OUVIR A MELODIA DO INTERIOR

Quem de nós em algum momento já fez contato com a sua voz internior, aquela voz que diz alguma coisa e que muitos chamam de intuição. Fala-se: aquele é um sujeito intuitivo. Outros dizem: preciso aprender a ouvir e valorizar a minha intuição. Fato é que a intuição é um aspecto da subjetivação que todo o humano possui, basta acessá-la apenas. Porém, na agitação ansiosa de nosso cotidiano não somos capazes de fazer contato, ficando capturados pela superficialidade da realização de tarefas e mais tarefas do automatismo. Ouvir a melodia anímica do processo transformador da alma, é uma grande oportunidade do humano. A voz da intuição que está colada ao mais profundo do ser humano, a alma humana, é ela que nos diferencia de tudo o mais e ao mesmo tempo nos liga a tudo o mais, do grande macro à pequenez do micro, ao infinito “continuum” do ser vivo. O mistério dos mistérios, a preciosa melodia interior a ser ouvida como a grande melodia do divino que é a vida humana na vida planetária, cósmica.
Abraços ****

O NÃO DIZÍVEL

No território da racionalidade existem algumas formas lógicas muito conhecidas entre nós Homo Sapiens: interpretar, descrever, narrar, comparar, comprovar com evidências, analisar. São possibilidades comunicativas em nossas relações. A academia se vale destes recursos do intelecto fruto do cognitivo, produções do sistema cortical, muito bem adaptato à comunidade científica e à lógica do mercado capitalista. O pensamento linear, tão bem elaborado nos âmbitos sociais inclusive nos grandes tribunais,se evidenciando até mesmo no tribunal interior de nossa consciência, é o raciocínio lógico de nossos pensamentos, que analisa, julga e compara. Porém, há um aspecto da consciência humana que não pode ser expresso por palavras, sejam elas externalizadas ou ditas através das vozes internas dos pensamentos. Há uma face que não pode ser dita. Querendo dizer, perdemos. Podemos sentir, é possível reconhecer a presença mas, quando entra a palavra, desaparece imediatamente. Este é o aspecto da alma humana que alguns pensadores chamaram de “luminoso”, “tremendum”, impossível de ser dito, mas possível de ser vivido, sentido, reconhecido na presença. Existe o dizível mas igualmente existe o indizível, aqui se encontra o mistério.
Abraços ****
Vivi

VALOR À DOR

Estar no conflito, no sofrimento é estar em lugares de grande desconforto, sem direção, sem narrativa, onde as palavras se ausentam completamente e com elas também o eixo. Na dor todo um processo metabólico é acionado encurtando a respiração, modificando a temperatura corpórea, acelerando o pulso respiratório, apertando a musculatura visceral e tantos sintomas que só quem passa pode dizer do tremendo desconforto que é. Porém, a dor tem um valor, um grande valor, pois é ela que pode acionar, alavancar ações que em estados de equilíbrio talvez não pudessem evidenciar. A dor tem a potência da mudança, da transformação, tem a potência, porém, é necessário conectar-se a ela e colocá-la em ação. Criar, mudar, transformar é maturidade e crescimento, é fazer camadas perceptivas que em outros estados não seríamos capazes de construir. Toda a dor tem seu lado luminoso basta querer ver e viver, querer aprender para crescer.
Abraços ****
Vivi

VIDA COM POTÊNCIA

Vida com potência, vida com competência! Vida e potência, competente! O vivo traz em si o grande potencial da vida, que pulsa em ritmos de expansão e contração possibilitando a passagem do fluxo da vida. A VIDA QUER PASSAR. A fisiologia humana expressa a potência do vivo, no molecular, no elétrico, em toda a cascata química, formando e transformando células e produzindo tecidos sem interrupção, enquanto o vivo se manifestar. Quando o ser humano está no pulso da vida, no presente existencial, ele é capaz de fazer tecido, fazer corpo, corpar corpando com outros corpos e com os ambientes, agregando e fazendo mais camadas de si mesmo, na presença do seu presente. Quando se ausenta de si, funcionando no padrão de formas selecionadas ao longo da sua história, em arranjos para continuar vivendo, encalhado em estruturas pouco funcionais, este humano perde potência, ou melhor, deixa de viver a magnitude da potência que a vida lhe oferece. Este é um comportamento que acontece abaixo das reais possibilidades, que subtrai a si mesmo, fica aquém de si. Vida é potência e vivê-la na potência é ser competente para si, em si e para os ambientes no viver existencial.
Abraços ****
Vivi

