PARA PENSAR…

“Corrigir o espaço real e criar nova ordem;
Não diga nunca ‘isto é natural’.

Perceba o horrível atrás do que já se tornou familiar.
Sinta o que é intolerável no dia-a-dia que se aprendeu a suportar.

Inquiete-se diante do que se considera habitual.
Conheça a lei e aponte o abuso.

E, sempre que o abuso for encontrado,
Encontre o remédio!”
Bertolt Brecht

A REGRA DE OURO E A ÉTICA

O Professor Jean-Marie Muller oferece o seu farol para apontar uma direção altamente pertinente em nossos dias: “Usar de violência contra os outros para satisfazer minhas próprias necessidades, não é algo que posso desejar que se torne lei universal, pelo simples fato de que não quero que os outros usem a violência contra mim para satisfazer suas necessidades”. A Ética vem com suas inquietações trazer a pessoa humana para um lugar de ação, um agir no presente. Ela sai dos redutos filosóficos da academia e vai para as ruas, praças, ela vem para os lugares públicos e privados, entendendo que precisamos assumir o compromisso responsável frente a tantos desafios do contemporâneo, neoliberal, mercadológico.

A Ética, a auto-ética, a ética global, vem assegurar a sobrevivência da vida neste planeta e promover a convivência, o respeito para lidar com os avanços e desafios da tecnociência. A ética vem de um saber interdependente, que sabe que o saber é provisório, muda, se altera, é passível de erro e aperfeiçoamentos, afinal não é possível mais conceber uma única “verdade” frente a tamanha complexidade.

Ser ético é saber se conectar na complexidade, fazer escolhas considerando a reciprocidade, a inclusão de tudo os seres viventes, com toda dignidade, no agir cotidiano de nossas vidas.

Abraços   ****

Vivi

 

COMUNIDADE – ÉTICA E AUTO-ÉTICA

O mundo do vivo tem suas raízes na comunidade. As formigas, os cupins, as abelhas são evidências do viver em comunidade. Os mamíferos, também se solidarizam na defesa de suas crias e na caça. Nas sociedades arcaicas a consciência da comunidade fez parte do culto aos deuses, do mito do ancestral comum, unindo fraternalmente seus membros.

O conceito de sociedade aparece sob a forma de uma entidade onde as interações ocorrem pela ordem da lei e da força, diferenciando-se do conceito de comunidade, entendida como um conjunto de indivíduos ligados afetivamente por um sentimento de pertencimento a um Nós. Nas sociedades históricas, a fé religiosa alimenta os sentimentos comunitários. O ocidente moderno traz o desenvolvimento através de competições, rivalidades e antagonismos, mas também apresenta um sentimento de pertencimento comunitário e um senso de responsabilidade mútua. A preservação do sentido de pertencimento comunitário , de conexão a um território físico, psíquico e cultural comum, tem na auto-ética o fio de ligação entre seus membros, na subjetividade de seus membros.  A lógica do pensamento racionalizado e dedutivo, tem semeado um olhar de separação entre as pessoas e seu mundo, impedindo a vitalidade do sentimento de comunidade. Não estamos, nem vivemos separados, mas somos um todo interconectado e repleto de complexidades. “ O princípio da separação torna-nos mais lúcidos sobre uma pequena parte separada de seu contexto, mas torna-nos cegos ou míopes sobre a relação entre a parte e seu contexto” como afirma e insiste Edgar Morin.

O mundo contemporâneo,  apresenta o desafio de um pensar complexo, onde ética, educação, justiça e ação política estão integralmente interligados na multiculturalidade.

Abraços   ****

Vivi

ÉTICA – LIBERDADE COM RESPONSABILIDADE

A liberdade habita no espaço da responsabilidade e não haverá  um sujeito ético desprovido das ações responsáveis. Igualmente não haverá liberdade sem um processo de libertação interna. O automatismo obstaculiza a grande tarefa do ser humano: conquistar a si mesmo. A conquista de si mesmo começa com a conquista de um ser que se faz verdadeiro, honesto e coerente no pensar, sentir e agir. É a pessoa que traz em si a coragem de se reconhecer de forma consciente, como um ser humano digno de sua humanidade. É capaz de se auto-reconhecer, nas suas facilitações e fraquezas, no compromisso com a sua humanidade e com a humanidade de todos os humanos, sem distinção alguma. O sujeito ético, se encontra na urgência histórica de interromper com a espiral da irresponsabilidade de uma tecnologia que se faz predatória neste contemporâneo,  na medida em que entende que é a responsabilidade que gera e confere autenticidade à liberdade. Agir qualificado eticamente é fruto de uma postura de dignidade humana. Lembrando Hannah Arendt –“onde todos mentem a respeito de cada coisa importante, quem diz a verdade, começou a agir”.

