“EU” OU “NÓS” – “EU” E “NÓS”

Uma pergunta sempre acompanha as reflexões, quando se trata de mudanças e de ações transformadoras no plano do humano e suas relações de convivência, sejam elas pessoais ou coletivas. Por onde começar? Seria pelo indivíduo ou pelo coletivo? Talvez a resposta mais equilibrada poderia ser: atuar em todos os níveis,a um só tempo, afinal não seria este ou aquele mas, ambos ao mesmo tempo. Não se trata de considerar nem o individualismo nem o coletivismo. A questão não se refere a “eu” ou “nós” mas, “eu” e “nós”. Para encontrarmos um estado de felicidade, que todas as pessoas almejam, é preciso considerar sempre a autonomia e a criatividade como também e igualmente, o bem-estar do grupo. É preciso considerar e conciliar os interesses individuais, como também os interesses coletivos. Os obstáculos surgem nos exageros, quando o pêndulo insiste em permanecer nos extremos. O equilíbrio só poderá acontecer a partir de uma visão holística onde o indivíduo é também o coletivo, onde um “eu” é também um “nós”, pela própria responsabilidade de uma condição natural biológica e valorativa da cultura. A separação, a exclusão, os exageros dos extremos, a visão linear e reducionista, interfere  no equilíbrio. Os extremismos comprometem o pulso relacional entre um “eu” e um “nós” e ainda, impedem a cooperação e a coexistência. Indivíduo e coletivo, sujeito e grupo se completam, se complementam em relações de cooperação e linguagem, nos laços de afeto e vínculo, reciprocamente. O estado de felicidade acontece na harmonia entre o “eu-com-nós”.

Abraços   ****

Vivi

 

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS

Existe uma tendência a depositarmos mais foco nas diferenças do que nas semelhanças. Ao longo do processo de crescimento, somos levados a fazer inúmeras escolhas em nossa vida: escolher uma profissão, um trabalho, um parceiro sexual, um grupo de lazer , de tal forma que vamos nos diferenciamos e esquecemos as nossas profundas semelhanças humanas. A atitude de se diferenciar, focando com mais intensidade as diferenças, concorre para alimentar preconceitos e violências das mais variadas formas e expressões. No entanto somos também profundamente semelhantes, respiramos todos o mesmo ar e vivemos todas na mesma terra, apresentamos as mesmas respostas emocionais, as mesmas angústias, os mesmos padrões de comportamento e todos nós queremos ser felizes, todos nós buscamos a felicidade. Quando sobrevalorizamos as diferenças, corremos o risco de negligenciar as nossas profundas semelhanças como seres humanos, habitando o mesmo planeta, apresentando as mesmas expressões biológicas. Gostamos de pensar que somos únicos nesta história mas, esquecemos que esta história é comum a todos nós. Atitudes às vezes quase obsessivas de sermos diferentes, concorre para gerar incontáveis conflitos relacionais, pessoais e coletivos. Talvez, pudêssemos refletir um pouco mais e trazer à consciência as nossas profundas semelhanças como humanos. Compreender que somos diferentes em alguns aspectos mas, somos semelhantes em tantos outros. Com esforço e determinação, podemos ampliar o nosso olhar para reconhecer que fazemos parte, que dependemos uns dos outros na totalidade da vida. A consciência de nossas semelhanças, poderá abrir espaços para relações mais cordiais, mais gentis, com mais solicitude, gerando sentimentos favorecedores da empatia e da compaixão.

Abraços   ****

Vivi

 

DO “EU” PARA O “NÓS”

Enquanto estivermos alienados no condicionamento da separação, continuaremos alienados de si, do outro e do mundo ao nosso entorno. Um grande equívoco é acreditarmos que podemos viver sozinhos. A própria biologia é interação. O vivo é interação. Tudo que vive interage na interdependência em trocas recíprocas, apenas a cultura nos tem feito acreditar no individualismo, na separação, geradora de preconceitos e violências. Mudar a orientação do “eu” para o “nós”, requer reflexão consciente para analisar os benefícios de uma vida integrada e os malefícios, pessoais e sociais de um viver isolado no egoísmo, no auto convencimento, na prepotência. Mudar a orientação de uma visão de mundo isolacionista e entender que, a vida se faz a partir da reciprocidade, que a felicidade só existe junto, no compartilhar. Quando perdemos a nossa identidade como seres humanos, é preciso refletir, trazer à consciência os laços que nos une como seres humanos. Todo o Projeto Genoma evidencia que somos iguais como seres humanos e 99,9 por cento do código genético humano, é o mesmo para todas as pessoas. Mudar a direção, a orientação, o olhar, a visão de mundo do “eu” para o “nós”, requer esforço, reflexão, boa vontade para entendermos que a felicidade não se faz sozinha, que a felicidade não existe no egoísmo mas, que a felicidade emerge quando entendemos e agimos a partir dos laços de afeto que nos une como humanos, como indivíduos, como sociedade. O espírito comunitário se alinha à busca da felicidade, e todo ser humano quer ser feliz, quer se sentir pertencente e reconhecido em um grupo.

