INFORMAÇÃO E REFLEXÃO : DUAS FACES INSEPARÁVEIS

No mundo da informática, da digitalização, das conexões em redes, das altas tecnologias, da velocidade, da concorrência pela busca da informação mais recente, das linguagens analógicas; a organização do pensamento para escolhas mais respeitosas e responsáveis é de fundamental importância. A sociedade informacional impele os sujeitos a estarem permanentemente conectados. Na velocidade não há tempo para reflexão. O que se deseja é manter a conexão na rede.

As pessoas do contemporâneo se conectam automaticamente, totalmente desprovidas de qualquer atitude reflexiva. Uma coisa é operar os dispositivos tecnológicos dentro das redes informacionais e refletir sobre as informações recebidas, podendo selecioná-las em função dos objetivos e valores pessoais e outra atitude é operar nas redes, sem dar sentido ao fluxo informacional. São modos diferenciados de lidar com a informação.

Fala-se tanto em escola informatizada, inclusão digital, alfabetização informacional, mas ainda são poucas as falas sobre a qualidade das experiências, dos diálogos, da organização do pensamento dentro das redes informacionais e de relacionamentos, considerando que sempre estamos formando um tipo de subjetividade. Estamos criando uma nova modalidade de relação com o próximo e com o mundo, são experiências diferenciadas em relação ao tempo e ao espaço, sobretudo em nossos jovens em formação maturacional.

A informação não pode estar apartada da reflexão, pois é a capacidade reflexiva que permite selecionar os canais e as informações recebidas, escolher e processar para organizar a experiência, lembrando que todo este processo afeta diretamente a subjetividade humana, trazendo consequências futuras. Dispersão, ansiedade, agitação e com elas todo tipo de despotencialização, patologias, transtornos os mais variados, são apenas algumas das consequências mais evidentes na sociedade informacional.  Mais uma vez, toda atenção é pouca!

Abraços    ****

Vivi

SOMOS O FRUTO DA TERRA

Embora que muitas vezes a percepção não seja tão refinada, fato é que, o meio, as formas, as narrativas, as cores, os sons e os tons, os gestos, a temperatura, os ventos e as águas, a terra e as areias, são todos elementos que  permanentemente estão influenciando o nosso viver. A forma como pensamos, agimos ou até não agimos, como fazemos escolhas, como direcionamos a nossa vida, como nos relacionamos com o mundo, com a natureza e as pessoas, revela em grande parte o quanto os ambientes são determinantes em nossa vida, nossa maturidade e crescimento pessoal. Quanto os meios, ambientes, encontros, vínculos e distanciamentos, permeiam a nossa existência e que nem sempre temos  consciência. São fatores que passam despercebidos. Quantas vezes fazemos escolhas ou temos atitudes, que são a expressão do meio a nossa volta e sem nenhuma percepção. No século 5º a.E.C., afirmou o “pai” da medicina, Hipócrates : “ Como regra geral, as constituições e os hábitos das pessoas seguem a natureza da terra onde vivem.” Talvez ele tenha se referido ao espaço territorial, regiões do planeta mais desérticas ou áridas, mais úmidas,  montanhosas, planícies, regiões mais geladas ou tropicais, afirmando com grande sabedoria o quanto o território influencia a cultura e os modos de ser e estar neste planeta.  Apesar dos tantos anos, é uma afirmação que perdura no tempo tal a sua realidade. Um dos fatos de grande evidência no contemporâneo é a obesidade. No México, por exemplo, onde a água de torneira apresenta baixa confiabilidade, associado a um marketing, o consumo de Coca-Cola é o maior do mundo. Nos EUA o carro passou a ser uma sala de jantar, onde muitos americanos fazem as suas refeições. Portanto, estar atento ao meio, territorial e cultural, aos hábitos e ao COMO vivemos e nos relacionamos, é fundamental para adequação e gestão da nossa existência. Se escolhemos ter uma vida saudável, tanto física como psíquica e relacional, nos espaços que  habitamos, conhecer e refletir sobre o grau de influência dos ambientes, sociocultural, territorial, histórico e político em nossa vida, é decisivo.

Abraços    ****

Vivi

TODO SUJEITO TEM ALGO A DIZER

O discurso do autoritarismo insiste em criar dependência do cidadão gerando espaços de não legitimidade. Com o reforço dos canais midiáticos, o modelo autoritário articula seus meios para obstacularizar o processo democrático, convencendo os indivíduos de que os senhores detentores do poder financeiro, são os únicos que tem a competência para indicar os caminhos a serem seguidos.

