FALSIDADE

A busca da verdade faz parte do senso de justiça, fundamental nas relações de convivência. Transparência e honestidade, são atitudes aprendidas na primeira infância e cultivadas ao longo de toda uma existência. Embora que o senso de justiça possa até ser inerente à pessoa humana, é necessário compromisso pessoal para a sua sustentação. Em territórios onde a aparência tem valor, sustentar o ser verdadeiro não é tão simples assim. Na conveniência do parecer ser, a falsidade aparece com certa frequência, são os falsos valores do favoritismo. Uma criança nascida em ambientes onde a mentira faz parte do jogo relacional, aprender o ser verdadeiro, transparente, honesto consigo mesmo, será um grande desafio, para impedir que pequenas mentiras passem a ser um modo expontâneo no conviver pessoal e relacional. Estar atento às falsidades, às enganações, às pequenas perversidades, para não fazer disto um padrão, é algo imperativo à humanidade, se quisermos uma sociedade mais justa e equânime. Assumir um compromisso de ser honesto consigo e com todos, sobretudo com as nossas crianças que aprendem com os adultos, já será um benefíco para uma grande mudança verdeira.
Abraços ****
Vivi

RESPEITAR

Respeito talvez seja a atitude mais importante para assumirmos e vivermos em todas as nossas ações e pensamentos. Todos queremos ser respeitados e devemos para isto respeitar a todos. Porém, uma pessoa só poderá respeitar outra pessoa, se souber se respeitar. Sua Santidade o Dalai Lama, nos propõe os três “Rs”: Respeito por si mesmo; Respeito pelos outros e Responsabilidade sobre suas ações. Se todas as pessoas puderem sustentar em suas relações interpessoais e intrapessoais estes três “Rs”, acredito que seria um grande avanço na maturidade do Ser Humano e da Humanidade. “Respeitar é simplesmente olhar de novo, RESPECTARE, esse segundo olhar com o olho do coração.”, nas palavras literais de James Hillman. Entendo que a atitude, é para ser despertada pela compreensão, cognitivamente mas, sem a via do coração, da amorosidade, dos sentimentos e percepção, ainda estaremos como pessoa humana, distantes do RESPEITAR. Refletir para compreender, mas igualmente abrir o coração, se disponibilizar na entrega de si para si, de si para o outro, de si para o mundo, e aí, nestes lugares da alma, poder pulsar na frenquência do Amor, mas há que cultivar, sempre, minuto a minuto, na plena atenção.
Abraços ****
Vivi

QUALIDADE DE VIDA E ATENÇÃO

Por volta dos anos de 1970, começou a tomar força slogans que faziam referência à necessidade de considerar a qualidade de vida no cotidiano das pessoas. Em discursos questionadores sobre o valor da materialidade, a questão era saber até que ponto o corpo das pessoas estaria em condições saudáveis para aproveitar o enorme cardápio oferecido pela tecnociência em franco desenvolvimento na época. Mas era um discurso que fazia referência aos países desenvolvidos, com acesso ao consumo de produtos e mercadorias. De qualquer forma, a questão foi levantada. Com a entrada da primeira década do ano 2000, esta proposta começa a ser mais intensamente refletida com a pergunta: de que qualidade de vida estamos falando? o que significa qualidade de vida? haveria diferença entre qualidade de vida e vida com qualidade? quais os valores estariam alimentando este discurso, uma vez que o capitalismo já permeava todas as instâncias da vida contemporanea? Penso que, em meio a todos estes questionamentos, cabe lembrar James Hillman, quando ele nos propõe a reflexão dizendo que: “A melhora da qualidade de vida depende da restauração de uma linguagem que preste atenção às qualidades da vida”. Se não ampliarmos nossa percepção a cerca do que significa qualidade de vida, continuaremos aprisionados na visão capitalista que apresenta qualidade de vida como um corpo “sarado”, musculoso, torneado nas academias e exalando suplementos vitamínicos em doses cavalares, para que continuemos a girar do roda daquilo que tem preço e não valor, onde a vida se resume a um corpo modelado e formatado pela mídia consumista, o “tanquinho” das novelas e revistas. Portanto, prestar atenção aos discursos, para não ser capturado por fórmulas e formas, que visam apenas o lucro, é ao meu ver de extrema importância, até os dias do agora e sempre.
Abraços ****
Vivi

