AS APARÊNCIAS ENGANAM OU SELECIONAM

Se considerarmos os equívocos da percepção, como diria Edgar Morin, o componente alucinatório da percepção, em tantos momentos onde confundimos “corda com cobra”, podemos reconhecer que as aparências enganam. Sabemos que a realidade nem sempre é da forma como a vemos, pois muitos são os filtros mentais entremeados aos padrões mentais que deturpam ou mascaram a realidade tal como ela se apresenta, portanto neste jogo as aparências enganam. Por outro lado, há também o risco evidente nesta modernidade em que as aparências selecionam, tal como acontece no mercado de trabalho, nos fóruns penalizantes, onde as pessoas que possuem determinados atributos tais como – magro, alto, belo – muitas vezes são beneficiadas em detrimento de outras pessoas que não portam estas aparências. Do ponto de vista da equidade social a questão da aparência assume um caráter altamente desafiador, discriminatório e até preconceituoso. Então como se colocar no mundo diante destes desafios? O “lookismo” da super valorização das aparências, onde o valor dos sentidos, da imagem da eterna jovialidade tem sido altamente valorizado em grande parte das relações sociais inclusive nos âmbitos profissionais jurídicos, corporativos, educacionais, sem nenhuma consciência deste fenômeno, trazendo consequências seríssimas para as pessoas que não portam os atributos naturais necessários e acabam sendo capturadas pelo mercado, vendendo-se e rendendo-se ao consumo exagerado do endividamento, ou entregando seus corpos que se tornam objeto da indústria da estética e acabam sendo dilacerados nas cirurgias intervencionistas trazendo mais e mais frustração. A supervalorização das aparências é algo que está presente nesta modernidade e ainda não sabemos o que vai acontecer, com nossas crianças, jovens e adultos, que são facilmente capturados pelo mercado e suas instituições. Abraços **** Vivi

EDUCADORES E A EDUCAÇÃO

Quando o assunto é educação, muitos elementos aparecem na cena. O processo educativo comporta uma tríade: alguém que ensina algo a alguém, um sujeito que ensina, um sujeito que aprende e o objeto de ensino. Acrescentaria o ambiente que se constitui para que este processo ocorra , seja o espaço físico como o espaço relacional do ensino; a qualidade da comunicação que se estabelece e a qualidade da forma como os conteúdos selecionados são apresentados, considerando conteúdo não apenas os programáticos, mas também e sobretudo, os intangíveis, aqueles que fazem parte do conjunto de valores . Evidente também, é a crise na educação moderna, que nada mais é do que face visível da crise social da atualidade. E quando o assunto é crise, é fundamental se ter a percepção do que seja esta crise: sociedade de massas, funcionamento por produção e consumo, formação, utilitarismo e tecnologia, meios de comunicação e exclusão, autoridade e autoritarismo, modernidade e tradição, em fim muitos são os elementos a serem considerados. Seria ingenuidade portanto, querer entender todo este processo altamente desafiante através de uma só lente, com um olhar estreitado. Penso contudo que, uma pergunta não pode deixar de aparecer nesta cena: se cabe ao educador apresentar às crianças, adolescentes e jovens, o mundo como ele é com todas as suas contradições, histórias, tradições, saberes, valores, supõe-se que este educador saiba como é este mundo, tenha amplitude de percepção e reflexão e não seja apenas um técnico informacional preocupado apenas com a sua sobrevivência e na espera de algo melhor. Será que os educadores amam o mundo e os educandos? Será que os educadores podem sustentar uma “aposta” no mundo como ele é? Será que eles estão preparados para agir eticamente neste cenário? Acredito que este é um dos grandes impasses da educação. Então, o que fazer? Abraços **** Vivi

COM-PROMISSO OU SEM-PROMISSO

O mundo da modernidade tem evidenciado uma certa forma de ser: o não compromisso com as coisas do mundo. Em meio a tantos estímulos e necessidades criadas, as pessoas não conseguem ou não querem assumir nenhum tipo de responsabilidade, elas se negam a considerar que fazem parte do mundo e, portanto de alguma forma, que são responsáveis por ele. Neste lugar, a preferência é pelo bem-estar momentâneo, se possível sem muito esforço, que traga um prazer imediato, que atenda as urgências criadas artificial ou virtualmente, desconsiderando totalmente o seu entorno. Sem identidade não há como ter responsabilidade. Para uma pessoa comprometer-se, é necessário que haja uma identificação suficientemente forte e contundente para escolher e sustentar valores, ou seja, um compromisso de fato com o mundo e seu entorno, considerando-se como parte integrante deste mundo e, portanto no “dever” de responder a ele com dignidade. Deste lugar emana o fundamental papel da ação educativa, que ofereça regiamente uma orientação direcionada à motivação com responsabilização. Se a pessoa não se identifica como pertencente a este mundo, atuante nele, reconhecendo que suas escolhas devam ser pautadas considerando causas e consequências, dificilmente ela assumirá qualquer compromisso, pois não há como se responsabilizar por algo que não nos diz respeito. Para haver compromisso, é necessário que haja pertencimento, o sentido de coautoria. Abraços **** Vivi