VER O MUNDO RENOVADO

O conservadorismo excessivo tende a fechar os horizontes e impedir a visão em perspectiva. Atitudes restritivas obstruem a criatividade, que impedem a presença de possibilidades renovadoras e mais adaptativas em diversas situações, reforçando automatismos e condicionamentos que se mostram inadequados. O olhar contextualizado é fruto de uma prática, de um exercício contínuo, que alimenta voluntariamente um querer ver de forma renovada.O mundo está em constante mudança, em permanente transformação, exigindo caminhos cada vez mais agregadores e conciliatórios. Fechar-se em modelos pré-estabelecidos e ainda exigir a manutenção deles, é matar-se aos poucos, quase um auto-suicídio. Na sua qualidade visionária, Einstein afirmava:” Nenhum problema pode ser resolvido a partir da mesma consciência que o criou. Precisamos aprender a ver o mundo renovado”. Abrir espaços internos, se disponibilizar a ampliar a consciência na busca de lugares mais abrangentes e inclusivos, sem cair em visões ingênuas, mas sustentado pelo discernimento e bom senso, querer aprender e fazer melhor, com mais potência e qualidade, onde a vida possa ser considerada como o bem maior.
Abraços ****
Vivi

RUPTURA DA INDIFERENÇA

O viver pede sentido e significado. Estar nesta vida desorientado e sem direção, acarreta transtornos pessoais e relacionais que muitas vezes não conseguimos perceber. Nestes lugares acabamos caindo na indeferença, na superficialidade. A cultura da velocidade onde tudo se transforma em entretenimento, espetacularização e show, a priori pode parecer interessante mas na realidade é o grande afastamento da realidade, o afastamento do si próprio. Na distância pessoal, o sentimento de deslocamento do mundo conduz à insatisfação, que sem percepção nos captura para o consumo excessivo de “coisas” que não possuem o menor sentido, alimentando um círculo vicioso e patológico. Romper com a indiferença já é um bom lugar. Compreender que necessitamos ser amados e reconhecidos, que dependemos uns dos outros para existir e co-existir neste mundo, já é um grande avanço pessoal. Romper com a indiferença a si próprio, para poder romper com a indiferença em relação ao outro e ao mundo, é um desafio que demanda coragem e atenção, mas fundamental em tempos de aceleração e desorientação. Experimente sair-de-si-para-o-outro, é uma perspectiva de santidade e sanidade.
Abraços ****
Vivi

NA AVENTURA HUMANA …

Na aventura humana precisamos uns dos outros. Precisamos ser conhecido e reconhecido, para conseguir ser. Todo Ser Humano tem uma busca fundamental e visceral de ser reconhecido, ser compreendido como uma necessidade vital, tão importante quanto ser amado. Ser reconhecido é uma necessidade básica, radical, a busca por um outro que me compreenda e me inclua. ” O rosto é o começo da inteligibilidade. O encontro com Outrem é imediatamente minha responsabilidade por ele “, Emmanuel Lévinas.
Abraços ****
Vivi

ATERRAR E VOAR

Pensar em equilíbrio é pensar em polaridades. Na referência orgânica de um organismo vivo, considera-se os movimentos de expanção e recolhimento, os pulsos do vivo. Assim também os macro-pulsos, nas forças centrífuga e centrípeta. Porém o movimento para estar em equilíbrio precisa de um eixo, em torno do qual acontece e se organiza.O Ser Humano vive constantemente esta relação cinérgica com seus pulsos, tanto fisiológicamente como psicológicamente, buscando rítmo balanceado entre o expandir e o recolher, entre o receber, preencher e o doar, esvaziar, pois assim é a força da vida. Quanto mais em equilíbrio, ritimado e constante, maior é a capacidade do potencial vital do ser. Porém como expandir e recolher sem se deixar cair em extremos, que geram desequilíbrios comprometendo o sistema e sua homeostase. Psiquicamente precisamos da segurança confiante, advinda da base, do contato com a terra, com a sensação de enraizamento no solo, como também e igualmente do céu, do alto, das forças criativas da imaginação. Para o equilíbrio entre estes dois estados, é necessário o contato permanente com o eixo, físico e biomecânico como o eixo písiquico das emoções e cognições, dos pensamentos e sentimentos. O excesso de segurança pode levar à rigidez impedindo que os vôos da imaginação que favorecem a expressão criativa no mundo aconteça. O excesso de fantasias acarretam a perda da base, da segurança e referenciais. Portanto para aterrar e voar, é necessário manter equilibrado o eixo, o fio de prumo, fundamental no pulso salutar da vida e do viver. Este atento sempre!
Abraços ****
vivi

PRESERVAR A ALEGRIA

Ser capaz de sustentar otimismo, esperança, vitalidade, entusiasmo apesar dos desafios é ouvir a poesia da alma que pulsa e vibra apesar dos desafios. Sustentar presença na vida, nos ambientes, acontecimentos e contigências que o viver nos oferece, é ter olhos para ver e viver a força vibrante do Universo. Os desafios fazem parte da existência viva do humano. A dor caminha muitas vezes lado a lado com o prazer, a questão é perceber com que olhar irei ver , quem as minhas mãos irão tocar. São escolhas. Preservar a alegria apesar dos desafios, mesmo em tempos difíceis, é cuidar do alimento que vou oferecer à minha alma, é ter a coragem de ser, um Ser Humano, digno de sua dignidade.
Abraços ****
Vivi