GESTO E EMOÇÃO

Gestos como encolher os ombros em sinal de desprezo ou encurvá-los em sinal de resignação, assim como expressões faciais, parecem ser processados pelo complexo sistema encefálico. Posturas corporais e gestos do cotidiano, conduzem  as pessoas a estados emocionais diversos. Estar  atento à qualidade das nossas emoções,  é  fruto de um estado cuidadoso de presença somática.  As práticas corporais que estimulam posições específicas respeitando a organização somática, qualificando o estado de presença do praticante na postura e permitindo  pequenas  narrativas ou descrições de si mesmo, favorecem o reconhecimento e contato  com a emocionalidade, geram estados emocionais mais saudáveis e ampliam  a percepção de si. Ter consciência do gesto, da postura e das emoções decorrentes, requer estados qualificados de presença através de  treinamento e educação somática.  Estar consciente de si, abre caminhos para escolhas  mais vitalizadas,  potentes,  agregadoras, conectivas,  inteligentes e amorosas. Habitar um corpo saudável é viver a vida com satisfação. A realização pessoal que gera estados de felicidade e plenitude dependem de expressões somáticas, gestos e posturas no cotidiano, dos quais emanam sensações e emoções agradáveis e prazerosas. São ações muscularizadas, que  ajudam as pessoas a atingir estados conscienciais  de paz e plenitude. Cuidar do gesto, da postura e da emocionalidade é cuidar da saúde física, mental e espiritual.
Abraços    ****
Vivi

GESTO E AUTOBIOGRAFIA

O gesto é a expressão do ser humano vivo, na vitalidade de seu corpo vivo. Em cada gesto cada pessoa coloca o seu “si mesmo”, naquele momento em que o gesto se expressa.  Todo gesto, por menor que seja, tem a capacidade de revelar quem somos, onde estamos, quem de nós está ali naquele determinado instante, diante daquela determinada configuração do ambiente e suas afetações. Como uma palavra corporal, o gesto  comunica, faz contato, aproximando ou afastando pessoas e ambientes. A pessoa que habita o seu corpo, se faz presente nos presentes vivos da vida, nos encontros, consigo mesmo e com os outros, tem a chance pelo contato somático de se autoconhecer, se descobrir e agir sobre si mesmo no aperfeiçoamento da sua pessoalidade.  Muitas vezes o gesto é apenas esboçado através de uma simples expressão do olhar, nos mínimos movimentos da face ou das mãos, dos pés, num instante de respiração, mas sempre será revelador. Involuntário ou voluntário, o gesto sempre comunica algo, sempre haverá uma mensagem. Talvez não haja qualidade na presença para captar, mas será sempre uma linguagem, uma narrativa pessoal, única daquele instante. Compreender esta linguagem é refinar atenciosamente a presença,  uma presença que não seria menos sincera e valiosa que o mais detalhado dos relatos de uma vida escrita em uma folha de papel. O gesto é a expressão de uma biografia. Reconhecer o gesto é também se autoconhecer nas múltiplas narrativas e faces de si mesmo, é edificar uma autobiografia.
Abraços   ****
Vivi

QUER A PAZ ?

Desde a antiguidade havia uma máxima, fruto de misturas tóxicas culturais, que dizia: “Quer a paz? Então, prepare-se para a guerra”. Serão vencedores aqueles que estiverem preparados, os perdedores serão aqueles que não estiveram preparados. Diante destes  argumentos quem ousaria contestar?  Será que, não seriam os responsáveis por conduzir as nações e que presidiam o mundo da modernidade, o mundo novo, clamoroso em relação aos vencedores e completamente mudo em relação aos derrotados, que muitas vezes levantaram esta bandeira?  Este tem sido um mundo que pela “coerção legítima” promete por fim à violência usando a própria violência. Esta é uma linha que precisa ser transposta. Não é possível entender, nem tão pouco aceitar esta máxima, pois a experiência  histórica tem evidenciado que não é jamais através de guerras que poderemos  evitar  a violência. Pelo contrário,  toda violência, seja ela de que ordem ou manifestação, só pode gerar mais violência. Ocorre que, infelizmente ainda são muitos os que acreditam nesta proposição. Então, como desfazer este verdadeiro nó cultural, será a tarefa desafiante desde presente contemporâneo, para todos nós cidadãos deste planeta. O que não é possível mais admitir,  são os discursos padronizados e desprovido de valores inclusivos, que considerem o bem comum e a vida como o valor maior. Já é tempo de se compreender que a Paz é um valor  e que a Vida é um valor e um direito absoluto de todo ser vivo neste planeta, inclusive nós humanos. Usar a razão e a lógica em função da humanidade é saber manejar emoção e sensibilidade. Discernimento, bom senso, boa vontade, são elementos fundamentais para a continuidade da comunidade planetária, afinal como afirma Edgar Morin, somos 100% biologia e 100% cultura.
Abraços   ****
Vivi

