IPÊS FLORINDO…

Céu de inverno, ventos de Agosto e os ipês rosa estão floridos. Verdadeiros buquês naturais arredondados, revestem a copa das árvores até começarem a cobrir o chão como um verdadeiro tapete rosa. Ano após ano, o cenário se repete como um presente da natureza a nutrir o coração das pessoas que conseguem se encantar com a beleza e a força da vida. Amarelos, rosa e brancos, cada um a seu tempo, os ipês embelezam cidades e campos. Admirar, se deixar ser tocado pelo corpo e pela alma, com a magnitude da vida, que se doa a todos os que se permitem viver a intensidade da vida. Saber que toda esta potência também floresce no ser humano, ao longo de seus dias, de seus ciclos e fases da existência. Conectar-se com a potência viva da vida é conectar-se com o  mais belo, o mais divino, o mais sagrado de si mesmo. Existir plenamente é viver o encantamento da vida, que se manifesta no olhar, no admirar, no vibrar, na coragem de ser prosa e ser poesia, de ser verdadeiro em cada ato, em cada pensamento, em cada gesto, na simplicidade grandiosa da respiração.

Abraços    ****
Vivi

CONVERSA TERCEIRIZADA

As exigências sociais e com elas a necessidade das famílias despenderem uma quantidade  maior de horas-trabalho, tem alterado a qualidade das relações de convivência. Pais e filhos jovens trabalham e estudam, do amanhecer até altas horas da noite e o período de permanência em casa fica reduzido a poucas horas, que ainda requerem o cumprimento mínimo das tarefas domésticas. Onde fica a convivência, o contato, o tempo de ouvir e contar histórias pessoais, de orientar, de compartilhar alegrias e tristezas, afetos e desafetos…? A convivência perdeu seu espaço e esta tem sido a triste realidade de nossas famílias. Se não há mais tempo para conviver, para conversar, o que sobra é terceirizar. Assim como no mundo corporativo, acontece em grande parte das famílias que acabam tendo que contratar pessoas, nem sempre especialistas, para conversar e orientar nossos filhos, casais, homens e mulheres, que não encontram espaço, nem tempo para o encontro. Tempo disponível para ouvir e ser ouvido, para dialogar, trocar ideias, já não há mais tempo para o tempo do encontro. São babás, psicólogos, psicopedagogos, massagistas, cozinheiros, bufes, motoristas,  uma variedade de profissionais com técnicas e ferramentas, mas desprovidos de vínculo. Profissionais da moda, apresentados pelo mercado, que são substituídos conforme o preço e a novidade com que apresentam seus recursos, estimulados por uma mídia, que ilude mais do que soluciona. Fato é que, sem tempo para conviver, as famílias são capturadas pela frieza glacial do mercado  cuja intenção é vender seus produtos e sobreviver nesta ciranda de desarmonia. Através de uma roupagem de modernidade, as pessoas se deixam ser levadas por esta onda de terceirização sem nenhum questionamento deste modelo, que mais distancia do que aproxima as pessoas nas suas relações de convivência.  Sabemos que é o vínculo que aquece e nutri as relações nos encontros, mas para isto é preciso de tempo e presença. É no prazer do estar junto que os elos de amizade, de carinho, de amorosidade, de gratidão, de reconhecimento se estabelecem entre as pessoas. Abdicar destes espaços é abdicar da própria vida, é se deixar ser máquinas a serviço de interesses capitalistas, é se desumanizar. Uma boa conversa vale mais que muitas horas contratadas.
Abraços    ****
Vivi

