O CORPO E SUAS CAMADAS

Cada ser humano vivo, existe e habita um corpo vivo, que pulsa nos seus processos biológicos, históricos, sociológicos, dentro do fluxo evolutivo. O corpo vivo é uma anatomia que tem passagens e pulso por onde a vida se manifesta. Quando os pulsos podem pulsar em seus ritmos livremente e as passagens liberam os fluxos e fluídos, as secreções, as cascatas químicas, fazendo tecidos e formas, a vida é livre para passar e fluir, fazendo corpo. Os corpos se fazem em camadas. São as camadas do vivo que se muscularizam dentro de tubos e bolsas que se conectam em muitos COMOS, muitas formas. Refletir corpo, é pensar em camadas de COMOs muscularizados dentro do visceral. Somos seres encarnados. Se a pessoa humana viva tem acesso consciente das suas camadas e pulsos, ela está viva na sua potência. Porém, se está ausente de si, suas formas se empobrecem e o fluxo formativo diminui. Fazer presença de si, é estar encarnado e livre para dar passagem à vida dentro de um organismo vivo conectado ao grande organismo vivo, que é histórico, social e biológico, no grande projeto do corpo humano vivo, que pensa, sente, se adapta, cria, se constrói, amadurece, até cair da árvore da vida que certamente irá gerar mais vida.
Abraços ****
Vivi

O VÍNCULO E OS CORPOS

Agitação, pressa, urgência para tudo, excessos de todas as formas, competição, veloz velocidade, tempo sem tempo, este é o tempo que vivemos. Será que vivemos o tempo ou será que o tempo nos vive? Na aceleração o tempo modifica os corpos e as relações entre eles. A vida é vínculo. É no vínculo que as pessoas podem conectar sentimentos, sonhos, presenças, experiências, narrativas que vão compondo histórias pessoais e coletivas. Sem vínculo passamos pela vida e perdemos a oportunidade de perceber a própria vida nos corpos, nas histórias, nos ambientes. Quanto mais as relações exigem aceleração mais distantes ficam, afetando intensamente a formação dos corpos que não conseguem estabelecer vínculos, ampliando ainda mais as distâncias entre as pessoas e suas histórias. Neste cenário a cada dia mais aparecem corpos pouco vinculares, sem sustentação de vínculos e portanto longe do visceral e isto tem um nome: não reconhecimento de si. Se não me reconheço, não sou capaz de reconhecer o outro, nem compreendê-lo e portanto mais distância. Vivemos um tecido esburacado, onde os fios frouxos parecem não ter sustetação, onde um menor movimento se esfacela. Assim tem se manifestado nossas relações: ao menor desafio não se sustentam. Separação, distanciamento, susperficialidade, banalização, desqualificação, prepotência e carência, são apenas algumas das manifestações de relações cujos corpos não são capazes de vincular. Obesidade, anorexia, bulimia, fibromialgia e outras tantas algias… são evidências somáticas de corpos pouco vinculares, distantes de suas vísceras e de sua muscularização. Atenção ao tempo, ao COMO estou em relação ao tempo, pessoal e social é hoje de grande importância para alimentar e sustentar corpos sadios, plenos e potentes.
Abraços ****
Vivi

IMPERMANÊNCIA

Tudo que vive está em constante mutação. O vivo tem em si a mudança, que experimentamos momento a momento. Neste cenário, algumas mudanças são tão rápidas que causam um tremendo espando, trazendo com elas um certo constrangimento, um desapontamento que pode até paralizar. Como são tantas as mudanças, poderemos perguntar de que mudança? Biológiva, psicológica, social, estrutural. Trazendo para o plano do urbanismo, quem não experimentou uma sensação de espanto ao passar por uma determinada rua e verificar que aquela rua já não é mais a rua de ontem! Tudo mudou! As casas, foram derrubadas e a configuração já é completamente outra, fruto da urgência do capitalismo. Para o bem ou para o mal, fato é que tudo muda e cabe aqui a pergunta: como tenho eu lidado com as mudanças? Resisto ou absorvo? Como as mudanças reverberam em minha alma? O que o meu corpo fala quando está diante das mudanças? Envelhecer é mudar? Como converso com o envelhecimento numa sociedade onde os padrões de estética são altamente valorizados? Mais que pensar, refletir e discernir é fundamental.
Abraços ****
Vivi

