CALMA E SATISFAÇÃO

Em tempos onde transitar nos grandes centros urbanos se tornou  ameaçador, onde o andar nas ruas movimentadas e agitadas nos fazem sentir inseguros, associado à intensa autocrítica e à vergonha que também são ameaçadoras, muitas vezes por não conseguirmos sucesso material e posição social, o sistema emocional se desequilibra gerando perdas em nossa saúde física, mental e relacional. Tanto a neurociência, como a psicologia ocidental contemporânea, como as práticas contemplativas orientais, indicam que a direção para retomar um estado de equilíbrio, está na capacidade de nos mantermos atentos às nossas emoções e às respostas, diante das situações ameaçadoras. O cultivo permanente e sistemático de um estado de calma e satisfação, tem contribuído para restabelecer o desequilíbrio emocional e as consequências disfuncionais geradas por este estado. A gratidão é um sentimento que pode transformar estados desarmoniosos em estados saudáveis. Ser grato não é apenas um gesto de educação e polimento mas, também e sobretudo, uma oportunidade que oferecemos ao sistema nervoso informando-o que o sistema de satisfação neuronal não está sob ameaça. O cultivo da gratidão favorece a empatia e a empatia, alimenta a compaixão. Compreender e reconhecer os estados emocionais e agir com clareza de propósito, tem sido um caminho fundamental para recuperar a saúde do corpo, da mente e das relações intrapessoais e interpessoais.

Abraços    ****

Vivi

O MEDO E A PAZ

A emoção do medo no contexto evolutivo apresenta uma função protetora, evitando que a vida possa correr riscos. Diante de uma ameaça é melhor evitar o perigo! Mas também o medo pode gerar impulsividade para o ataque, também como medida protetiva. Fato é que, conforme o histórico pessoal, as memórias, o ambiente relacional ou territorial, inúmeras respostas e reações podem emergir. Uma pessoa com medo pode se sentir acuada e paralisar-se diante de uma situação. Pode criar cenas mentais que não condizem com a realidade gerando mais insegurança, que geram ansiedades e contextos altamente deletérios. Uma pessoa com medo está distante de sua paz interior. Ambientes onde o medo de ameaças são fortemente constituídos, não pode haver paz, harmonia, equilíbrio, discernimento ou bom senso. O medo é a face oposta da paz. Um estado interior pacificado, é um estado onde o medo pode ser enfrentado com dignidade e clareza, fazendo florescer a coragem, a potência, a criatividade. O medo impede a paz e a paz, traz a coragem diante dos desafios e dilemas do viver. Reconhecer o medo já é em si mesmo um processo de busca de um equilíbrio interior.

Abraços   ****

Vivi

CLAREZA DE PROPÓSITOS

Em tudo que vamos fazer no cotidiano de nossas vidas, o fundamental é ter clareza de propósitos. Belas ideias, conhecimento fluente, posses,  perdem seu valor e sentido quando os propósitos são escusos, mal direcionados ou a serviço de conveniências utilitárias, funcionalistas, meritocráticas. Em tempos onde os resultados quantificados servem para atender demandas onde o valor financeiro está acima do valor da vida, as realizações perdem o seu sentido primordial. Em tudo o que vamos fazer, escolhas e decisões, é necessário ter propósitos sustentáveis, caso contrário perde-se a dignidade da tarefa. Em todas as profissões, em todas as práticas corporais, em todas as tradições religiosas, em todo programa alimentar ou de auto conhecimento, se os propósitos não estiverem claros não haverá durabilidade no tempo e sobretudo, as consequências podem ser danosas. Diz o ditado:”ninguém serve a dois senhores”, ou  “não é possível permanecer com os pés em duas canoas”, são alertas do cotidiano que enfatizam a importância da clareza de propósitos em todas as realizações. Inclusive nas práticas de treinamento mental, como o Tai Chi Chuan, a meditação ou mindfulness, se não houver além das práticas atitudes éticas de verdadeira compaixão, existe o risco destas práticas se tornarem modismos que servem as futilidades de uma moda passageira e inconsistente, não passando de “fogo de palha”. Ter clareza de propósitos na vida, é estar alinhado com os valores que preservam e dignificam a vida e ainda, sejam vividos no cotidiano, no conviver, no pensar, sentir e agir.

Abraços   ****

Vivi

EXIGÊNCIAS  DO  CONSUMISMO

Uma sociedade voltada para o consumo como fonte de prazer, exige de seus cidadãos faces felizes e bem-sucedidas. Impossível! Esta é mais uma narrativa que se expressa através de inúmeros símbolos, para que acreditemos que o prazer, o sucesso e a felicidade devem ser estados permanentes e necessários para uma vida social realizada. Se mantenha feliz e sempre será aceito e reconhecido socialmente!!!! Impossível!!! São as tais falsidades que se alastram pelas mídias que capturam as pessoas para criarem nelas a dependência pelo prazer de consumir como receita de felicidade. Primeiro porque o estado de felicidade e de realização pessoal, não se encontra no poder de compra de qualquer mercadoria, sejam ideias ou produtos. Segundo porque os estados humorais de uma pessoa saudável se modificam ao longo dos dias. Sentir-se mais entristecido além de ser normal é saudável. São os momentos de recolhimento que nos fazem pensar e refletir, e encontrarmos os recursos internos para lidar com as frustrações, as perdas, o luto, a separação. Estados introspectivos são absolutamente normais e salutares para uma vida equilibrada. Acreditar no prazer do consumismo com fonte de resolução dos medos, das inseguranças, da saudade, do envelhecimento, da solidão, é se deixar levar pela ignorância das paixões ilusionistas dos mentirosos insanos.

