A IGNORÂNCIA QUE OFUSCA E CEGA

Tomadas pela força da ilusão, as pessoas criam “falsas verdades” para si mesmas, imaginando que o dinheiro compra felicidade e saúde. Engano total. Estes produtos não estão disponíveis nas prateleiras de lojas nem nas telas virtuais, mas dentro do mais íntimo da pessoa. Na cegueira preguiçosa da zona de conforto, escolhe-se ingerir gotas e pílulas ao invés de pausar, refletir e se conectar com o interior de si mesmo. Ocorre que, este lugar interno exige esforço pessoal, transparência, honestidade, boa vontade, humildade, para reconhecer-se, fazer contato com padrões que obstaculizam o fluir da vida. No ofuscamento cego da ignorância, opta-se pela facilidade do imediatismo e do instantâneo, sem querer saber de si mesmo e suas reais necessidades, recusando-se a parar para ouvir, ver, sentir, escondendo-se de si em seu próprio corpo. Os padrões mentais e a profunda resistência em reconhece-los gerada pela pura ignorância, traz mais infelicidade, com todas as consequências somáticas que comprometem a saúde do corpo, da mente e do “coração”. Estar atento às estas formas somáticas e existenciais é de fundamental importância para a maturidade pessoal e relacional, afinal a ignorância contagia, contamina e compromete pessoas e os espaços relacionais de nossa convivência. Reconhecer padrões que impedem a maturidade e reverte-los em potencial vivo altruísticamente para si e para os outros à sua volta, é optar pela felicidade pela qualidade saudável e sustentável da vida. É fazer corpo com mais potência, é dignificar-se.
Abraços ****
Vivi

E O DINHEIRO ?

O dinheiro tem sido super valorizado no capitalismo, tem sido a medida e a referência do que fazemos e do como nos apresentamos ao mundo. Triste! Temos reduzido a vida e o humano à lógica do mercado: ter e ter, a qualquer custo, sem medir as consequências. O dinheiro é importante sem dúvida alguma, mas não é tudo. Nas sociedades industrializadas o dinheiro é necessário. Se vou a um supermercado, preciso do dinheiro para comprar comida. Não há escambo. Nas sociedades agrárias posso plantar,colher, manufaturar e trocar. Porém o dinheiro não é tudo na vida. Existem três elementos fundamentais na vida: paz interior, saúde e bons amigos, amigos verdadeiros. Posso ter muito dinheiro mas sem paz interior, sem saúde e amigos sinceros, não tenho como sobreviver. O dinheiro não compra paz interior, nem saúde, nem sinceros amigos. Então, repensar o verdadeiro valor do dinheiro, acredito ser fundamental para a qualidade de nossa vida, de nossos relacionamentos, para a saúde da nossa existência. Pense nisto: onde e como tenho investido o verdadeiro sentido da minha vida? Há instâncias que o dinheiro me permite comprar, mas há instâncias que o dinheiro perde totalmente o valor. Onde estamos? Que escolhas estamos fazendo? São escolhas e portanto a responsabilidade é absolutamente pessoal.
Abraços ****
Vivi

CONVERSA CORPADA

Habitar um corpo vivo é estar presente dialogando com as formas, modos, gestos e expressões somáticas e emocionais. É estar presente na realidade de si mesmo. A presença é anatômica, tem forma e expressão, e forma é comportamento, assim como comportamento é forma. Conversar consigo e com o outro é sempre um ato somático. Toda conversa, é uma conversa de um “quem” presentificado na forma, uma ação muscularizada, de operações motoras e tônicas. Saber de si é também saber se reconhecer nas formas somáticas, nas muitas possibilidades articulares que o corpo permite. Estar no corpo vivo é um ato corporal que corpa consigo, com imagens e com os outros corpos, conjuntamente,fazendo tecidos que podem ser mais ou menos agregadores, tudo depende de “como” fazemos presença, é uma Pedagogia do Subjetivo. Portanto, cuidar da presença somática é cuidar de si, do outro numa conversa corpada.
Abraços ****
Vivi