JUSTIÇA COMO EQUIDADE

Refletir sobre a justiça em tempos onde as desigualdades, as contradições e as injustiças se evidenciam por todos os territórios e instâncias das relações humanas, se torna uma ação de fundamental importância. Se para ter justiça é preciso considerar prudência, temperança e coragem, uma educação para a justiça pode ampliar as perspectivas, afinal a justiça é feita pelos justos. Numa sociedade com tantas desigualdades, onde estarão os justos? Oportunidade é um aspecto igualmente fundamental a ser considerado nesta reflexão, pois justiça não é apenas adequação organizacional e institucionalização concentrada em utopias conceituais ideais, muitas vezes presentes na tendência contratualista, mas no plano da justiça, é relevante considerar a vida que as pessoas são realmente capazes de levar, ou seja, justiça e realização. Para se fazer justiça é necessário incluir os aspectos comportamentais reais do ser humano nas suas interações sociais. É necessário dirigir um foco para as realizações, onde seja possível uma análise intelectiva das assimetrias produtoras de injustiça na vida das pessoas reais, considerando inclusive os fatores emocionais e espirituais. A justiça como equidade, entende as pessoas como iguais perante a lei, mas elas igualmente possuem necessidades distintas, capacidades e vontades singulares. Então, como contemplar todo este cenário diverso e semelhante, na igualdade da humanidade inclusiva de todos e de cada um? Aqui nasce um caminho político. Abraços **** Vivi

FAZER BEM-FEITO PARA SAIR PERFEITO

Em meio à grande diversidade de expressões, cada pessoa tem sua forma de ser, seu estilo na vida. Dentro da “cartela” de cores, encontramos os introvertidos, os extrovertidos, os caprichosos, os desleixados, os disciplinados, aqueles que precisam de uma certa pressão para realizarem algo na vida, e vai seguindo com inúmeras possibilidades combinatórias. Fato é que, educação e polidez cabe em qualquer lugar, portanto fazer o que se faz com empenho para o melhor e a excelência, nunca é demais. Se pensarmos na estética, ela prefere as proporções, às vezes combinações, encaixes, que ofereçam uma linguagem mais adequada e favoreça a comunicação afinal, arte que é arte é eterna. Eterna, porque imediatamente pode se comunicar seja com quem for, ela perdura no tempo. O cultivo de uma atitude de fazer bem-feito o que se faz, já é em si um ato artístico no compromisso com o melhor e o maior. Cabe à educação, em especial de nossas crianças, o incentivo constante para um fazer bem, de tal forma que esta criança cresça e enriqueça a sua forma de ser em todas as suas expressões preservando, buscando e se conectando com o melhor, com a excelência, cuidando da qualidade acima da quantidade, que muitas vezes privilegia a velocidade de produzir a qualquer custo, negligenciando as consequências do mal-feito. Fazer bem-feito para sair perfeito, é uma atitude que se cultiva, se educa, é fruto de um refinamento e que se estende em todas as expressões, seja na vida privada da intimidade preservada, seja no público, nas escolhas feitas no âmbito da liberdade. O bem-feito, é a face revelada da pessoa que não se contenta com o qualquer, mas sempre busca o melhor, não se submete ao rasteiro do vulgar , do ” qualquer jeito”, mas prefere esperar e pausar, sustenta um foco, respeita os tempos, sabe aguardar o tempo propício para agir e fazer bem-feito, e então receber o “perfeito” do feito. Abraços **** Vivi

O BEM COMUM

Na grande teia de relações, nós humanos habitamos num mundo comum, sendo todos portadores de um bem comum. A linguagem como um código comum é nosso repertório de sentidos e significados que existe “entre” as pessoas. É senso comum que a realidade deste mundo comum não existe por si só mas com tudo e com todos os seres viventes do hoje, do passado e dos futuros que seguirão. Sempre será um mundo compartilhado com os outros. É responsabilidade do processo educacional familiarizar os novos, os nascidos, as crianças, que chegam a este espaço comum nas heranças, nas histórias comuns, nas expressões artísticas, na literatura, nas ciências, na filosofia e na diversidade das práticas sociais, afinal habitamos, vivemos e convivemos neste espaço comum, compartilhando o bem comum. Portanto, somos corresponsáveis na preservação e renovação deste espaço, nosso planeta-mundo, acolhendo as crianças e a natalidade. Abraços **** Vivi  