Abraços   ****

Vivi

NAS PROFUNDEZAS DO HUMANO

No fim século V monges egípcios decidiram se afastar das cidades mundanas a fim de se esvaziarem da ganância, da raiva, da presunção, do orgulho. O movimento monástico de contracultura, que emerge nos desertos da Síria, do Egito, Mesopotâmia e Armênia criaram as “cidades espirituais” segundo Karen Armstrong, como uma aposta à opressão da vida urbana. O desafio era “domar os impulsos violentos escondidos nas profundezas da psicologia humana”. Para superar a beligerância interna e atingir a paz paz interior, era necessário esvaziar a mente de tudo que dilacera a alma e fecha o coração para os outros. Esvaziar a mente das respostas egoístas, dos ressentimentos, das expressões da raiva, das retaliações, tem sido um desafio permanente para a pessoa humana. Não necessariamente este humano tenha que se retirar isolando-se numa vida monástica mas, que ao menos possa ter a consciência que, as armadilhas do ego alimentam e criam a guerra interna, que se transforma nas grandes guerras externas. Não apenas aquelas guerras do campo de batalha mas,as inúmeras guerras que são travadas diariamente nos pensamentos, nas atitudes corruptas do ego, nos padrões mentais e nos padrões beligerantes do comportamento, causando sofrimento pessoal e social, familiar e comunitário. Talvez se pudêssemos nos recolher por alguns minutos em nosso ser interior para esvaziar a nossa mente dos pensamentos raivosos e egoístas, pudêssemos encontrar a felicidade e a paz interior que já está disponível em nossa psiquê. A paz verdadeira já existe em nosso ser mais profundo, falta apenas acessá-la. Todo potencial de amorosidade já existe e está plenamente disponível, é só acessá-lo. Viver amorosamente é viver na paz que todas as tradições religiosas e espirituais já proclamaram e proclamam, até os dias de hoje.

Abraços   ****

Vivi

UM NOVO PROGRAMA A CONSTRUIR

Frente a tantas incertezas do cenário mundial, a inteligência, o “pensar bem”, o discernimento, a disponibilidade para compreender com honestidade os contextos e suas implicações, os atores são convocados a atuarem nas cenas deste espetáculo mundial. Tragédia ou comédia? A evidência apresenta ao humano cenas muito mais trágicas, onde os dilemas a serem enfrentados requerem grandes doses de razão e sensibilidade, conhecimento e clareza de percepção, temperança e consideração, ação e benevolência. O velho sistema não consegue mais dar conta desta realidade. Para construirmos um novo sistema precisamos ir juntos, em mútua colaboração. As cenas sinalizam com grande contundência que o novo programa a ser construído deverá ser “um programa de nós mesmos”, ou seja, um programa que inclua e se direcione diretamente ao ser humano, à pessoa humana na sua humanidade. Um programa que considere e alimente o ser humano, respeitando a sua integralidade e integridade. Um programa da consciência humana, um programa que inclua a dignidade da existência humana, de todos os humanos indistintamente e suas relações com a natureza e com a vida.

Abraços ****

Vivi

QUEM É O GUERREIRO ?

As figuras do herói e do guerreiro são símbolos que estão impregnados em toda as história das civilizações, tanto do Oriente como do Ocidente. São imagens revisitadas constantemente frente aos acontecimentos sociais, que assumem diversas roupagens, sendo recorrentes no imaginário cultural do cotidiano. O guerreiro como o herói, aparecem como os salvadores, atribuindo-se a eles o poder da coragem destemida de transformar, mudar, criar, renovar, recuperar os “destinos humanos” em muitas linguagens e performances. É possível que o cidadão comum tenha consciência do efeito destes símbolos mas, sendo imagens tão impregnadas num inconsciente coletivo, nem sempre se percebe o quanto elas ditam comportamentos na vida cotidiana. Contudo, para muitas tradições religiosas, ao longo do tempo, o guerreiro deixa de assumir seu caráter belicoso para se tornar um homem de paz. O guerreiro passa a ser “aquele que transforma o inimigo em amigo”. O verdadeiro guerreiro é aquele que domina suas paixões. Diante deste cenário, vale uma reflexão: como anda o “guerreiro” em nossa consciência? Como anda a coragem de perceber, reconhecer e transformar os pensamentos bélicos do ressentimento e da retaliação em perdão, compreensão, generosidade e benevolência? Esta é a verdadeira “força” interior a qual todos os dias, todas as horas e minutos temos que estar atentos e vigilantes, para assumirmos uma postura mais humana diante da vida e do viver, dominando as paixões e os impulsos virulentos em favor da honesta e verdadeira bondade amorosa.