QUALIDADE POÉTICA

Dentre tantos aspectos revelados pela vida a qualidade poética é um espaço que sob a égide da tecnologia e precisão científica pode passar desvalorizado. Felizmente, em toda a história da humanidade a expressão artística  é fundamental para a vida da vida, em todas as espécies.  Seja na pintura, no teatro, nas artes plásticas, na literatura, na escultura, na dança, na música, na poesia, no romance, no cinema, em fim, nas mais diversas formas, a arte oferece ao ser humano uma consciência mais múltipla e  ampla do seu viver. A sensibilidade estética é um enorme enriquecimento para o ser humano, não podendo ser negligenciada jamais, pois faz parte da sua natureza. Poesia e prosa, são duas faces   da existência. Somos prosa, raciocinamos, organizamos nossas ideias e ações, tomamos decisões, mas igualmente somos poesia, através da amizade, dos encontros, dos afetos. Prosa e poesia, dois fios que se entrelaçam no viver. Se deixar ser limitado pela razão é abdicar da qualidade poética da vida. Imaginar, sonhar, criar, são aspectos que nutrem o viver. Encantar-se, alegrar-se, emocionar-se, viver o deslumbramento diante da natureza, sorrir, cantar, dançar, abraçar, para poder amar verdadeiramente, é revelar a essência do humano, na sensibilidade da sua humanidade. A escolha é pessoal: viver na miserabilidade apenas tecnicista ou ter a coragem de viver e expressar a poesia da alma humana.

Abraços    ****
Vivi 

ACESSIBILIDADE

Acesso livre e facilitado é algo que a cada dia se incorpora no modo de viver das pessoas. A facilidade com que é possível acessar serviços, nas mais variadas categorias disponíveis no mercado, nos impede de perceber o quanto foi alterada a noção do que é realmente necessário, ou do que deve ou não ser comprado, alugado ou contratado. O excesso se torna excessivo, transformando reais necessidades em pura vaidade acumulativa. Contudo, em meio à corrida à acessibilidade, encontramos alguns paradoxos como a acessibilidade urbana. O excessivo impede a mobilidade, obstrui as passagens e a circulação comprometida gera mais ansiedade. Ruas, avenidas, calçadas, lotadas de veículos e pessoas que tentam se deslocar, mas são impedidas pela falta absoluta de espaço. Interessante entender que, a natureza precisa de espaço para circular. Corpos obesos são lentos, se movem com grande dificuldade. O inchaço que preenche os espaços de circulação se torna patológico. Todo excesso é prejudicial, o excesso para mais como para menos. Caímos na questão do equilíbrio. Comedimento é algo fundamental em nossas vidas, mas muitas vezes esquecido. Querendo acesso, a modernidade tendem à paralisação pelo próprio excessivo, avenidas paradas, corpos parados, trânsito interrompido. Quanto tempo levaremos como sociedade para perceber que estamos sendo capturados pelo excessivo com roupagem de acessibilidade? Abraços **** Vivi

MATURIDADE E ENVELHECIMENTO

Entre o nascer e o morrer, há o grande espaço a ser vivido pelo ser humano ao longo de sua existência. Nascimento, crescimento, maturação, para chegar ao final de uma vida com a morte, dentro de um processo inevitável para todos os seres vivos neste planeta, um ciclo natural. No espaço do “entre”, muitas são as experiências que se somam ao conhecimento que a pessoa humana vai adquirindo na sua formação e construção de um sujeito. Crescimento e desenvolvimento biológico, psicológico, social, relacional, espiritual, dentro dos ambientes, das culturas, dos territórios, nos encontros, os seres humanos seguindo o projeto do vivo, desde a formação da primeira célula, segue rumo à sua maturidade, até cair da “árvore da vida”. Este é o processo natural. Considerando a sua formatividade, este processo deveria seguir na direção da maturidade biopsicossocial do ser humano, do desenvolvimento corporal ao desenvolvimento psicológico, que poderíamos chamar de maturidade. O envelhecimento é a fase da vida onde a pessoa humana experimenta somaticamente as limitações naturais do processo degenerativo e também a sua capacidade de conectar com a sua realização pessoal, a sua humanização. O adulto maduro é aquele que adquiriu experiência e conhecimento, que lhe permitiram ampliar o seu olhar para considerar a vida de forma mais abrangente, na capacidade de compreensão amorosa, compassiva, onde o altruísmo fala mais alto que o egoísmo da criança nas fases iniciais da vida. Ocorre que, muitas pessoas se negam a considerar este processo e resistem em se manter infantis, sustentando sua infantilidade birrenta, egóica, onde o seu “eu” insiste em ser o centro do mundo. Triste realidade! Envelhecer sem maturidade é viver um tempo de finalização no sofrimento e pior, fazendo seu entorno sofrer. O adulto maduro, que segue naturalmente para seu envelhecimento, alimenta a sabedoria altruística e com ela nutri seus sonhos, sua vitalidade, seu potencial, sua compaixão, sua capacidade de reconhecer que somos todos filhos e filhas da mesma Terra Pátria. Abraços **** Vivi