Se as pessoas se convencerem de sua incapacidade de conhecimento e escolha, associada à falta de oportunidade para refletir, pensar, analisar, ou seja, desprovidos de uma educação para o empoderamento, a força exercida pelo mercado e seus controladores tende ao abuso e injustiça social.

Será mesmo que as pessoas são totalmente desprovidas de conhecimento? Será mesmo que o conhecimento é fruto de alguns redutos intelectualizados, elitistas e portanto, de  uma classe  superior? Ou será que o conhecimento é um patrimônio da humanidade, na contribuição das diversidades culturais, históricas e biológica, ao longo do processo civilizatório? Será mesmo que as pessoas não teriam nada a contribuir, sendo incapazes de sua autonomia? Afinal, o que os discursos autoritários pretendem: liberdade e justiça social ou dependência e subjugamento? Como cidadãos ainda não conseguimos compreender o verdadeiro papel da democracia participativa, porque ainda não compreendemos o verdadeiro papel da política no contexto social. A lógica da separação tem sido impregnada pela mídia conservadora.

Lembrando Marcos Coimbra, “todo autoritário é  antidemocrático”, quer frear a todo custo o processo da parceria, autonomia, empoderamento, da potência que  todo ser humano possui em sua humanidade. Desprezar e menosprezar o outro, impedir sua voz e os canais favoráveis à sua realização é roubar a vida da humanidade, é espoliar a sua dignidade. Por menor que seja a contribuição, todo ser humano tem algo a dizer e a contribuir, pois vida é experiência e criatividade.

Abraços    ****

Vivi

Para Inspirar…

Poema da Curva

“Não é o ângulo reto que me atrai.

Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem.

O que me atrai é a curva livre e sensual.

A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas nuvens do céu, no corpo da mulher amada.

De curvas é feito todo universo. O universo curvo de Einstein.”

OSCAR  NIEMEYER

DO EU EGOCÊNTRICO AO NÓS DA COMUNIDADE

A passagem cultural e atitudinal de um EU egocêntrico para um NÓS da comunidade, tem sido sinalizado por inúmeros pensadores, de Martin Bubber a Edgar Morin. Como toda mudança paradigmática, esta também traz seus desafios. O individualismo que tem imperado como modelo na sociedade capitalista de mercado, evidencia-se hoje fracassado. Os organismos vivos são relacionais e interdependentes, não há separação entre o humano, a natureza e a sociedade. Assumir na práxis cotidiana que toda relação  humana está inserida na relação comunitária, talvez seja o salto que a humanidade precisa alavancar na sua consciência. O ser da comunidade, ainda tem sido um lugar de estranheza em nossas relações. A comunidade precisa ser incluída e considerada nas decisões das pessoas. É a comunidade que viabiliza o trânsito relacional, comunicativo, onde ocorrem os encontros, as trocas de saberes, onde as experiências são vividas, e para que isto se consolide o pronome é o NÓS. O EU é individualista e tende à homogeneização no consequente controle. O EU do isolamento empobrece os organismos. O Nós amplia, potencializa, cria e recria, estabelece elos, ligações e vínculos, legitima e dignifica. Nesta passagem do EU para o NÓS, a educação, a política, a justiça, a rede comunicacional, apresentam-se como determinantes fundamentais. Considerando que a mudança de paradigma começa na subjetividade, a mudança é no olhar, na visão, nas posturas diante da vida, uma mudança somática. Corpos hedônicos capturados pelos modelos de beleza performática do mercado consumista, não conseguem desenvolver uma visão ampliada e reflexiva, são subjetividades aprisionadas, que abdicaram de sua liberdade, deixando-se viver como em “manadas”, no automatismo das modas que servem ao capital financeiro. Portanto, a passagem do EU egocêntrico para um NÓS da comunidade, requer força interna, presença atencional, boa vontade, para compreender que ‘somos o que somos porque todos somos’, ou seja, porque convivemos, coexistimos e que os saberes se fazem nas trocas,onde não há um dono ou detentor isolado, mas se constrói junto, na comunidade.

Abraços   ****

Vivi

ESCUTA ATIVA OU REATIVA – ONDE ESTÁ A PAZ ?

