulosa, em busca de poderes. Neste caldo cultural não espaço para se construir pedagogicamente um sentido de comunidade, muito pelo contrário, o que se tem feito é o isolamento pelo pavor das relações. Sem comunidade, sem a teia, o humano não tem espaço físico nem psicológico, para se fazer um ser de relações e portanto solidário, cooperativo e responsável.

Entendo que, a solidariedade e a cooperação fazem parte existencial do humano e não uma excepcionalidade, como as mídias que servem ao capital, insistem em convencer, talvez para controlar. A Psicologia do Afeto advoga a importância decisiva da nutrição vincular, através da amorosidade, cordialidade, gentileza, que alimentará a cooperação e a solidariedade. É a espontaneidade do afeto sincero que faz nascer o espírito da compaixão como o elo de ligação para o sentimento de pertencimento e gratidão pela comunidade.

Abraços    ****

Vivi

 

SER HUMANO – UM SER INACABADO

Do ponto de vista biológico o ser humano continua seguindo sua trajetória evolutiva, construindo seus corpos na relação com seus ambientes. Com a eretibilidade, as mãos manipuladoras, a cognição pensante, questionadora e criativa, o humano vai ampliando suas possibilidades relacionais, interferindo na natureza e diversificando sua forma de ser e estar neste mundo. Passando de geração para geração seus conhecimentos, cultura, narrativas, o humano segue o seu processo de aprimoramento como uma espécie inteligente. Embora que, ao longo da sua história neste planeta já tenha realizado grandes conquistas ainda permanece um ser inacabado dentro da sua incompletude, afinal ainda há muito por fazer. Quando a questão é convivência na diversidade, a impressão que se tem é que ainda estamos nos primeiros passos como espécie, pois ainda há muito que aprender e incorporar. A convivência entre os iguais, ou seja, humano com humano, e humanos entre iguais habitando o mesmo espaço planetário com todas as demais espécies vivas, parece que este ser ainda está engatinhando. Muscularizar direitos e deveres, incorpora-los, para uma vida relacional que possa garantir o prosseguimento salutar do vivo, tem sido um desafio evidente. Na atual etapa da humanidade, dentro do seu processo de humanização, sustentar valores como respeito e segurança para garantir a sua dignidade, é necessário a realização de ações conjuntas, parceiras e cooperativas. Afinal, num mundo capitalista, que separa e isola, se as coisas tem preço, as pessoas tem dignidade, então como valorizar o humano e a natureza  sem deixar que o “dinheiro” e o lucro a qualquer preço estejam acima da vida? Ao colocar o lucro acima da vida, fica evidente que o ser humano não chegou à sua completude. Entendendo aqui completude, como o absoluto compromisso com a vida neste planeta, a consciência humana e a consciência cósmica.  Será que chegará?

Abraços    ****

Vivi

O GESTO VIVO

 

O ser humano ao longo do seu processo evolutivo, foi selecionando possibilidades de movimentos articulados, acionando na funcionalidade dinâmica, seu sistema musculoesquelético para esculpir seus corpos, em consonância com a inteligência do vivo. No ritmo inteligente da vida, através dos pulsos, das trocas, conexões, permeabilidades, os corpos foram se construindo junto com os ambientes. Neste intenso processo de construção de si, comunicando e inter-relacionando-se com os ambientes, as inúmeras formas de expressão foram se consolidando através dos seus gestos. Andar, correr, nadar, saltar, falar, acarinhar,deglutir, são movimentos que ao longo da sua história o humano vem aprimorando, dependendo da qualidade do seu uso. As facilidades da modernidade tecnológica, tem sinalizado a importância da preservação dos movimentos, que tendem a serem reduzidos pela acomodação e dependência ao uso constante dos automóveis com seus dispositivos automáticos, controles remotos, celulares, poltronas para os corpos se afundarem e se afugentarem de si. A forma como recrutamos os nossos corpos é de fundamental importância para a manutenção da saúde somática e psíquica. Ausentes de si, os corpos e seus gestos perdem potência. Desabitados de nossos corpos, não conseguimos reconhecer nossos gestos somáticos e psíquicos. Seguindo a mesma dinâmica com que nos expressamos, construindo nossos gestos através da cadeia muscular, igualmente construímos nossos gestos psíquicos, ou seja, formas de expressão emocional através das narrativas emocionais. Ter a consciência do gesto vivo, que está em contínuo processo de construção, é fundamental para uma vida saudável, sejam eles musculares/articulares, ou psíquicos. Será que reconhecemos nossos gestos? Como eles atuam em nossa vida? Como é a sua dinâmica? Quando e em que situação eles aparecem? É tarefa para quem está disposto a se conhecer somática e existencialmente, como um ser vivo e potente, que habita um organismo vivo que vai muito além de nossos corpos.

Abraços    ****

Vivi

ATENÇÃO, POR FAVOR !!!

A ansiedade é um estado mental que acomete um incontável número de pessoas, causando transtornos ao organismo somático, psíquico e relacional. A “mania” por medicalização leva as pessoas a um consumo desenfreado por drogas, na esperança de controlar a ansiedade e seus males.

A desatenção, dificuldade de sustentar raciocínio e memória, complicações cardíacas e respiratórias, metabólicas, ósseas e articulares e tantas outras afecções, muitas vezes tem a ansiedade incontrolável, como raiz do problema. Uma mente desatenta, não consegue nem perceber que toda a agitação já sinaliza estados ansiosos, inclusive a própria depressão. Sobreviver com saúde em tempos agitados, requer um olhar mais cuidadoso para a qualidade atentiva da mente.

