CONCEBER E PERCEBER

Concepções e percepções não estão separadas, assim como o ato de conceber e perceber, não são atos separados ou isolados entre si mas interdependem. Sujeito e ojeto não se separam. O sujeito que concebe e percebe algo, ou um conceito que seja, não se separam mas interdependem, estão juntos. A natureza dos fenomenos objetivos e a natureza da conscientização subjetiva, não se separam mas interdependem entre si. Porém, a cultura muitas vezes apresenta uma equivocada impressão de separação, que não condiz com a realidade, afinal aquele que concebe e percebe é o mesmo que conceitua e interpreta o concebido e observado. Investigando mais cuidadosamente, podemos entender que nada existe independentemente mas tudo interdepende.
Abraços ****
Vivi

DEDICAR PARA MUDAR

Fala-se tanto em mudanças.Ser moderno é ser diferente, novo, criativo, é fazer a diferença. Mas o que seria “fazer a diferença”? Como sustentar o criativo em mim, a capacidade de renovar e inovar? O que é mudar? Mudar o que? Toda mudança implica em passagens, de um estado para outro. Porém, há que se dedicar no querer mudar para um aprimoramento, que talvez poderíamos chamar do “fazer a diferença”, mas uma diferença qualitativa e não uma diferença que venha atender um modelo capitalista produtivo e reprodutivo. Sem dedicação e refinamento perceptivo, pode-se correr o risco de “fazer mais do mesmo”, sem renovação. Portanto, atenção, cuidado, dedicação para renovar a partir de um querer livre e não de um dever obrigatório. No dever a criatividade fica oprimida. No livre querer a potência criativa tem a sabedoria para encontrar qualidade, que realmente transforma e forma plenamente.
Abraços ****
Vivi

GESTUAR PENSAR EMOCIONAR

Todo gesto é uma expressão corporal de pensamentos, emoções, sensações, direções. Gesto é movimento. O gesto expressa conteúdos internos que se tornam visíveis nos menores movimentos do corpo. O levar um copo à boca, o abraçar, acarinhar, mostrar, levantar, andar, afastar… são expressões de pensamentos e emoções. O olhar, o falar, o pegar, são manifestações de conteúdos e formas internas que se tornam visíveis, se externalizam. Toda expressão corporal é fruto de emocionares. Podemos até não ter consciência, mas é no mínimo movimento,nos pequeninos movimentos corporais que expressamos “fora, o nosso dentro”. O dentro e o fora, são inseparáveis, poderíamos até dizer “dentrofora”. São milhões de conexões neurais que se expressam em nosso corpo, mobilizando memórias, experiências, conhecimentos, aprendizagens, emoções e sentimentos. A vida é grandiosa, assim como grandiosa é a potência que existe em cada uma das nossas células e em todas as nossas expressões. Nos gestos o humano vivo pode expressar toda a sua potência, o maior e o melhor de si mesmo
Abraços ****
Vivi

O EXCESSO QUE DESORGANIZA

A questão está no equilíbrio, na justa medida, como diziam os gregos. Porém qual é a justa medida? Quando é o momento de parar ou de avançar na vida, nas relações, nas buscas, nas experimentações, no comer, dormir… em fim. Dizem os chineses, “é sempre bom que paremos antes do fim”, afinal o excesso desagrega, desorganiza, pode se tornar indigesto. Ser comedido, requer atenção, auto-percepção de si mesmo em todos os âmbitos da vida. Saber parar ou avançar, saber o quanto e quando parar como o avançar é sabedoria, que é fruto de uma presença refinada, corajosa e humilde, mas vale a pena tentar.
Abraços ****
Vivi

PARA PENSAR…

Na maioria das vezes os períodos maus e difíceis me têm dado resultados melhores que os bons e aparentemente prósperos: é preciso que eu tenha paciência, em vez de razão.
Preciso aprofundar mais as raízes, em vez de andar pelas ramas.
HERMANN HESSE
Abraços****

O VIVO PULSA

Tudo que vive pulsa, tem movimento, se expressa. A vida é inteligente e ela quer passar. O corpo humano vivo é canal de passagem da vida. O vivo é anatômico, tem forma, tem fronteiras que são permeáveis. O vivo troca, estabelece comunicação entre o que está na superfície com o que está na profundidade. Quando o humano bloqueia as passagens da vida através dos padrões de rigidez ele deixa de ser permeável, se desnutrindo. A teia da vida é passagem, fluxo, rede, comunicação, diálogo entre o que está dentro de um corpo com o que está nos ambientes externos ao corpo, mas dentro do grande corpo da vida. Assim os corpos se nutrem, se comunicam, aprendem, amadurecem, construindo tecidos com sentido, no pulso incessante da vida. Viver o pulsar da vida é participar da grande teia da vida, é o ser Vivo em plenitude.
Abraços ****

A ERA DO INSTANTÂNEO

Imediato, para ontem, na urgência …. são apenas algumas das expressões usadas na era do instantâneo. Esta é a era onde a pausa não tem espaço, pois tudo deve ser automático. A era do instantâneo tem roubado do humano a possibilidade de viver o processo, os tempos necessários para o amadurecer das coisas. Desapercebidamente somos incapazes de sentir, de ampliar o olhar e qualificar a percepção, perdemos o bom senso e com ele o discernimento. Entramos no território do auto-engano construindo narrativas para nos convencer, equivocadamente , de que estamos diante da posse de mais e mais informações e coisas, que na maior parte das vezes são absolutamente desnecessárias porque desconectadas com a realidade da vida. Sem fazer contato com os processos nos infantilizamos, construindo ambientes desprovidos de criatividade e vazios de profundidade. Ficamos na superficialidade repetitiva e condicionada. Cuidado, a pausa é fundamental, pois ela é orgânica e é ela que nos oferece o ritmo, regula o tempo, faz adequações e permite a reflexão.
Abraços ****

TEMPO É ESCOLHA

O tempo como o espaço é nossa realidade viva e presença permanente na existência de cada ser e de todos os seres. É através deles que os encontros e os desencontros acontecem, assim como todos os acontecimentos, do ponderável ao mais imponderável. Porém o tempo é fruto de uma escolha pessoal inserido no espaço de manifestação da vida. Como lidar com o tempo, como viver e perceber o tempo com seus ritmos e fluxos, é fruto de escolhas pessoais, absolutamente singular. O tempo existencial, cósmico está, é, permanece, independente da vontade pessoal, porém como vive-lo é escolha, opção. Toda escolha traz consigo um preferir e um preterir. Portanto, o manejar-se no tempo e no espaço do viver, é o reflexo da singularidade de cada um. Sendo que as escolhas trazem consequências, que trazem sequências, saber faze-las com discernimento, senso crítico, alegria, encantamento, determinação, pode acrescentar bons elementos aos ambientes que se formam. Lembrando que há tempo para crescer como há tempo para amadurecer, tempo para sorrir e tempo para entristecer, afinal tudo é vida, é “tempoespaço”, inseparáveis.
Abraços ****
Vivi