COMPREENDER O MUNDO E A SI MESMO

O grande propósito da educação é permitir que uma pessoa compreenda o mundo em que vive e convive, compreendendo a si mesmo. São duas instâncias fundamentais para a formação de um sujeito, de um cidadão, de uma pessoa humanizada inserida no contexto de suas relações. Apenas um conhecimento acompanhado de reflexão, de experiência, intercambiado com as diversas áreas do saber, interconectado com a diversidade relacional e cultural, poderá formar uma pessoa plena de si mesma. As instituições de ensino não se destinam a repetições automatizadas de informações. O acúmulo de informações não garante mudanças nem constroem pessoas plenas e integradas em seu meio. Repetição e automatização impedem a liberdade, a dignidade, a capacidade de escolha e o pensamento crítico. Quando existe abertura e disposição para compreender o mundo e os acontecimentos, reconhecendo que tudo está interconectado, que dependemos uns dos outros, que nos construímos juntos e aprendemos juntos, abrem-se os canais para a autocompreensão, o autoconhecimento, a autocompaixão. Estes são os grandes propósitos da educação: formar o cidadão livre e crítico. Ensinar a pensar e não a lucrar! Acumular informações e papéis visando lucros, é entrar na rota da destruição da própria educação. Uma profissão não se escolhe  unicamente para lucrar. Escolher uma profissão é estar alinhado com o reconhecimento de uma missão pessoal. Compreender o mundo e a si mesmo, com profundo respeito e dignidade, assumindo a responsabilidade pessoal diante deste mundo, é a via da sabedoria, da maturidade, da plenitude do ser, da autorrealização.

Abraços    ****

Vivi

SOFRIMENTO DA POSSE

Há quem diga que o amor traz sofrimento, que o enamorar-se de alguém acaba em sofrimento. O sofrimento não está no amor, o sofrimento está na posse. Quando alguém quer a posse do outro, a posse da pessoa e do espírito desta pessoa, isto não é amor, é  possessão. Amar alguém é entregar-se gratuitamente. Quando duas pessoas se amam, se entregam gratuitamente um ao outro, oferecendo o seu amor gratuitamente. Não é o amor que leva ao sofrimento mas, a posse. O sentimento de posse do outro, em qualquer situação relacional, inevitavelmente desemboca no sofrimento. O amor livre é desprovido da posse. Há também quem diga que a posse é natural. Grande equívoco! Atribuir à natureza um valor moral é mais uma fonte de sofrimento. A natureza é a natureza. Misturar a natureza com a moral para justificar possessões, é servir-se à mesa da conveniência. O egoísmo não é amor. O amor nos faz mais humanos e dignifica a nossa humanidade. Em todas as relações e relacionamentos o que nos faz sofrer é a posse não o amor. O amor é encontro na gratuidade e liberdade. O amor é entrega livre.

Abraços    ****

Vivi

O SABER QUE TRANSFORMA

A atitude de disponibilidade para aprender, conhecer, alimenta a curiosidade, amplia a consciência, amplia percepção e as visões de mundo. Todos os saberes, todos os conheceres são fundamentais para o pensar. Quando o conhecimento se estreita a reflexão se empobrece, limita a capacidade de pensar. O especialista tende a se estreitar, repetindo as mesmas “fórmulas”, os mesmos modelos sem perceber a dinâmica do mundo, do conhecimento, dos contextos. Não se trata de quantidade de conhecimento, de acumulação mas, de ampliação, de diversificação. As artes, todas elas, do teatro à dança, da poesia ao romance, da pintura à escultura, dos museus às bibliotecas, das livrarias às encenações nas praças, tudo é aprendizado. São espaços onde a diversidade humana se manifesta, nos ritos, nas tribos, no transitar das informações criativas onde tudo se transforma, se cria e se recria em possibilidades onde a imaginação nem imaginava mas, acontece. Sons, imagens, cores, formas, jeitos, trejeitos, texturas, tudo se transforma em arte e prazer para uma consciência permeável, receptiva ao novo. Vozes, falas, ritmos, passagens para um saber de grande magnitude e juntos, com as escolas e os verdadeiros mestres, aqueles criativos, se unem, se irmanam na fraternidade humana. Aqui é a morada do saber que transforma. Um saber que alimenta a curiosidade, a vontade de aprender pela descoberta de si. Saber que é possível cantar e sonhar, se alegrar e dar as mãos, onde os corpos de fazem um só, o corpo do saber, da sabedoria da vida.

