O QUE NÃO EXISTE

A comunidade humana se encontra diante de um período histórico em que “não existe mais” e “não existe ainda”. Estamos suspensos entre estes dois pontos de uma crise de autoridade, de representação, de governança e direitos. Os modelos anteriores já não funcionam mais, estão obsoletos e “ainda” não encontramos as referências necessárias para um novo direcionamento. Uma situação e uma realidade onde a instabilidade das incertezas insistem em querer encontrar algo. Na medida em que novos projetos ou proposituras não surgem no cenário das ideias, mais especificamente, político, a tendência é a volta aos modelos tradicionais do controle. Tendemos a voltar aos fundamentos, ou seja, aos fundamentalismos.  Portanto, toda atenção é pouca, pois na vulnerabilidade do não existente qualquer “coisa” pode acabar servindo!

Abraços   ****

Vivi

UM INFINITO VALOR

Quando verdadeiramente fazemos contato com o momento presente, é possível reconhecer o infinito valor de cada instante de nossa existência. Abrir  a consciência para sentir a conexão com a “consciência da consciência”, é fruto de um exercício de atenção. Estar no presente de cada momento, distinguindo entre o que depende de mim e portanto, sou responsável, do que não depende de mim mas, das contingências, permite uma aproximação do valor do instante, do valor de uma presença no presente de sua consciência. O passado, aquilo que já passou e o futuro, aquilo que ainda está por vir, não dependem da vontade. Escolher se libertar dos aprisionamentos do passado e das projeções para um futuro, depende de um estado de consciência vigilante sobre o momento presente. A sustentação volitiva de um estado de atenção desperta, consciente de Si mesmo em cada momento presente, abre os espaços internos de contato e reconhecimento do infinito valor de cada instante. O tempo na sua dinâmica permanente vai transformando o futuro em passado. O tempo existe no presente de cada instante. Ser e estar presente, ou seja pleno na consciência de si mesmo, abre os espaços internos para valorizar o imenso valor o instante presente, o instante do “sagrado”.

Abraços    ****

Vivi

UM TEMPO DE PASSAGEM

“Creio que a chance de salvar a democracia como medicina preventiva contra o abandono, a alienação, a vulnerabilidade e as doenças sociais correlatas depende da nossa capacidade e da nossa resolução de olhar, pensar e agir acima das fronteiras dos Estados territoriais. Infelizmente, aqui não existem atalhos nem soluções instantâneas. Nós estamos no começo de um processo longo e tortuoso, nem mais curto nem menos tortuoso que a passagem das comunidades locais para a “comunidade não imaginada” dos Estados-nação.”  Nesta afirmação o grande pensador da modernidade, Zygmunt Bauman, evidencia com extrema lucidez a realidade enfrentada pela democracia e por todos os processos democráticos. Em 2015 este sociólogo já sinalizava a necessidade de ampliarmos a nossa percepção, para pensarmos os rumos, os obstáculos e os direcionamentos da democracia frente às incontáveis mudanças sociais.

Abraços   ****

Vivi

PASSADO, FUTURO OU REINO DA FANTASIA

No cotidiano de nossas relações encontramos com certa frequência, pessoas que se dizem ansiosas, agitadas, decepcionadas, que as fazem infelizes. Grande parte destes estados mentais que geram desconforto e insatisfação, diz respeito a um automatismo repetitivo de permanecer ausente do momento presente. As pessoas sofrem porque não conseguem estarem no presente, não conseguem serem o presente. Sempre que saímos do presente, a nossa mente tende a pendular entre os pensamentos e recordações do passado, os pensamentos que idealizam o futuro ou constroem mentalmente o reino da fantasia. Uma mente ansiosa, não percebe quando se alimenta dos ressentimentos do passado que a impede de agir com bom senso e sabedoria. Planejar o futuro é sem dúvida uma capacidade humana comparável a uma bússola, um mapa orientador. Contudo, quando a mente insiste em manter uma atitude de planejamento controlador, ela perde energia mental e emocional. Viajar pelos reinos da fantasia acaba se tornando uma fuga dos desconfortos do presente, fuga da ansiedade e fuga dos medos e inseguranças naturais do viver. A capacidade de fantasiar é admirável quando ela permite a criatividade, imaginar novas possibilidades criativas mas, quando se torna um escape do presente ela pode ser comprometedora. Quando a mente descansa ela permite a criatividade mas, quando se agita, se torna ansiosa, controladora o fugitiva da realidade ela perde a si própria, ela perde a sabedoria. Portanto, exercitar a atenção para se perceber, se reconhecer e estar no presente, é algo que fortalece a consciência e a presença no ser e estar pleno de si mesmo em cada momento do viver.

