MOVER E COMOVER

Vida é movimento. Como sabemos que uma pessoa está viva? Quando há movimento, o coração bate. O movimento é fonte da vida. Contudo, para uma pessoa fazer contato consigo mesma, se reconhecer, entrar em conexão consigo e com o o seu entorno, é necessário algo que crie um movimento interno para que este contato aconteça. Mobilizar. Mover. Mas o que nos move? O que cria movimento interno? Sabemos o poder das emoções. Quando nos emocionamos algo muda internamente. As emoções são respostas somáticas, é o sistema límbico respondendo através de músculos, fácias, órgãos, metabolismo, secreções, através de toda rede neural. Então o que nos comove? O que toca a nossa subjetividade, o que toca a nossa alma. Para mover há que comover. Comover é mover junto, onde todo o sistema somático se mobiliza para fazer contato e estabelecer conexões, pulsar de volta. Ao longo da nossa existência, se olharmos com clareza certamente iremos notar que os períodos de mudança em nossa vida, foram marcados por acontecimentos, situações, com grande significado ao ponto de mobilizarem as transformações. Aqui não podemos desprezar a força do conflito. Todo conflito possui em si mesmo a força mobilizadora das emoções, que de alguma forma nos faz conectar com aquilo que queremos ou não queremos para a nossa vida. Se pudermos ser honestos e verdadeiros conosco, saberemos aproveitar a força propulsora das emoções geradas nos momentos conflitantes de nossa vida e fazermos as verdadeiras mudanças em nossa existência. Afinal, todos buscamos a felicidade, o sentido da plena realização do grande potencial que todo ser humano possui em si mesmo. Para mover há que comover. Comover é mover junto com discernimento, alegria,boa vontade, gentileza, respeito e muito amor.
Abraços ****
Vivi

O BEM APARENTE E O BEM PERMANENTE

Se a vida também é feita de escolhas, diretamente relacionadas à faculdade do ser humano de arbitrar entre as premências do presente vivido e os objetivos de um futuro ainda por viver, a capacidade de atribuir um valor proporcional à existência é fundamental. Como humanos que somos, vivendo e convivendo socialmente, a cena do espetáculo se repete: escolher entre o bem aparente, com a falsa promessa de gratificação imediata e o bem permanente, de um projeto sustentável de vida. Saber respeitar os limites pessoais e salvaguardar a liberdade, requer sabedoria e resistência ao poder das seduções. O bem aparente muitas vezes está amalgamado ao entusiasmo imediatista dos desejos, disposto a desfrutar o que o momento oferece de melhor, enquanto o bem permanente averigua preocupações, enxerga com cautela o mais longe. A grande questão é como encarar a vida nas suas oportunidades, sem perder a coerência do conjunto, nas opções estratégicas e estruturadas, sem se deixar levar pelas paixões momentâneas e passageiras do prazer imediato e ao mesmo tempo, considerar as consequências que podem advir para si e para o entorno, nas escolhas feitas. Considerar a si próprio, mas ao mesmo tempo considerar o todo, onde o individual não pode ultrapassar ou negar o conjunto da humanidade viva, requer presença, atenção, compromisso e reconhecimento da alma.
Abraços ****
Vivi

SENTIR O QUE SE SENTE

Aparentemente poderíamos dizer de um lugar de redundância, pois se uma pessoa sente o que sente, certamente ela reconhece o seu sentir. Ocorre que, na realidade não parece ser tão simples assim, pois não é fácil sentir o que de fato se está sentindo. Há coisas e espaços internos que o ser humano não revela para o outro e nem para ele mesmo. Embora havendo uma busca pessoal e natural de autoconhecimento, de um conhecer a si próprio, o subterrâneo do mais íntimo de uma pessoa, fica muitas vezes inacessível, onde a mente é incapaz de se ver e se reconhecer. Sentir o que se sente, reconhecendo-se honestamente no sentimento, não tem sido uma tarefa fácil para o ser humano. Ao adentrar em territórios mais profundos de si mesmo, muitas vezes encontramos coisas e lugares indesejáveis. Nestes territórios, se não houver um profundo comprometimento ético consigo mesmo, discursos são construídos para mascarar a realidade interior de sentimentos que afastam e distanciam intensamente a pessoa de si mesmo. Sentir o que se sente, pede maturidade, compromisso com a verdadeira natureza do ser e somente aqui, teremos a oportunidade de transformação. É no revelar a si mesma, que a pessoa tem a chance de transformação e aprimoramento pessoal. Ninguém nasce pronto. Maturidade e autoconhecimento fazem parte de um processo de construção pessoal, no compromisso permanente com a dignidade e a responsabilidade por nossas ações, pensamentos, gestos e palavras. Se não conseguirmos revelar a nós mesmos o que pensamos e sentimos, estaremos marcados a viver na infantilidade, na hipocrisia interior. Revelar, é revelar a si mesmo o que se é. É ter a coragem de ser e sentir o que se sente, para assim sermos empoderados de si mesmo e empoderandorando-se ao mundo. Não é tarefa fácil, mas não consigo ver outros caminhos para a maturidade.
Abraços ****
Vivi