ANSIOSOS, ISOLADOS E SEM TEMPO

Em seu artigo publicado pela revista Carta Capital, Thomaz Wood Jr. afirma que “A vida moderna nos tornou mais ansiosos, isolados e sem tempo.” Refletindo sobre esta pontuada colocação e trazendo para nossas vidas, honestamente é inegável que nos encontramos a cada dia mais agitados, cada vez mais sozinhos e o nosso tempo é mais escasso. Não há como discordar. Uma modernidade tecnológica cuja tendência é apresentar em primeira instância e depois exigir de seus cidadãos tarefas sem limites de desafios, espremendo contra a barreira do tempo todos os que se deixam consumir por este modelo. Sob a aparência disfarçada de avanço, desenvolvimento, progresso, as pessoas trabalham intensamente na ilusão de atender aos chamados do mercado para serem os “vencedores” e portanto, sentirem-se pertencentes ao grupo seleto dos “escolhidos”, sem perceberem que isolamento e ansiedade são manifestações de uma patologia social. Fato é que, estamos adoecendo e não estamos percebendo. Capturados, estamos criando nossos filhos nesta insanidade e perpetuando uma doença que tende a se agravar. Para onde estamos indo? O que queremos com esta corrida sem meta? Onde deixamos nossos sentimentos? Como estamos olhando para o nosso futuro? Podemos ter esperança? O que fazer? Como agir? São muitas as perguntas, porém enquanto não conseguimos reconhecer honestamente esta situação, de que estamos ficando a cada dia mais ansiosos, isolados e sem tempo não teremos possibilidades de alterar esta configuração. Abraços **** Vivi

ACHO QUE…

“Acho que…” é uma expressão da linguagem coloquial muito utilizada nas interlocuções e nos devaneios pessoais. “Acho que… fulano de tal deve estar pensando ou achando…”, cuidado! Cuidado com estas colocações, pois seria muita prepotência de alguém querer “achar” ou “saber” o que uma outra pessoa está pensando . Muitas vezes com muito pouca chance de acertar sabemos exatamente o que pensamos claramente, quanto mais querer afirmar com certezas e exatidões o que passa na “cabeça” de uma outra pessoa. Cuidado com as suposições, além de falsas elas confundem o raciocínio criando cenários completamente inexistentes, ou seja, que não condizem com a realidade dos fatos e das situações. Podemos ter um certo arbítrio com os pensamentos pessoais e é com eles que precisamos dedicar grande parte da nossa atenção, pois um pequeno descuido somos capazes para fugir da realidade e sobretudo da responsabilidade, imaginar cenas causadoras de grandes desajustes relacionais. Grande parte das dificuldades nas relações interpessoais advém das falsas interpretações, dos “achismos” isentos de realidade e, portanto, fonte de sofrimentos. Toda atenção é pouca. Achar é um vício de pensamento, é um padrão de pensamento recorrente . Somos o que somos e a vida é como ela é. Suposições podem existir, mas, cuidado para não confundir suposições com a realidade. Há uma grande diferença entre achar e acreditar. Achar não tem responsabilidade, acreditar é assumir a responsabilidade pela ação, envolve um comprometimento. Abraços **** Vivi