Abraços   ****

Vivi

A PERGUNTA DA ÉTICA

 

O pensar filosófico acontece pelas perguntas que fazemos. Muitas vezes perguntar é mais importante que responder. Uma pergunta bem elaborada já contém em si uma resposta agregadora. Podemos até não saber a resposta em determinados momentos, mas saber perguntar, questionar, problematizar, evidencia avanços na trajetória reflexiva de quem escolhe não passar ao largo de sua existência.

A Ética pergunta pelo sentido da vida, pela razão de ser das ações.  Posicionar-se para compreender o sentido e o significado do agir  no viver, diante dos acontecimentos e nos encontros, tem sido uma tarefa onde a Ética é o fertilizante maior, de um solo por onde transitamos todos. Neste âmbito, a educação possui um papel fundamental, no sentido de edificar a passagem da indiferença para a responsabilidade, na preservação da democracia e sua expressão nas relações de convivência. Conclamar uma vida digna  e equitativa para todos, é responsabilidade de todos , onde cada pessoa  pode fazer no seu agir cotidiano a sua parte, da melhor forma e dentro do seu possível.

A pergunta ética nasce do interior de cada cidadão, mas para isto é preciso que o olhar seja educado, senão corremos o risco de sermos conduzidos pela dispersão advinda do excesso de estímulos, geradores da hipersaturação.  Perguntar-se a cada momento diante das escolhas que fazemos, qual é o sentido da minha vida, o que estou fazendo nesta existência, qual é o lugar que ocupo nas relações que estabeleço e quais as razões que me mobilizam para esta ação e não para aquela, deveria ser uma conduta, uma atitude espontânea.

São estas perguntas que oferecem sabor à vida dando qualidade  à presença viva deste viver, neste presente, para os futuros que serão  presentes do amanhã.

Abraços    ****

Vivi

REGRA DE OURO

Dentre tantos regramentos que aparecem na história da humanidade, a Regra de Ouro perdura até os tempos de hoje, com toda a sua força de validez. Embora a sua precisão objetiva, faça todo sentido nas nossas relações, ainda não conseguimos verdadeiramente viver esta pequena e básica regrinha de conduta; “não faça ao outro, aquilo que não gostaria que fosse feito a você.” Houve quem sustentou a mesma intenção: “ame o próximo como a ti mesmo”. Simples, porém complexo. Por quê? Porque este é o território da Ética.

A Ética é que nos permite a sustentação das balizas internas, tais como: “até gostaria, mas não posso”. É uma ação que acontece no presente, por uma escolha autodeliberada. “Gostaria, mais não posso” significa, abrir mão de um desejo ou vontade própria em função do outro, pois se considera as consequências da escolha como responsabilidade pessoal. Pode ser uma escolha permitida pela Moral, porém não é Ética. São situações evidentes no trânsito, nas filas, nos estacionamentos, onde os privilégios emergem. Se você gosta de ser respeitado, porque respeito é um valor para você, então respeite o outro.

Ética é decisão, fruto de uma escolha pessoal.  Sustentar a Regra de Ouro é tarefa para uma vida inteira. Requer vontade própria, boa vontade, presença, têmpera, adaptabilidade, diálogo interno e externo que se permite a uma negociação franca para encontrar o caminho mais inclusivo e favorável para todos os envolvidos, sejam pessoas, o meio ambiente, o entorno relacional.

Ser ético é ser verdadeiro, leal, honesto, digno da confiança e do respeito de todos, por decisão e escolha autodeliberada. “Amar ao próximo como a ti mesmo”, ainda é algo que a humanidade não conseguiu conquistar.

Já somos capazes de proferir os mais belos e emocionantes  discursos, mais ainda não conseguimos sustentar o que falamos na prática do viver cotidiano, em todas as situações e  instâncias, seja na política, na economia, nas religiões, na justiça, nas relações mais próximas como nas mais distantes. Portanto, a educação e todas as ações e esforços pedagógicos portam uma grande responsabilidade neste cenário, na formação das futuras gerações que serão os futuros líderes e cidadãos do amanhã.