PODER COMO CONSTRUÇÃO

Ao longo da história da humanidade, no processo civilizatório, o poder aparece sob várias dimensões. Porém a face do poder como dominação, subjugação, intimidação, o poder da lei nas representações jurídicas, tem produzido efeitos quase que letais sobre a vida humana. Embora que tenhamos já a preservação dos direitos humanos e a preservação ambiental para a sustentabilidade necessária ao prosseguimento da vida, ainda não conseguimos tanto no plano social como no pessoal, compreender e operar o poder, não como algo que se tem sobre algo ou alguém, mas o poder como algo que se constrói e se opera nas relações interpessoais e intrapessoais. Se as relações são mutáveis e equânimes, não há como querer se apropriar do outro, coisificando-o, mas considerar o outro como um ser humano como eu. O poder está na interioridade da pessoa, na sua capacidade e empoderar-se, de conectar-se à sua potência, é um poder construído, maturado na interioridade de cada ser humano, afinal todos os humanos são potentes, porque a vida é potência. Nas relações, o poder é gerado entre as pessoas e portanto é co-construído dentro delas, onde cada indivíduo reconhece o outro na sua humanidade. Neste sentido, o poder é interdependente, surge na dependência conectiva entre as pessoas, onde cada ser humano pode oferecer o seu melhor na relação. O poder é construído na força das narrativas entre as pessoas, dentro das relações e por repetição, ele vai ganhando novas dimensões, ganhando faces mais empoderadas e menos desempoderadas. O poder quando compartilhado nas relações sociais, democráticas ganha empoderamento. O desafio para a humanidade neste contemporâneo é COMO, construir junto relações empoderadas, onde todos são incluídos como iguais, independente das leis jurídicas mas, a partir de leis internas onde a pessoa humana, tanto no plano privado como no público, se constrói na dignidade, no respeito, na responsabilidade, no compromisso com o potencial vivo da vida.
abraços ****
Vivi

QUANDO O EXCESSO É EXCESSIVO

Todo excesso acaba sendo excessivo, tanto para mais como para menos. Sempre que os limites são ultrapassados o sistema fica comprometido e as consequências enevitáveis. Ponderação, comedimento, atenção, presença, foco, são alguns dos elementos fundamentais para a manutenção e sustentação do sistema. Portanto, a grande recomendação, ” nada em demasia”, é cabível em todos os territórios vivos, seja nas relações interpessoais como intrapessoais. Ocorre que, nem sempre as pessoas conseguem sustentar estes elementos e na ânsia do querer, no apego às padronagens, acabam não considerando os limites, as bordas, as membranas, que delimitam e protegem os sistemas nas suas configurações e funcionalidade. Nesta atitude desconsiderada, não são poucas as pessoas que se encapsulam em verdades criadas para si, sustentadas pelas conveniências e favoritismos pessoais, que levam no mais das vezes aos excessos e excessivos na forma como conduzem a vida. Fechadas em si mesmas e sustentadas por “falsas verdades”, não conseguem se libertar do cárcere autoconstruído. Aqui me recorda Montaigne: ” a obstinação e a convicção exagerada, são a prova mais evidente da estupidez.”
Abraços ****
Vivi

AÇÕES FALAM

É através do fruto que se conhece a árvore. A qualidade do fruto é reveladora da qualidade da árvore. Sabemos por experiência que ser coerente nos pensamentos, palavras e ações não é um lugar interno simplista, mas algo que demanda coerência, comprometimento, transparência, profunda honestidade e clareza interior. Fato é que, as nossas ações revelam o que somos. Embora que possamos usar de inúmeros subterfúgios enganadores, na tentativa de mascarar para o mundo e para nós mesmos, aquilo que realmente somos e com o que estamos comprometidos, de alguma forma o nosso fazer evidencia os valores, as intenções e o sentido, que damos à nossa existência. Podemos até certo ponto, enganar o mundo mas a nós mesmos não conseguimos enganar, pois a nossa consciência fala no mais profundo do nosso ser. Portanto, não tenho como fugir de mim mesmo. Se rezamos sem fé, não há como sustentar por muito tempo este disfarce. Tudo o que fazemos e como fazemos, mostra o que somos e como somos, fala de mim, para mim e para o mundo.
Abraços ****
Vivi