AMOR E ÓDIO

Amor e ódio, um binômio que se antagoniza sempre. Visto que, quando estamos sob o efeito da amorosidade, os sentimentos de vingança e raiva não conseguem se manifestar, assim como se estamos tomados pelo sentimento da raiva, o amor não consegue penetrar. Descontroladamente, muitos são os que ficam capturados por esta gangorra, ora loucos na paixão ora loucos pela fúria da raiva. Todos os sentimentos têm permeabilidade no corpo e na alma de quem o vive, assim como no corpo e na alma de quem está ao lado. Por experiência, sabe-se perfeitamente quais são os desdobramentos do amor e quais são os do ódio. Se a raiva é negada, ela pode ser projetada sob outras vestimentas. A expressão do amor também muitas vezes é contida, causando também um certo desconforto pessoal. Viver o amor ou o ódio é uma escolha pessoal e todos sabem das conseqüências causadas por um e por outro sentimento. Aqui vem a lembrança de uma das belíssimas reflexões de Gandhi: “o menor gesto de amor é mais forte que o maior gesto de ódio.
Abraços ****
Vivi

AUTO-REALIZAÇÃO

Se quisermos apontar uma meta para a vida, acredito que muitas serão as pessoas que gostariam de poder chegar na auto-realização. Contudo, o que seria auto-realização? Que significa uma pessoa ser auto-realizada? Toda pessoa humana é portadora de imenso potencial: seus talentos, seus sonhos, suas experiências, sua vitalidade, suas relações, suas conquistas e perdas, são todos elementos reveladores da potencialidade de um ser humano . Ter a possibilidade de viver e se conectar nos ambientes, nos encontros , aprendendo e maturando, é ser capaz de estar no processo da auto-realização. Ocorre que nem sempre a sociedade oportuniza a auto-realização plena de seus cidadãos. Através de etiquetas padronizada, que objetivam atender os interesses de pequenos grupos detentores do poder, o ser humano fica impedido do seu direito legítimo de auto-realizar-se. Potencial todos possuem, o que nos falta é oportunidade. Sempre que o humano é impedido de sua legítima auto-realização, ele se frustra e com a frustração, as respostas de violência se evidenciam no cenário social. Portanto, cuidar da auto-realização dos cidadãos é um dever social, para que tenhamos saúde no corpo social.
Abraços ****
Vivi

COMEDIMENTO

Comedimento é uma palavra que tem sido esquecida do nosso vocabulário. Em nome da “verdade”, as falas muitas vezes se apresentam carregadas de violência que deturpam cenários, provocando reações agressivas que geram ressentimentos e mágoas. Em nome de uma etiqueta de autenticidade, muitas vezes o sinal vermelho das relações é ultrapassado. O comedimento é fruto do bom senso, do discernimento que é fruto de uma presença com atenção. Ter controle dos impulsos é fundamental para preservação das relações, dos vínculos, dos ambientes confiáveis. Quem sabe seja possível começar pelo mais fácil: “comer pela metade, andar o dobro e sorrir o triplo”. Alimentar um corpo saudável e um coração amoroso e feliz, pode ser um bom começo para o exercício do comedimento.
Abraços ****
Vivi

TRUCULÊNCIA OU COERÊNCIA

Diante de tantas mudanças no conviver, na diversidade dos arranjos relacionais, a educação tem absorvido uma grande quantidade de incertezas. A sociedade em geral tem cobrado dos educadores respostas mais efetivas frente aos comportamentos desagregadores, responsabilizando-os pelos desajustes e impedimentos na comunicação entre as gerações e os diferentes grupos sociais. Realmente, a educação é de altíssima relevância para a sustentação das relações sociais e a garantia do equilíbrio social e ambiental. Contudo, a responsabilidade educacional não pode recair apenas sobre a educação formal, entendendo que deveríamos ampliar o âmbito de atuação em que todos os cidadãos se responsabilizem por esta tarefa que exige um olhar mais refinado, ampliado e focado. Educação é coerência e não truculência. A força controladora e repressiva da truculência, constrói ambientes onde o desrespeito impera. Toda a ação violenta recebe uma resposta de violência. Se a relação de autoridade mudou nos cenários relacionais, é necessário encontrar dispositivos internos que possam sustentar lugares onde a coerência, o bom senso, o discernimento, o diálogo transparente e honesto, sejam a referência. Entender que a força bruta deseduca, requer uma mudança de paradigma. Contudo, para ser coerente com o outro tenho que ser coerente comigo mesmo, assim a educação começa com a auto-educação.
Abraços ****
Vivi