SER PERCEBIDO

Quem sou? Quem sou eu ? Esta é uma das muitas perguntas que todo ser humano se faz ao longo de toda uma existência. A pergunta se repete sem uma resposta única, talvez algumas respostas em forma de outras perguntas. A busca de reconhecimento de Si, de Auto-conhecimento, segue colada à uma necessidade de uma experiência de intimidade. No espaço relacional dos encontros, as pessoas tem a chance de serem reconhecidas pelo outro, uma vez que é o outro que nos oferece reconhecimento. Ser, é ser percebido, percebido pelo outro, reconhecido e legitimado. Aqui se localiza a fundamental importância do cultivo da disponibilidade interna de reconhecer a humanidade do outro. É o olhar, o gesto, o tom de voz, a expressão do outro que permite o reconhecimento de Si, o Auto reconhecimento. Dignidade é um valor que não tem preço, portanto não confere troca, custo. Ser digno de ser, Ser Humano é dignificar outro que espelha a minha própria humanidade.
Abraços ****
Vivi

CONSERTOS DE UMA GRANDE ORQUESTRA

A música faz parte da vida de todos nós, animais humanos ou não humanos. Ser tocado por uma melodia é a experiência amorosa de um coração caliente. Ir aos consertos é um movimento que mobiliza milhões de pessoas no mundo todo. Ouvir uma boa música, estar junto no rítmo com pessoas que vibram no encantamento da musicalidade, alimentando a alma, é viver uma experiência única de infinito. Mas será que lembramos que somos tocados pela musicalidade da vida em nosso organismo? Somos capazes de captar, reconhecer e se encantar com o nosso organismo que é um verdadeiro conserto permanente de pulsos? É isto mesmo: há um conserto de pulsos, rítmos e imagens, que conduzem através de micro canais, uma orquestra pulsátil em nosso organismo vivo e que vai absorvendo o mundo nas aparições dos momentos, nos acontecimentos e encontros do nosso viver. Esta é a musicalidade que se expressa silenciosamente no mais íntimo do nosso ser, em consonância com um organismo que funciona, expressando a sua vida viva e permitindo sua aparição na melodia da respiração, da circulação, das secreções, da digestão, dos líquidos e fluxos, que se organizam no organismo vivo e saudável, para simplesmente expressar a canção da vida. Fazer contato com o conserto de pulsos em nosso corpo, com a nossa consciência, é viver pleno de si mesmo com todos os consertos e orquestras da biosfera. Sentir os pulsos somáticos e sentir os pulsos de uma Nona Sinfonia, é viver no pulso da “anima mundi”.
Abraços ****
Vivi

ONDE ESTÁ O MAL ?

Ao refletir sobre o bem e o belo, a face do mal e do feio aparece. Quando somos verdadeiros com o nosso ser, possuímos a beleza. A feiura nos transporta para a ordem do constrangimento, do ressentimento, são as respostas estéticas que ocorrem dentro da profundidade do nosso ser. Cabe aqui a pergunta: por que a feiura e o mal nos impressionam mais violentamente que o belo e o agradável? Talvez porque a doença deixe marcas mais profundas pela sua forma incongruente de ser. O mal não significa apenas a crueldade, a pervesão moral, o abuso do poder, o terror. O mal mais profundo é a sua forma eficiente de se programar, é o emburrecimento da monotonia, da uniformização que padroniza nos formalismos burocratizantes, no conformismo da não presença somática, da ausência de si mesmo. Ao refletir sobre o mal e o feio, é fundamental considerar que muito antes deles se expressarem nas ruas, eles acontecem em nossos pensamentos, uma mente que é contaminada por ter perdido o contato com o sentido estético, é um coração que não é tocado, fica inerte, entediado, fica anestesiado. O sentido estético da vida é a nossa sobrevivência, cultiva-lo é manter vivo o sentido da beleza, é permitir a revelação da essência da alma.
Abraços ****
Vivi