AGIR APESAR DA INSTABILIDADE

Vivemos e convivemos em um mundo onde a mudança é uma realidade. Nosso planeta-mundo vivo, muda e se transforma continuamente. Assim também os seres humanos vivos se transformam nas suas mudanças corporais, psíquicas, comportamentais, relacionais, ou seja num mundo em que a mudança é uma constante, é de certa forma natural, que uma certa instabilidade ocorra. Fato é que habitamos mundos que se transformam. Porém, o ser humano é capaz de agir e interferir no processo de mudança, de tal forma que encontre espaços geradores de confiança. O humano na sua capacidade intelectiva e perceptiva, é capaz de construir espaços de convivência no “entre nós”, que abarque as experiências, linguagens e saberes, para gerar interações sustentadas no compromisso com o respeito à dignidade da vida em todas as suas expressões. Se há carências que não escolhemos, há também potências que dependem unicamente de nós, de nossas escolhas, decisões e atos. Aqui emerge o grande desafio da educação, que é saber o COMO lidar com a “liberdade” do sere humano. Se somos livres para escolher e decidir, cabe a pergunta: o que realmente temos escolhido para nossas vidas? Com que qualidade optamos por seguir os caminhos que seguimos em nossa vida? Inclusão, consideração, respeito, responsabilidade, honestidade, são valores que se expressam e são evidentes em nosso pensar e agir? Viver é ter atitudes e é através delas que muito do que somos é revelado, portanto o que temos transpirado e exalado ao mundo em nosso entorno? Apesar de toda instabilidade que o mundo possa nos oferecer, é nossa responsabilidade agir e agir bem, considerando imperativamente as futuras gerações, as crianças que chegam a este mundo que nós adultos estamos construindo.
Abraços ****
Vivi

TORNAR-SE UM ALGUÉM

Conquistar a si mesmo é conquistar a pessoa que se é. Tornar-se um alguém, é a própria conquista de si como sujeito, é apropriar-se de um pertencimento a um “mundo comum”, na conquista de todo o legado deste mundo, seus saberes e conhecimentos, realizações e edificações, símbolos e linguagens. É um processo de criação de algo novo neste mundo que oferece respostas a ele, responsabilizando-se e comprometendo-se. Este é o espaço vincular de comunhão que se estende pelo tempo. Tornar-se um alguém, é compreender e renovar-se no tempo e no espaço, através do sentimento de pertencimento e presença viva, é ser protagonista de sua história na história viva do mundo.
Abraços ****
Vivi

MORTAL E IMORTAL

A vida pede passagem, ela segue seu processo nos corpos, nos seres, nas incontáveis manifestações por onde encontra suas passagens. A vida pulsa na criação, nas obras humanas, objetos, linguagens, saberes, instituições, no conhecimento e experiências vividas por tudo e todos neste planeta-mundo. São formas que vem sendo edificadas ao londo da história existencial da vida, criadas pelos seres humanos que muitas vezes são preservadas do ciclo vital degenerativo. Os seres vivos não tem como escapar deste ciclo determinista de nascimento, crescimento, maturidade e morte, como seres humanos, somos todos mortais. Porém, as obras e criações transcendem este ciclo na perpetuação histórica e tem a potência de se transformarem num “lar” imortal frente aos seres humanos imortais. Cabe a nós, pessoas humanas que somos, Homo Sapiens, Homo Sapiens-sapiens, como nos propõe Edgar Morin, a responsabilidade de preservar para conservar, de tal forma que as criações, as edificações, possam ser verdadeiramente um legado às próximas gerações. Respeito, ética, cooperação, responsabilidade é um dever maior e compromisso para com as futuras e futuras gerações, uma responsabilidade coletiva mas igualmente individual, de todos os cidadãos do planeta.
Abraços ****
Vivi

ALGUÉM OU NINGUÉM

O mundo na sua diversidade e pluralidade, abriga em seus espaços geográficos, culturais e histórico, as diferentes expressões da vida e em particular dos seres humanos. Ao nascer o humano chega a este mundo com tudo e com todos que aqui construíram, constroem e continuarão edificando um processo evolutivo muitas vezes chamado de desenvolvimento e até de progresso. Embora que, os humanos coexistam com todos os outros humanos e todas as diferentes espécies de vida neste planeta-mundo, ainda se encontram em circunstâncias paradoxais de um sentimento de “nada”, de um “só” isolado, um “alguém”, por vezes um “ninguém” e a sensação de ser “muitos alguéns” ao mesmo tempo. São sentimentos que emanam mais ou menos acentuados em diferentes circunstâncias e fases da vida mas, de alguma forma todos se revelam ao longo de uma vida. Reconhece-los trazendo-os à consciência, já é um grande avanço no processo pessoal da maturidade, que pode até não encontrar explicações para tanto, mesmo porque não seria exatamente o mais importante, porém fazer contato e aprender a lidar com estas diferentes expressões, já oferece um certo conforto interior. O fato é que, neste mundo existem muitos alguéns através dos quais podemos ser o “alguém” que somos.
Abraços ****
Vivi