A FORÇA DOS ENCONTROS

Nós, pessoas humanas que somos, vivas, vivendo suas vidas, dando passagem para a vida, do nascimento à morte, em cada uma das etapas, nos encontros, nos ambientes, nas histórias de todos e de cada um, conectando e formando corpos, neste processo intenso que é a vida. Interessante é saber que todo este mar de ações acontece nos encontros, nos vínculos, nos ambientes. A todo instante afetamos e somos afetados pelas pessoas, por seus corpos vivos nos acontecimentos. Toda esta enorme rede, muitas vezes desprovida da clareza perceptiva, vai fazendo política, cultura, histórias de vidas a serem narradas, que vão deixando impressões e com elas suas marcas somáticas e relacionais. É a força dos encontros. Os encontros com o semelhante e com o diferente, que tanto impacto causam em nosso ser, aproximando ou afastando. Encontros que marcam de uma tal maneira a vida pessoal, que são capazes de mudar toda uma tragetória de existência. Se presentificar nos encontros é fundamental, para que tenhamos a possibilidade de escolha, de construção de ambientes confiáveis que favoreçam o vínculo e qualificam o espaço relacional. Ter um olhar mais cuidadoso e afetuoso, mais compreensivo, conectivo e adaptativo, viabilizando encontros com mais sentido no tempo e no espaço de cada pessoa humana, talvez seja um caminho a ser percorrido pela nossa consciência neste presente, para que possamos juntos colher frutos mais saborosos e éticos da árvore da vida.
Abraços ****
Vivi

FELIZ OU INFELIZMENTE ……

Pensar corpo com uma visão reducionista, fragmentada da hiper especialização, através de tabelas estáticas e estéreis das estatísticas ditas científicas, descontextualizado da cultura, isolado dos acontecimentos, como blocos separados … me parecer ser uma forma empobrecida, que insiste em se manter no paradigma condicionante do controle e da previsibilidade, como se o corpo humano fosse mais um objeto solto no espaço. Este é um corpo desabitado por especialistas que não se dispõe a ampliar a reflexão e se atualizar na realidade. Infelizmente, são muitos que ainda permanecem amarrados neste lugar. Mas, felizmente já encontro pessoas e profissionais de várias redes, que pensam e entendem o corpo humano da pessoa humana viva, com um olhar complexo, sistêmico, interconectado, plástico, que pensa o corpo vivo inserido nos ambientes, nos encontros, acontecimentos, nas histórias, nos afetos, na vida presente que faz presença. São artistas, terapeutas, filósofos, psicólogos, médicos, engenheiros, advogados, cientistas… pessoas que optaram por problematizar, refletir e ter a coragem de sair de um script pré-estabelecido, para encontrar narrativas mais conectivas, com mais sentido para a vida que pulsa no corpo humano vivo de cada um de nós. Um corpo ético, político, que revela histórias pessoais e culturais, histórias do hoje e de muitos ontens, para construir futuros mais potentes, saudáveis, maduros, cooperativo e criativo, do vivo para o vivo.
Abraços ****
Vivi

CABER DENTRO SI

Sob um olhar superficial, parece estranho considerar a possibilidade ou até a impossibilidade de um caber dentro de si mesmo, um caber dentro da sua própria pele. Todos nós, pessoas que somos, possuímos um dentro e um fora do corpo. Um corpo que se relaciona com os ambientes externos, recebendo e respondendo a eles e também um corpo vivo que age e interage com espaços funcionais internos, fisiológicos, comportamentais, recebendo informações e respondendo às informações. O corpo vivo, do humano vivo, troca, pulsa, expande e recolhe,conecta-se, adapta-se na dinâmica da sua funcionalidade em função da sua história pessoal, constitucional, genética, cultural. Estar nesta estrutura relacional nos encontros, nos ambientes, na funcionalidade, nas mudanças, é habitar-se. É se apropriar de um lugar dentro de si mesmo para existir e não possuir um corpo, uma forma somática para se esconder de si e do mundo. Ser sujeito de si mesmo, é poder fazer escolhas e se manejar diante dos excessivos e dos assimiláveis, fazendo presença e se desenvolvendo na forma. O capitalismo, as forças esquizóides que puxam para o isolamento, as pressões culturais que capturam o corpo e as formas somáticas, impedindo a pessoa humana de habitar-se, deixa a sensação de não poder caber dentro de sua pele. Pela impossibilidade de suportar as forças dos ambientes e o jogo de pressões aprisionantes do condicionamento, a pessoa fica impedida de reconhecer a si mesma. Sem a presença, fica impossível fazer regulagens. Problematizar pode ser uma das portas de saída. Fazer perguntas ao corpo, se disponibilizar a ouvir as respostas do mais real de si mesmo, já é um bom caminho para transformar, formar no trans, nas passagens, através dos canais vivos da forma. Porém, este não pode ser um caminho ortopédico, de uma anatomia estática, que mede e mensura, mas um convite vivo ao vivo, no sentido de que a pessoa pode ser plena de si mesma, dentro da sua pele existencial.
Abraços ****
Vivi