VERDADEIRO E FALSO

Em ambientes onde as ofertas de cura e resolução rápida de todos os problemas são incontáveis, há que ter muito discernimento e atenção para distinguir o falso do verdadeiro. Nos territórios da alma, das relações, da profunda sensibilidade, quando as pessoas se encontram desorientadas, elas acabam sendo altamente vulneráveis e não percebem que se deixam ser capturadas, por qualquer caminho que lhes é proposto. Portanto, distinguir o verdadeiro do falso não é uma tarefa fácil. Exige muita presença de si e clareza interna, para saber quais são os valores que sustentam as ofertas que se apresentam marqueteiramente diante de nossos olhos, oferecendo soluções rápidas e quase instantâneas, a um preço …….
Portanto, todo cuidado é pouco. Buscar o maior número de informações possíveis em fontes confiáveis é fundamental, senão caímos sem perceber nas mãos de “falsos” solucionadores de problemas de todas as ordens: psíquicas, emocionais, financeiras, relacionais, espirituais e vai por aí à fora. Prometendo o céu, a luz, a solução definitiva para todas as inquietações, os “falsos” gostam da ilusão e também do “dindim”, por que não? Na vulnerabilidade, idealiza-se mais ilusões que são apresentadas através de formas que acabam convencendo por narrativas aparentemente lógicas, mas que na realidade são profundamente desonestas e com alto grau de violência. Abrem-se as feridas e as largam sangrando, sem nenhuma responsabilidade. Portanto – CUIDADO e ATENÇÃO sempre! Olhar para si, ouvir o coração, respeitar os valores internos é fundamental. Boa Sorte !
Abraços ****
Vivi

A VÉSPERA E O AMANHÃ

No imediatismo o que importa é a urgência do agora. Sem pensar nas consequências e desdobramentos da ação, o imediatista age no impulso da prepotência. Sustentado por uma visão separada de si mesmo, o imediatista não considera a interdependência, em que tudo no universo está interconectado a tudo e age segundo suas próprias conveniências. Se tudo no universo depende de causas e condições, refletir sobre as consequências das nossas escolhas poderia evitar inúmeros desajustes relacionais, tanto no plano pessoal como no social. A responsabilidade dos nossos atos é portanto absolutamente pessoal. Meu futuro está na conformidade de minhas escolhas hoje. É na véspera que se decide o amanhã. Cuidar dos hábitos de vida, seja na alimentação, na atividade física, na forma como conduzimos a nossa vida, na qualidade das leituras, dos filmes que assistimos, nas companhias e grupos que frequentamos, nas horas de lazer, em fim em tudo que fazemos e pensamos, é preservar um futuro salutar para si e para seu entorno. A qualidade dos pensamentos que alimentamos em nossa mente e nas emoções que brotam em nosso coração, são todos elementos fundamentais que podem contribuir decisivamente para um futuro com mais saúde física, mental, emocional, relacional e espiritual. Entre o nascer e o morrer, a trajetória humana percorre um longo caminho. Fazer desta existência um tempo mais luminoso, seria o mínimo que poderíamos oferecer pela grande dádiva que recebemos da vida.
Abraços ****
Vivi

O PROFISSIONAL E O ARTISTA

Ao longo do processo de profissionalização, desde a escolha até a capacitação, a preocupação maior tem sido com o aprendizado das técnicas e a transmissão de grande quantidade de informações, que farão o profissional com perfil adequado para o mercado produtor e consumidor. Acredita-se que a técnica maquinal é suficiente para o bom profissional. Porém, não é isto que muitos profissionais tem experimentado no cotidiano do excercício de suas profissões. Neste quadro, o insentivo e excercício da reflexão tem ficado quase que ausente na formação profissional. O conhecimento técnico é fundamental contudo, sem reflexão, sem visão em perspectiva, fica um “buraco” na formação, pois na medida que o profissional entra na ação, se não houver um olhar mais abrangente toda a ação fica limitada. Na capacitação técnica dos profissionais perdeu-se o senso da arte, do criativo, do intuitivo, daquele lugar de curiosidade e aposta na inovação e sem estes elementos todo o processo de mudança fica repetitivo e estéril. Saber refletir, criar, adequar conhecimento e arte, nas diversas situações que todo profissional se depara em qualquer âmbito de atuação, é fazer a grande diferença, sobretudo nestes tempos em que os cenários se modificam constantemente. Estar preparado para atuar na mudança, é saber conjugar conhecimento e técnica com sensibilidade e criatividade, sobretudo considerando que ninguém é profissional sózinho mas, estamos todos numa grande rede relacional interconectada. Uma rede formada por seres humanos vivos, com histórias vivas, em ambientes vivos.
Abraços ****
Vivi