Abraços    ****

Vivi

O VALOR DA COOPERAÇÃO

Cooperar é aprender. Na dinâmica da vida, quanto mais se coopera mais se aprende, no compartilhar, no descobrir o novo, no conectar, ampliar, transformar, renovar, criar. A atitude cooperativa amplia a percepção, dimensiona o existir pela descoberta da capacidade pessoal, do contato com a própria potência. Diferente é a competição. Competir gera disputa, que despotencializa, fragmenta, isola. A competição é o alimento da guerra, da discórdia, do ciúme, da inveja, da vaidade, do orgulho. “O sol brilha igualmente em todas as bacias”. A potência da vida é uma só, e todos os seres humanos trazem em si mesmo a sua potencialidade e com ela suas competências, habilidades, talentos, virtudes. O nobre caminho é o da partilha, do compartilhar. Aquele que escolheu a competição, se coloca na disputa por medo, por vergonha ou até por um egoísmo do tipo infantilizado. O valor da cooperação se ativa na atitude cooperativa, na disponibilidade de oferecer ao mundo o seu melhor, com as alegrias e tristezas, conquistas e fracassos. Oferecer o melhor de si é ser integral, pleno de si, auto cooperativo. Cooperar consigo mesmo, para oferecer o seu melhor para si e para o mundo. A pessoa cooperativa se disponibiliza a cooperar com o mundo, com o outro, com a vida e com a sua própria existência. Cooperar é um ato de humildade e coragem, de bondade e generosidade, de presença amorosa e determinada.

Abraços ****

Vivi

SER ENGANADO OU ENGANAR-SE

Diante de tantos paradoxos frente às atitudes e escolhas de muitas pessoas no cotidiano, fica a impressão de que, ou as pessoas realmente se enganam ou, se deixam enganar. Escolhas e decisões precisam serem pensadas. Sem reflexão cai-se no efeito “rebanho”, ir com a massa. Sabemos que as mídias tem sido intensas no convencimento, de acordo com as “conveniências” de certos grupos políticos, partidários, empresariais, a serviço do capital. Diante dos cenários onde as “falsas notícias” aparecem em cena com certa frequência, a reflexão é fundamental, senão – “enganação”. Paulo Freire foi defensor de uma educação para reflexão, para um saber pensar com criticidade. Todo cidadão deve saber pensar e cabe à educação ensiná-lo a pensar criticamente, ou seja, saber perguntar, questionar, problematizar. Sem reflexão o cidadão é capturado como “massa de manobra”. Pensar e refletir são qualidades intelectivas que toda pessoa possui mas, é preciso ensiná-la a pensar e pensar bem. Existe um outro aspecto importante. Neste cenário pode aparecer um outro personagem: a preguiça! Esta nos impede de pensar.  Sem reflexão somos conduzidos pelas mídias, pelas falsas notícias, pelos estrategistas e manipuladores. Portanto, cuidado! Atenção! Enganar-se é diferente de deixar-se enganar.

Abraços   ****

Vivi

LEIS OU VALORES

O que rege uma pessoa em sua vida? Quando uma pessoa decide, sejam as decisões mais básicas do seu viver, até as grandes decisões em sua vida, ela se pauta pelas leis institucionais e regramentos sociais ou, em primeiro plano, pelos valores que norteiam a sua vida? Qual o seu guia de referência? O cotidiano do viver em comunidade, tem evidenciado que as leis institucionalizadas de alguma forma não tem sido valorizadas pelo cidadão. No que tange ao cidadão, é importante lembrar que, perante a lei todos são iguais, afinal, a lei é para todos. No momento decisório, o que vem em primeiro lugar? O Estado de Direito e todas as religiões, apresentam seus regramentos como garantidores do conviver em comunidade na diversidade. Contudo, diante dos acontecimentos, parece que estas leis não tem sido introjetadas pelo cidadão. Quando se trata de “poderes” meritocráticos, as leis parecem que tomam outra dimensão… Fato é que, “não é a lei que nos rege mas, os valores que nos guiam”. Se a honestidade, a paz, a justiça, o respeito, a responsabilidade e tantos outros valores fossem verdadeiramente respeitados pelo cidadão, talvez muitos dos acontecimentos causadores de dor, sofrimento e exclusão social não estariam em evidência. Acontece que, assumir os valores universais, é algo que requer reflexão, atenção, compromisso, comprometimento, consciência disciplinada e estas qualidades, acontecem no espaço de maior intimidade da pessoa humana. São eles que norteiam uma pessoa em suas decisões, das mais simples do cotidiano às mais complexas. Então, o que realmente é um valor?

Abraços   ****

Vivi

INTEIREZA E COMPLETUDE

Cada uma a seu modo e com suas particulares expressões, todas as tradições espirituais mencionaram a inconfundível sensação de completude e inteireza do ser. Uma experiência a ser vivida, muito mais vivida do que falada, mesmo porque, não há linguagem que possa expressar a experiência do “uno”, da inteireza do ser.  A ciência tem se dedicado a compreender o que acontece no corpo e em todo o sistema nervoso, quando uma pessoa chega a um estado de plenitude, quando uma consciência acessa um estado de inteireza e completude. As tradições espirituais apontam os caminhos mas, esta é uma experiência de “primeira pessoa”, absolutamente pessoal e imprevisível. É uma experiência epifânica! Uma experiência que transcende a vontade, onde  a razão e a intelecção não conseguem se aproximar. Sentir-se pleno, na inteireza e na completude do ser, na integração com todos os seres, com todo o universo, onde a consciência transcende o tempo e o espaço deixando apenas um eterno presente … Os místicos, os artistas, poetas e músicos em todos os tempos históricos e de todos os cantos da terra, de alguma forma apontaram para este horizonte. Sentir-se na inteireza do ser, é viver na plena atenção do presente de cada momento, de momento a momento, onde a vida é o que ela é.