O MAIS ÍNTIMO

Ir ao encontro do lugar seguro é uma expressão quase ancestral de todo ser humano. Buscar refúgio, conforto, segurança é uma atitude recorrente da pessoa humana, mas como é difícil ter esta consciência para encontrar o caminho certo, que pode conduzir o humano para estes lugares. Ocorre que, este lugar existe mas não está na externalidade das coisas e do mundo, mas está no mais íntimo de cada ser humano. Há momentos na vida que esta busca é tão intensa que as pessoas até se perdem na aflição da insatisfação e na frustração de não encontrar o seu lugar de segurança. É quando a alma fala no silêncio do coração que sente e percebe, mas que a razão não consegue explicar nem apontar a direção. Ouvir o coração para ouvir a voz da alma, é fazer contato com a intimidade da pessoa humana. Respirar, sentir, trazer para dentro, captar, pausar para receber de si mesmo a expressão da alma, é um ato de entrega para conectar beleza e bondade, estética e ética, onde o bom e o belo não se separam, mas se unem num matrimônio espiritual. O mais íntimo de si mesmo é o mais próximo da alma do mundo, pois não há separação, há conexão, respiração, pulsação, reflexão, quando o Si mesmo pode refletir o Si cósmico. Ser íntimo de Si é ser íntimo da grandiosidade da beleza e da bondade universal.
Abraços ****
Vivi

O DISCURSO

Numa sociedade do espetáculo e entretenimento, onde todos querem marcar presença, evidenciando-se de todas as formas, como o falar em público, nos grandes ou pequenos grupos e se possível ter o registro da imagem nas mídias, os discursos não podem faltar. Um microfone, de preferência facilita o processo, ampliando sonoramente a comunicação, no uso dos recursos tecnológicos de modulação da voz, o discurso ganha dimensão. Contudo, não é deste discurso que estou me referindo neste momento, mas dos dircursos que são construídos em nossas falas internas a partir do que vemos, lemos e ouvimos todos os dias e que vão formulando linguagens e narrativas culturais do presente vivido. Me refiro aos discursos que são as lentes através das quais as pessoas em sua época, perceberam e percebem, pensaram e pensam, agiram e agem, sobre todas as coisas e modos de ser. São narrativas que cartografam o que as pessoas fazem e pensam, sem saber do que estão falando e pensando, pela absoluta ausência de percepção. Repetem, copiam e colam, na ausência de si e do entorno, onde as coisas acontecem. Sem a consciência destes discursos e dos dispositivos que por eles são acionados, não percebem que são agidas, abdicando da liberdade de serem agentes de si mesmo, no espetáculo vivo da vida.
Abraços ****
Vivi

O CHOCADEIRO

A preguiça e o acomodar-se na zona de conforto, são componentes da pessoa humana, que ao menor descuido podem preencher todos os espaços do ser. Depreciado e letárgico, o ser fica atrelado em padrões de comportamento que o impedem de acionar sua força interna, seu vigor, sua criatividade para encontrar novos rumos e caminhos mais potentes. Apesar destas atitudes, o humano é um grande chocadeiro, prova disto é esta imensa quantidade de conhecimento produzido e transformado em tecnologias, que impulsionam o desenvolvimento. O ser humano é chocadeiro para novos ovos, novas idéias. Sua fertilidade de idéias abrem novos caminhos onde o novo desponta, fazendo conexões, associações, mas sempre criando e avançando no seu processo de crescimento biosocial. Por ser livre, o sujeito pode inovar e transformar, chocando idéias e possibilidades que à primeira vista podem parecer contraditórias, mas que no todo acabam fazendo outras conexões que suscitam novas criações, produzindo ovos para serem chocados na chocadeira da vida. Ressistir à letargia é se fazer potente, é sentir-se parte de uma grande obra universal, é ser construtor de sua história em consonância com a história da humanidade. É poder e querer fazer a diferença sobre si mesmo e com todos os outros sujeitos humanos, irmanados na grande consciência cósmica.
Abraços ****
Vivi

POTÊNCIA E VONTADE

Quando pensamos em auto-estima talvez estejamos pensando em amor-próprio, sentindo uma vontade de potência. Por ser potente, a vida pulsa no humano vivo, mostrando-se através de inúmeras formas, esta força que a impulsiona, a vontade de ser potente, a vontade de viver o grande potencial da existência. Interessante é que, nada é capaz de fazer uma pessoa renunciar à sua potência própria, ” mesmo na obediência há resistência”, trazendo Nietzsche (1885). Nada é aniquilado na ordem do espírito. A vontade de potência não é neutralizada nem abolida mesmo no ressentimento. Mesmo ao suportar um infortúnio, há um sentimento positivo de um crescimento de si mesmo. Tal sentimento pode até se colocar escondido, pouco evidente, mas ele sempre está ali à disposição para ser acessado, porque ele é a própria força viva da vida. Querer acessá-lo e vivê-lo é uma escolha pessoal, mas a vontade de potência está presente em cada presente da existência. Fazer presença é acessar potência, acessar a vontade de amar a si próprio, é mais que auto-estima.
Abraços ****
Vivi