CONFRONTO OU ENCONTRO

Ao longo de um dia sempre teremos momentos onde surge a necessidade decisória. Decidir e escolher, está diretamente vinculado a um preferir e um preterir. Sempre haverão situações em que teremos que fazer escolhas afinal, os conflitos sempre estarão presentes no cenário da vida. Os conflitos se apresentam das mais diversas formas. Alguns são mais suaves, outros mais intensos e contundentes. Contudo, diante de um conflito sempre haverá a possibilidade de opção: confrontar ou encontrar e tudo depende de um olhar, de uma certa visão de mundo. Todo conflito sempre será uma oportunidade de aprendizagem. Se a opção for pelo confronto, perde-se a oportunidade de aprender, transformar, criar, renovar. Se a opção for encontrar, certamente haverá a possibilidade de estabelecer-se um salto maturacional. Pausar para refletir sobre as opções, também faz parte de uma maturidade. Atitudes ansiosas e intempestivas,  geralmente comprometem o crescimento pessoal e sobretudo, a possibilidade de ampliação de uma consciência. Fato é que, a opção é bem clara: diante de um conflito é possível confrontar ou encontrar.

Abraços   ****

Vivi

 

PARA RECONCILIAR É PRECISO FAXINAR

Os ressentimentos alimentados por anos através da cultura, das memórias, das histórias, em algum momento ativam os desejos de vingança. Ressentimentos revisitados constantemente pelas lembranças e memórias, alimentam as emoções destrutivas que são fonte das distorções dos pensamentos e das falsas crenças. Quando a mente insiste em permanecer no passado, ela não consegue perceber as mudanças, perceber que o passado já passou e no presente, as configurações do passado já mudaram. Para haver a reconciliação é necessário que os ressentimentos, o ódio, a raiva, a injúria, o desejo de vingança e os ressentimentos estejam ausentes. É necessário uma grande “faxina” no corpo, na mente, nas emoções, nas memórias. Para perdoar é preciso compreender, ou melhor, querer compreender. Para reconciliar, é preciso trazer a compreensão para o presente. A reconciliação começa com a auto conciliação. Reconhecer que o momento é outro e é possível, encontrar outros caminhos  que conduzam à reconciliação, à pacificação ativa. Limpar a alma dos ressentimentos é um trabalho de presença, um exercício de compaixão ativa, de auto compaixão.

Abraços   ****

Vivi

UMA RESPOSTA DO MEDO …

O medo não é apenas um estado mental frente aos perigos, ameaças e incertezas que enfrentamos, é também uma grande emoção que se manifesta diante de circunstâncias desestabilizadoras do mundo. O medo é  responsável por grande parte da violência. A agressividade é uma resposta ao medo. O estado de insegurança frente a decisões, em que não se consegue reconhecer o medo, pode se expressar através de formas hostis, agressivas e violentas. Emoções fortes alavancam pensamentos que distorcem a realidade, pois impedem um olhar abrangente. Quando olhamos apenas uma parte da realidade e somos ainda, tomados por emoções como a raiva, o ódio, os ressentimentos, a indiferença, tendemos a criar distorções da realidade e responder ao mundo pela via da agressividade, da violência. O medo é um estado mental que existe em todas as pessoas. Quando reconhecemos o medo diante dos desafios do mundo e temos autonomia interna para direcionar nossas respostas, é possível transformar o medo em coragem. Negar o medo não é salutar para ninguém. Grande parte da violência, é fruto de estados mentais que criam projeções e distorções de pensamentos, que impedem a compreensão da real situação em que nos encontramos. Lidar com o medo, reconhecê-lo, olhar para ele de frente, nos permite transformá-lo, libertando-nos de um grande aprisionamento. O medo faz parte da condição humana mas, se destruir e destruir o outro e muitos outros, é inaceitável.

Abraços    ****

Vivi

PENSAMENTOS EMOÇÕES E DISTORÇÕES

Pensamentos acionam emoções, que acionam pensamentos, que acionam gestos, músculos, processos metabólicos. A grande vantagem de uma consciência atenta, de uma pessoa que treina a sua capacidade de perceber o fluxo dos pensamentos, das emoções e suas respostas somáticas, é a possibilidade de poder ter uma ação de intervenção sobre este processo. Uma consciência presente na consciência de seu corpo, em seu agir, seu  pensar e seu emocionar, pode se reconhecer. Através de  suas motivações, seus valores e intenções, pode fazer escolhas mais salutares e ainda, saberá como lidar com os seus fluxos e pulsos internos. O auto reconhecimento, a auto governabilidade, o reconhecimento de si, permite autonomia e liberdade, o que é fundamental para uma vida saudável e relações de convivência saudáveis. Ocorre que, quando não se tem consciência destes processos internos, a pessoa fica submetida às respostas impulsivas, instintivas, que ao longo de uma vida se tornam extremamente destrutivas e até perversas, causando doenças, maldades, e violências, para si e para os outros. Isto porque, os pensamentos sob o efeito das emoções são distorcidos, criam e alimentam falsas crenças, ressentimentos, raiva, ódio, ganância e ignorância. Aqui está a fonte da maldade!