Uma mente que não relaxa, não sabe o que é se acalmar, porque não consegue perceber suas oscilações ao longo do dia, também não consegue ter um sono reparador que revigore o organismo para o novo dia. Quando a atenção é presente, viver tem um outro sabor, o gosto da alegria espontânea. A prática de pôr a mente em seu estado atencioso é a um só tempo fácil e difícil, pois requer primeiro, boa vontade e compromisso com a ética, no sentido de conduzir a vida de uma forma mais organizada, onde também os sentidos possam ser controlados, sem os excessos e ainda, se dispor a aprender a olhar o mundo com gratidão e contentamento.

Atenção também se treina, afinal assim como treinamos o corpo, sua musculatura e capacidade respiratória, também podemos treinar a mente e suas qualidades, dentre elas a capacidade atentiva tão necessária diante das exigências da modernidade, em todos os setores. Dar um pouco de atenção à atenção é tão necessário quanto cuidar da atividade física, alimentação, busca de conhecimento em cursos para ampliar currículos e titulações. Entender que a atenção é uma faculdade da mente, ligada ao sistema cerebral, que se deteriora se não treinada. Neste sentido, o stress é um fator que compromete a capacidade de sustentar atenção, com qualidade. Então, por favor, dê um pouco de atenção à sua atenção! Pratique a atenção !!!

Abraços    ****

Vivi

FERIDAS MENTAIS

 

A tendência a ficar alimentando pensamentos nocivos e impulsos com alto teor de toxidade, prejudiciais à saúde, ou melhor, a tendência à “ruminação”, é uma maneira perversa de fazer as feridas mentais infeccionarem, obstruindo a capacidade natural de cura da mente. Assim como o corpo possui uma notável capacidade de recuperação de suas doenças, a mente igualmente é portadora de um grande potencial de cura. O corpo e a mente estão intimamente conectados. Uma mente agitada e obsessiva por memórias doentias do passado ou especulações futurísticas, que compulsivamente insiste em remexer nas suas dores, é uma mente que mantém aberta e infeccionada as suas feridas, que podem nunca chegar à cicatrização. Por outro lado, uma mente que escolhe cuidadosamente cultivar estados mentais sadios, é uma mente que se assemelha a um guardião de um grande portal, impedindo a entrada de pensamentos doentios. Esta é a mente guardada pela plena atenção, que é a faculdade mental que exerce influência controladora sobre os pensamentos e as intenções. A atenção plena observa a mente com clareza, para poder conhecer e compreender. Assim como um astrônomo que aprende observando com cuidado as estrelas e os planetas, ou um biólogo que aprende observando plantas e animais, nós também podemos aprender muito sobre o funcionamento de nossa mente, apenas observando-a, com boa vontade e amorosa gentileza, através da prática da plena atenção. A plena atenção e a introspecção, permite que a mente naturalmente sane as suas infecções, que possam advir das memórias e histórias pessoais.

Abraços    ****

Vivi

ONDE ESTÁ A FONTE DAS INSATISFAÇÕES PESSOAIS ?

Alan Wallace, em suas pesquisas sobre cognição, consciência e a verdadeira natureza da mente, afirma que “um dos enganos mais persistentes é a convicção de que a fonte de nossa insatisfação se encontra fora de nós mesmos”.  Por inúmeras questões culturais e religiosas, sobretudo os ocidentais entendem que, a fonte de seu sofrimento está no meio externo, sendo as contingências do ambiente  responsável, para não dizer “culpado” de suas angústias, medos, irritações, fracassos, decepções …

Fato é que, não aprendemos em nossa história cultural a reconhecer e nos aproximarmos de nossos corpos. Muitas vezes nos estranhamos somaticamente, mesmo porque não aprendemos a habitar nossos corpos. Quem reconhecia nossos corpos eram nossos pais e profissionais da saúde, o médico. Eles é que sabiam das nossas necessidades físicas e psicológicas.

Do ponto de vista religioso, também não aprendemos a reconhecer nossa vida espiritual, alguém fora de mim é que determinava minha trajetória espiritual, sempre na dependência de um autorizador, que em geral obedecíamos muito mais por temor do que por amor. Neste quadro cultural, não aprendemos a assumir a responsabilidade por nossas escolhas, projetando para algo ou alguém externo a mim, as causas das minhas insatisfações, fruto de uma cultura de subjugação. Ocorre que, como sujeitos de si, somos nós que fazemos nossas escolhas e portanto, somos absolutamente responsáveis por elas e suas consequências.

No plano político, a esquerda diz que a responsabilidade é dos direitistas e vice-versa. No plano religioso nada de diferente, onde cada segmento acusa o outro como responsável e cada um se diz portador “da verdade”. Os ateus acabam atribuindo os males do mundo aos crentes religiosos, e vai por aí a fora… Fato é que, se pudermos nos despir de todas estas vestes que encobrem a realidade, poderemos perceber com clareza que cada ser humano é responsável por suas escolhas. Quem traça as fronteiras entre o que está dentro e o que está fora de mim, sou eu mesmo. Sou eu que escolho as palavras do meu vocabulário e fixo as fronteiras referentes a elas na comunicação. Poder distinguir o que sou eu e o que é a cultura em mim, já é um grande avanço consciencial. Entender que a fonte das minhas insatisfações estão dentro mim, a partir da forma como conduzo o meu viver.

Abraços    ****

Vivi