Abraços ****

Vivi

QUANDO O CORPO FAZ ALGO E A MENTE VIAJA …

Quando o assunto é atenção, não faltam pessoas que afirmam serem distraídas. Estar atento e sustentar um estado de atenção em um mundo agitado, frenético e cheio de estímulos e desafios, não tem sido uma tarefa fácil. A desatenção permanente gera estados mentais de insatisfação, dúvidas, solidão e sensação de não realização ou seja, estados mentais mais próximos da infelicidade. Infelizes, as pessoas se agitam ainda mais na ansiedade, se desorientam e não conseguem acessar estados internos de realização pessoal. Quando não estamos presentes na vida o sentimento de insatisfação persiste. A pediatra e professora de meditação, Dra.Jan Chozen Bays afirma que “Praticar Atenção Plena é focar atenção total no que está acontecendo fora e dentro de você – no seu corpo, no seu coração, na sua mente. É estar consciente de si e do entorno sem criticar nem julgar.” Estar presente e consciente nos momentos da vida, do viver cotidiano, apesar de todos os estímulos externos, é uma experiência gratificante. Estar desperto, presente, consciente de si e das coisas à nossa volta através de um estado sincero de atenção plena, permite reconhecer os momentos felizes da vida e os momentos infelizes. Quando os amigos se afastam, quando nos sentimos sozinhos ou cansados, ou frustrados, ou tristes experimentamos a insatisfação e a angústia da infelicidade. Contudo, quando aprendemos a estar presente no mundo do jeito como ele é, compreendendo a realidade transitória, naturalmente a angústia desaparece e a alegria surge naturalmente. Estar presente e consciente de forma sincera no corpo, em seus ritmos e pulsos,  nos seus  gestos e atitudes, juntamente com os sentimentos, as emoções e os pensamentos sem julgar, é estar comprometido com a extraordinária experiência ser um “ser unificado”.

Abraços  ****

Vivi

POR QUE NOS SUBMETEMOS?

Na linguagem comercial há quem diga que “se existe alguém vendendo algo, é porque existe quem queira comprar este algo”. Assim também acontece no plano das ideias. Compramos coisas e produtos, como compramos ideias e modos de agir. Como num jogo de cartas onde os jogadores saem à procura de seus pares. Diante da diversidade dos comportamentos, também é possível afirmar que se existem pessoas que subjugam pessoas, como acontece nas relações autoritárias, é porque existem pessoas que se submetem à subjugação. São relações correspondentes de encaixe, como chave e fechadura. Diante deste cenário, emerge a pergunta: por que pessoas se submetem ao autoritarismo? Seria porque este autoritarismo já está interiorizado na mente de pessoas? A despeito do poder e das leis existentes no autoritário, na pessoa de um autocrata que ocupa um lugar outorgado por um regime político, esta pessoa é uma criatura como outra qualquer. Um autocrata que faça uso de um poder que ele mesmo se atribuiu por uma posição que ocupe, aquele que se submete ao seu autoritarismo e suas arbitragens, é porque já tem interiorizado em seu modelo mental e emocional esta relação de aceitação e subjugação. Subjugar-se a algo ou a alguém, depende de um lugar interno de uma pessoa que se deixa ser subjugado. Quando pessoas aderem a um padrão de exigência de submissão, talvez seja porque elas não conseguem acessar a sua liberdade interior e portanto, necessitem para viver, serem conduzidas por outros ou por alguém. Relações de poder totalitário e de subjugação subserviente, nascem  na mente e nos corações do humano. Ter consciência deste jogo cultural que usurpa a liberdade da criatura humana, é fundamental para a saúde pessoal, social e coletiva em todas as instâncias do viver e do conviver.

Abraços   ****

Vivi

O BEM E O MAL

A compreensão do Bem e do Mal, é um tema recorrente na história da filosofia. É natural que todo ser humano queira se aproximar do bem e se afastar do mal. Se aproximar de tudo que lhe favoreça  um estado de bem estar, e se distanciar ou rejeitar os estados internos e as situações que lhes cause sofrimento e infelicidade. Contudo, grande parte da infelicidade humana provém de um querer alcançar ou manter bens que não podem ser obtidos ou, de buscar evitar os males que são inevitáveis. O Bem e o Mal caminham juntos. A questão que se levanta no processo de auto educação, é a compreensão de que só podemos buscar alcançar apenas o bem que podemos obter, e evitar apenas o mal que podemos evitar. Esta relação se encontra diante da liberdade da pessoa humana e diz respeito ao bem moral e ao mal moral ou seja, daquilo que depende do humano. As instâncias que escapam da liberdade humana necessitam de compreensão, bom senso, atenção, percepção ampliada da realidade, maturidade, senso crítico. Desejos desordenados e medos exagerados, são fontes de sofrimento. A incompreensão do significado do Bem e do Mal no viver da criatura humana, é fundamental para uma vida ordenada e equilibrada. A inconsciência e a negação à compreensão para se manter numa zona de conforto “ignorante”, é fonte permanente de sofrimento, infelicidade e mal estar. A desordem interior tende a responder ao mundo  pela via reativa ou seja, pela via da hostilidade. O reconhecimento pessoal da justa medida entre o bem e o mal, o que depende de mim e o que depende das circunstâncias externas, favorece estados internos e relacionais mais equilibrados, mais harmoniosos e mais plenos de contentamento.