Abraços   ****

Vivi

 

MATERIALIZAMOS O QUE ACREDITAMOS

O professor de sociologia da Universidade de Emory, EUA, Abbot Ferris, em suas pesquisas com mais de 11 mil norte-americanos, descobriu que “o julgamento que fazemos do mundo e da natureza humana em termos de bom ou mal pode afetar os nossos níveis gerais de felicidade.” A visão que temos do mundo, um olhar pessimista ou otimista do mundo e da natureza humana, é resultado de condicionamentos e circunstâncias ambientais onde vivemos e convivemos. Lembrando o quanto a mídia interfere também na forma como vemos o mundo, com histórias de violência ou histórias de gentileza nos noticiários. Fato é que, “nós seres humanos tendemos a materializar aquilo em que acreditamos”, na afirmação de Howard Cutler. Pessoas que acreditam na bondade imanente das pessoas tendem a serem mais felizes e a cada dia, as pesquisas trazidas por especialistas nas diversas áreas da ciência, tem evidenciado que a natureza humana é bondosa, compassiva, com grande preocupação com os outros.  A visão que temos do mundo pode abrir caminhos para uma vida mais feliz, com mais satisfação pessoal ou não. Há que refletir e escolher, há que perceber nossos condicionamentos, nossas histórias pessoais e encontrar os caminhos que irão favorecer uma vida direcionada para uma conduta mais bondosa e gentil ou uma vida voltada à hostilidade, ao mal humor e à displicência. São escolhas e responsabilidades pessoais.

Abraços   ****

Vivi

DEPENDE DO OLHAR

Embora tão sutil e quase imperceptível, um  olhar poder ser extremamente revelador. Olhamos mas, só vemos o que está na consciência de  nossa percepção, ou seja, o olhar está diretamente vinculado à nossa visão de mundo, ao como olhamos o que olhamos e como interpretamos o que vemos. Só tem realidade o que vemos através da consciência. Se não há consciência, se não faz parte do sentido, se não tem significado, podemos até olhar mas, não enxergamos. Na linguagem coloquial, os adolescentes dizem : “passa batido”! Uma presença com qualidade pode ver a realidade e ainda, pode ver além das aparências.  Ver o mundo e interpretar o mundo, depende de uma percepção interior. Há pessoas que insistem em interpretar, avaliar e julgar o mundo visto. Interpretar o mundo ou ver, sentir, perceber e se encontrar com o mundo. Não é uma questão de concordância ou discordância mas, de perceber e interagir com o mundo. O mundo é, como é. A realidade é, como é. Quem oferece a coloratura é aquele que vê o que vê, afinal, tudo depende do olhar que vem do coração.

Abraços   ****

Vivi

UMA PONTE ESTREITA…

A vida é pulso. Na dinâmica de seu movimento pulsátil a vida expande e recolhe continuamente e neste ritmo, ela se organiza e se auto recria. Na sua inteligência de seus milhões de anos, ela transmite informações em todas as dimensões, através dos seres vivos que constituem os organismos vivos e compõe o tecido da rede da vida. Do micro ao macro, do mais concretamente visível da materialidade ao mais sutil da consciência, do palpável ao impalpável, do mensurável ao imensurável, a vida se expressa e se constitui em corpos e organismos que se interconectam na sua interdependência natural. Como seres vivos, nós seremos humanos, pessoas, sujeitos, indivíduos que somos, fazemos parte desta rede viva com nossos corpos, nossa inteligência, nossas histórias, com nossa consciência, se integrando e se interconectando na interdependência com todos os demais corpos, inteligências e consciências, dos “minerais”,  dos vegetais, dos animais. Na sua diversidade a vida pede equilíbrio, ritmo, harmonia para sustar-se em seu pulso contínuo, expandindo e recolhendo. Neste equilíbrio perfeito, delicado e elegante, a inteligência da vida prossegue com sua sabedoria. A consciência humana se mantém permanentemente na busca pela manutenção e sustentação do equilíbrio da vida. Quando o humano se distancia deste equilíbrio ele adoece, física, psíquica, mental, emocional e espiritualmente. Estar em consonância com o harmonioso equilíbrio da vida, é estar em paz com a sabedoria da vida. A paz interior que toda pessoa humana busca em sua existência, pode ser comparada a uma ponte estreita que nós não precisamos ter medo de passar.