Abraços    ****

Vivi

COM QUEM CONVERSAR …

Pesquisadores da Universidade do Arizona e da Universidade de Duke, concluíram a partir de uma série de pesquisas que “nas últimas duas décadas, o número de pessoas que dizem não ter ninguém com quem conversar sobre assuntos importantes quase triplicou.” Segundo o Censo Geral  realizado pela Universidade de Chicago, “o percentual de pessoas que não possuem  amigos próximos ou confidentes chega a impressionantes 25 por cento da população norte-americana.”  Em 1985 outra pesquisa revelou que cada norte-americano tinha apenas três amigos próximos e em 2005, apenas dois amigos próximos ou confidentes. Estes dados revelam que as ligações sociais estão diminuindo consideravelmente e os padrões de integração social, estão se modificando evidenciando que os laços que nos une à uma comunidade e aos nossos vizinhos estão se desfazendo. Além das consequências deletérias geradas na saúde física, emocional e mental , “a falta de contato social e a falta de espírito comunitário podem ser os problemas sociais mais graves do novo milênio.”  São revelações de um grupo multidisciplinar de cientistas, trazidos pelo professor de psicologia da Universidade de Liverpool no Reino Unido, Robin Dunbar. O distanciamento entre as pessoas gera solidão e desconforto pessoal e social. A solidão que se alastra, compromete a felicidade no cotidiano das pessoas. O isolamento, o sentimento de separação entre as pessoas ou grupos, evidencia o declínio do espírito comunitário humano.

Abraços   ****

Vivi

ESTAMOS LIVRES OU ESPREMIDOS ?

 O sentimento de liberdade é algo que se conquista momento a momento. A liberdade é fruto de escolhas que se fazem na consciência. Quando nos deixamos ficar aprisionados pelas paredes estreitas de um ego que insiste no egoísmo, nos sentimos espremidos em suas paredes. Tudo fica apertado, desconfortável e o pior, nem sabemos a razão. Estar atento aos mecanismos de um ego inflado do autoconvencimento,  é fundamental para um sujeito que busca a sua liberdade. Não pode haver liberdade se nos deixarmos ser espremidos pelas paredes de um egoísmo. Revisitar estes espaços é fundamental para quem preserva a sua liberdade pois, ao menor descuido o ego pode nos capturar através dos padrões mentais que  se repetem no corpo e na mente de um sujeito desatento. Todas as pessoas querem ser livres e felizes mas,  nem todas as pessoas se reconhecem aprisionadas. Querer ver e distinguir liberdade de aprisionamento, requer coragem e amorosidade com boas doses de boa vontade.

Abraços    ****

Vivi

DISTINGUIR O ESSENCIAL

 Distinguir o que é essencial do que não é essencial no viver e conviver,  é sempre um ato de sabedoria. Distinguir em si mesmo, na sua vida interior, o que realmente é essencial do que não é essencial para uma vida equilibrada e harmoniosa, é saber o que tem valor, ou melhor, o valor da própria vida. O que tem valor? O que valorizamos no cotidiano de nossas vidas? O que, apesar de todos os desafios, não posso abrir mão? São perguntas a serem revisitadas cotidianamente pois, a todo momento somos levados a ter que   distinguir o essencial do não essencial em nossas vidas. Se não tivermos clareza poderemos estar investindo nossa energia naquilo que é desprezível, perdendo a essência da própria vida.