Saber ouvir para poder compreender é fruto de uma educação pessoal. Nem sempre somos capazes de pausar o fluxo dos pensamentos, na disponibilidade de querer ouvir para compreender o que está sendo dito. No geral, as pessoas não sabem ouvir pois não conseguem cessar a ansiedade que fala alto dentro. Esta é uma atitude reativa, pois à medida que o outro fala a pessoa o analisa, concordando ou discordando e interrompe a narrativa, para expressar ou até impor os seus pensamentos. Nesta situação não pode haver diálogo e a comunicação é truncada.

A escuta ativa procede do sujeito autoeducado, mais que polido, pois a sua atenção está focada naquilo que está sendo dito, nas palavras, gestos, tom de voz. Emissor e receptor são os dois componentes essenciais da comunicação, porém para que ela seja eficiente, clara, transparente, é preciso que ambos sejam capazes de saber ouvir de forma ativa e este é o espaço da criatividade, onde o novo, o impensado tem condições de emergir.

A reatividade não estabelece os elos necessários ao vínculo, aqui o sujeito reage e não é capaz de agir. A ação criativa só acontece entre interlocutores que sabem ouvir. Aqui é o espaço da Paz. O diálogo ativo constrói ambiente que viabiliza a conciliação das opiniões divergentes e alavanca a percepção, daquilo que isoladamente não se conseguia perceber. Muitos conflitos relacionais acontecem simplesmente porque as pessoas não são capazes de pausar para ouvir o que o outro tem a dizer. Contudo, é  necessário um passo anterior, que é saber se ouvir. A pessoa que não consegue nem se ouvir, saber de si, não será capaz de ouvir o outro e portanto, compreender qual é o foco da conversa, o que se está querendo dizer.

Quando os interlocutores abrem o espaço criativo no diálogo, são capazes de sustentar um foco e portanto,  agir com criatividade onde o novo emerge com clareza e transparência, fruto da relação. Aqui não há ganhador ou perdedor, ambos são partícipes da comunicação e isto é Paz.

Abraços    ****

Vivi

SILÊNCIO – A VOZ DA PAZ

Todas as tradições proclamam a paz. Algumas oferecem uma paz vinculada à adoração de um ser que está fora do ser humano, outras propõe uma relação onde o divino do externo é o mesmo que o divino que se expressa na interioridade da pessoa. Algumas exaltam uma relação salvacionista, outras estabelecem relações de responsabilidade e compromisso pessoal. Existem aquelas onde o sagrado existente no mundo externo, é o mesmo existente no mundo da intimidade interior de cada ser humano, numa relação de profunda reciprocidade entre vida interior e exterior. Neste contexto, também se evidenciam propostas  de absoluta responsabilização pessoal, desvinculada de qualquer  ser ou imagem protetiva, normativa, na promessa salvadora e redentora. Porém, todas as vertentes magnas, trazem em seu arcabouço a necessidade da paz para uma vida digna, onde o eixo da práxis está na sustentação do silêncio. Silenciar-se para fazer o contato, na religação entre o interno e o externo, seja pela representação iconográfica, imagética ou pelos preceitos estruturais, é a atitude silenciosa que permite o encontro interior. O silêncio tem sido o lugar onde a paz pode se expressar. Ambientes silenciosos favorecem estados mentais mais pacificadores, e o seu oposto também tem se mostrado verdadeiro, ou seja, ambientes agitados incitam à dispersão, à ansiedade, impulsividade, reatividade e, portanto, um distanciamento da paz. Há uma frase popular que afirma com grande sabedoria: “ A Paz que você procura está no silêncio que você não faz.”