CORROMPER A SI MESMO

Quando o corrupto corrompe o outro, ele na sua visão limitada, não consegue perceber que muito antes de causar dano ao outro, ele está causando grande dor a si mesmo. O pior é que ele entra num círculo vicioso: quanto mais ele corrompe, mais se desensibiliza e mais quer corromper, ficando dependente desta “droga” quase letal para si mesmo e para os outros, afinal ninguém está só e isolado do mundo. O malfeito destrói o malfeitor, antes de destruir os sujeitos que se submeterão ao mal. O grande desafio é quebrar esta corrente destrutiva, interromper o ciclo da violência. Construir e preservar relações de transparência, de honesta clareza, desobstruindo os canais de informações de tal forma que toda as informações possam circular livremente, tem se tornado a cada dia um dever necessário para desfazer os elos da corrupção. Neste sentido todos os cidadãos são responsáveis, cada pessoa humana é chamada à assumir atitudes e ações que venham a preservar e sustentar os valores éticos, a vida como um valor irrevogável.
Então, onde está você? A que time você pertence? È bom lembrar que a omissão é também uma forma covarde de alimentar a corrupção. Aqui vale a regra de ouro: não faça ao outro aquilo que não gostaria que fosse feito a si mesmo.
Abraços ****
Vivi

CORRUPÇÃO COMEÇA NO EU – PRIMEIRA PESSOA

São muitas as mudanças que a sociedade está vivendo e vendo todos os dias. Com as redes de comunicação a informação circula quase que em tempo presente. Hoje todos sabem de todos. As informações cruzam nas redes virtuais, graças a tecnologia, com rapidez e precisão de tal forma que os acontecimentos, driblagens, escolhas … nada mais é blindado, tudo pode ser visto pelo cidadão do planeta. Mas a onde começa a corrupção? O que significa ser corrupto? Corrupto é todo aquele age em favor de interesses e conveniências pessoais e/ou que favoreça um grupo específico de pessoas que venham a se beneficiar de vantagens, de todas as ordens, desconsiderando o outro e comunidade. Porém, muito antes dos desdobramentos ilícitos atingirem a comunidade de entorno, o próprio sujeito da corrupção transgride a si mesmo, ele é o primeiro a ser lesado pelo ato. O ato corrupto é fruto da covardia, do medo, do egoísmo, da preguiça, da desonestidade, da mentira, da falta total de escrúpulos. É um ato de espoliação,do aproveitar em benefício próprio. O corrupto é aquele que se sustenta por valores a-morais, valores transgressores da cidadania e do estado de direito. É o sujeito não ético. Apenas ele não sabe, ou naõ que saber, que muito antes de causar danos ao outro e à comunidade, ele é o primeiro a ser contaminado pelo vírus corrosivo e destruidor da corrupção. Ele é desleal consigo mesmo. Como mudar este cenário? Este é um grande desafio que nem as religiões não conseguem reverter este quadro vergonhoso do ser humano.
Abraços ****
Vivi

SENSIBILIZAR PARA MATURAR

Considerando o processo evolutivo e biológico, sabemos que a maturidade deve acontecer naturalmente. Se a vida tiver a chance de prosseguir apesar dos acontecimentos, a maturidade é uma etapa a ser conquistada. Conquistada? Mas ela não é natural? Natural é, afinal todo ser vivo ao nascer irá crescer, desenvolver, maturar, envelhecer e fenecer. Biologicamente esta é a receita da vida. Ocorre que do ponto de vista psicológico,comportamental, o que tem sido evidenciado em nossos relacionamentos, no conviver, é uma grande expressão de infantilidade. As pessoas tem se mostrado cada dia mais infantilizadas, naquilo que alguns chamam de adultecência, adultos adolescentes, ou seja adultos que se expressam com infantilidade. Será um medo de crescer? Medo das responsabilidades da vida adulta? Preguiça de assumir responsabilidades e compromissos frente às escolhas? Ocorre que, se não construirmos espaços relacionais viáveis à maturidade, mais adultos se mostrarão acomodados na zona de conforto da infantilidade, respondendo ao meio como crianças birrentas, mimadas, inseguras, em busca do prazer egoísta. Sem maturidade não há cooperação. Então, talvez seja necessário encontrarmos dispositivos que possam sensibilizar, motivar, oferecendo espaços mais confiáveis e transparentes para despertar nos adultecentes um lugar interno que os faça responder ao meio e a si mesmo de forma matura e responsável. Aqui o papel da educação é imperativo, associado à firmeza, clareza de propósitos, de forma ética e honesta, sem medo de viver a realidade da vida em sua plenitude e grandiosidade.
Abraços ****
Vivi