Abraços   ****

Vivi

SE ESTAMOS EM CRISE …

Há quem diga que o mundo está em crise. Sistemas, governos, instituições, tudo mudando completamente e sem perspectivas ou direções. São vozes que insistem em voltarem-se para os modelos anteriores e vozes visualizando um novo mas, sem direção. Nestes cenários, o apelo à autonomia de cada um e à responsabilidade pessoal tem sido decisiva. Edgar Morin afirma que “toda crise necessita das qualidades individuais de inteligência e inventividade, e isso tanto mais pelo fato que ela atrai ilusões, remédios ideológicos, “bode expiatórios”. … uma mudança não pode ser senão multidimensional e necessita de várias mudanças simultaneamente.” Períodos de mudanças necessitam que vários inícios se operem conjuntamente, entrem em sincronia, em sinergia mas, é fundamental ter clareza dos propósitos. Quais são os valores a serem sustentados? O que não faz mais sentido e o que clama por mudanças? Se estamos em crise de identidade, de valores, de sentido e significado, é necessário saber para onde sopram os ventos, qual é a direção, o que não faz mais sentido e o que é preciso se transformar. Iniciativa, inteligência com discernimento, coragem, são elementos fundamentais. Para construir um novo sistema é preciso saber pensar o pensamento, saber agir com determinação e propósito, estar comprometido com a “luta contra a morte da espécie humana e a favor do nascimento da humanidade.” Edgar Morin

Abraços   ****

Vivi

DE TANTO MENTIR …

De tanto mentir, a mentira acaba se tornando uma “verdade”, a qual se acredita. Uma história criada para justificar uma conveniência, que vai emendando com uma outra história para justificar a primeira e assim sucessivamente, até ir ganhando força de credibilidade, são estas as fontes da mentira, que de tanto repetir passa a ser uma verdade! Portanto, muito cuidado com as fantasias que a mente humana cria para manipular, convencer ou seduzir alguém ou muitos alguéns. Esta é a trajetória da fofoca! Cuidado com ela pois, ela é altamente traiçoeira. Há quem diga que a propagando sabe muito bem como manipular mentiras para que se tornem verdades, de tal forma que as pessoas passem a acreditar e a seguir. Quem está lucrando com isto? As forças de poder. Assim aconteceu e acontece nos grupos de dominação e nas campanhas políticas, em toda a história da humanidade. A guerra moderna faz uso contínuo desta manipulação. Uma guerra que não mais precisa das armas bélicas mas, apenas da “arma” do convencimento das massas. Pensar, perguntar, refletir, buscar informações confiáveis é a chave para não ser capturado ou seduzido, portanto, esteja desperto!!! Não acredite em qualquer história, procure as fontes seguras e confiáveis. Além disto, cuidado consigo mesmo pois, criar histórias fantasiosas é mais comum do que imaginamos. As fantasias oferecem prazer e no prazer, o cérebro humano se arregala! “Quem conta um conto, aumenta um ponto!”

Abraços   ****

Vivi

O OLHAR DO OLHAR

Diz o poeta que os olhos são a janela da alma. Pergunta o pensador : com que olhos tu olhas o que olhas? O cientista diz: tudo depende do olhar do observador. Um olhar sempre pode ser revelador. Conforme o ângulo, a abordagem, o requadramento, podemos ver coisas completamente diferentes. Não olhamos apenas com o sistema ocular, com o aparelho anatômico e fisiológico da visão mas, olhamos através das nossas memórias, das nossas experiências pessoais, através das vivências nos ambientes nos quais convivemos, através da cultura, do tempo histórico, são todas lentes através das quais olhamos o mundo e os acontecimentos. Olhamos através da atenção ou da distração. Olhamos através das emoções e sentimentos, através da percepção. Olhamos através da “visão de mundo” que temos do mundo, através dos processos pessoais de aprendizagem no cotidiano do viver e conviver. De acordo com o olhar e com todos os diversos olhares,  interpretamos o mundo, apreendemos o mundo e nos manejamos no mundo. É o “olhar do olhar” que direcionará a capacidade de compreensão do mundo em seus contextos. Direcionará a atitude receptiva de querer compreender o mundo e os acontecimentos ou a atitude de bloqueio, rigidez ou negligência frente ao mundo, suas relações e histórias. Saber ver com clareza e olhar com atenção, também é fruto de uma consciência que se disponibiliza a querer compreender, maturar e crescer. Julgar sem contextualizar nos imediatismos impulsivos e reativos, sempre poderá causar distorções da realidade e com elas, hostilidades e hostilizações portanto, olhe com atenção e cuidado aquilo que olhas.

Abraços    ****

Vivi