Abraços    ****

Vivi

ENCONTROS DA VIDA

 “Toda a vida é encontro” afirmava MartinBuber . A vida se faz e acontece nos encontros, nas relações que se estabelecem “entre”. Entre “eu” e “tu”, onde eu e tu somos humanos com todos os outros humanos. Quando reconhecemos a humanidade do outro a partir do reconhecimento da humanidade pessoal, aqui , nesta relação a vida cresce e floresce. Quando o outro é visto como um “isto”, uma coisa, a vida fenece, não há encontro, há repulsa, há negação da própria vida. É na relação, no espaço que se estabelece entre duas ou mais pessoas, quando elas  se reconhecem na sua humanidade, que a vida pode pulsar em plena sintonia. Não significa que tenha que haver concordância de ideias mas, respeito pela humanidade. As ideias fluem, a comunicação tem espaço para acontecer, quando há um livre trânsito entre as pessoas . Somos seres de linguagem e é na linguagem, na conversação, no diálogo, nas palavras ou nos gestos que os caminhos se abrem ou se fecham. A livre comunicação acontece somente quando as pessoas se reconhecem e se presam, em sua dignidade humana. Cada encontro entre duas ou mais pessoas, é sempre uma oportunidade que a vida nos oferece para se realizar através de nós.

Abraços    ****

Vivi

ÉTICA …

 A sabedoria de S.S. Dalai Lama  nos oferece mais uma inspiração: “ …minha firme convicção de que quando cada um de nós aprende a apreciar a importância crucial da ética e a fazer dos valores internos, como a compaixão e a paciência, parte integral da nossa perspectiva básica da vida, os resultados serão imensuráveis.”  Se pudermos seguir juntos, onde cada um de nós possa ser, em seu entorno, fonte de  referência e alavanca motivadora para construirmos um tempo mais justo e amoroso, certamente teremos um futuro mais promissor para as futuras geração. Todos podem colaborar, todos podem depositar seu talento, seu tempo, sua alegria, sua bondade amorosa, sua boa vontade,  para sensibilizar e transformar. Um simples olhar, um gesto, uma palavra bem colocada tem um poder imensurável, para o bem como para o mal.  Se queremos, se sonhamos, se almejamos, tempos com mais dignidade a tarefa pode ser iniciada agora. Vale a pena !!!

Abraços   ****

A MENTE ROUBADA …

Estados mentais aflitivos, sob fortes emoções destrutivas, obscurecem completamente a mente e roubam  por completo qualquer possibilidade de discernimento. São estados que deturpam  a visão e impedem o bom senso. Uma pessoa tomada por uma raiva intensa, em geral, tem 90% de sua qualidade de repulsividade  dirigida ao objeto da raiva, de forma altamente exagerada sob o domínio das mais diversas formas de  projeções. Uma das características das emoções extremamente destrutivas, é a perda de perspectiva. Sob o efeito da raiva, por exemplo, não se consegue pensar, raciocinar, discernir. A mente se torna uma presa da emoção destrutiva. Mesmo quando a emoção passa,  muitas vezes a pessoa ainda não consegue perceber as qualidades admiráveis do seu objeto de raiva. Portanto, o caminho para evitar tanto sofrimento é atenção à faísca, é estar atento aos gatilhos.  Apagar uma faísca é fácil, mas, apagar um incêndio nem sempre é possível. Há que ter atenção e determinação para cultivar emoções salutares para não ser roubado pelos vilões incendiários da raiva,  dos ressentimentos e de tudo que rouba a nossa paz interior e nosso bem-estar.

Abraços    ****

Vivi

BEM-ESTAR – PENSAR E AGIR

Quando estamos envoltos na motivação genuína de pensar e agir em função do bem-estar  dos outros, naturalmente somos nutridos pelos valores internos da paciência, da gentileza, da compreensão que permite o perdão, do contentamento.  Quando nos mobilizamos na direção do reconhecimento de nossa humanidade compartilhada nos fortalecemos e florescemos, tendemos a  ampliar a auto estima, a  autodisciplina através das diretrizes internas que oferecem mais entusiasmo e alegria ao cotidiano de nossas vidas. Quanto mais egoísmo, mais isolamento, mais prepotência, mais intolerância. Quanto mais solicitude, mais ampliação de uma consciência ética, mais saúde física, mental, emocional e espiritual.  Pensar e agir em favor do bem-estar do outro, da bondade amorosa compartilhada, traz maior senso de justiça e mais profundidade à motivação compassiva. Ser feliz é ser feliz com o outro, através do outro.

Abraços   ****

Vivi