Abraços   ****

Vivi

VERGONHA DA VERGONHA

A vergonha é uma emoção que faz parte da paleta de emoções de todas as pessoas. Na infância já experimentamos este sentimento sem saber muito bem como lidar com ele. A vergonha acompanha o humano e nem sempre uma pessoa é capaz de reconhecê-la, enfrentá-la e lidar com ela. A vergonha pode assumir muitas faces, pois é uma expressão pouco aceita socialmente pelo fato de em muitos casos estar associada ao fracasso, à derrota, à incompetência. Quanto mais baixa for a auto estima e mais alto e desafiador forem os ambientes relacionais, mais difícil é lidar com este sentimento, então camufla-se. Quando experimentamos afetos negativos, quando as circunstâncias interrompem os afetos positivos, a vergonha se manifesta. Mesmo que uma pessoa não tenha feito absolutamente nada de errado, ela pode se sentir envergonhada pelo fato de serem interrompidos os sentimentos de contentamento e alegria. Muitas vezes uma pessoa que foi vítima de um ato ofensivo se sente envergonhada, sendo que, quem deveria sentir-se envergonhado seria o ofensor. A vergonha é uma emoção profunda que merece mais atenção dos educadores, dos pais, da justiça, dos psicólogos e profissionais da saúde. Quando não trabalhada adequadamente, ela se manifesta em formas de hostilidade para si e para outrem.

Abraços    ****

Vivi

CURA – UM PROCESSO

A Saúde é fundamental para o viver e o bem viver. Preservar a saúde física, emocional, relacional, espiritual e ambiental, tem sido um desafio e um esforço permanente do ser humano. Desde as práticas ancestrais de cura à ciência médica e biológica, a saúde é um estado de completude e satisfação, necessária para a sobrevivência e a realização pessoal e social. Uma vida saudável, um corpo saudável, uma relação saudável, uma empresa saudável, é uma busca de equilíbrio que não se esgota. Como organismo vivo, seja no âmbito do macro como do micro, seus elementos integrados e interconectados estão em permanente mutação. É um equilíbrio que pulsa! Tudo que vive muda e se transforma. A mudança de um elemento do sistema interfere em todo os sistema. Estar inteiro, integrado, em interconexão entre os sistemas é ter saúde, e a saúde pessoal é estar sempre presente na natureza da inteireza do ser humano. Quando se perde a inteireza, a saúde necessita ser restabelecida e a cura é sempre um processo de fazer as pazes com a realidade e se readaptar. Como todo processo, a cura está ao sabor do tempo, do impermanente e do imprevisível. Os processos de cura começam com a compreensão do significado de fazer as pazes agindo no presente, momento a momento em consonância com a inteireza da vida. Atenção!

Abraços   ****

Vivi

SER HUMANO – SUJEITO DE DECISÃO

Acontecimentos e movimentos sociais em diversos locais do mundo, tem evidenciado a preocupação em torno do ser humano como um ser do mundo, no mundo e com o mundo. Um sentido antropológico do momento atual, que vem sendo sinalizado por inúmeros pensadores, inclusive o brasileiro Paulo Freire. Situar a pessoa humana dentro do seu contexto cultural, territorial e histórico, considerando-a como sujeito que tem a capacidade decisória sobre si e seu entorno, tem sido fundamental para encontrarmos juntos, como comunidade humana, os caminhos salutares para reconhecer a diversidade como elemento natural do humano e favorecedora de uma boa convivência. Somos plurais e individuais, somos sujeito de si habitando na comunidade humana e com a comunidade humana. Portanto, toda pessoa humana sendo portadora de uma existência pessoal e coletiva, de experiências vividas, de pensares, emocionares e agires, porta em si mesma conhecimentos, habilidades a serem legitimados e respeitadas. Libertar o humano para o auto reconhecimento de si, faz parte de uma educação libertadora e participativa e com ela a política, a saúde, as religiões.  A dominação controladora tende ao não reconhecimento do humano como sujeito de decisão. Quando a pessoa humana é reconhecida socialmente na sua capacidade decisória, é possível instrumentalizá-la para o discernimento, para o bom senso, para a reflexão. Este é o espaço democrático da verdadeira razão de ser da política, da justiça, da saúde, da educação e igualmente das religiões.

Abraços    ****

Vivi