Abraços   ****

Vivi

SABER DISTANCIAR-SE …

” Se o mal que sofremos e fazemos sofrer reside na incompreensão do outro, na autojustificação, na mentira a si próprio, então o caminho da ética – e é aí que introduzirei a sabedoria – reside no esforço da compreensão e não na condenação, no auto-exame que comporta a autocrítica e que se esforça em reconhecer a mentira para si próprio.” Com esta reflexão, o pensador e escritor Edgar Morin, destaca a importância de um saber distanciar-se de si mesmo, para se reconhecer e compreender as incontáveis justificativas que a mente humana produz para se enganar e enganar os outros. Ao mentir para si próprio, uma pessoa mente para as pessoas com as quais ela se relaciona. Toda mentira exige daquele que mente um discurso interno para justificar para si e para o mundo a sua escolha ou seja, mentir. Como toda mentira, é fonte de sofrimento para si, para o outro e para o meio relacional. Ter a coragem de distanciar-se e reconhecer-se neste círculo vicioso, já é um esforço ou uma tentativa de transformação. A mentira é fonte do mal e a verdade, a honestidade, a transparência, nutrem os caminhos da dignidade humana. Saber distanciar-se de si mesmo, se recolher e refletir com honestidade para si mesmo, é uma atitude de coragem, daquelas pessoas que trazem em si mesmas um espírito fortalecido pelo compromisso com verdade.

Abraços   ****

Vivi

HUMOR E RESPIRAÇÃO

Acredito que muitas pessoas já devem ter percebido o quanto a sua respiração se modifica diante de situações estressantes. Ambientes relacionais mais calmos, sempre é um convite para uma respiração mais tranquila. São experiências vividas no cotidiano que podem ter impactos importantes na qualidade de nosso ser e estar neste mundo. A consciência do “como” respiramos, pode afetar nossa saúde física, mental, emocional e relacional. Fato é que, a respiração de todas as pessoas se altera e se modifica conforme a situação, os ambientes e a qualidade de nossas relações. Respiração, emoção, pensamentos e sensações são elementos que estão diretamente relacionados, onde um altera o outro. Uma pessoa muito preocupada, ou melhor pré-ocupada, com situações que não estão acontecendo, não acontecerão e nem podem acontecer, cria cenários internos estressores que geram ansiedade, medo, agitação, ressentimentos, raiva e tantos sentimentos comprometedores da qualidade do seu humor, resvalando na qualidade de seus relacionamentos com as outras pessoas e consigo mesmo. São todos elementos que atuam diretamente no ritmo respiratório. Uma pessoa que cronicamente respira mais rápido e mais acelerado, tende a ter uma respiração mais encurtada que favorece estados mentais continuamente mais ansiosos. Por outro lado, uma pessoa mais consciente de si mesmo, de seu corpo, de sua respiração e de sua presença no mundo, tende a respirar mais lentamente favorecendo estados de humor mais saudáveis e com melhor saúde geral. Ritmo respiratório mais acelerado cronicamente, gera mais ansiedade. Ritmo respiratório mais lento indica atividade autônoma reduzida, humor e saúde melhores. Praticar o exercício de um respirar mais lento, mais equilibrado, mais consciente, pode favorecer estados mentais e emocionais mais bem humorados e com eles mais qualidade de vida. A consciência da respiração pode ser uma vantagem para quem quer viver melhor, mais alegre, mais bondosamente e com mais compreensão de si e deste mundo onde vive e convive.

Abraços   ****

Vivi

LEGITIMAR E SALVAGUARDAR

Salvaguardar, preservar e legitimar os direitos e valores humanos, a importância do conflito no contexto das relações e ainda a soberania popular, são os três elementos que fundamentam os processos democráticos. Os direitos humanos, alicerçados nos valores que sustentam a vida em todas as suas expressões, conquistados pela humanidade ao longo da história humana, integram os processos maturacionais de humanização dos seres humanos. A compreensão do conflito como uma necessidade de ampliação da percepção humana na dimensão psico-social, que inclui a diversidade como elemento criativo nas relações de convivência e as habilidades do diálogo inclusivo, tem sido um avanço civilizacional. O reconhecimento de que a soberania pertence ao povo e não ao governante, uma vez que este governante foi escolhido e eleito pelo povo como seu representante para atuar a serviço da população, é de fundamental importância no contexto político, social e cultural. Avançar no pensar, no sentir e agir democraticamente, inclui uma mudança de ótica tanto nos espaços públicos como nos espaços privados e ainda, atenção aos interesses do mercado e aos interesses que servem apenas aos privilégios de uma cultura de dominação e controle. Educar para a democracia, é educar para o diálogo, o respeito e a co-responsabilidade pessoal e coletiva, atuando no âmbito do público e do privado.

Abraços   ****

Vivi