OPORTUNIDADE E AGRESSIVIDADE

Todo ser humano é merecedor  de ser reconhecido na sua humanidade por todos os outros humanos e por sua comunidade de direito. Todo ser humano é portador de sua potência, de um potencial a ser acionado para dar passagem à força vital. Desenvolver o potencial que cada pessoa, sujeito de direito, traz ao nascer, é dever do Estado, no sentido de preservar e assegurar este direito. Educação, saúde, trabalho e salários digno, subsistência, moradia, família, locomoção, são direitos básicos do cidadão, sobretudo nos países democráticos onde o povo escolhe através do voto os seus representantes, cuja função é garantir que suas necessidades sejam atendidas e que ofereça todas as oportunidades  para que o potencial individual e coletivo seja atendido e estimulado com igualdade. Contudo não é este cenário que temos presenciado nos últimos tempos. Ainda não se conseguiu entender que, sem oportunidade, equidade e dignidade, a resposta óbvia é agressividade. Em territórios onde a desigualdade social assume formas constrangedoras de tamanha evidência, ser agressivo passa a ser quase uma constante entre pessoas e comunidades.  A agressividade nada mais é que, uma resposta do indivíduo e do coletivo desprovido de oportunidades para atender suas potencialidades. Uma terra sem oportunidade é uma terra com agressividade.
Abraços   ****
Vivi

COMPAIXÃO E ALTRUÍSMO

Compaixão e altruísmo andam de mãos dadas, onde um alimenta o outro, se retroalimentam. Quanto mais somos altruístas no viver cotidiano, mais o sentimento da compaixão se fortalece. Altruísmo no pensar e no agir, é fruto de uma escolha pessoal. Uma atitude que permeia cada momento, cada encontro do nosso viver, em todos os ambientes.  Ser altruísta, por uma postura interna, que decide pela via altruísta como um compromisso com o respeito e a responsabilidade diante da vida, e livre de qualquer forma de imposição ou contaminação por apelo de ordem religiosa, que espera resultados, dividendos e garantias, é ser capaz de resistir e sustentar silenciosamente uma escolha, no mais íntimo do ser. Ser altruísta por vontade própria, por um querer ser e fazer, é estar conectado a um compromisso ético. Esta não é uma postura que vem por um regramento externo, mas de sujeito autônomo. A ética acontece na muscularidade, é todo o corpo que participa, toda a cerebralidade da pessoa humana, viva, que se maneja no seu viver pautada  por uma conduta ética. É no viver, na ação, no verbo, que  a atitude altruísta acontece e é ela que tem a capacidade de fazer brotar a compaixão, mas é na ação. Quanto mais nos disponibilizamos a compartilhar com o outro e com o mundo, o nosso tempo, nosso talento, nossa capacidade acolhedora, nosso conhecimento, nossa paciência generosa que pode compreender e incluir, mais poderemos experimentar, somaticamente, o sentimento da compaixão.  Compaixão e altruísmo não se sustentam pela razão, mas pela condição de entrega em confiança na vida, na ordem universal, no  sagrado silêncio da existência.
Abraços    ****
Vivi 

O CAMINHO DA MATURIDADE

Biologicamente nascemos, crescemos, desenvolvemos para seguir do adulto maduro em direção ao processo de finalização do ciclo da vida, quando deixamos a árvore da vida. Nesta trajetória não faltam desafios, mas igualmente muitos são os conhecimentos a serem adquiridos,  aprendidos e experimentados. Sobreviver e manter-se vivo na viagem, é quase uma exigência biológica e com ela o olhar do presente em direção ao futuro, que solicita adaptação, flexibilidade, atenção, presença, ou seja, um conjunto de atributos que se apresentam ao longo do processo maturacional.  Nesta fase além do sobreviver, na preservação da vida e agora com mais qualidade, a transcendência é um outro atributo que desponta com forte apelo, embora que muitas vezes não saibamos  identificá-lo. Transcender o que? Inquietações, o que isto significa? Fato é que,  surgem perguntas e questionamentos, que colocam em xeque passado, futuro e presente, os quais a razão não consegue dar conta, ela é insuficiente. Embora que tenhamos adquirido conhecimento na trajetória, a racionalidade não consegue abarcar nossas inquietações, pois a via da maturidade se apresenta  em suas mais diversas faces. Se pudermos reconhecer  e seguir trilhando com o alimento da serenidade confiante,  o processo se torna mais facilitador, porém se a má vontade, o desdenho, o desprezo contaminar viagem, os impedimentos tendem a ganhar dimensões que podem ser insuportáveis. Caminhar na direção da maturidade, é alimentar um querer que se empenha em sustentar um verdadeiro compromisso com a dignidade da alma humana. Reconhecer para se respeitar, é também maturar.
Abraços    ****
Vivi