Abraços    ****

Vivi

CONECTAR E RECONHECER PARA TRANSFORMAR

O corpo é a principal marca identitária do ser humano.  O reconhecimento do corpo é fruto de uma disposição volitiva de estabelecer conexão somática, através dos canais senso perceptivos , onde a atenção refinada tem sua presença permanente e autodeliberada. Conhecer-se é uma experiência de liberdade. A fuga do processo de homogeneização das aparências e do totalitarismo fotogênico, presente no mercado capitalista que estabelece pelos modismos, os modelos idealizados da indústria dos cosméticos, botox, lipos e plásticas infindáveis, tornando corpo-matéria, demanda consciência reflexiva com firmeza de caráter. Sair da armadilha que captura os corpos e suas subjetividades, moldando-os a serviço do consumo abusivo, não tem se mostrado uma tarefa nem fácil nem simplista. Para transformar é preciso querer educar, não moldar ou modelar. A capacidade de qualificar a funcionalidade dos movimentos, gestos, expressões faciais, locomoção, enfim toda a grandiosidade de movimentos articulados que o corpo humano é capaz de realizar, em consonância com suas emoções, sentimentos, pensamentos, com o ser pessoal e absolutamente único que é cada ser humano na sua existência, oferece a possibilidade transformativa. Sem agressões à forma, mas pelo exercício de reconhecimento amoroso de si, em delicada sintonia conectiva, na proximidade com o ser que se é, no tempo e espaço pessoal, tem se mostrado a chave para a mudança. Primeiro conectar, para depois reconhecer e poder então transformar. Toda mudança não se faz isolada: corpo e subjetividade, forma e movimento, história e ambientes, encontros e vínculos, são todos elementos interligados que acionados adequadamente evidenciam o potencial transformativo que todo humano vivo possui. A questão é saber acionar e como acionar a chave para abrir os espaços. É querer ser pleno de sua vitalidade, é ter a humilde coragem de entregar-se a si próprio e ao mesmo tempo à inteligência  viva da vida. É acreditar em si e na vida.

Abraços   ****

Vivi

A EXPERIÊNCIA DO ESPAÇO SOMÁTICO

 

A beleza arquitetônica, estrutural e funcional do corpo humano, como partícipe organicamente do organismo cósmico, é também uma das grandiosas obras de arte da evolução. Assim como a arquitetura tem a capacidade de organizar e reorganizar os espaços urbanos, a experiência do espaço somático tem o poder de acionar o potencial do vivo na vinculação e reconhecimento de si.

Ser artista de si próprio, autor e autoridade de sua existência é entregar-se à experiência de liberdade, reconciliando-se com a história pessoal, ancestral e genética, em conexão com a  subjetividade. Dispor-se a um olhar desimpedido de reconhecimento de si, habitando os espaços internos, circulando nos fluxos e pulsos, bolsas, camadas, secreções, em meio a sentimentos, sensações, pensamentos, ideias, é construir-se nos encontros com os ambientes nos acontecimentos, em conjunção com os outros seres vivos que circulam e perpassam os espaços.

Dentro e fora, superfície e profundidade, experiência perceptiva que faz conhecimento e reconhecimento de si, na presença de cada instante vivido, é entregar-se à arte de ser quem se é verdadeiramente.

Viver a experiência contínua do espaço somático é um ato de coragem e liberdade, respirando em sintonia com a respiração magnânima do universo, uma presença que se faz presente em todos os presentes vividos.

Abraços    ****

Vivi

ALIENAR OU INTEGRAR

Como indivíduo e ao mesmo tempo como cidadão, cada sujeito é portador das  duas possibilidades bem evidentes dentro do sistema a qual pertence: alienar-se ou integrar-se. Acomodar-se na ilusão de que é possível afastar-se dos acontecimentos sociais, políticos, econômicos, religiosos, ambientais, relacionais, é uma opção de quem se nega a comprometer-se com o seu meio, seja por preguiça ou ignorância. Imaginando que nada o afeta, ele prefere enclausurar-se na pequenez de seu mundo com seus iguais. Integrar-se ao mundo nos acontecimentos, é próprio do sujeito que reflete, tem sonhos a serem conquistados, e sabe acionar a sua potencialidade de articular, para gerar meios intervencionistas adequados para a funcionalidade salutar do sistema. O sujeito integrado reconhece a interdependência, onde todo é maior que a soma das suas partes e, portanto, assume a sua responsabilidade  no organismo social. Dizer “não” aos discursos alienantes e assumir empoderadamente os discursos integrativos, requer coragem e determinação. A capacidade integrativa traz com ela a flexibilização, a disposição de compreender para atuar, exige reflexão conectiva e ativa. O alienado, na sua fragilidade resignada e medrosa ou até mesmo perversa pela falta de reflexão, contamina o seu entorno contribuindo com a regressão da maturidade social, afinal o alienado só pensa em si mesmo dentro da sua lógica infantil e egóica. O integrado pensa complexamente e vai além da lógica binária articulando-se de forma sistêmica e orgânica. Integra-se é contribuir participando do processo de construção democrática, que inclui respeitosamente a diversidade, é saber dialogar. Estar atento às vozes alienantes, é responsabilidade do sujeito que escolheu ser protagonista no seu viver, com a sua autoridade pessoal, potente e conectiva.

Abraços   ****

Vivi