Abraços    ****

Vivi

O MEDO E A PAZ

A paz é ausência de medo. Onde se encontra o medo na relação com a paz? Será que temos medo do medo, ou nos falta a coragem de sustentarmos uma atitude de paz conciliatória?  O medo do medo nos afasta da paz interior, de um estado de clareza, de equilíbrio determinado conjugado com a doçura da bondade amorosa. Um estado interior de plena consciência, sustentada por uma auto deliberação onde a presença se permite ser verdadeira na sua firme grandiosidade como no reconhecimento de sua fragilidade. Um estado onde a potência da vida pode pulsar com equanimidade, em sintonia com o pulso da grandiosidade viva do universo. O medo da paz, é o medo de quem se assusta com a coragem de não ter medo. O medo da paz, é o medo da entrega consciente à dinâmica da vida. A paz não é para ser temida mas, para ser vivida com dignidade em conexão com toda a vida. Nenhuma pessoa humana viva está separada da vida. Estamos todos juntos, crescendo, aprendendo e nos construindo juntos no viver juntos. Nada está separado de nada no pulso do universo. Do macro ao micro, estamos todos interconectados e portanto, somos todos interdependentes. A consciência da  grandiosidade da vida, dos 14 bilhões anos de nossa história comum, nos permite ter a coragem de sermos dignos de viver uma vida onde podemos ter a coragem de sermos dignamente humanos, em nossa humanidade comum. Fazer parte, se integrar na dinâmica evolutiva da rede da vida em todo o universo em corpo e mente, em alma e espírito, em ser dignamente um ser humano e alimentar a paz no coração, é ser uno com o valor da paz.

Abraços    ****

Vivi

REFLEXIONAR-SE DIANTE DA ÉTICA

“Atingimos, agora, pela primeira vez na história, o estágio em que a sobrevivência da humanidade depende de quanto os homens possam aprender a submeter-se a reflexões éticas.”  Bertrand Russel   Apesar dos grandes  avanços da tecnociência, ainda resistimos a um olhar contextual, um olhar em amplitude, um olhar em perspectiva.  As formas rígidas e deformantes, insistem em permanecer na zona de conforto. Querendo liberdade, nos mantemos aprisionados em nossos estereótipos e preconceitos, que impedem a expansão da consciência para ver o mundo a partir de um pensamento mais amplo, que contemple a diversidade sistêmica  e a complexidade. Reflexionar-se, flexionar-se de novo, refletir com outro olhar, se dispor a pensar e perceber os sinais do mundo, fazer perguntas mesmo que não tenhamos as respostas que gostaríamos, pode ser um caminho mais ético para um contemporâneo desafiador para a alma humana. A desorientação pede a pausa, pede o silêncio interior para ouvir e compreender o que acontece, de tal forma que seja possível  encontrar  direções mais adequadas. A alma humana tem se mostrado inquieta diante de tantos desencontros. Estamos perdidos em meio ao pântano dos  paradoxos. Quem sabe possamos dar uma chance para a vida e com humildade, nos entregarmos a aprender a escutar a sabedoria da vida.

Abraços   ****

Vivi

SOLIDARIEDADE E DIÁLOGO

Será que existe uma pessoa que não queira viver em uma sociedade segura, confiável, cordial e justa? Será que existe alguém que não queira ser feliz? O ser humano por sua própria natureza necessita sentir-se seguro e legitimado, sentir-se confiante e cuidado. Pesquisas na biologia, evidenciam a necessidade que toda pessoa tem de sentir-se pertencente a um grupo que a legitima e inclui. Esta característica humana é tão expressiva biologicamente que, se não formos aceitos e legitimados em um grupo de relações positivas, iremos nos agregar a um grupo de relações negativas para sermos aceitos e reconhecidos. O humano precisa sentir-se pertencente a um grupo relacional, onde possa sentir-se seguro e cuidado. Portanto, a solidariedade não é algo apenas do plano das idéias mas, uma necessidade biológica de todo ser humano. Além disto, nós humanos somos seres de linguagem, de narrativas e é no diálogo que interagimos, que compartilhamos, que nos reconhecemos e legitimamos a nossa humanidade.  Sentir-se seguro e respeitado, acolhido e reconhecido, são fundamentos essenciais para a auto realização, ou seja, para a felicidade. No dialogar, no compartilhar histórias e talentos, no pertencer oferecendo e recebendo, no estar-junto de um viver-junto em segurança e confiança, que o ser humano expressa a sua verdadeira natureza e sua missão existencial: ser um Ser de Afeto, de Amor, de Reciprocidade Amorosa. A solidariedade e o diálogo são os fundamentos mais fortes para a Paz.

Abraços    ****

Vivi