O CAMINHO DA MATURIDADE

Biologicamente nascemos, crescemos, desenvolvemos para seguir do adulto maduro em direção ao processo de finalização do ciclo da vida, quando deixamos a árvore da vida. Nesta trajetória não faltam desafios, mas igualmente muitos são os conhecimentos a serem adquiridos, aprendidos e experimentados. Sobreviver e manter-se vivo na viagem, é quase uma exigência biológica e com ela o olhar do presente em direção ao futuro, que solicita adaptação, flexibilidade, atenção, presença, ou seja, um conjunto de atributos que se apresentam ao longo do processo maturacional. Nesta fase além do sobreviver, na preservação da vida e agora com mais qualidade, a transcendência é um outro atributo que desponta com forte apelo, embora que muitas vezes não saibamos identificá-lo. Transcender o que? Inquietações, o que isto significa? Fato é que, surgem perguntas e questionamentos, que colocam em xeque passado, futuro e presente, os quais a razão não consegue dar conta, ela é insuficiente. Embora que tenhamos adquirido conhecimento na trajetória, a racionalidade não consegue abarcar nossas inquietações, pois a via da maturidade se apresenta em suas mais diversas faces. Se pudermos reconhecer e seguir trilhando com o alimento da serenidade confiante, o processo se torna mais facilitador, porém se a má vontade, o desdenho, o desprezo contaminar viagem, os impedimentos tendem a ganhar dimensões que podem ser insuportáveis. Caminhar na direção da maturidade, é alimentar um querer que se empenha em sustentar um verdadeiro compromisso com a dignidade da alma humana. Reconhecer para se respeitar, é também maturar.

Abraços ****

Vivi

BILHÕES DE NEURÔNIOS

O cérebro humano, considerado como sistema dentro de sistemas, é uma arquitetura que apresenta uma colossal rede de axônios, que são as fibras que interligam os neurônios. São bilhões de neurônios que fazem trilhões de conexões entre si, segundo padrões de funcionamento. As ligações constituem verdadeiros diagramas e entender o caminho que o cérebro faz e como ele faz para a sua funcionalidade, é algo que os neurocientistas estão se empenhando em grandes pesquisas auxiliados pela tecnologia mais avançada e refinada. Porém, já é sabido que aprender e criar memória, é simplesmente o processo de esculpir, modelar, ajustar, fazer e refazer os diagramas das conexões cerebrais que cada pessoa faz desde o seu nascimento até a sua morte. No cérebro humano os bilhões de neurônios com sua trilhões de sinapses conseguem  produzir ações que se constituem em comportamentos.  Apesar desta arquitetura ter uma assimetria respeitada na sua anatomia e cujo padrão geral seja semelhante em todos os cérebros,  a complexidade desta rede é imensa e cada cérebro é único. Portanto, somos iguais, mas ao mesmo tempo diferentes. Entender a diversidade biológica e cultural é um passo para a maturidade do ser humano que está em processo evolutivo, pois ainda temos muito que aprender, esculpir, criar nas nossas relações de convivência. Temos já o potencial, mas ainda não conseguimos conviver com as nossas diferenças.
Abraços   ****
Vivi

EXPRESSÃO ARTÍSTICA: FONTE DA VIDA

Alguns autores afirmam que as artes foram uma compensação imperfeita para o sofrimento humano, para um estado de felicidade desejado, almejado e não alcançado, portanto frustrado, para uma inocência perdida. Entendo não ser bem assim, pois de alguma forma, alguma compensação elas trouxeram e ainda trazem  como um consolo diante de tantas calamidades provocadas pela natureza ao longo da história da espécie na sua luta pela sobrevivência e da maldade causada pelo ser humano capturado pela sua ignorância mais bestial. Contudo, as artes, todas elas em todas as suas expressões foram e são verdadeiras dádivas da consciência ao ser humano.  A capacidade de aspirar um futuro navegando pelos mares da imaginação, sonhar, almejar, elevar-se mais potente na sua potencialidade. A arte é a verdadeira expressão da alma humana, sua inspiração que inspira, transpira, respira o ar sagrado do coração/coragem de viver e sobreviver, apesar dos pesares.
Abraços    ****
Vivi

ONTENS E AMANHÃS

Existem perguntas, fruto de inquietações permanentes do ser humano, tais como: de onde viemos e para onde vamos; que até os dias de hoje continuam sendo quase que uma obsessão humana. Especular sobre a posição que se ocupa no Universo. É pela memória que podemos nos situar entre um passado já vivido e um futuro antevisto, oscilando sempre entre os ontens e os amanhãs, que não passam de possibilidades. Uma verdade existe: se nascemos iremos morrer, mas, ao morrer haverá continuidade? Haverão outros nasceres e morreres num ciclo de continuidade? As diversas culturas em seus diversos tempos tentaram apresentar propostas e reflexões, porém ainda nada consistente. A curiosidade é um aspecto fundamental da mente humana que se projeta para um futuro a partir de suas memórias registradas pelas experiências vividas e por todos os registros deixados por nossos ancestrais. Um conhecimento que vai se edificando na procura das raízes e do vir-a-ser da nossa espécie. Fato é que, o futuro nos empurra para a frente e de alguma forma nos anima a prosseguir a trajetória no presente de cada instante vivido T.S.Eliot  escreveu: “ O tempo passado e o tempo futuro. O que poderia ter sido e o que foi. Aludem a um só fim, que é sempre presente.”
Abraços    ****
Vivi