Abraços   ****

Vivi

UM POUCO DE ÉTICA FAZ BEM

Durante as campanhas políticas, a palavra ética tem lugar marcado. Os candidatos usam a palavra ética como uma forma de mostrar confiança e garantir sucesso nas urnas eleitorais. Mas, o que as pessoas entendem por ética?  Qual é o significado da ética? O que é um sujeito ético? O que é ser ético? Ética é o mesmo que moral? A palavra ética na sua raiz grega ao longo dos tempos vem ganhando significados diferentes.  Na Grécia antiga significava, “joelho de cavalo”. Também nos primórdios do mundo grego aparece significando “lugar de refúgio”, onde os animais eram protegidos dos predadores, e, portanto, um lugar de segurança.  O Ethos grego evolui no sentido de Valor ou Axis. Valor como aquilo que vale, que não tem preço, mas tem custo, pois demanda esforço para conquista e sustentação. Ética é um valor sem preço, pois é inegociável, tal a sua importância nas relações de convivência. Axis, como eixo, no sentido de um lugar sustentável, o cerne, o prumo, no sentido da confiança, pois o eixo é o que sustenta, como o eixo de um automóvel, o eixo da coluna vertebral. A ética traz no processo evolutivo do termo, uma relação de externalidade e internalidade. Neste sentido,  abriga a relação de reciprocidade e bem comum. Se interconectados, os seres humanos dependem uns dos outros, pois algo que aconteça a uma pessoa afeta todo um grupo de pessoas, portanto considerar as relações de reciprocidade e de bem comum acima das prerrogativas pessoais, necessita-se de têmpera, eixo, fibra, para abrir mãos dos desejos pessoais em função da comunidade da qual se pertence. Externamente, a ética preserva e inclui o outro, a diversidade, no espaço comum. Internamente, ela obedece a uma lei interna, ou seja, eu respeito o outro não porque existe uma legalidade que se desrespeitada eu terei que acertar contas com o sistema de justiça, mas eu respeito o outro por uma lei autodeterminada,  por um compromisso pessoal, porque escolhi, deliberadamente respeitar o outro. Isto faz toda a diferença nas relações de convivência.  A ética é, portanto fruto de uma escolha no presente, uma ação que acontece no presente, feita por um sujeito no presente da ação, onde sim é sim quando sim e não quando não. Diferente da moral, cuja raiz latina da palavra diz respeito a uma lei, mores, normas, regras estabelecidas, às quais devo me submeter, pois são prescrições externas e sistematizadas que todo o cidadão deve prestar obediência. Edgar Morin, no 6º volume do Método, dedicado à Ética, enfatiza a importância do sujeito ético, como aquele que faz escolhas e se responsabiliza pelas consequências de sua escolha. Ética é, portanto, uma ação no presente, que tem como referência de conduta pessoal os valores universais que não podem ser desconsiderados por uma escolha absolutamente pessoal, é um sujeito que age segundo os princípios da reciprocidade e da responsabilidade, do bom senso e verdadeiro compromisso com o bem comum, na palavra, pensamento e ação. Ética é um modo de ser e estar no mundo, que acontece no presente de cada momento vivido.

Abraços    ****

Vivi

UM ACORDO DE BONDADE

Quando entendemos que os conflitos são espaços de oportunidade para crescimento, autoconhecimento e maturidade, em que a percepção muda e a consciência se amplia, já estamos nos conectando com a sabedoria. Diante de um conflito, se formos capazes de mergulhar honestamente na subjetividade das pessoas envolvidas, trazendo para o espaço confiável na forma circular, o encontro das vozes, dos sentimentos e histórias, certamente o resgate da humanidade se fará presente e as soluções irão emergir. Neste ambiente não será a prescrição da legalidade que entrará em vigor, mas a força restaurativa do poder da vida. O potencial de cada pessoa terá a chance de convergir na direção de um acordo em consenso. Um acordo que pode ser honrado por todos os integrantes do círculo, porque foi elaborado a partir de compromissos e  relações sustentadas na bondade e no respeito mútuo. Os tribunais sejam eles institucionalizados ou não, são formas impositivas e controladoras, desvinculas da vontade interna de querer compreender as verdadeiras e causas e razões que levaram ao conflito. Diante de tamanhas atrocidades que temos presenciado tanto no âmbito nacional como internacional, precisamos redesenhar nossas escolas e instituições, afinal nós humanos as produzimos e, portanto, seremos nós que teremos que assumir a responsabilidade de redesenha-las.  Entender o conflito como uma oportunidade para redirecionar nossa forma de ser e estar neste mundo, pede um outro olhar, um olhar com outras lentes culturais. Penso que não precisamos esperar que os outros mudem, pois quando uma só pessoa muda, todos que estiverem à sua volta mudarão também.  Quando uma pessoa muda o seu jeito de ver e se relacionar, trazendo mais cordialidade, bondade amorosa, disponibilidade para compreender, em suas relações e acontecimentos, naturalmente estará fazendo um convite para que o outro, ou os outros se modifiquem também. Se você não experimentou ainda, experimente, nas pequenas coisas, no mais simples e terá a chance de sentir claramente a potência da vida se manifestar. Esta é uma experiência única, muito mais vivida do que racionalizada.

Abraços    ****

Vivi

HUMANIZAR PARA NÃO DESUMANIZAR

 A violência em todas as suas manifestações, desde um simples olhar desdenhoso até um embate físico e verbal, em todos os tempos e territórios da história da humanidade, tem gerado profundas mortes morais, que violam o direito à vida do cidadão. O ser humano tem o direito a viver e viver em paz. A paz é um direito conquistado pelo processo civilizatório ao longo da nossa história comum.
 Evolutivamente,  os seres humanos  seguem em direção à sua humanização, mas a violência viola este processo na medida em que nos desumaniza. Temos a responsabilidade e o compromisso ético de acionar todos os vetores na direção da nossa humanização, impedindo que as expressões da violência arrebata o legítimo direito de existência digna das  futuras gerações.
O cinismo que tem imperado nos cenários políticos, onde o capital de livre mercado e os interesses econômicos tem se colocado acima do direito  à vida, precisa ser interrompido, “combatido”, com todas as nossas “forças”, através da rede de sensibilidade formada por todos os cidadãos e comunidade planetária. Conclamar nosso conhecimento, nossos talentos, nossa capacidade de bom senso para se colocar a serviço da nossa humanidade comum, é mais que um dever. Se não nos humanizarmos iremos nos desumanizar.
O que sonhamos  para nossos filhos e netos? Restaurar a  capacidade humana de agir e participar, é da máxima urgência. Ao violar nossas leis, sejam elas constitucionais ou biológicas, violamos também nossa humanidade. Preservar os valores universais e as relações humanas é mais que um dever, tem sido uma necessidade das mais urgentes no cenário social e político da comunidade humana,  uma  responsabilidade  coletiva.
Se em todas as instâncias sociais não depositarmos todo o nosso esforço para garantir nossa humanidade, estaremos condenados à desumanização e cairemos na bestialidade da selvageria da ignorância, imprimindo sofrimento aos nossos próprios filhos e irmãos. Então, o que pretendemos e como nos colocamos neste cenário desafiante? Resignificar nossa forma de ser e estar neste mundo, vislumbrar caminhos mais cordiais e respeitosos, passa a ser um imperativo para nossa humanidade, deste presente para todos os futuros.
Abraços   ****
Vivi

JUSTIÇA COMO JUSTIÇA

O pior lugar para o ser humano é sentir-se isolado e desprovido de pertencimento. O “homem massa”, lembrando Hannah Arendt, solitário na multidão e descrente das redações convenientes que se espalham pela web e pelos canais midiáticos, em promessas e discursos sínicos, é um “homem” que não se mostra brutal, mas simplesmente vazio de relações sociais. Em nome da justiça, igualdade e fraternidade, herdadas das tendências democráticas da Revolução Francesa, surgem cenários céticos que tendem a destruir os mais nobres sentimentos humanos. Dentro de territórios caóticos, onde fica a verdadeira justiça? Antes ainda, o que é a verdadeira justiça? Diante de tantas violências no palco social, também a justiça se traveste de roupagens que por vezes gera mais injustiça na grande massa humana. Temos esquecido que justiça como um valor, é justa por si mesma, na medida em que se edifica por pessoas justas. O senso de justiça está intrínseco na pessoa humana.  A justiça tem como seu corpo de sustentação os valores universais e como fluxo, a dinâmica viva da ética. A ética, por princípio está de mãos dadas com a justiça. Anterior às normatizações, regramentos e legalizações, a justiça na sua autonomia, é capaz da ponderação do bom senso e respeito ao bem comum. Uma justiça inclusiva no compromisso fraterno à equidade, deveria se fazer vívida em cada ser humano, em cada cidadão, nos processos democráticos, participativos e responsáveis. A justiça como justiça, simplesmente é justa e equânime nos encontros e acontecimentos, no indivíduo e no coletivo, sem qualquer distinção. Será que nós humanos e cidadãos, somos capazes de sustentar a justiça como justiça no cotidiano de nossas vidas, nas pequeninas coisas, como exemplo vivo para nossas crianças?

Abraços   ****

Vivi